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quinta-feira, janeiro 21, 2010

NOTICIAS DO DIA 21.01.2010

Petrobras: produção não atinge meta, mas analistas mantém recomendação


Por: Livia Teixeira
20/01/10 - 20h00
InfoMoney

SÃO PAULO – Após a Petrobras (PETR4, PETR3) divulgar os dados de produção obtidos durante o mês de dezembro e total do ano de 2009, os analistas comentam que, apesar da empresa não atingir seu objetivo no ano, isto não deve afetar negativamente as recomendações ou as ações da empresa no mercado.

Segundo os analistas da Link, os resultados da produção de óleo e LGN no Brasil em dezembro foram impactados pela queda na produção na Bacia de Campos – que registrou variação negativa de 1,0% em relação a novembro de 2009. A média apenas da produção de óleo e LGN foi de 1,987 milhão de bpd (barris por dia), 3,8 mil bpd abaixo da produção no mês anterior.

A produção média de gás natural foi de 51 milhões de metros cúbicos por dia, acima dos 50,7 milhões que constaram no volume de novembro – um aumento de 0,6% em relação a novembro, mas 2,4% inferior a dezembro de 2008.

Neste caso, a Link afirma que a queda na produção mensal em 2009 e produção anual de gás natural no Brasil com queda de 1,4% ante 2008 ocorreram em razão das “flutuações de demanda” – relacionada com a queda na demanda do mercado e na diminuição do volume de produção nas bacias do mar.

Perspectivas
Os analistas da Link Investimentos acreditam que houve um “significativo" incremento, apesar da produção ter sido menores do que a meta da empresa. Para 2010, a Link espera mais resultados das plataformas que entraram em funcionamento no ano passado. Para a petrolífera, a recomendação permanece ‘outperform’ (desempenho acima da média do mercado).

A SLW comenta que os recentes dados divulgados (produção e reservas) ainda destacam a empresa mundialmente, “dada a capacidade de aumentar o nível de produção com manutenção do nível de reservas provadas, que ainda não consideram contribuições relevantes na área do pré-sal”.

Mesmo assim, a SLW afirma que o impacto dos dados de produção de dezembro são neutros, pois se mostraram em linha com o obtido em novembro. Além disso, a equipe de análise não acredita que este resultado possa alterar os preços das ações da empresa, “que seguem impactadas pela futura operação de capitalização que será efetuada para viabilizar as operações do pré-sal”, comentam.

Os analistas da Itaú Corretora mantêm a recomendação ‘outperform’ para a Petrobras com preço-justo de R$ 53,20 para a PETR4 até dezembro de 2010.

Starbucks divulga resultado e reporta lucro no primeiro trimestre fiscal de 2010


Por: Tainara Machado
20/01/10 - 19h41
InfoMoney

SÃO PAULO – A rede norte-americana de cafés Starbucks anunciou nesta quarta-feira (20) seu resultado para o primeiro trimestre fiscal de 2010. Segundo o anúncio, a empresa viu suas receitas líquidas crescerem 4%, alcançando US$ 2,7 bilhões.

A empresa registrou lucro de US$ 241,5 milhões – o equivalente a US$ 0,32 por ação, US$ 0,23 a mais do que na comparação com o ano anterior. O resultado também bateu expectativas dos analistas, que esperavam lucro de US$ 0,27 por ação da companhia.

Outro fator de destaque é o avanço nas vendas “mesmas lojas”, que também aumentaram 4%, primeiro resultado positivo desde o início da recessão que derrubou o consumo, há dois anos. No after-market, os ativos da Starbucks estão subindo cerca de 3%, após recuarem 1,23% na sessão regular.

GE confirma investimentos no Brasil


Por: Equipe InfoMoney
20/01/10 - 20h35
InfoMoney

SÃO PAULO - Após reunião entre o presidente da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Alessandro Teixeira, e o presidente mundial da GE (General Electric), Jeffrey Immelt, realizada no dia 7 deste mês, foi confirmado que a empresa americana escolheu o Brasil para abrir a quinta planta de pesquisa e desenvolvimento do mundo.

Segundo o o presidente da GE no Brasil, João Geraldo Ferreira, o Brasil superou outros países da América Latina na decisão devido a fatores como demanda interna por energia e infraestrutura aquecidas e previsão de crescimento do PIB em torno de 5% nos próximos anos. O estado onde o centro de pesquisa e desenvolvimento será instalado deverá ser definido em três meses.

"A reunião da Apex-Brasil foi o início da formalização do nosso investimento. E o Brasil oferece condições sólidas para nossos investimentos. Dependendo da localização do centro, o número de recursos investidos pode variar. O importante é termos próximo ao local mão-de-obra qualificada", afirmou Ferreira.

Tecnologia e emprego
A GE possui sete instalações industriais no Brasil (em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro) e emprega oito mil pessoas no País. O centro de pesquisa e desenvolvimento deve gerar 300 empregos diretos. Nele devem ser desenvolvidas novas tecnologias para as áreas de aviação, transporte, saúde e energia.

De acordo com o executivo da GE, após suprir a demanda brasileira, a planta poderá exportar tecnologia para outros países da América Latina.

Investimentos
A Apex-Brasil atua na atração de investimentos diretos para o Brasil e, há três meses, trabalha neste projeto que envolve os investimentos da empresa americana.

"É preciso reforçar que um investimento em uma planta de pesquisa e desenvolvimento não tem a mesma essência que uma planta produtiva. Depois de criado o centro, novos projetos surgirão e novos setores serão agregados. Não é um projeto de curto prazo", definiu o presidente Apex-Brasil.

No mundo, existem quatro centros de pesquisa e desenvolvimento da GE, localizados nos Estados Unidos, na China, Índia e Alemanha. Além do centro de pesquisa, a empresa americana investirá no Brasil, este ano, mais de US$ 130 milhões na produção de artigos de saúde, operações de transporte e energia eólica.

Apex-Brasil
No ano passado, a Apex-Brasil realizou 357 projetos para atrair investimentos, entre estudos setoriais, missões estratégicas e atendimentos personalizados a investidores.

Na avaliação do Banco Mundial, a Agência alcançou o primeiro lugar do ranking entre as agências de atração de investimentos da América Latina e Caribe.

A agência brasileira ficou em segundo lugar na avaliação de esforços de informação ao investidor, ficando atrás apenas da agência de negócios austriáca, ABA - Invest Austria.

Consultor lista principais erros do investidor iniciante


Por: Tabata Pitol Peres
20/01/10 - 21h12
InfoMoney

SÃO PAULO – Investir é fundamental para quem quer ampliar seu patrimônio e, obviamente, esse é o desejo de grande parte das pessoas. Porém, agir sem conhecimento pode trazer o efeito contrário, ou seja, prejuízo.

