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sexta-feira, outubro 28, 2011

Crise ainda não afeta grupos de comunicação

Crise ainda não afeta grupos de comunicação

Grandes agências apresentaram uma média de 9% em crescimento de receita no terceiro trimestre deste ano

Karan Novas, do

Carteira com dinheiro e moedas


Empresas como a WPP, Omnicom, Publicis Groupe, Interpublic e Havas tiveram altas significativas de receita neste terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2010

São Paulo - A possível desaceleração econômica global, aliada à crise de alguns países europeus, parece ainda não ter afetado o mercado de comunicação ao redor do mundo. Com os principais grupos apresentando novos balanços financeiros nesta última semana, não se vê, em nenhum deles, resultados que gerem insegurança para o futuro próximo. Ao contrario disso, WPP, Omnicom, Publicis Groupe, Interpublic e Havas tiveram altas significativas de receita neste terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, com média de crescimento chegando a 9% entre os citados.

A margem foi exatamente o que o WPP alcançou de crescimento em sua receita neste ao terceiro trimestre de 2011, o que representa o montante de £ 2,4 bilhões (US$ 3,9 bilhões). No acumulado do ano até setembro, o grupo obteve receita de US$ 11,5 bilhões, aumento de 12,9% no valor conquistado até o mês em questão em 2010.

Já o Omnicom atingiu, neste terceiro trimestre, um lucro líquido de US$ 203,7 milhões, alta de 16,7% em relação ao mesmo período de 2010. Sua receita cresceu 12,9%, chegando a US$ 3,38 bilhões. No acumulado de janeiro a setembro, o grupo teve acréscimo de 11,9% em sua receita, chegando a US$ 10 bilhões.

O crescimento orgânico do Publicis Groupe chegou a 6,4%, contando-se os meses de julho, agosto e setembro. Sua receita nos meses em questão foi de € 1,4 bilhão, 7,5% maior que a alcançada no terceiro quarto de 2010. A América Latina teve grande destaque no resultado, crescendo 42,3% no período, enquanto a segunda região que mais avançou foi a de Ásia-Pacífico, com 13,2%. Todas, porém, tiveram resultado positivo.

“Apesar da desaceleração econômica, que agora é visível para todos, nós manteremos nossa meta de crescer acima da média do mercado em 2011. Em um clima de incerteza e dificuldade econômica, vamos redobrar nossos esforços para chegar aos objetivos deste ano”, aponta Maurice Lévy, chairman e ceo do Publicis Groupe.

O terceiro trimestre de 2011 rendeu, para o Interpublic, uma receita de US$ 1,73 bilhões, crescimento orgânico de 8,7% em relação ao ano passado. No período, o lucro do grupo foi de US$ 173,2 milhões, mais de 70% de alta em relação aos US$ 100,2 milhões de 2010. Ainda de acordo com seu balanço, os nove primeiros meses do ano geraram US$ 4,9 bilhões em receita, acréscimo de 7,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

“Nosso forte crescimento orgânico foi guiado por uma grande intersecção de nosso portfólio, incluindo todas as disciplinas do marketing, tanto domesticamente quanto nas principais economias emergentes”, ressalta Michael Roth, chairman e ceo do Interpublic.

O Havas apresentou € 387 milhões (US$ 547 milhões) em receita no terceiro trimestre, um crescimento orgânico de 7,3%. Na divisão entre mercados regionais, todos apresentam alta, com destaque para a América Latina, com resultado positivo de 21,5% e representando € 40 milhões (US$ 56 milhões) de sua receita no período.

“Este é nossa melhor performance em crescimento orgânico nos últimos três anos. No acumulado desses nove meses de 2011, todas as regiões mostraram crescimento, lideradas pela América Latina, mas com força também em Ásia e América do Norte. Todas as divisões contribuíram para esse desempenho, incluindo a continuação de nossa aceleração digital”, destacou David Jones, ceo do Havas.

