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quinta-feira, setembro 23, 2010

Talent prestes a entrar para o Publicis Groupe

Talent prestes a entrar para o Publicis Groupe

Negociação reforça a onda atual de investimentos estrangeiros no aquecido mercado publicitário brasileiro



Por Alexandre Zaghi Lemos
27 de Agosto de 2010 às 09:45

O aumento da importância do Brasil para os grandes grupos multinacionais de comunicação e marketing mantém aquecidas no País as negociações de fusões e aquisições. A mais importante atualmente em curso envolve os franceses do Publicis Groupe e a agência Talent, uma das poucas que se mantém com capital 100% nacional no topo do ranking brasileiro. Considerando o fechamento de 2009 da publicação Agências & Anunciantes, de Meio & Mensagem, a Talent é a 15ª maior agência do País, sendo a terceira entre as de capital 100% nacional e a quarta entre as de controle brasileiro, atrás de Neogama/BBH (60% de capital nacional), Fischer+Fala (100% brasileira) e Africa (100% brasileira).

Se mantidas as bases atuais das tratativas em andamento, a Talent não será incorporada por nenhuma das redes globais de publicidade da holding francesa – as principais são Publicis, Leo Burnett e Saatchi & Saatchi. Além de manter vida independente e preservar sua marca atual, a Talent continuaria dirigida pelos seus três sócios brasileiros. A negociação é intermediada pela Estáter, consultoria especializada em fusões e aquisições.

A principal motivação do negócio é o desejo do sócio majoritário e presidente da Talent, Julio Ribeiro, de transferir o controle da empresa, dirigida por ele e seus dois sócios: José Eustachio e Antonio Lino. O trio pretende aproveitar a onda de investimentos estrangeiros no mercado brasileiro e a vantagem da agência viver um ótimo momento – o melhor de sua história de 30 anos.

“Com o tempo, uma empresa 100% brasileira terá que mudar”, reconheceu Ribeiro em entrevista ao Meio & Mensagem, em maio. “A maioria dos nossos clientes é de multinacionais. A Tigre, por exemplo, que era uma empresa de Santa Catariana, hoje tem fábricas em dez países. Por este motivo, acho que uma empresa 100% brasileira, sem conexões com o exterior, está mal condicionada dentro do mercado universal. Hoje, não há um mercado brasileiro, o que há é o mercado mundial, do qual o Brasil é uma parte importante. No futuro, todas as agências terão de ser, de alguma forma, multinacionais”.

Já o Publicis Groupe é, entre os gigantes da publicidade mundial, o que mais tem investido em aquisições no mercado brasileiro atualmente. O lance mais recente, efetivado em agosto, foi a compra de 62% da agência digital AG2, transformada na base brasileira da Publicis Modem. Em março o grupo francês entrou na sociedade da Taterka, com participação minoritária de 5% - em uma operação que tem o claro propósito de reservar o terreno para futuras negociações de aumento de sua cota, motivadas sobretudo pela expansão da agência brasileira no mercado latino para o atendimento de contas importantes como McDonald’s e a Natura. Ainda neste ano, o Publicis Groupe abriu a filial brasileira da Razorfish, em maio. Na seara interativa, já havia comprado no final de 2008 a Tribal, transformada no escritório brasileiro da rede Digitas.

Terceiro maior grupo da publicidade mundial, o Publicis Groupe reportou um crescimento de receitas da ordem de 5,3% no primeiro semestre em suas operações globais, atingindo um total de € 2,5 bilhões nos seis primeiros meses do ano, contra os € 2,2 bi do mesmo período em 2009. O lucro líquido subiu 27,5%. A região que mais se destacou foi justamente a América Latina, com alta de 10,8% e receitas chegando a € 126 milhões. Não há dados por países, mas o Brasil está na faixa de localidades que cresceram entre 5% e 10%. Além das já citadas, o Publicis Groupe controla no País as agências F/Nazca S&S, Leo Burnett, Publicis, Publicis Dialog e Salles Chemistri, além disso, tem participações minoritárias na NeogamaBBH e na Andreoli/MS&L.

A Talent, por sua vez, foi inaugurada em abril de 1980. Seu capital inicial foi o prestígio conquistado por Julio Ribeiro na carreira de profissional de planejamento, que fez dele o primeiro vencedor do Prêmio Caboré nesta categoria – coincidentemente naquele mesmo ano de abertura da agência. Após viver uma grave crise no início dos anos 2000, em decorrência da perda da conta da Intelig, a Talent ser recuperou, contratou o consultor Claudio Galeazzi para remodelar sua estrutura operacional e se preparou para uma desejada negociação com grupos multinacionais.

“Em março de 2001, olhei os números, vi que iríamos entrar em um vermelho muito grande e tive consciência de que eu não saberia resolver o problema”, relembra Ribeiro. “Um dos nossos clientes é a Lojas Americanas, para quem o Claudio Galeazzi tinha feito um trabalho brilhante. Resolvi chamá-lo, mas ele recusou. Disse que a Talent era muito pequena. No dia seguinte, voltei lá e perguntei: ‘Claudio, assuma que eu sou uma empresa grande. Quanto você cobraria?’. Ele cobrou US$ 1 milhão, eu topei e foi o melhor negócio que fiz até hoje. Ele passou um ano na Talent, cortou 25% das pessoas da agência e reestruturou o modelo da empresa, que até então era muito centralizada na figura dos sócios. O Galeazzi nos convenceu de que os sócios não podem tocar a empresa, têm que desenvolver o negócio. Hoje, eu e meus dois sócios, o José Eustachio e o Antonio Lino, cuidamos de expandir a agência, de atender os mega problemas dos clientes, de conquistar novas contas e de fazer a gestão e a governança. Do ponto de vista de operação e de gestão, foi uma mudança total. Hoje temos um modelo de agência muito moderno para qualquer país do mundo. Com essa nova cultura, nosso custo foi reduzido em 33%. Em 2001, perdemos dinheiro, mas já em 2002 voltamos a ser rentáveis. E, desde então, sempre tivemos lucro. Hoje temos cerca de 180 pessoas e faturamos perto de dez vezes mais o montante daquele ano 2000. De 2005 a 2010, dobramos o tamanho da agência duas vezes”.

O impulso final para a empreitada de venda de participação a um grupo estrangeiro foi a concentração na agência desde outubro do ano passado de toda a verba publicitária do Grupo Santander, o maior cliente da casa e um dos maiores do mercado brasileiro. “O fator Santander dá uma turbinada muito grande no volume de faturamento da Talent. Neste ano de 2010 vamos dobrar o tamanho da agência em relação a dobrada que já tínhamos dado de 2005 a 2009”, calcula Ribeiro.

Além disso, as conversas dos sócios da agência brasileira com outros emissários internacionais são alimentadas pela ótima reputação da Talent, sua margem de lucro superior á média nacional e o relacionamento duradouro mantido com clientes como Ipiranga, Lojas Americanas, Semp Toshiba e Tigre, entre outros. Segundo o ranking Agências & Anunciantes, a Talent fechou 2009 com faturamento com compra de mídia de R$ 312 milhões, o que significa alta de 7% em relação a 2008.

Source: M&M Online

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