“Investir é bom, faz bem e todo mundo deveria fazer. Porém é preciso ter atenção, dedicação e conhecimento. Entrar em um investimento porque muita gente entrou e conseguiu bons lucros não é garantia de que você também terá bons rendimentos. Inclusive, para você, tal investimento pode resultar em perdas. Por isso, na hora de investir, todo cuidado é pouco”, alerta o consultor financeiro, Leandro Martins.

Principais erros
Autor do livro Aprenda a Investir - Saiba Onde e Como Aplicar seu Dinheiro, Martins lista os principais erros dos
investidoresiniciantes. Confira e evite!

1. Ignorar a relação lucro x risco: as pessoas precisam ter em mente que quanto mais um investimento pode render, mas risco ele traz. Não dá para ouvir a história de alguém que ganhou muito em uma modalidade e ignorar os riscos pelos quais ela passou;

2. Falta de conhecimentoe excesso de otimismo: é preciso, acima de tudo, ter cuidado, conhecimento e disciplina. Algumas pessoas, por excesso de otimismo, leem dois livros, fazem um curso e acham que é suficiente para se arriscar em modalidades mais arriscadas e não funciona assim;

3. Buscar investimentos que não conhece: vejo iniciantes tentando mercado de opções, mercado a termo sem nem saber do que se trata, apenas porque ouviu falar;

4. Não consultar um especialista: sou a favor que o investidor saiba fazer suas análises e tirar suas próprias conclusões delas. Porém, enquanto ele é iniciante, consultar um especialista (consultor, analistas, operador) é fundamental até para confirmar suas percepções;

5. Pegar empréstimo para investir: muitos investidores iniciantes se empolgam com os possíveis ganhos e decidem pegar um empréstimo para investir. Essa é uma "grande roubada", um risco desnecessário. Além do risco, esse investidor terá que pagar juros ao banco e vai correr um risco que não vale a pena;

6. Considerar rentabilidade bruta: é comum que, ao escolher uma modalidade, o investidor não avalie a rentabilidade líquida. Ele esquece de avaliar as taxas que serão cobradas, a incidência de impostos. Por exemplo, não é difícil ouvir que os fundos DI possuem boa rentabilidade. Porém, quando se desconta a tributação e as taxas, percebe-se que a poupança pode trazer ganhos melhores.

Mercado pode antecipar ajustes na expectativa por eleições, diz analista


Por: Julia Ramos M. Leite
20/01/10 - 21h15
InfoMoney

SÃO PAULO – A partir de afirmação recente do presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra, é possível tentar entrever como será a política econômica caso o atual governador de São Paulo, José Serra, seja eleito presidente do Brasil neste ano. É o que afirma Alberto Furuguem, em relatório do Banco Cruzeiro do Sul.

Em entrevista à revista Veja no início deste mês, Guerra afirmou que “iremos mexer na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação”. Serra pré-candidato do PSDB, tem atualmente cerca de 40% das intenções de voto (o número exato depende da pesquisa) e é o líder na corrida presidencial.

Para Furuguem, mesmo quando era ministro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Serra já tinha visões contrastantes quanto à execução e formulação das políticas cambial e monetária. Como Lula seguiu a linha adotada por FHC, “um eventual governo Serra poderá ser diferente”.

Frente a essa projeção, “não há dúvida de que os mercados poderão antecipar ajustes, este ano, em face das expectativas sobre os tipos de políticas monetária e cambial que poderão ser colocadas em prática pelo próximo governo”.

Ajustes
No entanto, é preciso saber o que significa “mexer” nas diretrizes econômicas. Quanto às metas de inflação, por exemplo, Furuguem acredita que Serra pode utilizar com mais flexibilidade a margem de tolerância do atual sistema de metas.

No entanto, se essa flexibilização for “substancial”, haverá motivos para temer pela estabilidade monetária. No entanto, o analista não acredita que esse seja o caso.

Diferente e consistente
Para o analista, sempre é possível realizar um desenho de política macroeconômica que seja “diferente” e consistente. É provável, para Furuguem, que mexer na taxa de juros e no câmbio signifique juros menores e certa desvalorização do real.

A taxa de juros menor pode não prejudicar a inflação caso sejam adotadas medidas na área fiscal, como a redução da carga tributária e o corte de despesas correntes, aponta.

“Na área de política cambial é possível colocar em prática uma estratégia que vise preservar e fortalecer a capacidade competitiva internacional da indústria brasileira”, como faz a China e boa parte dos emergentes asiáticos, exemplifica. Resta saber se essa seria a base de inspiração de Serra.

Por fim, o analista afirma que uma boa surpresa poderia ser uma reforma tributária que diminua a carga de impostos como proporção do PIB (Produto Interno Bruto) – apesar de ainda não estar claro se isso é considerado viável e prioritário dentro do PSDB.

Nikkei sobe pela primeira vez na semana; Xangai se anima com PIB e sobe


Por: Vitor Silveira Lima Oliveira
21/01/10 - 08h28
InfoMoney

SÃO PAULO – Pela primeira vez na semana, o índice Nikkei fechou com valorização nesta quinta-feira (21), impulsionado por exportadoras.

Na China, a bolsa de Hong Kong também encerrou com ganhos, em linha com a bolsa de Xangai, sendo a última influenciada por bancos.

PIB chinês anima
Diante do lucro maior que o esperado da LG Display, o otimismo atravessou o mar e impulsionou ações de rivais japonesas. Como resposta ao ânimo sul-coreano, os papéis de Sony e Panasonic avançaram 4,1% e 3,4%, respectivamente.

A China listou crescimento de 10,7% no PIB (Produto Interno Bruto) de 2009, frente ao ano anterior. O ritmo de expansão do nível de produto superou as expectativas dos analistas, que previam avanço de 10,5%. Em meio ao cenário, as ações de ICBC (Industrial & Commercial Bank of China) e China Life subiram 1,8% e 2,2%, nesta ordem.

Trisul tem alta de 95% no VGV total de lançamento do último trimestre de 2009


Por: Equipe InfoMoney
20/01/10 - 21h46
InfoMoney

SÃO PAULO - O total do VGV (Valor Geral de Vendas) dos lançamentos da Trisul (TRIS3) no quarto trimestre de 2009 atingiu R$ 334 milhões, um acréscimo de 95% na comparação com o registrado entre outubro e dezembro do ano anterior, segundo dados preliminares divulgados nesta quarta-feira (20) pela companhia. No acumulado de 2009, porém, o montante atingiu os R$ 758 milhões, queda de 30% frente a 2008.

No mesmo sentido, considerando somente a parte da incorporadora, o VGV de R$ 258 milhões é 131% superior ao apurado no último trimestre de 2008. Contudo, na comparação com o terceiro trimestre de 2009, os números representam acréscimo menor, de 60% no total do VGV e alta de 43% na parcela da companhia. A fatia de VGV da Trisul em 2009 foi de R$ 614 milhões.