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segunda-feira, outubro 10, 2011

Governo prepara medidas para programa Tesouro Direto

Governo prepara medidas para programa Tesouro Direto

Principal novidade nas medidas, que comemoram os 10 anos do programa, é a redução do preço mínimo para a compra de um título, de R$ 100 para R$ 30

Wikimedia Commons/EXAME.com

Banco Central do Brasil - Brasília


As mudanças entrarão em vigor ao longo do primeiro semestre de 2012

São Paulo - Para comemorar os 10 anos do programa "Tesouro Direto" de vendas de títulos públicos pela internet, o governo e a BM&FBovespa vão lançar uma série de medidas de estímulo ao aumento de investidores e do volume de aplicações.

As mudanças entrarão em vigor ao longo do primeiro semestre de 2012 e fazem parte de uma agenda conjunta do Tesouro e da bolsa para modernizar o sistema de uso do programa e facilitar a vida do investidor pessoa física que quiser aplicar o seu dinheiro na compra de títulos do governo.

A principal novidade é a redução do preço mínimo para a compra de um título, que cairá de R$ 100,00 para R$ 30,00, informou o subsecretário da Dívida Pública do Tesouro, Paulo Valle. Segundo ele, as medidas estão sendo negociadas com a bolsa e serão lançadas no aniversário do programa, em janeiro do ano que vem. Como os títulos têm valor unitário elevado (o papel mais barato custa R$ 561,57), a redução do valor mínimo ajuda o investidor que não tem muito dinheiro para aplicar.

Hoje, o investidor pode comprar a fração mínima de 0,2 do preço do papel ou o mínimo de R$ 100,00. Em 2012, essa fração passará para 0,1 e o valor mínimo cairá para R$ 30,00.

Para o investidor que quiser reaplicar o dinheiro recebido no vencimento do título ou na hora do pagamento de cupom de juros, o valor mínimo para a nova aplicação cairá para uma fração de 0,01 do preço do papel.

O programa também terá um sistema para a compra programada de títulos. O investidor poderá automaticamente agendar antecipadamente as suas compras para uma determinada data, com a frequência que quiser. Esse mecanismo vai facilitar, por exemplo, a compra dos papéis pelo poupador que investe no Tesouro sistematicamente com um objetivo definido, como uma poupança para a educação dos filhos, compra de um carro, imóvel ou mesmo aposentadoria complementar.

Também será possível fazer o agendamento antecipado da venda do título. Quem quiser também poderá agendar a reaplicação do dinheiro recebido na hora do resgate do título ou do cupom de juros dos papéis que têm essa sistemática de pagamento, como as NTN-B (títulos atrelados ao IPCA). O sistema vai fazer automaticamente a compra de novos títulos para o investidor.

Segundo Valle, a bolsa está desenvolvendo um sistema para viabilizar o pagamento dos papéis por meio do DDA (débito direto automático) na conta do investidor. O governo estuda a proposta da BM&FBovespa para aumentar o valor máximo de aplicação no programa de R$ 400 mil para R$ 1 milhão.

A bolsa resolveu manter ainda em 2012 o programa de incentivo para as corretoras e bancos estimularem o uso do programa. Pelas regras atuais, a bolsa devolve aos agentes financeiros que tiveram boa performance do programa 50% do valor pago pelo investidor para a custódia dos papéis.

A bolsa cobra 0,30% de taxa de custódia sobre o valor dos títulos e devolve depois 0,15% para as corretoras que tiveram boa performance no programa. De acordo com Valle, de janeiro a setembro, foram devolvidos R$ 4,1 milhões às corretoras, o que corresponde a R$ 185,00 por investidor que manteve os investimentos. Para 2012, informou Valle, a devolução será de 0,10% e os 0,05% restantes deverão ser utilizados em marketing de divulgação do programa.

"Esse incentivo da bolsa tem dado muito resultado", disse Valle. Na sua avaliação, a parceria com a BMF&F, que teve início em 2008, tem sido muito bem-sucedida, o que contribuiu para a expansão do número de investidores do programa. O estoque de títulos do programa atingiu R$ 6,46 bilhões em agosto, com 259 mil investidores. A expectativa é que até o final do ano, o volume aumente para R$ 7,5 bilhões.

Vale tudo para atrair a atenção do investidor para o programa Tesouro Direto de venda de títulos públicos pela internet. O contribuinte com direito a devolução do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) está sendo surpreendido na hora em que fica sabendo que a sua declaração entrou no lote de devolução do imposto.

