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terça-feira, dezembro 29, 2009

Notícias do dia 29.12.09

CVM divulga resultado de processos administrativos com multas até R$ 796 mil

Por: Livia Teixeira
28/12/09 - 20h08
InfoMoney

SÃO PAULO - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgou os resultados do Processo Administrativo Sancionador (PAS) dos dias 1, 8 e 15 de dezembro. As penas vão de advertências até multas no valor de R$ 796 mil àqueles que desempenharam atividades irregularmente.
Foram julgadas três pessoas jurídicas e 23 pessoas físicas. Os acusados ainda podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional. Veja abaixo a relação:
Nome Penalidade
Rachel Alves Rodrigues Advertência
Ailton de Abreu Multas de R$ 65 mil
Sérgio Alexandre Machline Multa de R$ 70 mil
Herculano José Pereira Ramos Multa de R$ 35 mil
Carlos Alberto Machline Multa de R$ 25 mil
Paulo Ricardo Machiline Multa de R$ 25 mil
José Maurício Machiline Absolvido
Gilberto Renaux Multa de R$ 300 mil
Íris Renaux Piragibe Multa de R$ 300 mil
Paulo Renaux Multa de R$ 300 mil
Vladimir Estanislau Walendoswsky Multa de R$ 300 mil
Hyposwiss Banco Privado S.A. Multa pecuniária de R$ 300 mil
Silvio Tini de Araújo Multa pecuniária de R$ 796,4 mil
Carla Cico Multa pecuniária de R$ 300 mil
Paulo Pedrão Rio Branco Multa pecuniária de R$ 100 mil
Amaro Santana Leite Multa de R$ 30 mil
Antenor Gomes de Barros Leal Filho Multa de R$ 30 mil
Moacir Jerônimo dos Santos Júnior Multa de R$ 30 mil
Sérgio Chesini Multa de R$ 30 mil
Carlos Wiethaeuper Multa de advertência
Erni Wiethaeuper Multa de advertência
Maria Teresa Cengiarotti Variola Multa de advertência
Confidelity Asset Management Ltda. Multa de R$ 50 mil
André Luiz Garcia Barboza Multas de R$ 50 mil e R$ 100 mil
Prosper S.A. CVC Multa de 150 mil
Marcelo Vieira da Silva de Oliveira Costa Multa de R$ 150 mil


Bradesco aposta nas pequenas para crescer

José Guerra

SÃO PAULO - Iniciando 2010 como o terceiro maior banco do País em ativos, o Bradesco, que em 2009 assegurou presença em 100% dos municípios brasileiros, passa a focar em agilizar o processo de concessão de crédito para dar prosseguimento à sua estratégia de crescer organicamente, ou seja, sem adquirir outras instituições.

A projeção do banco é expandir sua carteira de crédito dentro do previsto para o mercado em geral, entre 20% e 25%, com igual crescimento no volume de ativos. Para conseguir isso na pessoa jurídica, a instituição deve apostar em pólos locais de produção, por meio do chamado Apoio à Produção Local (APL). "Acreditamos muito na expansão da pequena e média empresa. Por meio das APL, vamos intensificar esse apoio. Franca e Birigui (SP), por exemplo, são grandes produtores de calçados, e iremos apoiar a atividade. O mesmo acontecerá em outras regiões", explica o diretor da área de Empréstimos e Financiamentos do Bradesco, Nilton Pellegrino. "Estamos trabalhando forte para financiar toda a cadeia produtiva", completa. Além disso, conta, a instituição está criando "supervisores" para atender às empresas de menor porte. "O objetivo é prestar informações técnicas, facilitar e agilizar o acesso a crédito", diz. Ao fim do terceiro trimestre de 2009, a instituição contabilizava R$ 428,911 bilhões em ativos, contra R$ 592,845 bilhões do Itaú Unibanco e R$ 669,904 bilhões do Banco do Brasil.

Segundo o executivo, a instituição está preparada para atender a "grandes demandas" no próximo ano. O Bradesco também se prepara para atuar em um mercado mais competitivo, em que as margens de lucro serão menores. "Temos caixa para suportar esse cenário em que os prazos serão maiores e as taxas, menores. Também temos uma grande capacidade de alavancagem, pelo índice de Basileia atual, de 17,7%, que nos permite conceder mais R$ 200 bilhões em empréstimos", justifica.

Analistas de mercado já projetam um 2010 como ano do crédito para a pessoa jurídica. Isso porque a capacidade de endividamento da pessoa física já estaria bastante baixa, uma vez que a economia nacional, em 2009, foi puxada pelo consumo interno e pelos empréstimos a esse segmento. No outro lado, no entanto, as empresas adiaram planos de expansão e investimentos. Com a recuperação da economia, aliada a uma projeção de crescimento do País na casa dos 5%, a pessoa jurídica, principalmente as pequenas e médias empresas, devem desengavetar projetos e voltar a crescer.

Pessoa física

Na pessoa física, a instituição também se esforça para aumentar o volume de crédito concedido. Uma das ações é disponibilizar crédito pessoal direto nos terminais de autoatendimento (ATM), com prazo de até 40 meses. "Estamos trabalhando os limites pré-aprovados, para que o cliente possa se atender. Conseguimos incremento de R$ 8 bilhões nos limites aprovados, totalizando R$ 20 bilhões na pessoa física", conta Pellegrino.

