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terça-feira, novembro 17, 2009

IOF não segurou o câmbio, diz banqueiro

IOF não segurou o câmbio, diz banqueiro

Autor(es): Daniela Milanese,
O Estado de S. Paulo - 17/11/2009

O presidente do conselho de administração do Itaú Unibanco, Pedro Moreira Salles, afirmou ontem que a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada de capital externo "não segurou a apreciação cambial porque há uma tendência de grandes fluxos".

"O IOF foi uma tentativa, e é difícil dizer onde estaríamos sem ele, mas, do ponto de vista nominal o câmbio voltou para onde estávamos", disse, em entrevista à Agência Estado em Londres.

Para ele, a pressão cambial é um problema, mas as soluções não são fáceis. As iniciativas poderiam passar pelo aumento da poupança, pelo crescimento das importações e por medidas para facilitar as restrições cambiais que ainda existem no País.

Conforme Moreira Salles, a adoção do IOF não conseguirá mudar a tendência do câmbio, até porque a taxa é relativamente baixa. Ele também lembrou que a desvalorização do dólar é um problema mundial.

Moreira Salles acredita que a taxa de retorno do banco será mantida com o crescimento da carteira de crédito, o que compensará a redução dos spreads. "Quando se tem um maior volume, é possível cobrar menos em cada empréstimo", afirmou. Moreira Salles participou de evento organizado pela Agência Estado, ontem.

Segundo o banqueiro, o novo padrão de consumo no Brasil, com a ascensão das classes mais baixas, vem gerando forte demanda por crédito. Existe a expectativa de absorção de novos clientes, com a geração de novos produtos e serviços.

"Há mais gente entrando no mercado de consumo e precisando de financiamento, o que dilui os custos fixos do banco."

Com maior oferta, fruto também da concorrência, os spreads devem continuar caindo no País, juntamente com a inadimplência, avalia Moreira Salles. "Se o avanço do crédito seguir entre 15% e 20% ao ano, o retorno poderá se sustentar no patamar atual (de 20%)."

DEMANDA REPRIMIDA

Além de uma demanda reprimida no segmento de pequenas e médias empresas, que não era atendida no passado, o presidente do conselho do Itaú Unibanco vê perspectivas positivas para o aumento do financiamento imobiliário no País, que ainda é "muito incipiente".

Ele prevê que, em cinco anos, essa área alcançará um crescimento importante, à medida que as instituições financeiras consigam captar a taxas fixas e com prazos mais longos.

CONCORRÊNCIA

Moreira Salles também avalia que a concorrência bancária no Brasil é "forte e bem distribuída", pois não existe mercado onde o Itaú Unibanco atue sozinho. No entanto, ele não vê mudança de padrão nessa disputa recentemente.

"A concorrência já estava aí e continua aí", afirmou o banqueiro. "Continuamos disputando cada cliente e cada operação."

O empresário avalia que a competição vem tanto do setor público, particularmente com o Banco do Brasil, como dos concorrentes tradicionais, como Bradesco e Santander, que com o Real vira uma "franquia local de influência importante". Ele também mencionou o HSBC, segundo maior banco do mundo, que possui mil agências no Brasil.

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