O aviso do lote da Receita Federal vem acompanhando de uma propaganda para o programa. "Confira as oportunidades que o Tesouro Direto traz", destaca o comunicado da Receita que vem com os dados sobre o processamento da declaração do IR. A Receita destaca que para o contribuinte que busca liquidez, segurança e rentabilidade, os títulos públicos representam uma "excelente alternativa" de investimento a custos muitos baixos. E depois recomenda que o contribuinte visite a página do Tesouro Nacional na internet.

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domingo, outubro 09, 2011

'Inflação vai recuar em outubro', diz presidente do BC

'Inflação vai recuar em outubro', diz presidente do BC

Folha

VALDO CRUZ
SHEILA D'AMORIM
DE BRASÍLIA

A inflação vai cair em outubro. A garantia é do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para quem "de jeito nenhum" o IPCA, índice oficial da meta de inflação, ficará acima da taxa registrada em setembro, quando atingiu o pico do ano ao bater em 7,31% no acumulado de doze meses.

Para Tombini, que chegou a prever que o ponto mais alto da inflação em 2011 seria em agosto, nem mesmo uma piora no cenário externo muda sua previsão. "Não. Estamos acompanhando isso. Temos coletas diárias e elas estão vindo, na margem, entre 0,30% e 0,40%", contra uma taxa mensal no mês passado de 0,53% e de 0,75% em outubro do ano passado.

Inflação sobe 7,31% em 12 meses; maior resultado desde 2005
'Ajuste moderado' nos juros ainda é compatível com inflação, diz BC

Em entrevista à Folha, na sede do banco em São Paulo, Tombini tratou ainda de embates que tem protagonizado, incluindo as acusações de que o BC, sob sua administração, se tornou mais imprevisível, assumiu mais riscos e está mais moderado no combate à inflação.

Essa postura lhe rendeu o apelido de "pombini" no mercado financeiro -- referência ao jargão que classifica de "pombo" banqueiros centrais adeptos de uma política monetária mais suave no combate à inflação.

"Se é essa a avaliação, eu estou muito bem acompanhado no mundo hoje em dia", rebate Tombini, que acredita ter sido convidado pela presidente Dilma por ter "afinidades" com ela.
Ele diz ainda que o BC não pode adotar uma política de ser imprevisível e que, no curto prazo, o país não pode ter uma meta de inflação abaixo de 4,5%.

Presidente engresso do quadro de funcionários do banco, ele espera terminar seu mandato com inflação na meta de 4,5% e um crescimento sustentável para o país, que ele calcula estar hoje entre 4,5% e 5%.


Editoria de Arte/Folhapress

A seguir, trechos da entrevista concedida à Folha na última sexta-feira, quando voltou a afirmar que o banco seguirá nos "ajustes moderados" nas taxas de juros.

Folha - O BC está aceitando mais inflação para não sacrificar crescimento. Isso não vai contra os princípios do sistema de metas?
Alexandre Tombini - O BC nunca falou que inflação maior no curto prazo seria necessária para evitar que a economia deixasse de crescer. O BC tem por princípio que o dilema inflação versus crescimento é um falso dilema. Você não cresce mais porque tem mais inflação. O que ocorreu no mundo é que a inflação subiu em todos os países. É um fenômeno disseminado. O que dissemos em março deste ano foi que prevíamos inflação no centro da meta em dezembro de 2012.

Então o mundo todo está tolerando mais inflação?
Não é questão de tolerar. A inflação subiu e sabemos muito bem que a política monetária age do lado da demanda. Tivemos no mundo inteiro um choque de oferta: as commodities (alimentos, petróleo), a primavera árabe, todas as questões da África e do oriente médio e o preço da energia subindo bastante. Com choque de oferta negativo, os BCs reagem a isso. O BC do Brasil foi um dos que mais reagiu. Não é questão de tolerar mais inflação.

O BC então fez uma adaptação do sistema de metas e passou a olhar 12 meses à frente e não o ano calendário?
O BC, dentro do regime, sem fazer qualquer ajuste, definiu como ponta de ancoragem dezembro de 2012.

Mesmo sabendo que pode estourar a meta em 2011, o BC mira 2012, isso não é uma ajuste?
O regime não mudou. Se mudasse, teríamos alterado a meta desse ano e não alteramos.