Vendas
As vendas contratadas totais do quarto trimestre atingiram R$ 265 milhões, uma expansão de 172% sobre igual trimestre de 2008. Já a parte Trisul das vendas contratadas registrou avanço de 307% na mesma base comparativa, atingindo R$ 212 milhões.

No acumulado de 2009, a cifra foi de R$ 801 milhões nas vendas contratadas totais e R$ 616 milhões na parcela Trisul das vendas. Entre os destaques do último trimestre do ano passado, a companhia revelou que a velocidade de venda dos lançamentos atingiu 41%, com destaque para empreendimentos como o Supera, Contemplare e Vida Plena Itaquera.

Especial Ibovespa: analistas divergem em suas recomendações para Cemig


Por: Equipe InfoMoney
20/01/10 - 19h00
InfoMoney

SÃO PAULO – Com pontos positivos e negativos fortes, analistas divergem sobre recomendação de investimento para ações da Cemig - Companhia Energética de Minas Gerais (CMIG4). Riscos políticos e estratégia de aquisições estão entre os principais pontos de divergência sobre a empresa.

Segundo o analista Ricardo Corrêa, da Ativa Corretora, investir em Cemig não é uma boa estratégia de mercado neste momento. Ele explica que a empresa é “arriscada” principalmente por sua política agressiva de aquisições.

“Acreditamos que a política de aquisições vai se manter em 2010, especialmente dado o momento político. Com essa estratégia de aquisições combinada com a deterioração nas margens de lucratividade da empresa, por causa da elevação dos custos com pessoal, vemos que a Cemig não seja um bom papel para este ano”, explica Corrêa.

Para ele, além das aquisições, as perspectivas políticas para o estado de Minas Gerais também não contribuem para o case de investimento da companhia elétrica, trazendo mais um aspecto negativo, em sua visão.

Corrêa conta que, nos últimos anos, a Cemig vinha se beneficiando de um governador considerado market friendly (“amigo do mercado”). Porém, o analista explica que qualquer mudança na linha de pensamento e atuação da gestão estadual (que atualmente é comandada por Aécio Neves), pode trazer riscos para a empresa.

“Ainda mais no caso de entrar um governador mais intervencionista, tipo Hélio Costa [PMDB]”, comenta referindo-se ao principal oponente do candidato do governo atual Antonio Anastasia (PSDB).

Em pesquisa realizada pelo Datafolha no final de dezembro, Costa contava com o intervalo de 31% a 37% das intenções de voto, enquanto Anastasia tinha apenas 13%.

Outros problemas
“Acredito que o principal problema neste assunto é a falta de garantia de continuidade da gestão à favor do mercado, que gera incerteza no campo político”, comenta também Márcio Yamachira, da Gradual Investimentos.

Além da instabilidade política, Yamachira destaca ainda outro movimento que pode contribuir negativamente para a recomendação da Cemig: o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Na noite passada, o presidente da companhia elétrica de Minas Gerais, Djalma Morais, confirmou a participação da empresa na disputa pela construção da usina de Belo Monte. O anúncio foi feito durante encontro com o governador Aécio Neves.

Conforme conta o analista da Gradual, o problema da participação da Cemig na disputa está no valor que deverá ser fechado no leilão. “O fato negativo não é a entrada no leilão, mas a taxa de retorno dele que, devido à forte competição, não vai ser muito atraente”, explica Yamachira.

O programa de construção da usina de Belo Monte faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal e terá capacidade para gerar 11 mil megawatts para a rede elétrica do país.

Recuperação da demanda
Apesar de alguns eventos serem considerados de risco para o investimento em CMIG4, o analista da Gradual também aponta aspectos positivos da empresa. “Temos visto uma recuperação de demanda de eletricidade bastante forte, principalmente do setor industrial”, coloca.

A notícia, além de ajudar o setor como um todo, é importante para a Cemig à medida que a empresa possui uma parte importante de sua receita de energia vinda do setor industrial. “A demanda deve continuar esse ano, com o mercado revisando para cima projeção de PIB e recuperação de demanda do segmento”, projeta.

Além disso, outro aspecto positivo da empresa de Minas é seu perfil diversificado de atuação e investimentos, que mistura serviços de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.

Neste ponto, Yamachira explica que caso haja mudança nos reajustes de tarifas, com reformulação dos cálculos ou pressão dos governos para repasses menores de custos, a empresa acaba saindo na frente.

“Por atuar em diversos segmentos e ter um mix de receitas mais diversificado, a Cemig não seria tão prejudicada comparado a outras empresas públicas do setor, como as distribuidoras apenas”, sublinha.

A Gradual adota recomendação “neutra” para as ações da Cemig, com um preço-justo de R$ 35,00 para CMIG4 no final de 2010, representando um potencial de valorização de 17,17%, ante o último fechamento (R$ 29,87), quando os papéis registraram alta de 1,95%.

“Compra”
Enquanto o plano de aquisições da Cemig é visto como negativo por Ricardo Corrêa, da Ativa, outro analista, Osmar Camilo, da Socopa Corretora, acredita que a empresa tem espaço para crescer ainda mais.

“Apesar de se colocar em dúvida se essa estratégia [de aquisições] pode interferir na geração de caixa da companhia, eu acredito que não. Eu vejo espaço no balanço da empresa para mais aquisições e aumento da dívida caso precise, sem comprometer a estrutura de capital”, analisa Camilo.

O economista explica que a boa gestão da empresa, com práticas avançadas de governança, transparência e comunicação com o mercado, assim como seu histórico de aquisições responsáveis, sustentaram “sua forte posição de caixa e estrutura de capital saudável, o que lhe permite captar no mercado”, fala.

“Ela até pode ter um risco menor de uma aquisição que não seja interessante, mas o histórico é de aquisições que agregaram valor e não destituíram valor”, afirma ao recomendar o papel como um bom investimento de longo prazo.

Para a Socopa, o CMIG4 é a ação top pick do setor de energia elétrica da BM&F Bovespa. Com recomendação de compra, a corretora estabeleceu um preço-alvo de R$ 40,00 para setembro de 2010, com potencial de crescimento de 34%.

Capitalização da Petrobras está definida

Modelo de capitalização da Petrobras já está definido
Autor(es): Claudia Safatle
Valor Econômico - 21/01/2010
Assim que a lei do pré-sal for aprovada na Câmara, o governo divulgará a regulamentação do projeto da capitalização da Petrobras, cujo desenho já está definido. A capitalização deverá ser feita em títulos públicos e lastreada em reservas de um determinado campo de petróleo.

Para dar valor aos 5 bilhões de barris de óleo envolvidos na capitalização, tanto a Petrobras quanto a ANP vão fazer avaliações com os instrumentais que a indústria do setor usa, como critérios geológicos. Se a primeira imputação de valor conferir ao petróleo o preço de US$ 8 por barril, por exemplo, a União vai apartar à estatal o equivalente a US$ 40 bilhões em títulos.