As perspectivas de crescimento do crédito imobiliário também fizeram o banco criar ações especiais para facilitar e agilizar o acesso a esses empréstimos. Para isso, o Bradesco irá criar centrais para atender especificamente o financiamento habitacional. "Para aumentar a competitividade, a instituição precisa ser ágil e facilitar o acesso." Por meio das centrais, o objetivo é diminuir a quantidade de documentos necessários para conseguir a aprovação do financiamento, diminuindo o período de aprovação.

Segundo dados do Banco Central, até outubro, o crédito habitacional no País tinha uma carteira total de R$ 85,263 bilhões, um crescimento de 35% em 2009. No entanto, esse tipo de empréstimo representa menos de 3% do Produto Interno Bruto Nacional (PIB). Essa baixa representatividade do setor, aliada ao déficit habitacional existente no País, dá a essa linha a perspectiva de ser uma das de maior potencial de crescimento nos próximos anos, podendo chegar a 10% do PIB em um prazo de cinco anos, segundo projeções do mercado.

Nessas ações programadas, o grande alvo do banco na pessoa física são as classes de menor renda. "Ainda existe um potencial de crescimento bastante grande", justifica Pellegrino, "e, nossa preocupação de estar presentes nos 5.554 municípios brasileiros com alguma representação do Bradesco facilita a inclusão bancária dessa parcela da população", completa.


Banco Central muda legislação

O Banco Central anunciou ontem mudança nas regras de cálculo e divulgação de informações sobre exposição a riscos pelos bancos.

Redecard perde 2,8 milhões de vendas e lojistas cobram a pane

Vanessa Adachi, de São Paulo
29/12/2009

Justamente quando começava a corrida pela concorrência no setor de credenciamento de lojas para uso de cartões de crédito e débito, a Redecard, controlada pelo Itaú, queimou a largada. A pane que tirou a rede da empresa do ar durante quase cinco horas no dia 24 de dezembro fez mal à sua imagem e enfureceu os lojistas, ou seja, os clientes pelos quais a empresa terá que brigar a partir de 2010, quando o segmento de credenciamento de lojas e processamento de transações estará sujeito à competição, com o fim da exclusividade de bandeiras. Com a pane, a Redecard estima ter deixado de processar 2,8 milhões de transações, sendo 1,2 milhão com cartões de débito e 1,6 milhão no crédito. Fechou o dia 24 com um saldo de 11,2 milhões de transações feitas. A Cielo, antiga VisaNet, controlada pelo Bradesco e pelo Banco do Brasil, comemora.
"Não à toa a rede concorrente bateu recorde atrás de recorde", admitiu Roberto Medeiros, presidente da Redecard, que ontem tentava antecipar seu regresso ao Brasil, interrompendo passeio com a família em Nova York. Às 16 horas (de Brasília), Medeiros estava embarcado em um voo para Miami, de onde tentaria outro para São Paulo. "Estou tentando voltar para estar junto da equipe, mas os voos estão lotados", disse, antes que a comissária de bordo pedisse que desligasse o celular.
Medeiros espera ter em mãos hoje ou amanhã o resultado da apuração da causa da pane, conduzida por auditoria independente. Segundo ele, o problema foi na rede de transmissão de dados, que ficou saturada e falhou em transmitir as informações. "Por volta das 12 horas do dia 24 começamos a identificar problemas na rede de dados. Até aquele momento, vínhamos batendo recorde atrás de recorde, minuto a minuto", disse. Segundo Medeiros, os sistemas de contingência, espécie de rotas alternativas, também não funcionaram como deveriam. Ele não acredita que a falha tenha sido interna. A rede de dados é terceirizada, operada por empresas de telefonia, como Embratel, Telefônica e Oi. "Estamos fazendo uma auditoria completa e vendo se foi ou não um problema com as operadoras."
As mais afetadas foram as maquininhas que ficam nas lojas, os chamados POS, que representam metade do volume de negócios da Redecard. Cerca de 80% dos POS tiveram falhas entre meio-dia e 16h40. Os chamados PDVs, terminais acoplados aos caixas de supermercados, farmácias e grandes redes de varejo, que respondem pela outra metade das vendas, tiveram o problema resolvido mais rapidamente, segundo Medeiros.


Crise provocou a recessão mais forte de 28 anos, garante a FGV

PanoramaBrasil

SÃO PAULO - A recessão na economia brasileira causada pela crise financeira internacional foi a mais intensa em períodos trimestrais dos últimos 28 anos. A análise é do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com levantamento a economia brasileira encolheu em média 1,9% por trimestre, durante o período de recessão - desde setembro do ano passado. Este recuo foi quase três vezes mais forte que o da redução média trimestral registrada na mais longa recessão brasileira, que durou 11 trimestres, entre 1989 e 1992 e cuja média trimestral foi de 0,7%. "Essa recessão foi, sem dúvida, mais curta, durou apenas dois trimestres. Mas com certeza foi mais forte do que a do período Collor", disse o economista e integrante do comitê, Regis Bonelli.

O comitê fez uma cronologia trimestral dos ciclos de negócios brasileiros desde o primeiro trimestre de 1981 até o primeiro trimestre de 2009. Neste período, foram identificados oito períodos recessivos e sete períodos de expansão econômica. Nas sete recessões anteriores à mais recente, finda este ano, a redução trimestral média do PIB brasileiro foi de 0,8%.

