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quarta-feira, setembro 30, 2009

Um ano depois da histórica derrocada do Lehman Brothers, um ex-operador do lendário banco americano conta em livro os bastidores da crise sob o olhar privilegiado de quem estava lá

"Droga, quebramos!"

Um ano depois da histórica derrocada do Lehman Brothers, um ex-operador do lendário banco americano conta em livro os bastidores da crise sob o olhar privilegiado de quem estava lá

Sede do banco, em Nova York: na hora do pânico, apelo até a um primo distante de Bush

Por Eduardo Pegurier 17.09.2009 00h01

Quer dizer que é isso? É essa a porcaria? Se é tudo que temos... Droga, quebramos!" Sob os olhares estarrecidos de 80 colegas, um dos executivos do lendário Lehman Brothers que assistiam à apresentação da última e desesperada proposta da cúpula para salvar o banco interrompeu a reunião no dia 6 de setembro de 2008. O plano era criar uma empresa livre dos ativos tóxicos da instituição. Não houve sequer tempo para tirá-lo do papel. No dia 15 de setembro de 2008, o então quarto maior banco de investimento americano afundou. Junto com ele, uma história de 158 anos. Naquele momento, o Lehman Brothers especulava com mais de 600 bilhões de dólares em ativos financeiros amparados em apenas 15 bilhões de capital próprio. A despeito de pedidos de ajuda, as autoridades americanas o deixaram sucumbir -- e o mercado financeiro mundial veio abaixo. O tradicional banco era apenas um exemplo da irresponsabilidade com que as maiores casas financeiras do mundo operavam. Trilhões de dólares em derivativos estavam lastreados em hipotecas de segunda linha. O resto da história todo mundo sabe e levará anos, senão décadas, para ela ser digerida por economistas, historiadores e agências reguladoras do mercado financeiro.

Um ano após a derrocada, a história do Lehman Brothers deu origem a um relato saboroso, contado por quem estava dentro da barriga do monstro em A Colossal Failure of Common Sense ("Uma falha colossal do bom senso", sem versão para o português), escrito por Lawrence McDonald, um ex-operador de títulos do Lehman e hoje diretor da Pangea Capital Management, fundo de investimento baseado em Nova York. Seu coautor é Patrick Robinson, ex-jornalista e autor de romances de ação militar. Não espere encontrar nessa obra uma análise dos pormenores das sofisticadas operações com derivativos que congelaram a economia mundial. O autor preferiu se concentrar nas entranhas de Wall Street e revelar os bastidores do que considera uma sequência retumbante de falta de bom senso. McDonald toma o cuidado, porém, de se eximir de qualquer culpa. Segundo ele, sua posição no Lehman equivalia à de um sargento: comandava ataques, mas não traçava estratégias. "Duvidar da tática do banco era equivalente a alta traição", afirma.

Antes de mostrar como funcionava a ambição desenfreada de seus colegas, ele atribui o apetite por risco a uma mistura de dinheiro barato e regras frouxas. De acordo com McDonald, o pano de fundo da história começa no governo Bill Clinton, em 1993. Em busca de popularidade junto com o eleitorado hispânico e negro, ele abrandou as regras para empréstimos imobiliários a pessoas de baixa renda. Em 1999, também revogou o Glass-Steagall Act, lei promulgada em 1933, durante a Grande Depressão, que proibia os bancos comerciais de fazer operações mais arriscadas, típicas dos bancos de investimento. Com seu fim, a possibilidade de que todo o setor financeiro se contaminasse por uma onda especulativa aumentou. Dois anos depois, em 2001, foi a vez de Alan Greenspan jogar combustível nessa fogueira. O então presidente do FED, o banco central americano, baixou a taxa de juro de 6% para 1% entre 2001 e 2003. O nível de endividamento em relação à renda do consumidor americano costumava oscilar entre 85% e 95%. Com os juros baixos, o indicador atingiu 135% em 2006.

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