O modelo de capitalização da Petrobras já tem um desenho oficial, embora o projeto de lei que é parte da regulação da exploração do pré-sal ainda não tenha sido votado na Câmara. Tão logo esteja aprovado, o governo deverá divulgar a regulamentação do projeto da capitalização que será feita em títulos públicos e lastreada em reservas de um determinado campo de petróleo.

Para dar valor aos 5 bilhões de barris de óleo envolvidos no processo de capitalização da estatal, tanto a Petrobras quanto a Agência Nacional do Petróleo (ANP) vão fazer avaliações com os instrumentais que a indústria do setor usa, como avaliação geológica, potencial do campo e outros fatores relevantes na formação do preço.

Ainda assim, não estará claro quais são as verdadeiras condições do campo que será previamente definido. Na partida, portanto, será calculado um valor, mas, no contrato, haverá cláusula de reajuste desse valor provavelmente no prazo de um ano.

Se a primeira imputação de valor conferir ao petróleo daquela reserva o preço de US$ 8,00 por barril, por exemplo, a União vai aportar à estatal o equivalente a US$ 40 bilhões em títulos do Tesouro Nacional. Ou seja, será contabilizado como dívida pública. A Petrobras comprará da União os 5 bilhões de barris, o que, segundo fontes do governo responsáveis pela elaboração dessa regulamentação, será uma operação excelente para a empresa, pois poucas são as companhias de petróleo no mundo que dispõe de uma reserva como essa.

Aos acionistas minoritários da Petrobras serão oferecidas ações equivalentes aos US$ 40 bilhões. "O tratamento dos minoritários será o mais transparente e o mais justo possível", garantiu uma fonte do Ministério da Fazenda, reiterando o compromisso já assumido pelo secretário do Tesouro, Arno Augustin. E aos acionistas que usaram parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para investir na empresa no passado também será oferecida a possibilidade de compra com recursos próprios, "como ele teria que fazer em qualquer chamada de capital de qualquer empresa que ele queira participar", explicou a fonte.

Passado um ano - o prazo exato ainda não está decidido - da primeira operação, será feita uma nova avaliação daquele campo de petróleo, desta vez já com informações mais seguras, pois já terá havido perfuração e alguma exploração.

Se nessa reavaliação for constatado que o preço anterior estava aquém do que efetivamente vale aquele óleo, o Tesouro Nacional receberá da Petrobras a diferença. Ou, ao contrário, se ficar claro que vale menos do que os US$ 10,00 o barril, a União também devolverá a diferença para a estatal. Com isso, pretende-se evitar que a participação do controlador (a União) na empresa seja volátil.

Uma das dúvidas que aflige o mercado, segundo os técnicos do governo envolvidos na discussão, é exatamente sobre o fato do aporte em número de barris de petróleo, dado o desconhecimento inicial do valor do produto, poder aumentar artificialmente a participação da União na companhia. Isso se resolve fazendo a operação em títulos, mas lastreada em barris.

"Será como uma operação comercial, como se a Petrobras estivesse comprando qualquer outro produto com cláusula de reajuste futuro", explicou uma fonte do governo.

Cresce confiança do consumidor

Valor Econômico - 21/01/2010
A confiança do consumidor medida pela Fecomercio-SP atingiu patamar recorde em janeiro, alcançando 158,7 pontos, alta de 2,2% em relação a dezembro, quando o índice ficou em 155,2 pontos. Acima dos cem pontos, o índice revela otimismo. Na comparação com janeiro do ano passado, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) apresentou alta de 27,5%. "É natural que, no início do ano, os consumidores melhorem seu ânimo, pois existe sempre a possibilidade de novas contratações", avalia Thiago Freitas, economista da Fecomercio.

Mesmo com crescimento zero, país gerou 995 mil empregos em 2009

Autor(es): Denise Neumann e João Villaverde
Valor Econômico - 21/01/2010
Mesmo com crescimento zero da economia, o Brasil gerou 995 mil novos postos de trabalho em 2009. A relação entre crescimento e emprego foi melhor do que em anos anteriores. Em 2003, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1%, mas gerou menos empregos do que no ano passado. Naquele ano, o saldo entre admitidos e demitidos foi positivo em 645 mil vagas.

Para economistas que acompanham o mercado de trabalho, a composição do crescimento do ano passado explica por que o país foi capaz de gerar quase um milhão de empregos mesmo sem crescer. O dinamismo da economia, resumem, veio do mercado interno, ancorado no setor de serviços, construção civil e comércio. Esses também são os setores que mais abriram postos de trabalho no ano passado - juntos, eles explicam 98% dos novos empregos, enquanto a indústria chegou ao fim de 2009 com apenas 10 mil novas vagas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho.

Em 2009, a expectativa dos economistas é que o PIB tenha encerrado o ano próximo de zero, mas dentro deste resultado a demanda interna terá peso positivo, de 0,9 ponto. O número final cai por conta, principalmente, do investimento, segundo estimativas da LCA Consultores. Já em 2003, a alta de 1,1% do PIB embutiu uma contribuição negativa do consumo de 0,24 ponto, segundo cálculos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

"Em 2009, o comportamento do emprego refletiu o dinamismo da construção civil, dos serviços e do comércio, e não temos vagas na indústria, em parte, porque os segmentos de produção de maior valor agregado ainda não se recuperaram", observa Marcio Pochmann, presidente do Ipea. "A economia reagiu puxada pelo mercado interno e o mercado de trabalho é espelho desta reação."

Em 2008, a indústria respondeu por 12% do 1,4 milhão de vagas novas criadas naquele ano. Em 2003, mesmo com o baixo PIB, o setor criou 129 mil novos empregos, ou 20% do total. Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) mais recente, referente a 2008, o setor de serviços concentrava 12,5 milhões de trabalhadores, quase o dobro de indústria e comércio somados - 7,31 milhões e 7,32 milhões, respectivamente.

"Há uma queda importante no emprego industrial, que é compensado, cada vez mais, pelo setor de serviços", avalia Sérgio Mendonça, supervisor técnico das pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese).

Mendonça também observa que "há um fortalecimento da renda na base da pirâmide social, processo que começou em 2003 e que, no momento da explosão da crise, já ganhara musculatura". O peso do mercado doméstico, sustentado pela elevação da renda, foi maior no ano passado. "É isto que difere 2009 de outros períodos recessivos", diz Mendonça.

O fortalecimento do mercado interno serviu também para alterar a teoria econômica, avaliam os especialistas. Em tese, diz Mendonça, "o câmbio desvalorizado amplia empregos, porque aumenta a lucratividade das empresas exportadoras, enquanto que a moeda apreciada retira esse dinamismo". Em 2003, a dólar chegou a valer R$ 3,70, e no ano passado a moeda americana foi de R$ 2,34 para R$ 1,73. "Como o mercado interno é mais robusto que no passado, o câmbio valorizado eleva o poder de compra do trabalhador", diz o pesquisador do Dieese.