Quanto o sr. teme ter que escrever essa carta?
No relatório de inflação colocamos 45% de probabilidade disso ocorrer.

Não é um percentual elevado?
A nossa perspectiva é de redução da inflação, passando abaixo do teto da meta com 55% de probabilidade. A inflação está no pico, 7,31% ao ano, e vai cair até maio do ano que vem em dois pontos de percentagem. Já trabalhamos com inflação mais na faixa de 5% ao ano. Todo o mundo tem inflação caindo. Teremos inflação abaixo do teto [em 2011]. Se os outros 45% se materializarem, a inflação passará ligeiramente acima do teto, mas com perspectiva de redução.

Qual o custo econômico e político de ultrapassar o teto da meta em 2011?
A expectativa do mercado está em 6,52%, ligeiramente acima do teto de 6,5%. Isso já tem repercutido. O regime está preparado para essas questões. Dos países que seguem o sistema de metas de inflação, várias economias (Inglaterra, Nova Zelândia e outras) estão com inflação acima da banda ou acima da meta. Temos uma situação global e pode-se dizer que o Brasil não é um caso isolado de ter que lidar nesse momento com inflação mais elevada.

O dólar mais alto não comprometerá o cenário?
O movimento do dólar contra o real não vem desacompanhado. Mas tudo isso é muito recente, muito novo. O que sabemos é que a volatilidade é grande nesse período. Há turbulência no cenário internacional. E sabemos também que a economia global vai crescer pouco por um período prolongado em função da naturaza do problema, que é de confiança e tem a ver com o peso da dívida pública que tem que ser dissipado.

Ao reduzir os juros em sua última reunião, o BC ousou, fez uma aposta?
O BC não faz aposta. Quem faz aposta são os agentes de mercado. O BC tem um plano de voo. Desde o início do ano, nosso plano de voo, junto com outras políticas, era moderar o crescimento da economia brasileira. Há sinais cada vez mais nítidos de que essa moderação veio. Mas dissemos também que a política monetária atua com defasagem e que, no segundo semestre, a ação dessas políticas seria mais fortemente sentida. Isso vem ocorrendo. Nossa projeção era de crescimento de 4% [para 2011] até o relatório da semana passada. Em função da revisão dramática que houve no crescimento dos EUA, na zona do euro, no mês de agosto revisamos esse crescimento da economia brasileira para 3,5%.

O sr. chegou a prever o pico da inflação inicialmente para agosto, agora passou para setembro, com o IPCA atingindo 0,53%. Não teme que isso seja transferido para outubro?
De jeito nenhum. A inflação de outubro do ano passado foi de 0,75%. O Focus [estimativas do mercado] está com previsão de 0,48% [para outubro deste ano].

Então, a partir de agora a inflação começará a cair. Não há nenhum advento externo que possa mudar isso?
Não. Estamos acompanhando isso. Temos coletas diárias e elas estão vindo, na margem, entre 0,30% e 0,40% de inflação. Nossa perspectiva será um pouco mais alta do que isso, mas comparado com 0,75% de outubro do ano passado, são quase 0,30 ponto de baixa. Nosso horizonte é dezembro de 2012, mas em outubro a inflação em doze meses vai começar a recuar em 0,30 ponto, um pouco mais ou um pouco menos.

O BC reduziu para 3,5% a previsão de crescimento para 2011. O ministro Guido Mantega (Fazenda) e a presidente Dilma continuam trabalhando com 4%. Quem está mais otimista ou pessimista? Porque essa diferença?
O BC tem as suas premissas. Nossas previsões de crescimento são mais imprecisas do que as demais projeções, mas são as melhroes que temos internamente e divulgamos. O BC trabalha com autonomia nas suas avaliações, análises, nas suas decisões.

O sr. voltou a falar dos ajustes moderados na taxa de juros. Ajuste de 0,5 ponto percentual é moderado?
Não vou falar em níveis, mas comunicamos na decisão de agosto, quando reduzimos a taxa básica de 12,5% para 12% ao ano, que ajustes moderados seriam consistentes com a convergência da inflação para a meta de 2012. Essa visão de agosto, que foi o que levou o Copom a fazer o ajuste na política, continua válida.