A FGV também identificou o período de crescimento econômico mais longo, de 21 trimestres, entre 2003 e 2008. O bom momento da economia brasileira foi interrompido pela chegada do período mais agudo da crise global. "Foi um período de muita incerteza, de muito medo. A gota d'água foi a falência do [banco norte-americano] Lehman Brothers [em setembro de 2008]", comentou Bonelli.

"Mas a recessão, na prática, foi eminentemente uma recessão industrial. A indústria foi o setor mais afetado", comentou Bonelli. Ele lembrou que o Produto Interno Bruto (PIB) industrial caiu 12,2% nos dois trimestres de recessão, o que equivale a uma queda média de 6,3% no PIB industrial por trimestre, no período. "Foi uma queda bem mais intensa do que a do setor de serviços, por exemplo, cujo PIB caiu 0,6% em média, nos dois trimestres de recessão", comentou.

Agora, a grande questão para Bonelli é quando a economia brasileira voltará a registrar "picos" de expansão. O último ponto de "auge" no crescimento econômico, segundo o comitê, foi registrado no terceiro trimestre do ano passado. "Essa é a pergunta de um milhão de dólares", disse, comentando que a economia brasileira apresentou, nos segundo e terceiro trimestres deste ano, crescimento médio de 1,2%.

Segundo estudo divulgado ontem pela Fundação Getulio Vargas, a retração da economia registrada entre o fim de 2008 e início de 2009 foi a mais intensa em quase três décadas.


29/12/09 - 00:00 > POLÍTICA ECONÔMICA

Importações devem crescer mais que exportações em 2010

PanoramaBrasil

SÃO PAULO - As exportações brasileiras deverão atingir em torno de US$ 170,7 bilhões no próximo ano, com crescimento de 12% em comparação ao resultado de US$ 152,4 bilhões projetado para 2009, de acordo com previsão divulgada pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Em contrapartida, as importações deverão aumentar cerca de 24% por causa da taxa de câmbio e do crescimento interno, considerando uma elevação de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma dos bens e serviços produzidos no país. Isso levará a um superávit de US$ 12,2 bilhões na balança comercial. O resultado representará uma queda de 48,9% em relação ao saldo de US$ 23,9 bilhões estimado para 2009.

O vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, afirmou que com o aumento de 12% nas exportações e de 24% nas importações, o comércio exterior, em 2010, vai oferecer uma contribuição negativa para o crescimento do PIB. O impacto da balança será de um a 1,5 p. p. negativo.

Castro avaliou que, mais uma vez, o Brasil vai continuar dependendo das commodities , porque, com a atual taxa de câmbio os produtos manufaturados não têm competitividade. Eles vão lutar apenas para manter os parâmetros atingidos em 2009.

Segundo Castro, o Brasil depende 70% das cotações das commodities. Se elas se comportarem como ocorre atualmente, o cenário será de superávit comercial. Se, ao contrário, for registrada queda nas cotações, em especial nos complexos soja e de minérios, poderemos até ter uma surpresa de ter um déficit comercial. Vamos depender muito das cotações das commodities.

De acordo com ele, há duas dúvidas em relação ao comércio exterior brasileiro em 2010. Uma delas se refere soja, porque em 2010 devem coincidir três supersafras no Brasil, Argentina e Estados Unidos. Até agora, os preços estão mantendo a média de 2009, o que é bom para o Brasil. A confirmação das três supersafras, entretanto, pode ter um efeito negativo para o país.

A segunda dúvida diz respeito ao aço, já que há uma produção excedente de 500 milhões de toneladas em em todo o mundo sem impacto nos preços.

Bancos que mais acertam preveem inflação mais baixa

Karina Nappi

SÃO PAULO - As projeções das cinco principais instituições financeiras do País (Top 5) divergem da média geral dos economistas consultados pelo Boletim Focus do Banco Central (BC). De acordo com a divulgação do índice oficial de inflação (IPCA), o ano deverá fechar em alta de 4,31% e para 2010 a variação é de 4,43% na opinião do Top 5, enquanto para os analistas do mercado a expectativa é de alta de 4,28% em 2009 e no próximo ano deve atingir a meta de 4,5%. A variação, apesar de ser pequena nas duas análises anuais, aponta de que as instituições financeiras estão mais realistas e otimistas.

No levantamento anterior do Boletim Focus, as estimativas dos analistas financeiros de inflação oficial se situavam em 4,29%.

Em contrapartida, o comportamento dos IGPs desde o último Relatório de Mercado permaneceram estáveis do ponto de vista do Top 5, ante a manutenção de queda do mercado em geral. Nesta leitura semanal, a projeção para 2009 igualou-se, o IGP-M marcou 1,41% ao ano. Houve diferença, no entanto, na previsão para 2010. A expectativa do mercado é o centro da meta de inflação, em 4,5%, e o Top 5 aponta para 4% no mesmo período.

Segundo analistas consultados pelo DCI, o mercado continua a se surpreender com relação aos IGPs, que prometiam uma inversão no cenário deflacionário.

"A projeção das instituições econômicas - Top 5 - estão mais corretas que a do mercado no geral. A média geral está mais otimista; no fundo, quem mais acertou acredita numa deflação maior", explicou o analista da Tendências Consultoria, Bernardo Wjuniski.

"No Top 5, para nós, há mais coerência, uma vez que esperamos números mais negativos do que as duas projeções. O IGP-M ao ano terá queda de 1,6%", disse Thais Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados.

