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terça-feira, outubro 06, 2009

Dados comprovam descolamento do Brasil, mas analistas pedem cautela

Dados comprovam descolamento do Brasil, mas analistas pedem cautela

Por: Giulia Santos Camillo
06/10/09 - 14h00
InfoMoney

SÃO PAULO - Olhar para as estatísticas de desempenho da bolsa paulista atualmente é como ser transportado para o início de 2008. Mesmo com problemas no front externo, a euforia com a economia brasileira persiste, o País obteve mais um grau de investimento e análises sobre o descolamento em relação a Wall Street são crescentes.

Já dizia Patrick Artus, do banco francês Natixis, no início deste semestre: "faz perfeito sentido pensar novamente em descolamento dos mercados emergentes". Dito e feito. O
Ibovespadecolou nos últimos meses, deixando os principais índices acionários norte-americanos para trás em termos de desempenho. Na última sessão, o benchmark bateu o maior patamar do ano - 62.369 pontos, feito ainda distante para os principais índices norte-americanos

Apenas em setembro, o principal índice da bolsa paulista subiu 8,9%, enquanto S&P 500 e Dow Jones registraram altas de 2,27% e 3,57%, respectivamente. A diferença é ainda maior na comparação do desempenho acumulado nos três primeiros trimestres do ano, quando o Ibovespa subiu 63,83% e os índices norte-americanos avançaram 17,03% e 10,66%, respectivamente.

Índice
Setembro
Acumulado em 2009*
Acumulado em 365 dias*
Ibovespa
+8,9%
+63,83%
+24,17%
Dow Jones
+2,27%
+10,66%
-10,49%
S&P 500
+3,57%
+17,03%
-9,37%

Considerando fechamento de 30/9/2009

Porque voltar a falar nisso

De acordo com Artus, há dois grandes motivos para os analistas retomarem a tese do descolamento dos mercados emergentes. O primeiro é a perspectiva desfavorável para o crescimento de países desenvolvidos no médio e longo prazo. O segundo é a recuperação dos mercados emergentes - incluído, com destaque, o Brasil.

Na verdade, a sensação que fica, especialmente em relação ao Brasil, é que ao menos parte da alta é justificada pelos fundamentos da economia e pela aparente resiliência frente à crise financeira internacional, que traz uma percepção benigna em relação ao País.

"Ainda é muito prematuro dizer se, de fato, isso tem uma parte de uma bolha ou algo nessa linha. O que podemos dizer é que há dois fatores que justificam pelo menos parcialmente essa diferença, que é o fato de haver perspectivas melhores aqui, de recuperação mais rápida do que nos Estados Unidos. E também o fluxo de capitais estrangeiros, que voltaram com muita força", explica o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto.

Para Neto, esse cenário é aliado ainda ao ciclo de redução do juro básico no Brasil, o que aprofundou o deslocamento dos investimentos da renda fixa para a variável, dando um impulso ainda maior para as bolsas.

Índice
Máxima
Mínima
Variação
máxima - mínima
Variação
mínima - atual*
Ibovespa
73.517 pontos em 20/5/2008
29.435 pontos em 27/10/2008
-59,96%
+111,89%
Dow Jones
14.164 pontos em 9/10/2007
6.547 pontos em 9/3/2009
-53,78%
+46,63%
S&P 500
1.565 pontos em 9/10/2007
676 pontos em 9/3/2009
-56,81%
+53,85%

Considerando fechamento de 05/10/2009

Mais momento do que descolamento

"Não acredito em descolamento, acredito em momento". É com esse lema que o estrategista da TBCS, Rafael Ferri, começa a discutir o assunto. Na sua opinião, o mercado pode, em algum momento, ter uma realização mais forte e essa diferença perderia força.

Assim como Neto, Ferri também acredita que as perspectivas em relação aos emergentes têm impulsionado a performance da renda variável doméstica. Além disso, o estrategista cita a política excessiva de juros baixos ao redor do mundo, que fez com que o fluxo de capitais aumentasse, exercendo uma influência ainda maior do que os fundamentos.

"O fluxo vem prevalecendo sobre os fundamentos nos últimos meses, mas o fluxo muda rápido. Os fundos estrangeiros e os fundos de pensão globais ajustam as velas de acordo com o vento, então tem que ficar bem atento, porque o mercado pode partir para a realização", frisa Ferri.

Cuidado com a euforia, lembre de 2008

Se a História serve como exemplo, é necessário olhar para a renovação da tese do descolamento com cuidado. Em 2008, o resultado não foi muito positivo, já que a euforia com a performance do Ibovespa no início do ano deu lugar a um derretimento da renda variável doméstica, com o benchmark caindo quase 60% em pouco mais de cinco meses.

Segundo Artus, no ano passado a crença de que os mercados emergentes estavam descolados das economias desenvolvidas foi fracassada, mas não por estar realmente errada e sim porque os mercados financeiros decidiram que a diferença não existia. "O final do descolamento foi, até um certo ponto, autorrealizável", explica o economista.

Atualmente, também é necessário cautela em relação às expectativas do mercado e indicadores internacionais, pois o descolamento - ou momento, como chama Ferri - pode passar. "De o mundo prevalecer em recessão e esse movimento lá fora ser só uma retomada de curto prazo. Pode acontecer o mesmo que no ano passado", ressalta o estrategista, prevendo que Ibovespa deva oscilar entre 55 mil e 65 mil pontos até o final deste ano.

Então, o rali continua ou não?

Embora somente o passar do tempo vá mostrar se a tese do descolamento é real ou apenas representa euforia, o economista do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, acredita que o curtíssimo prazo deve mostrar uma correção dos
ganhosrápidos que aconteceram nos últimos meses, conforme o que aconteceu na última sessão.

"Nós devemos ter uma correção, mas nada muito expressivo. Passado esse ajuste inicial, eu acredito que a bolsa deva continuar a subir, até porque as perspectivas para o ano que vem e para os lucros das empresas são melhores", afirma Neto, concluindo que, se os números mostrarem a recuperação da atividade econômica, como o esperado, a bolsa voltará a subir e fechará o ano em patamares maiores do que o atual.

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