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segunda-feira, janeiro 11, 2010

A nova cara da Usiminas

A nova cara da Usiminas

Karlon Aredes, O Tempo Online, 10/01/2010
http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=131014

Marco Antônio Castello Branco
Presidente da Usiminas

Tradicional produtora de aços planos, utilizados em carrocerias de automóveis e geladeiras, a Usiminas vai entrar com tudo em outros mercados neste 2010. Estruturas metálicas para habitações, pontes, produtos para indústria naval e petrolífera serão, até 2015, 50% das vendas. Uma guinada que tem a assinatura de Marco Antônio Castello Branco, que assumiu a presidência da siderúrgica há menos de dois anos.

Quais as perspectivas da Usiminas para este ano, depois dos momentos difíceis passados? Acho que as perspectivas são boas. Estamos em processo de recuperação da economia no Brasil, com investimentos na área de bens de capital, e isso vai ter um impacto positivo na Usiminas. Irão surgir boas oportunidades na área de construção civil com o programa Minha Casa, Minha Vida. Um bom mercado para nossas estruturas metálicas.

Então, a grande aposta é o mercado interno? Vamos procurar setores que estão menos expostos, em desenvolvimento. Fazer agregação de serviço. Em vez de vender aço, venderemos soluções, construção, equipamentos industriais. Quando você agrega serviço, você agrega mão de obra. Hoje, a Usiminas vende para alguns estaleiros um kit para o navio inteiro. Ele é cortado em pedaços, pintado e marcado. Entregue pronto. A mesma coisa acontece na construção civil. Podemos vender um prédio inteiro de estrutura metálica para o Minha Casa, Minha Vida. Nosso plano é que as vendas de produtos agregados representem 50% de nossas vendas totais entre 2014 e 2015. Hoje é de 22%.

O Minha Casa, Minha Vida já gerou negócios para a Usiminas?Vendemos em Volta Redonda estrutura metálica para 688 apartamentos. Foi o primeiro negócio. Estamos esperando oportunidades em Belo Horizonte porque as coisas vão crescer. Desenvolvemos agora o fechamento completo de um prédio, não só a estrutura das vigas, dos perfis e dos pilares, mas também o fechamento das paredes de aço com revestimento térmico. Também estamos desenvolvendo torres eólicas. É um mercado promissor.

Já estão de olho na Copa de 2014? Estamos. Em todos os empreendedores e em todas as capitais (sedes). Fizemos um levantamento de todos os estádios, das empresas de engenharia que estão oferecendo possibilidades e qual é a melhor solução que se adapta a cada um dos projetos.

Todos os grandes projetos da Usiminas são para mercado interno. E o externo? O mercado externo ainda vai demorar um pouco para demandar.

O que o senhor diz desse aumento das importações de aço? O setor da construção disse que vai importar mais neste ano. Eu acho que nós vamos importar aço e exportar emprego. Tem que ter importação, pois a produção nacional não atende tudo. Mas as importações que são motivadas pelas distorções macroeconômicas são um risco. As condições de preços na China são melhores porque o custo de produção é menor. Vamos ter o maior nível de importação de aço da história e o maior nível de exportação de emprego. Aí vamos ter que pagar mais impostos para dar Bolsa Família para aqueles que ficarem desempregados. Nos dê as mesmas condições de lá fora. Impostos, mão de obra barata e compensação ambiental. Aí podemos fazer igualzinho, ter o mesmo preço. Teremos um salário mínimo próximo a US$ 300. Se você comparara capacidade de competição da mão de obra brasileira com a mão de obra estrangeira, o custo do trabalho no Brasil passou a ser mais caro. E isso dificulta um pouco a competitividade quando se tem uma situação cambial um pouco distorcida.

O problema todo é o peso do Estado? Sim, claro. Na China, as empresas dão uma rentabilidade de 1,4%. No Brasil, com 1,4%, no mês seguinte você pede falência. Então, para uma empresa sobreviver no Brasil, ela tem que dar uma lucratividade sobre o patrimônio líquido que ela investiu de, no mínimo, 12% a 15%. Mas lá é tudo subsidiado.