De acordo com a pesquisa, realizada com cerca de cem instituições financeiras, para 2009 a perspectiva é de deflação de 1,30% pelo IGP-DI e de alta de 3,78% pelo IPC da Fipe. O Boletim Focus trouxe ainda que, para o mês final de 2009, o IPCA deve aumentar 0,34%, levemente abaixo dos 0,35% previstos no levantamento anterior.

O IPC-Fipe deve subir 0,31%, enquanto o IGP-DI e o IGP-M devem ter ligeira alta de 0,01% e 0,05%. Em janeiro de 2010, tanto IGP-DI como IGP-M devem marcar 0,35% de elevação, mesmas previsões da semana retrasada. A estimativa para o IPCA passou de 0,49% para 0,53% e a do IPC-Fipe ficou estável em 0,55%.

PIB

O mercado financeiro elevou levemente a perspectiva de crescimento econômico em 2010. Agora, a previsão é de expansão de 5,08%, pouco acima dos 5% projetados na última leitura.

Para 2009, a previsão ficou praticamente estável, com aposta em retração depois que o IBGE revisou os dados acumulados deste ano. Os analistas esperam contração de 0,22% no Produto Interno Bruto (PIB), contra estimativa de recuo de 0,23% vista no boletim anterior.

"A economia do País tende a ser muito boa em 2010. Já em 2009 tende a manter uma trajetória observada, ou seja, não virá muito mais forte do que na última leitura, ficará na casa de 1,6%", afirmou Wjuniski.

A projeção para o ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) ficou inalterada em US$ 25 bilhões para 2009 e em US$ 35 bilhões para 2010.

Para a conta corrente, a estimativa de déficit piorou para ambos os anos. Em 2009, passou de US$ 18,20 bilhões para US$ 19,05 bilhões. Para 2010, de US$ 40,35 bilhões para US$ 40,85 bilhões.

A produção industrial, segundo o Focus, deve encerrar 2009 com baixa de 7,62%, mas deve crescer 8% no ano que vem.

O indicador mostra ainda que a balança comercial deve recuar para US$ 24,57 bilhões este ano e para 2010 o valor é de US$ 11,65 bilhões. Na leitura anterior, os valores eram US$ 25 bilhões e US$ 11,3 bilhões, respectivamente.

Para o câmbio, a estimativa é de que o dólar encerre 2010 a R$ 1,75. Esse ano, deve terminar a R$ 1,74. Para janeiro de 2010, a projeção é de R$ 1,72.

Diretor considera acordo no caso AmBev inoportuno

De São Paulo
29/12/2009

O diretor da CVM Eli Loria, relator do processo do caso AmBev, foi contra a celebração do acordo. Ele citou uma lista de argumentos para classificar a proposta como "inconveniente e inoportuna". Loria ressalta que o documento foi entregue fora do prazo, que a acusação indica a existência de prejuízos a indenizar sem que a proposta aborde tal aspecto, que as infrações imputadas são graves e que não há economia processual para a autarquia.
Conforme a deliberação nº 390, que regula os termos de compromisso, os acusados devem entregar a proposta no máximo 30 dias após a apresentação de sua defesa. Há previsões de exceção em caso de "oferta de indenização substancial aos lesados pela conduta objeto do processo" e de "modificação da situação de fato existente quando do término do referido prazo". Para Loria, nenhum desses requisitos teria sido preenchido.
O mesmo argumento foi usado pelo diretor para se contrapor ao acordo com o Credit Suisse em investigação sobre uso de informação privilegiada sobre a Embraer. Na ocasião, a maioria do colegiado aprovou a proposta, que previu o pagamento de R$ 19,2 milhões.
Loria argumentou que o CS não justificou o atraso e mencionou o fato de não haver prejuízos individualizados a indenizar (o que só é possível via termo de compromisso), nem economia processual.
Nos processos tradicionais, os acusados podem ser condenados a pagar até três vezes o valor do ganho obtido ilegalmente, 50% do valor da emissão ou multa limitada a R$ 500 mil. Outras punições não financeiras são inabilitação, suspensão ou cassação de direitos dos envolvidos. (FT)

Campo atrai um terço do investimento estrangeiro

Mauro Zanatta, Fabiana Batista e Alda do Amaral Rocha, de Brasília e São Paulo
29/12/2009

O interesse externo pelo agronegócio aumentou e se materializou no ingresso de US$ 46,9 bilhões. Quase um terço dos investimentos estrangeiros diretos (IED) feitos no país entre 2002 e 2008 se destinaram a atividades ligadas ao campo. O interesse externo pelo agronegócio aumentou e se materializou no ingresso de US$ 46,9 bilhões - 29,5% do IED total -, revela estudo inédito do Banco Central. Em 2009, apesar da crise e do arrefecimento da febre das commodities, algo entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões vieram ao país com a mesma finalidade.
A maior parte dos investimentos foi para a ampliação das operações da agroindústria fornecedora de insumos. A compra de terras avançou. Nos 11 Estados responsáveis por 90% dos registros, há 1.396 municípios com comunicado oficial de terras compradas por estrangeiros. Em 124 desses municípios, metade das áreas de médias e grandes propriedades está em nome deles, que, no total, têm a posse de 3,6 milhões de hectares nas regiões Sul e Centro-Oeste, além de São Paulo, Minas, Bahia, Pará, Tocantins e Amazonas.
Os alvos são o grande potencial das terras para produzir commodities e matérias-primas para biocombustíveis, além da própria valorização das propriedades, como mostram as recentes incorporações das usinas da Santelisa Vale pela francesa Louis Dreyfus e do grupo Moema pela americana Bunge. Na moagem da cana, a fatia estrangeira dará em 2010 um salto de 8 pontos percentuais, para atingir 20% do total.
Fundos de investimentos e de hedge são os mais ativos na compra de terras brasileiras, avalia o professor Dung Nguyen, da Universidade de Pittsburgh (EUA), um especialista no assunto. "O interesse não é tanto de ir para o Brasil produzir alimentos, mas investir em terras com a expectativa de que elas se valorizem". O estudo do BC aponta que quanto maior o IED na agroindústria, menor o valor da produção agropecuária - quando a concentração agroindustrial aumenta e o poder das empresas cresce, os ganhos dos produtores diminuem.