O BC está com problema de comunicação com o mercado ou há má vontade com sua gestão?
Comunicação sempre pode melhorar. Acho que o BC tem um nível de comunicação bastante forte. Agora, é um processo que pode sempre melhorar.

A reclamação do mercado é que o BC de Tombini é mais imprevisível do que os anteriores. Como o sr avalia isso?
O BC não pode adotar uma política de ser imprevisível. A previsibilidade tem ganhos. Naturalmente, quando há muita volatilidade, muita incerteza, é natural que ocorram diferenças. Não é anormal que ocorra isso. Temos que botar nessa nessa conta o peso da maior volatilidade. Várias coisas mudaram. Hoje temos bancos centrais com inflação de 2,5% a 3% e taxa de juros de 1,5%, que estão usando instrumentos não convencionais para tentar restabelecer a normalidade dos mercados.

Quando o sr. acha que chegaremos a um juro de 9% ao ano como chegaram a prever ministros?
Temos meta de inflação, não de juros.

Declarações da presidente Dilma e do ministro Guido Mantega na véspera da decisão do Copom de cortar os juros criaram a impressão de interferência política. Até que ponto essas declarações prejudicam o trabalho do Banco Central?
O importante em relação ao tema é que o Banco Central trabalha com autonomia. Desde quando fui convidado pela presidente Dilma, em novembro do ano passado para assumir o BC, sempre trabalhei com essa premissa.

Como é sua relação com a presidente Dilma?
O presidente do Banco Central é ministro de Estado. Portanto e, principalmente em momentos de grande volatilidade internacional, temos que dialogar sobre economia global, economia brasileira. É normal que a presidente converse com seu presidente do Banco Central, seu ministro da Fazenda, para construir seus cenários. Naturalmente não são as únicas fontes de informação da presidenta da República, mas quero crer, sim, que a informação do presidente do Banco Central é importante para a presidenta da República formar sua opinião.

Com que periodicidade o sr. fala com ela?
Não tem isso de periodicidade, falamos por telefone, principalmente nesses momentos de grande volatilidade do cenário econômico. Conversamos bem.

Em algum momento o sr. se sentiu pressionado nessas reuniões com a presidente Dilma para reduzir juros e aumentar crescimento?
Não, absolutamente não. Há certa pressão em relação a qual é a visão do Banco Central em relação ao que está acontecendo. Uma cobrança de como o Banco Central está vendo o cenário internacional, brasileiro, cobrança natural no sentido de melhor entender esses cenários que se movem com certa velocidade.

A presidente costuma dizer que gostaria de o BC não repetir erros do passado, como na crise de 2008, quando acredita que o banco deveria ter reduzido os juros. Ela conversa com o sr. sobre isso?
Nós conversamos sobre cenários de economia, de mudanças, de dados, de tendências. Não conversamos sobre decisões passadas nem futuras, mas sobre o que está ocorrendo.

O pensamento do sr. não é parecido com o dela, porque naquela época, quando era diretor do BC, o sr. chegou a defender um corte de juros que acabou não acontecendo?
Bem, se ela me convidou para ser presidente do Banco Central é porque deve haver alguma afinidade.

Como o sr. avalia a questão fiscal?
É uma variável exógena, que o Banco Central não controla. Nossa hipótese de trabalho, explicitada no relatório de inflação, é de um resultado fiscal de 3,15% do PIB neste ano e de cumprimento da meta cheia ao longo dos próximos anos, em torno de 3,10% do PIB.

O sr. não teme a questão fiscal no próximo ano por conta de pressões por gastos, como salário mínimo?
O Banco Central, de novo, trabalha com a hipótese de cumprimento da meta cheia do primário. Como isso vai ser alcançado, é decisão de governo.

Temos uma meta de inflação de 4,5%, uma das mais altas do mundo, quando o Brasil vai estar preparado para reduzi-la?
Nós vamos ter de avaliar o cenário global dos próximos anos para responder com precisão a essa sua pergunta. O cenário global mudou bastante, estamos entrando numa nova fase da crise. O que vai resultar lá na frente temos de avaliar ao longo do período.

No curto prazo não dá para reduzir essa meta.
Não, no curto prazo não.