É difícil competir com o preço do aço da China?Você está exposto a uma competição de importação que vem um pouco distorcida pela questão cambial e, se você não tiver margem, como vai vender? Os preços internacionais estão muito distorcidos, ainda que seja pelo câmbio ou pelo fato de ter excedente. Tem ainda a influência governamental na China, que faz com que a comparação do preço brasileiro com o preço de lá tenha distorções. Esse fator é o que faz com que a gente dose a esperança e o otimismo em relação ao futuro.

O Brasil está perdendo a chance de crescer? Se não existissem esses fatores que distorcem um pouco a realidade, seria um cenário muito mais favorável para nós porque o Brasil vai crescer e nós vamos ter um processo de recuperação mais acelerado do que nos outros países. Esses dois fatores que estou dizendo impedem que a gente capitalize tudo isso em grandes investimentos, crescimento, aumento de emprego, renda etc.

O que deve ser feito para minimizar os efeitos da concorrência chinesa? Acho que precisamos usar todos os critérios, tanto ferramental quanto institucional, que a Organização Mundial do Comércio põe para combater práticas desleais de comércio. Nos Estados Unidos, por exemplo, o setor produtivo consegue com mais facilidade e rapidez acessar o sistema de defesa comercial. O Brasil vai ter que entrar nisso.

O senhor defende uma sobretaxa sobre o aço importado?A indústria automobilística paga 35% de imposto sobre importação. O setor de auto-peças só paga 10%. O de aço paga de 12% a 14%. É preciso ter um equilíbrio na cadeia.

Esse cenário pode adiar o plano de investimento da Usiminas, que inclui uma nova usina em Santana do Paraíso? A demanda do Brasil vai voltar. Justifica, então, a gente acelerar a oferta de capacidade. Agora, estamos verificando quanto vem e qual o nível de penetração que vamos ter de material importado. Eu preciso exportar uma quantidade porque toda vez que se cria uma usina você gera algum excedente.

O que falta para retomar o projeto? Hoje em dia, o Brasil é caro para a exportação. Todos esses projetos que estamos vendo aí semiacabados são por causa da queda nas vendas externas. O Brasil ficou um país mais caro para exportar, com câmbio nas alturas. A mão de obra ficou mais cara, em dólar. Então, a exportação não pode ser o driver com essa situação. Então, vamos ver o mercado interno. Eu acho que hoje o que falta para a gente retomar o nosso projeto é, primeiro, consolidação da visão de demanda e capacidade de a gente competir com material importado. Vamos ter que avaliar. Vamos conseguir? Ou é melhor importar? Será que é melhor a Usiminas virar importadora de aço, igual as automotivas são importadoras de veículos? Elas importam e vendem. E quando chega o momento, vamos virar importadora. Comprar uma bobina da Coreia do Sul e vender aqui.

Vocês não têm nenhuma previsão de retomar o projeto?Não! Temos previsão que vamos, em junho, reavaliar o projeto. Se nós estamos em condições, se nós melhoramos a saúde econômica e se nós temos dinheiro para tocar esse projeto.

Nem o aeroporto? Ele não será mais em Belo Oriente por uma questão de regulamentação, pois está próximo do aeroporto de Governador Valadares. Estamos estudando outros locais, uns 14.

Se os estoques da Usiminas já foram reduzidos, quer dizer que o forno de Ipatinga será religado? Os estoques estavam muito baixos. Agora, temos que voltar a produzir. Cubatão está em vento e poupa, mas não temos previsão de religar o último autoforno em Ipatinga. Vai depender da demanda.

Para 2010, então, há mais chances de a Usiminas religar e pode ser que ela faça contratações na cidade? Tem chances. Pode sim! No primeiro trimestre não vai ser. É a partir do segundo que iremos avaliar.

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