Desafio para os EUA em 2010 é tirar a economia da UTI

Sudeep Reddy, The Wall Street Journal
29/12/2009

Em geral, os economistas que fazem previsões esperam que 2010 seja um ano de crescimento econômico modesto nos EUA, coisa de 3%, bem melhor que nos dois anos anteriores. Mas isso não basta para levar o desemprego, o maior problema que ainda ameaça a economia, ao nível de antes da recessão.

As previsões quase sempre erram em alguns aspectos; a questão é: quais? Muito depende de quantas contratações as empresas farão. Aqui há três grandes variáveis.

O investimento das empresas está para se recuperar. Mas vai?
A fuga de consumidores espantados pela crise econômica levou a uma retração ainda maior por parte de empresas. Os gastos de capital caíram nesta recessão mais que em qualquer outro período desde a Grande Depressão dos anos 30. Isso quer dizer que ainda há muito o que se recuperar, se as empresas ficarem mais confiantes. Os balanços das empresas parecem promissores, de modo geral. Os lucros estão em alta, o custo do capital está baixo e a produtividade está forte.
As empresas têm abundância de fundos para financiar investimentos. O hiato financeiro corporativo, que reflete quanto as empresas precisam levantar, bateu em US$ 189 bilhões negativos no terceiro trimestre, depois de chegar a US$ 153 bilhões no período de abril a junho, segundo o Federal Reserve. Um hiato financeiro negativo significa que as empresas têm caixa para financiar seu gasto de capital.
"Ao contrário do setor familiar, o corporativo está em excelentes condições fiscais", diz Robert Barbera, economista-chefe da corretora Investment Technology Group. As empresas estão "gerando muito mais dinheiro do que elas estão usando para investir".
Uma recuperação sustentada dos gastos de capital não ocorrerá sem uma melhora modesta no consumo. Mas a demanda reprimida por parte das empresas, depois de elas terem cortado gastos profundamente este ano, poderia se provar fundamental para dar à economia americana a velocidade de que precisa para se recuperar.
Economistas estão contando com alguma melhora nos gastos de capital. Nesse campo, podemos ter uma surpresa boa em 2010.
O setor imobiliário vai sarar?
Os problemas no setor imobiliário nos EUA estão claramente diminuindo. Mas consumidores e construtoras têm muito pela frente antes de recuperar a confiança.
A profunda queda no preço dos imóveis levou consumidores a gastar menos, e os bancos, que têm esses mesmos imóveis como garantia dos financiamentos, a emprestar menos. Embora o pior da queda de preços pareça ter passado, espera-se que os preços das residências no país tenham só um pequeno ganho, se tanto, em 2010.
A principal razão para isso é que o preocupante salto das execuções judiciais está longe de acabar. No fim do terceiro trimestre, 4,5% dos empréstimos imobiliários entraram em processos de execução judicial, sendo que um ano antes havia sido 3%. Além disso, 9,6% de todos os empréstimos tinham ao menos uma prestação atrasada. Até que o emprego se recupere, vai ser difícil isso melhorar.
Tudo isso implica que mais casas estão chegando ao mercado, derrubando mais os preços. "Ainda há um excesso enorme de residências", diz Jim O'Sullivan, economista-chefe da MF Global. Como as casas estão mais acessíveis, "esse excesso vai diminuir com o tempo, mais ele ainda é gigantesco".
Muito da recente melhora em vendas se deve aos juros baixos do financiamento, possibilitado pelo fato de o Fed ter comprado esses créditos, e a um benefício fiscal para quem compra a casa própria. Ambos estão para expirar em meados de 2010. Quando isso acontecer, as vendas sofrerão um golpe.
Uma área do setor imobiliário pode ter alguma esperança. O investimento residencial caiu tanto durante a recessão que há pouco espaço para cair ainda mais.
As vendas de novas moradias em novembro foram 74% menores que o pico, em julho de 2005, e é improvável que voltem àquele nível nos próximos anos. Mas o estoque caiu para o menor nível desde 1971, de modo que a construção deve aumentar e contribuir para o crescimento da economia.
Após dois anos de turbulência, a visão mais geral entre especialistas em previsões é de uma pequena melhora no setor imobiliário em 2010. Para os preços de imóveis, o risco claramente é de queda, dadas as execuções judiciais crescentes. Mas a construção residencial, que parte de níveis muito baixos, tem boa chance de ser surpresa positiva para a economia em 2010.
A economia americana vai aguentar o final dos programas de apoio do governo federal?
O governo pôs a economia no respirador artificial na maior parte de 2009. Se a máquina for desligada em 2010, como previsto, há o risco de problemas marcantes.
A mistura de US$ 787 bilhões em gastos e cortes de impostos merece crédito por ter ajudado a estimular a economia - e a melhorar a confiança - no segundo semestre. Economistas do Goldman Sachs esperam que o estímulo fiscal vá continuar a inflar o crescimento, em termos anualizados, em dois pontos percentuais no primeiro semestre de 2010. No segundo, esse respirador vai parar.
Fora do mercado de trabalho, o maior ponto de interrogação é como consumidores e empresas responderão quando o apoio do governo minguar. Muitos consumidores compraram casas e carros a preços baixos em 2009 graças à ajuda do governo. Empresas obtiveram contratos de construções e créditos mais baratos graças ao apoio do contribuinte.
O Congresso e a Casa Branca, num ano eleitoral marcado por alto desemprego, estão planejando programas para estimular as contratações por parte das empresas, apoiar governos locais e aumentar os gastos em infraestrutura.
Mas correm o risco de acabar criando outros problemas, devido à alta do déficit. "Estamos chegando agora ao ponto em que o temor quanto à sustentabilidade fiscal está realmente se intensificando", diz o economista Michael Feroli, do J.P. Morgan Chase. "Reduzir a recessão tem um preço."
A história de 2010 pode bem ser de como a economia se deu quando o governo fechou a torneira. A expectativa generalizada é que o setor privado pegue o bastão, mas os riscos econômicos com o fim do apoio público são substanciais.