Para Célio Hiratuka, professor do Núcleo de Economia Industrial, da Unicamp, o mercado de trabalho, a partir de 2004, iniciou dinâmica distinta da que vigia na década de 1990. "Nos anos 90, a situação do mercado de trabalho era bastante deteriorada por crises e pela reestruturação da economia industrial", diz. "A partir de 2004, o mercado formal se recupera ano a ano, com aumento de vagas e do salário médio, o que amplia o mercado doméstico." Segundo Hiratuka, a recuperação rápida da atividade foi sustentada pelo consumo, "que passou praticamente incólume pelas turbulências globais". Para ele, a política de aumento do salário mínimo foi crucial para manter o consumo aquecido.

Há, para Mendonça, do Dieese, uma combinação de fatores, do lado do rendimento, que justifica a manutenção - e ampliação - do consumo das famílias. Além da alta do salário mínimo, a lista inclui a queda da inflação - que caiu de quase 6% em 2008 para 4,3% no ano passado - e a ampliação do crédito à pessoa física. "E não podemos desconsiderar a alta do emprego. A criação de quase um milhão de vagas num ano de grave crise mundial é surpreendente."

Os dados do Caged mostraram que as demissões, em dezembro, foram muito fortes. O mês é, sazonalmente, um período de dispensas, mas o saldo negativo de 415 mil vagas, desde 2003, só foi superado pelo corte de 655 mil trabalhadores formais em dezembro de 2008, auge da crise econômica. A indústria de transformação foi a principal responsável pelo saldo negativo do último mês de 2009, com perda de 166 mil postos, sendo o setor alimentos o que mais demitiu empregados (94,5 mil).

Para o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o saldo de 2009 não foi dos piores, levando em consideração a crise. "Os Estados Unidos perderam 4 milhões de empregos. Toda a Europa fechou com perdas astronômicas. No G-20, o Brasil é o único a ter esse número", disse ele, em Brasília, ao divulgar os resultados. (Com Agência Brasil)

Trecho leste do Rodoanel deve custar R$ 5 bi

Autor(es): Samantha Maia
Valor Econômico - 21/01/2010
O trecho leste do Rodoanel de São Paulo deverá ser o mais caro já construído, um investimento de R$ 4 bilhões, e ficará a cargo da empresa que vencer a concessão do tramo sul, em fase final de construção. O trecho oeste custou R$ 1,4 bilhão a preços de 2002, e o sul, R$ 3,6 bilhões, a valores de 2005. O governo detalhou ontem o projeto em audiência pública na capital paulista, para uma plateia de cerca de 200 interessados. "Temos percebido interesse das empresas, uma presença expressiva na audiência, e não acredito que haja grandes riscos nesse projeto. Está tudo bem detalhado", disse Mauro Arce, secretário de Transportes do Estado.

Durante os 35 anos de concessão dos dois trechos, serão necessários R$ 5 bilhões de investimentos. A receita tarifária no período, por sua vez, foi estimada em R$ 26,8 bilhões. A expectativa do governo é conseguir publicar o edital em fevereiro, receber as propostas até abril, e assinar o contrato em julho deste ano. Ao todo, serão concedidos 103,7 quilômetros de rodovias, 61,4 quilômetros da parte sul e 42,3 quilômetros da leste, que ligará a parte sul às rodovias Ayrton Senna e Dutra, com início no município de Mauá.

O custo maior será com as obras do novo trecho, que demandarão R$ 2,8 bilhões. Os gastos com desapropriações, por sua vez, estão estimados em R$ 1,1 bilhão. Haverá necessidade de desapropriar uma área total de 743 hectares, sendo que a maior parte das edificações afetadas, ao todo 1.071, está em área urbana (72%). O restante dos investimentos, cerca de R$ 1 bilhão, deverá ser aplicado em conservação e sistemas de operação.

Interessados presentes na audiência mostraram-se preocupados com o risco de variação de custos, já que as desapropriações deverão ser realizadas pelo futuro concessionário. O governo não manifestou intenção de assumir gastos acima do estimado no EIA-Rima e sustentou que os custos não devem extrapolar de maneira significativa o apresentado. Segundo Mauro Arce, as empresas podem até chegar à conclusão que gastarão menos.

Vencerá a licitação a companhia ou consórcio que oferecer a menor tarifa, considerando um teto de R$ 6 para o trecho sul e de R$ 4,5 para o trecho leste. O valor, cerca de R$ 0,10 por quilômetro, é o mesmo das últimas concessões no Estado. O desconto na tarifa deverá ser igual nos dois trechos. A licitação será feita pela modelagem invertida, em que primeiro serão abertas as propostas tarifárias e depois analisada a parte técnica.

A outorga, pagamento ao governo utilizado em concessões anteriores como critério para licitação, está fixada no valor de R$ 370 milhões, a ser pago no momento da assinatura do contrato. Será cobrada uma outorga variável de 3% da receita operacional da concessionária, valor direcionado para cobrir os gastos da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) com fiscalização. O governo prevê que passarão em média 257 mil veículos pelas praças de pedágio das rodovias. O pedágio do trecho sul poderá começar a ser cobrado ainda neste ano caso o contrato seja assinado dentro do prazo previsto. O trecho leste, por sua vez, deverá ser concluído em 30 meses após a assinatura do contrato.

O Estado chegou a considerar de início a hipótese de incluir a construção do trecho norte nessa licitação, mas segundo Arce a ideia foi descartada por ainda não terem o projeto do trecho norte definido. "Não teríamos material para licitá-lo agora. De qualquer forma, acredito que até o fim de 2014 já teremos o trecho norte concluído também."

China assusta e gringo bate em retirada

De Olho na Bolsa
Autor(es): Daniele Camba
Valor Econômico - 21/01/2010
O investidor estrangeiro, que já estava flertando com a possibilidade de sair do Brasil em busca de retornos melhores em outros países, bateu em retirada ontem, com a notícia de um novo aperto monetário na China. Segundo o jornal China Securities Journal, o governo teria determinado que os bancos suspendam a concessão de empréstimos até o fim de janeiro. Mais tarde, o governo chinês negou a informação, mas os estragos já estavam feitos. Esse diz-que-diz-que se somou a outras medidas que o governo chinês já vem tomando para conter o nível de crescimento.


Foto Destaque

As bolsas do mundo inteiro sofreram, mas a brasileira especialmente, já que o investidor internacional não pensou duas vezes em vender as ações locais. O Índice Bovespa caiu bem durante todo o dia, fechando em baixa de 2,44%, aos 68.200 pontos. Essa é a maior queda percentual desde o dia 12 de novembro do ano passado, quando caiu 2,99%. Já a pontuação é a menor desde 28 de dezembro, quando fechou aos 67.901 pontos.

