Últimas 100 Atualizações do Website via Twitter:

Pesquise todo o conteúdo do website Horus Strategy abaixo:
Loading

terça-feira, setembro 28, 2010

Venda da Talent inclui a QG Propaganda

Venda da Talent inclui a QG Propaganda

Está em fase final a negociação para transferência ao Publicis Groupe de participações nas duas agências brasileiras

Fonte: M&M Online

A negociação que os donos da agência brasileira Talent – o majoritário Julio Ribeiro e seus sócios José Eustachio e Antonio Lino –, mantêm com os franceses do Publicis Groupe inclui também a venda de participação na QG Propaganda, controlada pelo mesmo trio e presidida pelo sócio minoritário Paulo Zoéga.

Talent e QG são das poucas agências 100% nacionais entre as 50 maiores do ranking brasileiro. Embora Ribeiro tenha resistido por anos ao frequente assedio das multinacionais, nos últimos meses evoluiu com rapidez as negociações para venda de ações das duas empresas para o Publicis Groupe.

Entre as indefinições que rondam as tratativas, mantidas em sigilo pelas partes e intermediadas pela consultoria Estáter, estão o valor das operações, os percentuais de participações acionárias que serão transferidos para a multinacional e a incorporação ou subordinação das agências brasileiras a uma das redes globais de publicidade da holding francesa – as principais são Leo Burnett, Publicis e Saatchi & Saatchi, sendo que esta última estaria descartada por já possuir sócios brasileiros na configuração da F/Nazca S&S.

Seja majoritário ou minoritário, o mais provável é que o Publicis Groupe preserve a independência de Talent e QG, cujos comandos continuariam nas mãos dos sócios brasileiros, por um período mínimo de três anos. O contrato incluiria cláusulas para aumento gradual na participação da multinacional.

Recentemente, o mesmo Publicis Groupe entrou na sociedade de outra agência de publicidade brasileira como minoritário. A compra de 5% das ações da Taterka, em março, teve o claro propósito de “fechar às portas” da empresa para os concorrentes internacionais do Publicis, que, assim, reserva o terreno para futuras negociações de aumento de sua cota, motivadas sobretudo pela expansão da agência brasileira no mercado latino para o atendimento de contas importantes como McDonald’s e Natura.

Nos casos de Talent e QG os atrativos não são menores. Cálculos de especialistas e informações de bastidores apontam que o valor da negociação com o Publicis Groupe pode ultrapassar os R$ 300 milhões – o que se configuraria em uma das maiores transações da publicidade brasileira nos últimos tempos. A inclusão da QG poderia elevar ainda mais os valores – dando a negociação como concretizada e prevendo o anúncio oficial para esta semana, a publicação inglesa Brand Republic chegou a citar, na sexta-feira, 10, algo próximo de £ 200 milhões, o que em moeda nacional somaria improváveis R$ 530 milhões.

O que eleva o valor da Talent é uma combinação positiva da onda de investimentos estrangeiros no mercado brasileiro com a vantagem competitiva da agência viver o melhor momento financeiro de seus 30 anos de história, coroado pela concentração na casa de toda a verba publicitária do Grupo Santander. “O fator Santander dá uma turbinada muito grande no volume de faturamento da Talent. Neste ano de 2010 vamos dobrar o tamanho da agência em relação a dobrada que já tínhamos dado de 2005 a 2009”, previu Julio Ribeiro, em entrevista ao Meio & Mensagem, em maio.

Na mesa de negociações pesam ainda as margens de lucro de Talent e QG, superiores á média nacional. No encerramento do exercício de 2009, a Talent somou receita líquida de R$ 41 milhões e teve lucro líquido de R$ 15,4 milhões, o que significa um lucro de 38% em relação a receita. Na QG este índice chega a 44%, comparando-se a receita líquida de R$ 6,1 milhões com o lucro líquido de R$ 2,7 milhões – ambos relativos ao ano de 2009.

Além disso, ambas mantêm relacionamento com clientes importantes como Alpargatas, Ipiranga, Lojas Americanas, Net, Santander, Semp Toshiba e Tigre, atendidos pela Talent; e hipermercado Big (Walmart), Dicico, Jetuiti (Grupo Silvio Santos), seguradora Mapfre, Ovomaltine do portfólio da QG, que tem escritórios em São Paulo e Porto Alegre.

Segundo o ranking Agências & Anunciantes, a Talent fechou 2009 em 16º lugar, com faturamento com compra de mídia de R$ 312 milhões, o que significa alta de 7% em relação a 2008; enquanto QG ocupou o 45º lugar, com faturamento de R$ 75 milhões, que representam alta de 2% em comparação com o ano anterior.

Quando surgiu, em 1992, a QG era um projeto embrionário da Young & Rubicam com foco na área de merchandising em ponto-de-venda, tocado por dois funcionários da multinacional: Sérgio Lopes (então diretor de arte) e Fernando Queiroz (diretor de operações). Entretanto, alguns meses depois, a Y&R desistiu da empreitada, abraçada por Lopes e Paulo Zoéga, que deixou a diretoria de atendimento da Talent para se dedicar ao negócio próprio.

Em 1998, a dupla vendeu 50% da empresa ao Grupo Talent. Em setembro de 2007, com a saída de Lopes, a holding de Julio Ribeiro, José Eustachio e Antonio Lino passou a deter o controle acionário. Em 2002 e 2005, a QG chegou a figurar entre as 30 maiores do mercado brasileiro de acordo com o ranking da publicação Agências & Anunciantes.

Além da Talent e da QG, Julio Ribeiro, José Eustachio e Antonio Lino também têm participação acionária em uma terceira empresa atuante no mercado brasileiro de comunicação: a consultoria CO-R Estratégias de Inovação, comandada pela sócia Rita Almeida.

Terceiro maior grupo da publicidade mundial, a holding francesa reportou um crescimento de receitas da ordem de 5,3% no primeiro semestre em suas operações globais, atingindo um total de € 2,5 bilhões nos seis primeiros meses do ano. A região que mais se destacou foi justamente a América Latina, com alta de 10,8% e receitas chegando a € 126 milhões. Não há dados por países, mas o Brasil está na faixa de localidades que cresceram entre 5% e 10%.

No Brasil, o Publicis Groupe controla as agências Leo Burnett, Publicis, Salles Chemistri, Publicis Dialog, Digitas, Razorfish. Além disso, tem participação majoritária na F/Nazca S&S (com 53% de participação) e na AG2 Publicis Modem (adquiriu 62% em agosto); e é minoritário na NeogamaBBH (onde tem 40% das ações), na Taterka (onde possui 5%) e na Andreoli/MS&L (onde tem participação de 25%).

Leia também:
Compra da Talent pelo Publicis estaria concretizada
Talent prestes a entrar para o Publicis Groupe

Marcadores:

Bookmark and Share

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home

Copyright © 2002 / 2014 HorusStrategy.com.br. Horus Strategy é marca registrada. Todos os direitos reservados.