Fed propõe facilidades nos depósitos a termo para o setor financeiro

Por: Equipe InfoMoney
28/12/09 - 19h21
InfoMoney

SÃO PAULO - O Federal Reserve abordou nesta segunda-feira (28) algumas propostas de alteração na Regulação D, referente às exigências de reservas das instituições financeiras, que poderiam fornecer maior facilidade nos depósitos a termo e amenizar o forte volume de capital que circulo no setor financeiro.
Segundo comunicado do Fed, essas mudanças auxiliariam a drenar o excesso de capital do sistema financeiro quando a autoridade monetária dos EUA decidir dar início à estratégia de saída dos pacotes de estímulos econômicos concedidos durante a crise, o que resultou numa forte injeção de dinheiro do governo para estimular a economia local.
Com essa nova norma, o Federal Reserve realizaria o pagamento de juros sobre depósitos a termos realizados por instituições financeiras através de leilão. No entanto, o banco central dos EUA desvincula qualquer relação dessas sugestões com um possível aumento nas taxa básica de juro. "Esta proposta é um componente de um processo de planejamento prudente por parte do Federal Reserve e não tem implicações com as decisões de política monetária no curto prazo", completa o comunicado.

Cosan e ALL são destaque de alta após confirmação de investimentos

Por: Equipe InfoMoney
28/12/09 - 19h30
InfoMoney

SÃO PAULO – A segunda-feira (28) foi de alta para o Ibovespa, que encerrou o dia com uma alta de 0,46%, mas o pregão foi positivo sobretudo para as ações da Cosan (CSAN3) e da ALL (ALLL11), ambas figurando entre os destaques positivos do pregão, após confirmação de contratos de investimentos entre as empresas.
Logo pela manhã, a Cosan enviou nota ao mercado confirmando a validade de contratos celebrados entre sua controlada indireta, a Rumo Logística, e a ALL, acerca de investimentos sobre projeto logístico anunciado em março deste ano.
Desta forma, a Rumo compromete-se em aplicar cerca de R$ 1,2 bilhão na malha da ALL, que escoará por ferrovia o açúcar e outros derivados da Região Centro-Sul do País até o Porto de Santos. Entre os investimentos, estão a implementação de vias permanentes, pátios, vagões, locomotivas e terminais.
“Os contratos constituem um dos maiores planos de investimento privado em infraestrutura no Brasil, em especial no estado de São Paulo”, afirmou a Cosan.
Ações em alta
Em resposta à notícia, as ações ordinárias da Cosan fecharam o pregão com uma valorização de 2,95%, ficando entre as maiores altas registradas no dia pelos papéis que compõem o Ibovespa. Já as units da ALL encerraram a sessão com avanço de 3,56%.
No acumulado do ano, os papéis da Cosan registram uma alta superior a 117%, ao passo que a valorização dos ativos da ALL fica em pouco mais de 61%. O Ibovespa caminha para encerrar 2009 com ganhos em torno de 80,9%.

Maior ameaça para o Brasil é crescer acima dos 6,5% no próximo ano, diz Safra

Por: Valter Outeiro da Silveira
29/12/09 - 08h01
InfoMoney

SÃO PAULO – Para Cristiano Oliveira, economista-chefe do banco Safra, a maior ameaça para a economia brasileira é um crescimento acima dos 6,5% no próximo ano.
“Enquanto as estimativas ficarem entre 5,5% e 6,5%, ainda é possível que o Banco Central gerencie o problema entre crescimento e inflação”, disse Oliveira, durante entrevista à agência Bloomberg.
“Acima disso, será difícil”, completa o economista do Safra, que estima uma Selic próxima a 10,75% ao ano no final de 2010, dois pontos percentuais acima da mínima histórica atual, na casa de 8,75% ao ano.
Dólar pressionado em 2010
Oliveira acredita que as importações crescentes e a remessa de lucros para o exterior pelas multinacionais deverão elevar o déficit em conta corrente para “pelo menos US$ 54 bilhões”.
Por outro lado, os investimentos estrangeiros - diretos e indiretos – deverão ultrapassar a barreira dos US$ 62 bilhões, o que poderá resultar em uma valorização do real frente ao dólar para R$ 1,65 no final de 2010, completou o economista.
Por fim, Oliveira prevê avanço de 5,6% no PIB (Produto Interno Bruto) do próximo ano, após uma contração estimada de 0,2% em 2009.