"Os estrangeiros venderam lotes de ações a qualquer preço, houve uma correria geral. O importante era acabar o dia sem esses papéis na carteira", diz o gestor de renda variável da Infinity Asset Management, George Sanders. O volume de R$ 7,5 bilhões na Bovespa ontem só corrobora a tese de que a queda veio acompanhada de uma grande saída de recursos. Isso aumentou o movimento de saída de recursos externos que já vinha ocorrendo nos últimos dias.

Só nos dias 14 e 15, o saldo líquido (diferença entre compras e vendas de ações) de estrangeiro foi negativo em R$ 455 milhões. Assim como já se esperava, o saldo no dia 18 foi positivo em R$ 82 milhões, graças ao vencimento de opções - direito de comprar e vender uma ação.

A saída dos estrangeiros tem feito com que a Bovespa esteja entre os "lanterninhas" em retorno. Neste ano, em dólar, o Ibovespa registra queda de 3,03%. Entre as principais bolsas do mundo, o índice só ganha do Índice Xangai, da bolsa da China, com queda de 3,82%, e dos índices das bolsas da Espanha e da Grécia, com baixas de 3,46% e 8,94%, respectivamente. Vale lembrar que no ano passado a Bovespa esteve na ponta contrária, como uma das líderes de valorização, com alta de 145,16% na moeda americana.

Aversão a risco

O que tem feito a aversão a risco por parte dos estrangeiros ser maior com relação às ações brasileiras? Segundo Sanders, a resposta está em alguns indicadores macroeconômicos que trazem preocupação. Ele cita as transações correntes, as contas fiscais do país e o próprio desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). Existe também a preocupação de que a valorização da Bovespa esteja perdendo o fôlego, levando os estrangeiros a pensarem em outras opções.

A China já vem atrapalhando o mercado há alguns dias. Na terça-feira, o banco central chinês subiu os juros de um ano do mercado interbancário. Esse foi o segundo aumento em menos de uma semana. Já na semana passada, o governo também aumentou o depósito compulsório dos bancos.

O grande temor do mercado é que essa série de medidas acabe afetando de forma relevante o crescimento chinês. Isso prejudicaria o mundo, mas especialmente nações que dependem muito comercialmente da China, que é o caso do Brasil. O mercado hoje começa o dia já conhecendo vários indicadores da economia chinesa, como PIB, vendas no varejo e produção industrial, que foram divulgados ontem à noite. Se os números forem bons, podem acalmar o mercado. Em compensação podem mostrar que o governo chinês será ainda mais rígido para conter esse crescimento.

As atenções estão voltadas aos 67.500 pontos do Ibovespa, que é o próximo suporte (piso, que pode desencadear compras). Se cair abaixo disso, o índice pode ir buscar os 64 mil pontos.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail: daniele.camba@valor.com.br

O rombo vai aumentar

Celso Ming - Celso Ming
O Estado de S. Paulo - 21/01/2010
O rombo nas contas externas do Brasil em 2009 foi maior do que o esperado e vai crescer substancialmente tanto em 2010 como em 2011.

Em princípio, nada há de errado nisso, desde que a qualidade do financiamento desse déficit seja adequada. Mas, para avaliar melhor as consequências, isso tem de ser trocado em miúdos.

Primeiramente, o conceito. Contas Correntes do Balanço de Pagamentos de uma economia é o pedaço da contabilidade externa de um país que registra pagamentos e recebimentos com o resto do mundo. Englobam os resultados de três subcontas: o comércio (exportações e importações), os serviços (juros, transportes, seguros, royalties, turismo, etc.) e as transferências unilaterais (que são, por exemplo, aquele dinheiro que as famílias recebem ou mandam de ou para parentes que estão no exterior).

Quando são negativas, ou seja, quando tem mais dinheiro saindo do que entrando, as Contas Correntes refletem mais consumo do que capacidade de poupança. É isso que está acontecendo agora. O gráfico mostra o comportamento das Contas Correntes durante o governo Lula.

No ano passado, o déficit em Contas Correntes foi de US$ 24,3 bilhões (1,6% do PIB), menor do que o de 2008, que foi de US$ 28,2 bilhões (1,7% do PIB). Mas foi mais alto do que o esperado. Para 2010 está previsto um novo salto nessas Contas. O Banco Central (BC) projeta um déficit de US$ 40 bilhões e o mercado (Pesquisa Focus) conta com um déficit de US$ 45,6 bilhões (alguma coisa em torno de 2,5% do PIB).

Os alarmistas já estão perdendo o sono porque se lembram dos tempos em que o Brasil quebrou. Não é o caso de agora. Um rombo nas Contas Correntes não é ruim em si mesmo. Depende de como é coberto. Se fosse financiado com recursos de curto prazo, o risco seria grande porque capitais dessa natureza são bichos espantados que fogem ao primeiro ruído. Mas, se for coberto com entrada de recursos de longo prazo, especialmente por Investimento Estrangeiro Direto (IED), que vem para ficar, certamente não deve levantar preocupações imediatas. Lá na frente, quando esses recursos produzirem resultados, estarão dando origem a novas despesas do País, com remessas de lucros. No entanto, se a economia continuar equilibrada e previsível (o que vai depender do comportamento das contas públicas), esses investimentos continuarão crescendo.

Em 2008, o IED foi de US$ 45,1 bilhões. Em 2009, caiu para US$ 25,9 bilhões por causa da crise global. Mas em 2010 deverá crescer para US$ 45 bilhões, conforme apontam as projeções do BC. (Veja o gráfico no Confira.)

Também não foi desprezível a aplicação estrangeira em ações de empresas brasileiras. Em 2009, atingiu US$ 37,1 bilhões, volume que poderá aumentar em 2010, porque o Brasil é uma das poucas economias relevantes que apresentará crescimento superior a 5% ao ano.

Para fechar essa equação com mais segurança seria preciso controlar duas variáveis. A primeira tem a ver com o desempenho da economia mundial. Uma recaída na crise, por exemplo, poderia azedar o jogo econômico.

A outra é o risco eleitoral. Ninguém sabe o que os principais candidatos estão aprontando para a política econômica. Está aí um campo minado no qual não pode haver pisada em falso.

Confira


É o mercado interno - O investimento estrangeiro procura oportunidades no mercado interno. Como é difícil levar a fábrica embora, esse tipo de investimento não sai do País apenas porque alguma coisa está errada nas contas externas.

BRASIL TEM DÉFICIT EXTERNO RECORDE

DÉFICIT EXTERNO ATINGE R$ 5,9 BILHÕES EM DEZEMBRO, O MAIOR DESDE 1947
Autor(es): Fernando Nakagawa, Fabio Graner
O Estado de S. Paulo - 21/01/2010
O efeito do crescimento econômico nas contas externas brasileiras já começou a ser sentido com mais intensidade. Dados do Banco Central mostram que o aumento dos ganhos das empresas estrangeiras fez o envio de lucros e dividendos atingir recorde em dezembro de 2009: US$ 5,32 bilhões, ou 21% de todas as remessas do ano. Com isso, o déficit de transações correntes - resultado das operações de comércio de bens e serviços do Brasil com o exterior - atingiu US$ 5,94 bilhões no último mês do ano, o pior resultado da série, iniciada em 1947.