O mercado faz definições sobre o comportamento dos banqueiros centrais. No seu caso, o sr. é avaliado como um economista com uma postura mais de pombo, adepto de uma política monetária mais suave, do que de falcão, mais conservador e ortodoxo. O que acha disso?
Se é essa a avaliação, estou muito bem acompanhado no mundo hoje em dia.

Por quê?
Porque no Brasil infelizmente ainda temos a taxa de juros mais elevada entre todos os países. Onde está a taxa de juros do Banco Central Europeu? Em 1,5%. Do Federal Reserve? Entre 0% e 0,25%. No Brasil, nós temos taxa de juros de quase 12%, a inflação acumulada em doze meses é de 7,3%, perspectiva nos próximos 15 meses de 5,5% pelo próprio mercado, uma taxa [real] positiva. Enfim, se eu sou classificado assim, eu estou muito bem acompanhado pelos meus pares.

Qual o Brasil o sr. espera deixar quando terminar seu mandato?
Um cenário de inflação estabilizada, na faixa que temos hoje, de 4,5%, que é a meta do Banco Central.

Não tem a ambição de ser menos do que 4,5% quando deixar o governo?
Estou falando nesse horizonte que estou atuando.

Mas no plano do desejo, do imaginário do sr., não técnico?
Inflação na meta, girando em torno da meta, uma economia crescendo de forma sustentável, um sistema financeiro robusto, bem capitalizado.

De quanto seria esse crescimento sustentável no final do seu mandato?
No plano ideal, você tem de elevar a poupança doméstica para permitir crescimento potencial maior da economia, não inflacionária.

Hoje nosso crescimento potencial está em 4,5%?
4,5%, talvez um pouco acima disso.

Quanto?
Entre 4,5% e 5%.

Dá para chegar ao final do seu mandato crescendo na casa de 5%?
De novo vai depender de como a economia vai se desenvolver.

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sexta-feira, outubro 07, 2011

Com taxa de 0,53%, IPCA de setembro fica acima das expectativas do mercado

Com taxa de 0,53%, IPCA de setembro fica acima das expectativas do mercado

07 de outubro de 2011 • 09h18 Por: Equipe InfoMoney

SÃO PAULO – O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) do mês de setembro, divulgado nesta sexta-feira (7) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apresentou resultado de 0,53%, aceleração de 0,16% em relação ao mês anterior, quando marcou taxa de 0,37%.

No acumulado do ano, o índice utilizado pelo Governo como referência para o sistema de metas de inflação, apontou 4,97%, valor superior aos 3,60% marcados nos nove primeiros meses de 2010.

Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 7,31%, o mais alto desde junho de 2005 (7,27%), e acima dos 7,23% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2010 a taxa havia ficado em 0,45%.

Na edição mais recente do relatório Focus do Banco Central, a mediana das projeções dos economistas ouvidos pela autoridade para o IPCA de setembro era de 0,50%, com variação anual prevista para 6,52%.

Grupos que pressionaram
Segundo os dados do IBGE, foram as passagens aéreas que exerceram o principal impacto no mês, com 0,09 ponto percentual. Para viagens em setembro, os voos disponíveis subiram, em média, 23,40% em relação à média daqueles que foram disponibilizados pelas empresas para viagens em agosto, mês em que as tarifas haviam apresentado queda de 5,95%.

Assim, enquanto as despesas com transportes haviam mostrado estabilidade em agosto, com variação de apenas 0,03%, em setembro pularam para 0,70% a mais.

Por sua vez, os preços dos alimentos aumentaram 0,64%, causando impacto de 0,15 ponto percentual e tomando conta de 28% do índice do mês.

Análise Regional
Entre os índices regionais, o maior foi registrado no Curitiba (0,86%), seguido por Brasília (0,82%) e Salvador (0,72%). Por outro lado Belém (0,15%) apresentou o menor resultado, acima vieram Fortaleza (0,37%) e Rio de Janeiro e Recife, empatados. (0,42%).

Maiores variações % Menores variações %
Curitiba+0,86%Belém0,15%
Brasilia+0,82%Fortaleza0,37%
Salvador+0,72%Rio de Janeiro/Recife0,42%

Mais sobre o índice
O IPCA se refere às famílias com rendimento monetário de 1 a 40 salários-mínimos e seus dados são coletados nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.

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