Japan Airlines poderá entrar em processo de falência no próximo mês, diz jornal

Por: Valter Outeiro da Silveira
29/12/09 - 07h32
InfoMoney

SÃO PAULO – A Japan Airlines poderá entrar em processo de falência, a ser organizado pelo fundo ETIC (Enterprise Turaround Initiative Corporation) com recursos estatais, de acordo com notícia veiculada no jornal Asahi.
Segundo o periódico, a opção por uma concordata é a preferida do fundo responsável pela reestruturação, que possui acesso a uma linha de crédito com o Estado no valor de ¥ 1,6 trilhão e pode adquirir dívidas de afiliadas da companhia aérea.
Horizonte incerto, ações despencam
A despeito da preferência revelada, o fundo decidirá o destino da Japan Airlines apenas no próximo mês.
Contudo, respondendo aos temores de falência, os papéis da companhia aérea despencaram 8,3% em Tóquio – maior desvalorização em cinco semanas.

Construção vai liderar crescimento

Mãos à obra
Autor(es): Vicente Nunes
Correio Braziliense - 29/12/2009

Eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas estimulam o investimento em infraestrutura. Efeito multiplicador anima quase todos os setores

O diretor-executivo da Apex Engenharia, Eduardo Aroeira, foi obrigado a botar o pé no acelerador de seus projetos, pois o risco de perder negócios para a concorrência é enorme. “Nunca o mercado da construção civil esteve tão aquecido, nem mesmo antes da crise mundial. E o mais interessante é que as vendas de imóveis estão sendo puxadas pelas classes C e D — uma massa de 137 milhões de brasileiros —, que, historicamente, sempre foram alijadas do processo”, diz. Com a demanda fervilhando, o empresário teve que antecipar para 2009 todos os lançamentos previstos para 2010. “E vendemos tudo”, afirma. Agora, a ordem é adiantar o planejamento em dois anos. Ou seja, todos os empreendimentos programados para 2011 e 2012 serão ofertados no ano que se inicia. “Prevemos movimentar pelo menos R$ 144 milhões, quase o dobro de 2009”, ressalta.

A prosperidade dos negócios obrigou Aroeira a construir uma nova sede quatro vezes maior do que a antiga e a duplicar o número de funcionários. “Melhoramos a nossa capacidade de atendimento e aprimoramos a logística da empresa para agilizar as operações”, destaca. O caso da Apex é exemplar, pois reflete fielmente a lógica do crescimento. Se os negócios vão bem, o setor produtivo amplia os investimentos, aumenta a oferta de empregos e os salários sobem. “Com o crescimento econômico que se projeta para as próximas duas décadas, tudo indica que veremos um ciclo contínuo de investimentos, tanto por parte do setor privado quanto do governo, o que trará muitos ganhos para o país, desde, é claro, que o meio ambiente seja preservado”, afirma Cristiano Souza, economista do Banco Santander.

A perspectiva é de que apenas os desembolsos anuais para obras de infraestrutura cheguem a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) a partir de 2011, com o próximo presidente da República empossado. Hoje, esses investimentos têm girado em torno de 3,8% do PIB, mas já tiveram um piso de 1,8%, em 1994, e um pico de 5,6% nos anos 1970. Três fatores sustentam projeção tão otimista: a Copa do Mundo de 2014, a Olimpíada de 2016 e o pré-sal, que vão se somar ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e ao Minha Casa, Minha Vida. “Com esses eventos, que terão repercussão econômica por vários anos, a taxa de investimento em relação ao PIB chegará a 25% (contra os atuais 17,7%)”, assegura o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Se confirmada, essa taxa será um fator a mais para sustentar a condição do Brasil de quinta maior economia do mundo, a ser alcançada nos próximos cinco anos.

Mapa
A Copa do Mundo demandará investimento de até R$ 155 bilhões. “Nós já temos mapeados R$ 99 bilhões”, conta o diretor comercial do Banco do Brasil (BB), Sandro Marcondes. “Serão R$ 86 bilhões em infraestrutura e mobilidade urbana”, detalha. Desse total, pelo que está prometido, o governo bancará R$ 24,7 bilhões, dos quais R$ 8 bilhões serão para melhorar o sistema de transportes nas 12 cidades-sede dos jogos. Outros R$ 6 bilhões devem ir para a reforma e a ampliação de aeroportos, R$ 5,4 bilhões para o segmento de turismo, R$ 4,8 bilhões para reformas e construção de estádios e R$ 500 milhões para a melhoria dos portos. Esses cálculos, avisa o diretor do BB, não incluem o trem-bala, que demandará investimentos de pelo menos R$ 35 bilhões e só deverá ficar pronto em 2015.