Em todo o ano de 2009, as transações correntes ficaram negativas em US$ 24,34 bilhões, valor inferior aos US$ 28,19 bilhões de 2008. A queda refletiu o impacto da crise na atividade econômica, especialmente no primeiro semestre, quando o Brasil experimentou uma recessão. Os números de dezembro, no entanto, deixam claro que a tendência é de rápido e substancial aumento do déficit externo do País.

Ontem, analistas foram pegos de surpresa com o saldo da remessa de lucros ao exterior em dezembro. A transferência de dólares foi 164% maior que a de novembro e 69,3% superior à cifra de dezembro de 2008, no auge da crise, quando empresas estrangeiras aumentaram fortemente as remessas para cobrir prejuízos das matrizes nos Estados Unidos e Europa.

Entre os setores que mais remeteram lucros, as montadoras lideraram com folga e responderam por 15,1% das transferências, seguidas por metalúrgicas (9,3%) e bancos (8,8%).

Vale lembrar que o setor financeiro foi a raiz da crise iniciada em 2008. E a indústria automobilística foi um dos ramos econômicos que mais sofreram no início da crise, mas também teve maior apoio do governo, com cortes de impostos que alavancaram as vendas internas.

A economista-chefe do Banco Fibra, Maristela Ansanelli, diz que a remessa de lucros será o item principal no rumo das contas externas em 2010. Para a economista, é "bem provável" que o ano tenha mais de US$ 35 bilhões em transferência de lucros, novo recorde.

Mesmo com a perspectiva de remessas recordes, menor saldo comercial e aumento das viagens internacionais e aluguel de equipamentos no exterior, o chefe do Departamento Econômico, Altamir Lopes, disse que "não há razão para preocupação" com a trajetória das contas externas. No ano passado, a conta corrente teve déficit de US$ 24,33 bilhões e entraram US$ 25,94 bilhões em investimentos. Para 2010, o BC espera saldo corrente negativo de US$ 40 bilhões, 64% mais que no ano anterior, e ingresso de US$ 45 bilhões em investimentos estrangeiros diretos (IED).

O mercado financeiro, porém, é menos otimista: prevê déficit de US$ 45,5 bilhões e IED de US$ 37 bilhões. Faltariam assim US$ 8,5 bilhões para fechar a conta. "Será preciso usar parte do dinheiro que entrar para aplicações financeiras, da chamada conta capital, para fechar os números'', diz Maristela.

Estrangeiro bate recorde na bolsa

Autor(es): Fabio Graner, Fernando Nakagawa
O Estado de S. Paulo - 21/01/2010
Mesmo em ano de fraca atividade econômica, o mercado de ações de empresas brasileiras foi bastante atrativo para os investidores estrangeiros. Em 2009, o investimento externo em ações somou valor recorde de US$ 37,07 bilhões, de acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central. Somente em dezembro, as aquisições de ações por estrangeiros somaram US$ 3,45 bilhões.

Para se ter uma ideia do apetite dos estrangeiros pelo Brasil no ano passado, basta comparar esse desempenho com o ano anterior. Em 2008, quando a crise estourou, o saldo de aplicações de não residentes em ações foi negativo em US$ 7,57 bilhões. Só em dezembro, quando as turbulências ainda estavam em fase aguda, as saídas somaram US$ 911 milhões. Com a atração de estrangeiros, a bolsa brasileira foi a que mais se valorizou em 2008 entre os países emergentes.

"Em 2009 tivemos uma entrada forte de investimento para ações porque o preço dos papéis estava muito baixo e, por isso, muita gente entrou para aproveitar. Além disso, o Brasil se recuperou antes dos demais países", afirmou a economista-chefe do Banco Fibra, Maristela Ansanelli.

Ela acredita que este ano apresentará, novamente, números robustos. "O crescimento econômico e a esperada volta dos IPOs continuarão atraindo estrangeiros", disse, referindo-se à sigla em inglês para denominar operações de oferta inicial de ações feitas pelas empresas.

Além do fato de a economia brasileira ter sido uma das primeiras a se recuperar da crise, o que levou os investidores a buscarem mais papéis do País, também contribuiu significativamente para o saldo recorde a emissão de ações do Banco Santander, feita em outubro, que somou R$ 14,1 bilhões. Os estrangeiros adquiriram cerca de 60% do total de papéis vendidos pela instituição financeira.

Segundo o BC, os investimentos em ações negociadas no País no ano passado somaram US$ 32,09 bilhões. Enquanto isso, as ações brasileiras negociados no exterior fecharam 2009 com aquisições líquidas de US$ 4,97 bilhões, sendo quase a totalidade relativa à operação do Santander.

Modalidade preferida dos estrangeiros em 2007 e 2008, os investimentos em títulos de renda fixa perderam de longe para as ações e somaram US$ 9,09 bilhões. Em dezembro, inclusive, foi registrado saldo negativo de US$ 370 milhões. Em 2008, os investimentos em renda fixa somaram US$ 6,79 bilhões e, em 2007, US$ 21,88 bilhões.

Para Maristela, o provável aumento do juro básico este ano pode pesar em favor dos investimentos em renda fixa. O aperto monetário aumentará o retorno dos títulos da dívida pública atrelados à taxa Selic e também elevará o custo dos títulos prefixados nas emissões primárias do Tesouro, o que pode atrair mais estrangeiros.

Morgan Stanley recomenda que investidor 'fique com Bric'

Por Regina Cardeal 20.01.2010 19h45

São Paulo - O banco norte-americano Morgan Stanley recomendou que os investidores em mercados acionários emergentes "fiquem com os Brics" (Brasil, Rússia, Índia e China) neste ano em que se espera um maior crescimento econômico. Em relatório divulgado hoje, o banco argumenta que os mercados acionários dos Brics tendem a ter desempenho acima da média em anos não recessivos como entre 2003 e 2007, enquanto apresentam desempenho abaixo da média em anos de recessão, como em 2001-2002 e 2008.

"Este é provavelmente um traço devido à sensibilidade a preços de commodities do Brasil e da Rússia e às características de crescimento dos Brics como um todo", afirmam os analistas Jonathan Garner, Michael Wang e Vinícius Silva no relatório.

Eles opinam que os Brics e, em particular os consumidores dos Brics, são cada vez mais importantes para a economia global. O ganho no crescimento dos gastos com consumo nos Brics em dólares deve superar o dos EUA pelo quarto ano consecutivo em 2010, afirmam. Paralelamente, acrescentam, as importações dos Brics em conjunto são agora maiores do que as importações dos EUA, "indicando claramente a natureza fundamental de sua demanda doméstica como motriz da economia global".

