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quarta-feira, setembro 30, 2009

Uma arma só para grandes investidores

Uma arma só para grandes investidores

Tendência consolidada nos EUA, as negociações de alta frequência ganham espaço na bolsa brasileira

Por João Sandrini e Marcio Orsolini 29.09.2009 08h23

Para a BM&FBovespa, os últimos dois anos não foram marcados apenas pela abertura de capital e pela fusão das duas bolsas mas também por parrudos investimentos em tecnologia. Aumento da capacidade de realização de negócios, acordos operacionais com bolsas estrangeiras e utilização de plataformas de negociação compatíveis com as das principais bolsas do mundo são temas que fizeram parte do dia a dia da área de tecnologia da BM&FBovespa. Agora a bolsa paulista começa a colher os frutos do refinamento tecnológico com as negociações realizadas por meio de ordens em alta frequência.

Essas operações - bastante comuns em bolsas dos EUA, onde representam nada menos do que a metade do volume de negócios - permitem aos investidores lucrar principalmente com operações de arbitragem de ativos. Nos mercados mais desenvolvidos, os gestores costumam fazer arbitragem com o uso de um software que dispara automaticamente ordens de compra e venda de ações ou outros ativos sempre que determinadas condições de mercado forem atingidas. Para isso, o software obedece a uma fórmula matemática desenvolvida pelos gestores.

Em um exemplo bastante didático de arbitragem, se a ação da Petrobrasestiver valendo 30 reais na bolsa brasileira e 31 na Bolsa de Nova York, esse software é programado para disparar uma ordem de compra do papel no pregão paulista e revendê-lo o mais rápido possível nos EUA, ganhando 1 real por ação numa operação de baixíssimo risco. Nesse caso, a única forma de o gestor perder dinheiro é com a demora na execução das ordens. Se comprar o papel a 30 reais e revendê-lo um minuto depois quando ele tiver caído para 29,50 reais em Nova York, por exemplo, haverá um prejuízo de 0,50 reais por ação. Esse exemplo mostra que o sucesso de uma operação de arbitragem depende não apenas do desenvolvimento de uma fórmula matemática correta para identificar distorções que possam gerar lucros mas também de um sistema de negociações que suficientemente rápido no envio de ordens.

No Brasil, a Alpes Corretora deu um passo à frente das rivais no mercado de negociações de alta freqüência ao desenvolver o primeiro serviço de "colocation". Na prática, trata-se da instalação de servidores de clientes dentro do data center da BM&FBovespa. Como a internet reuniu milhões de computadores em uma única rede, pode parecer irrelevante ter um servidor dentro na bolsa - mas não é. Quando a fórmula matemática indica a hora certa para comprar um papel, a ordem sai do servidor da Alpes e chega ao da BM&FBovespa localizado a três metros de distância. O servidor da bolsa, então, realiza a operação em um processo que leva 0,007 segundos. Quem opera fora do sistema de "colocation" demora, em geral, entre 0,1 e 0,15 segundo - uma eternidade para quem deseja lucrar com operações de arbitragem. "Como a ordem que entra primeiro no sistema é executada antes, o cliente da Alpes leva vantagem para conseguir realizar o negócio", explica Mateus Cosac, diretor de negociações eletrônicas da corretora.

Hoje o serviço funciona apenas para a negociação de derivativos na BM&F e aguarda a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para começar a operar também com ações na Bovespa. Procurada, a CVM informou por meio de sua assessoria de imprensa que não poderia comentar o assunto durante esse período de análise. Mas, de acordo com a bolsa, a aprovação deve ser concedida ainda neste ano.

Alto custo, retorno garantido

Tanta tecnologia custa caro. Para manter o servidor dentro da bolsa, a corretora Alpes tem de desembolsar 15.000 reais mensais. Já para o investidor, os gastos podem somar milhões. "Há a conexão de Internet e computadores de alta tecnologia, mas o mais caro é o ‘capital intelectual’ envolvido. É preciso melhorar cada vez mais a eficiência das fórmulas matemáticas que executam as ordens", explica Irene Aldrige, sócia da canadense Able Alpha Trading, especializada em transações eletrônicas, e autora do livro High-Frequency Trading: A Practical Guide to Algorithmic Strategies and Trading Systems (Transações em Alta Freqüência: um guia prático para estratégias de algoritmos e sistemas de transações, em tradução livre). Por esse motivo, as negociações de alta frequência acabam sendo realizadas apenas por grandes bancos e gestores de recursos.

Como esses investidores costumam ter um ganho muito pequeno a cada negócio realizado, a Alpes cobra uma taxa bem menor que a tabela de preços da bolsa. O investidor de alta frequência também tem um custo alto para o envio de milhões de ordens, para que os pequenos ganhos de cada uma somem uma quantia que justifique a aposta nesse tipo de operação. Apesar de o pequeno investidor ser, aparentemente, preterido se tiver de competir em velocidade com as negociações automatizadas feitas a partir de servidores instalados dentro da bolsa, isso também pode ser saudável para o mercado local. Segundo André Demarco, diretor de operações da BM&FBovespa, os investidores de alta freqüência contribuem para aumentar a liquidez dos papéis e, com isso, reduzir possíveis distorções de preços.

"Além disso, para o pequeno investidor a velocidade é bem menos importante que para o gestor que trabalha com alta freqüência", explica Demarco. "O pequeno investidor não liga tanto para variações de um centavo, por exemplo. Ele costuma investir num momento para revender o papel bem depois. Já os grandes investidores têm de se preocupar com isso porque, no final das contas, esses centavos podem resultar em milhões."

Polêmica

Nos Estados Unidos, as principais críticas às ordens de alta freqüência concentram-se na possibilidade de assimetria de informação. As corretoras responsáveis por essas operações podem colocar no sistema ordens conhecidas como "flash", que são capazes de verificar se alguém está disposto a vender uma ação por determinado preço antes mesmo que a ordem de compra seja enviada. "É como se o investidor espiasse a lista de ordens antes do mercado. Aí ele avalia o que é mais interessante para seu negócio", diz Irene, da Alpha Trading.

As ordens "flash" estiveram no centro de uma polêmica nos EUA em julho, quando um ex-funcionário do Goldman Sachs foi preso acusado de roubar informações do sistema da empresa. O banco não dá detalhes sobre o caso, mas a possível fraude já foi suficiente para que o senador democrata Charles Schumer exigisse que o órgão regulador do mercado de capitais nos EUA banisse as ordens "flash". "Isso só é possível nos Estados Unidos porque as negociações são feitas por meio de diversas bolsas e até mesmo diretamente entre corretoras", diz o Roberto Lee, diretor de marketing da Win, o home broker da Alpes Corretora. Logo, ao menos enquanto a BM&FBovespa tiver o monopólio das transações em bolsa no Brasil, as negociações de alta freqüência devem aumentar, mas as ordens "flash" continuarão banidas.

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