“O suporte do governo investindo em infraestrutura é vital. Mas os desembolsos deverão ser comandados pelo setor privado”, destaca o economista Aurélio Bicalho, do Banco Itaú Unibanco. Mas, a seu ver, mais do que a Copa do Mundo, serão as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, com investimentos iniciais estimados entre R$ 80 bilhões e R$ 100 bilhões, que impactarão de forma positiva o crescimento econômico. Para comprovar essa tese, ele esmiuçou o PIB de todos os países que sediaram Copas do Mundo e Olimpíadas desde 1980. “O que se observou foi que, nos quatro anos seguintes às Olimpíadas, a economia dos países analisados cresceu, em média, 0,7 ponto percentual a mais do que nos quatro anos anteriores ao evento”, destaca.

Outro ganho relevante é observado por Andrew Rose, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos: os países que sediam megaeventos internacionais aumentam em até 30% o comércio exterior, pois beneficiam exportadores e importadores. “As transmissões dos jogos para o mundo todo ampliam o conhecimento sobre os produtos dos países-sede. É o tipo de publicidade que, isoladamente, os empresários não podem fazer”, diz o presidente do BC, que foi um dos garotos-propaganda do Brasil na disputa pela Olimpíada de 2016. “Também empresas de outros países vão se interessar em vender seus produtos aqui ou mesmo instalarem fábricas no país”, acrescenta.

O diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, acredita que os investimentos voltados para a Copa e as Olimpíadas deverão ficar mais evidentes a partir de 2010, sobretudo os estrangeiros, direcionados à construção civil. Mas é importante, na opinião de Zeina Latif, economista-chefe do Banco ING, que o Brasil não se torne dependente demais do capital externo que virá para cá para tirar proveito do ciclo de crescimento. Quanto mais precisar de poupança estrangeira para se financiar, maiores serão as chances de o país criar desequilíbrios à frente, abrindo espaço para crises. No entender de Zeina, para o histórico do Brasil, de constantes crises cambiais, o ideal é que o deficit nas contas externas fique em, no máximo 3% do PIB. Acima desse patamar, a luz amarela se acenderá.

Petróleo
Para o vice-presidente de Negócios Internacionais e de Atacado do Banco do Brasil, Allan Toledo, o Brasil do futuro está longe de se meter em crises. “O que vemos é uma potência em construção”, afirma. E tal visão, segundo ele, pode ser explicada pela enorme quantidade de projetos que a instituição estatal está financiando, especialmente na área de energia. “Junto com cinco bancos, estamos destinando R$ 2 bilhões às hidrelétricas de Santo Antônio e de Jirau, ambas no Rio Madeira, em Rondônia. Estamos, ainda, analisando operações nos setores naval, rodoviário e de petróleo”, enfatiza.

O BB, acrescenta Toledo, entrará com tudo no financiamento da exploração do pré-sal, diante do potencial ganho. A previsão da Petrobras é dobrar a produção diária de petróleo nos próximos 10 anos, elevando a participação do setor no PIB de 10% para 20%. Até 2013, a empresa investirá US$ 174 bilhões. Para não ver seus planos frustrados, a estatal capacitará mais de 200 mil pessoas em 185 categorias profissionais. A cadeia de fornecedores deverá abrir, em cinco anos, 500 mil vagas, duas vezes e meia o total de postos existentes hoje.


ESPECIAL 2010 - O ANO ZERO DA ECONOMIA SUSTENTÁVEL

2010 - O ANO ZERO DA ECONOMIA LIMPA
Autor(es): Fernando Abrucio
Veja - 27/12/2009

Svante Arrhenius era um desconhecido físico sueco quando, em 1896, fez um alerta: se a humanidade continuasse a emitir dióxido de carbono na atmosfera no mesmo ritmo que fazia desde a alvorada da Revolução Industrial, em 1750, a temperatura média do planeta subiria de maneira dramática, em decorrência do efeito estufa.
Pouca gente escutou o apelo de Arrhenius em seu tempo, um período sem carros, sem megalópoles, com apenas 1,2 bilhão de pessoas no mundo. Quase ninguém seguiu seu raciocínio na maior parte do século seguinte. Foi assim até que novas evidências científicas surgiram, além das catástrofes naturais. E nos anos 1960 brotou uma ideia romântica, utópica e alternativa de preservação da natureza. Ela hoje entrou na corrente principal do pensamento ocidental, ajudou a transformar os processos de produção industrial e moldou o perfil dos líderes empresariais que conduzem o capitalismo no século XXI. Há muito ainda a ser feito. Evidentemente, é um frágil equilíbrio, mas trata-se, agora, de agir já para pagar menos depois.
Um relatório produzido em 2006 pelo economista inglês Nicholas Stern, então no Banco Mundial, indica que investir imediatamente, a cada ano, 1% do PIB global pode evitar perdas de até 20% desse mesmo PIB até 2050. É informação que os líderes reunidos na COP15, em Copenhague, neste mês, tinham com nitidez. Esses números não os fizeram avançar muito, em uma cúpula que entrará para a história pelos tímidos resultados que ofereceu. Não há problema. Existe uma mensagem clara: os estados não se entendem, escorregam na burocracia e em interesses egoístas, mas a iniciativa privada saiu na frente. As empresas e a sociedade já fazem mais e melhor que os governos no combate ao aquecimento global. Eles ainda patinam para entregar sua principal - se não única - contribuição, a de definir um quadro institucional estável e favorável à livre-iniciativa, à inovação e ao empreendedorismo.

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