Eles também elevaram o peso da recomendação "overweight" (acima da referência, o MSCI EM) para China e Rússia, depois de terem reduzido a fatia destes mercados na carteira recomendada no segundo semestre do ano passado. O banco mantém recomendação "overweight" para Brasil, China, Rússia, Índia, Polônia, Malásia e Egito. Os países que têm recomendação "underweight" (abaixo da referência) são África do Sul, Turquia, Hungria, Filipinas e Chile.

Para Barclays, é hora de comprar ações da CSN

Analistas acreditam que empresa não é favorita para comprar a Cimpor e pode se beneficiar do reajuste do minério

20.01.2010 13h02

São Paulo - O banco britânico de investimentos Barclays aumentou o preço-alvo para as ações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em 2010. A previsão anterior era de 70 reais por ação, mas a nova análise elevou este valor para 75 reais. O Barclays também manteve a expectativa de valorização acima da média do mercado para os papéis ("overweight").

Os analistas admitem que o envolvimento da CSNnas negociações para a compra da portuguesa Cimpor (foram oferecidos 5,75 euros por ação para realizar a aquisição) podem atrapalhar o desempenho das ações da companhia no curto prazo.

De acordo com o banco, no entanto, o mais provável é que a CSN. perca a disputa pela Cimpor. A siderúrgica, dizem os analistas, não tem experiência suficiente no mercado de cimento, não possui uma estratégia que seja atrativa para os acionistas das duas empresas e obteria sinergias menores com o negócio que suas potenciais concorrentes - as também brasileiras Camargo Corrêa e Votorantim. O fim das conversas com a Cimpor deve ser benéfica para as ações da siderúrgica, segundo o banco.

No entanto, o otimismo quanto à CSN é causado principalmente por causa da previsão do Barclays de alta de 40% para o preço de minério de ferro em 2010 - anteriormente a expectativa era de 20%. Na semana passada, o Merryl Lynch havia anunciado que a alta no valor do minério de ferro deve chegar a 50% durante este ano.

Às 13h05, as ações da CSN (CSNA3) operavam em queda de 3,02%, sendo negociadas pelo valor de 56,85 reais.

Ricardo Mansur compra segunda usina de álcool

21.01.2010 09h11

O empresário Ricardo Mansur fechou a compra da Destilaria Pignata, em Sertãozinho (SP), seu segundo negócio no setor sucroalcooleiro em menos de seis meses. O acordo, fechado na última semana, foi comunicado ontem aos funcionários da unidade produtora de etanol. Ex-dono das falidas redes varejistas Mesbla e Mappin (cuja marca foi adquirida recentemente pela rede Marabraz) e do banco Crefisul, liquidado pelo Banco Central, Mansur havia comprado, em agosto, a Usina Galo Bravo, em Ribeirão Preto (SP). O empresário enfrenta diversos processos na Justiça por causa de dívidas bilionárias, boa parte delas com ex-funcionários.

Apesar de emissários de Mansur, entre eles os executivos Gilberto Mascioli e Nino Peticarrari, informarem na terça-feira à noite a representantes dos empregados que a destilaria fora arrendada, a Agência Estado apurou com fontes do setor que houve a compra junto à família Pignata. "Na terça-feira, fomos convocados para uma reunião com os representantes do senhor Ricardo Mansur e fomos comunicados do arrendamento; foi acertado que nos pagarão o salário atrasado de dezembro em parcelas a partir de fevereiro, fizemos uma assembleia hoje [ontem] e aprovamos a proposta", disse José da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Açúcar, Alimentação e Afins de Sertãozinho e Região.

De acordo com o sindicalista, a intenção do empresário é iniciar a moagem para a produção de etanol na safra 2010/2011 já na primeira semana de fevereiro. A empresa tem 330 funcionários, excluindo cortadores de cana, os quais são contratados exclusivamente para a safra. Há a expectativa de que funcionários demitidos sejam recontratados. "O senhor Gilberto (Mascioli) nos disse que a intenção é crescer", concluiu Silva.

Cade libera BRF para adquirir insumos com Sadia

20.01.2010 19h51

SÃO PAULO (Reuters) - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou nesta quarta-feira a coordenação das atividades da Brasil Foods (ex-Perdigão) com a Sadia no segmento de carne in natura no mercado interno e na negociação e aquisição de insumos e serviços, de acordo com documento do órgão.

A BRF, empresa resultante da compra da
Sadia, pela Perdigão no ano passado, ainda aguarda a aprovação final do negócio pelo Cade para que a integração das companhias seja completamente concluída.

"A partir de agora, as empresas poderão realizar negociações e aquisições conjuntas de insumos e serviços (como grãos, embalagens e carne bovina in natura), com exceção da compra de aves e suínos", afirmou a BRF em um comunicado após o fechamento do mercado.

A empresa acrescentou estar autorizada também a comercializar a produção de carne in natura em geral.

Em setembro, a companhia já havia conseguido a autorização para a coordenação de atividades voltadas ao mercado externo no segmento de carnes in natura.

O órgão antitruste justificou a sua decisão considerando pequena a atuação das empresas em carne in natura. Grande parte do faturamento da BRF e
Sadia. vem de produtos industrializados.

"Nota-se (...) que suas participações nos diferentes segmentos de carnes in natura são, a princípio, baixas, indo de 0,4 por cento no mercado de carne in natura bovina, a 3,7 por cento no mercado de carne in natura de frango, 8 por cento no mercado de carne in natura suína e 11 por cento no mercado de carne in natura de peru", avaliou o Cade.

Sobre a negociação e aquisição de insumos e serviços perante fornecedores, excetua-se a aquisição conjunta de aves e suínos, acrescentou o Cade.

"Segundo as informações prestadas pelas requerentes, as participações conjuntas de Sadia e Perdigão na compra da maior parte dos insumos e serviços são inferiores ou próximas a 10 por cento", diz o documento.

De acordo com relatório da Link Investimentos anterior à decisão desta quarta-feira, que cita um executivo da Sadia, a autorização para a compra conjunta de insumos captura sinergias importantes, permitindo economia entre 3 e 5 por cento, o que se refletira em melhores margens.

Ainda segundo a Link, a aprovação dos pedidos da BRF é importante, uma vez a flexibilização no ano passado para que as duas empresas pudessem operar juntas no exterior em carne in natura não trouxe economias.

Entretanto, o Cade destaca que as informações fornecidas pelas empresas ainda são passíveis de maior investigação e pode haver revisão das autorizações desta quarta-feira.

No final do ano passado, a BRF tinha a expectativa de que o Cade aprovasse o negócio durante o primeiro semestre de 2010.

As ações da BRF fecharam em alta superior a 2,5 por cento nesta quarta-feira, reagindo à decisão do Cade. Antes do anúncio, operavam em baixa, acompanhando o Ibovespa, que fechou em queda de 2,44 por cento.

(Por Camila Moreira, com reportagem adicional de Roberto Samora)

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