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quarta-feira, setembro 30, 2009

Oferta do Santander terá liquidação diferenciada

Oferta do Santander terá liquidação diferenciada

Por Ana Paula Ragazzi e Eduardo Campos, de São Paulo
30/09/2009
O gigantesco tamanho da oferta global de ações do Santander Brasil , que pode somar R$ 16,5 bilhões e se tornar a maior do mundo realizada neste ano até o momento, deu nó até nos estruturadores da operação.

Nesta semana, com a oferta já na rua - as reservas começaram na segunda-feira - foram anunciadas alterações nos dias da estreia dos papéis e da liquidação financeira da distribuição, com a necessidade, inclusive, de alteração de normas pelo Banco Central.

O cronograma inicialmente divulgado previa que os American Depositary Receipts (ADRs) do banco estreariam na bolsa de Nova York um dia antes da chegada das ações à BM&FBovespa.

Isso estimularia operações de arbitragem, com investidores procurando fazer lucros, por exemplo, com as diferenças de preço entre o fechamento do papel em Nova York e a abertura no pregão paulista.

O temor maior, segundo apurou o Valor, seria do responsável pela estabilização inicial da cotação dos papéis, a corretora do Credit Suisse.

Em todas as ofertas é praxe que uma instituição atue, por 30 dias, na estabilização dos preços dos papéis, por meio de operações de compra e venda e auxiliando a liquidez inicial da estreante. O Credit atuará tanto para as ações quanto para os ADRs. Mas, se por acaso os ADRs tivessem queda forte em Nova York, os trabalhos de estabilização em São Paulo, logo de início, ficariam ainda maiores.

O Credit, além de Bank of America, Merrill Lynch e BTG Pactual, formam o grupo de coordenadores da oferta, que é liderada pelo Santander global.

Os bancos perceberam, portanto, a necessidade de alinhar as datas de estreia. Anteontem, o Santander informou que a chegada das novas ações à bolsa paulista seria antecipada em um dia, de 8 para 7 de outubro.

Só que a medida criou outro problema. Com a antecipação, a liquidação financeira da operação de compra de ações na oferta inicial no Brasil ocorreria na tarde do dia 13, enquanto a liquidação das transações realizadas na bolsa paulista no primeiro dia de negociação se daria na manhã do mesmo dia 13. Ou seja, antes mesmo de pagar pelos papéis quem tivesse se desfeito deles no primeiro dia de negócios já teria recebido pela venda.

Essa janela estimularia a atuação dos chamados "flippers" - investidor que reserva ação e vende logo após a estreia atrás de ganho rápido - , que poderiam atuar sem a necessidade de colocar dinheiro na operação.

Esse tipo descasamento já havia ocorrido em outras ofertas, mas, no caso da operação muito volumosa do Santander, abriria um risco de liquidação, já que as instituições financeiras envolvidas na distribuição pública ficariam, ainda que por horas, com o risco de seus clientes não terem o dinheiro para arcar com os gastos na oferta e já terem negociados os mesmos papéis no primeiro dia.

Em razão disso, atendendo a pedido da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o BC, em reunião extraordinária, autorizou ontem mudanças na liquidação da operação, que costumeiramente é feita em três dias (D+3).

Agora, para a compra na oferta inicial, a liquidação segue mantida em três dias, no dia 13. Mas, para as operações de compra e venda realizadas na bolsa na estreia, a liquidação se dará em um dia a mais e ocorrerá dia 14.

Assim, antes de receber por uma eventual venda das ações no mercado secundário (bolsa), o investidor já terá pago pelos papéis adquiridos no mercado primário (oferta). O próprio BC, em seu comunicado, manifestou preocupações com a possibilidade de arbitragem entre os papéis no Brasil e no exterior, o que prejudicaria a oferta doméstica. No dia 14, informou a bolsa, ocorrerá a liquidação das operações realizadas na bolsa com os papéis do Santander no primeiro e no segundo dia de negociações.

Tanta preocupação se justifica pelo tamanho da operação e a imensa quantidade de negócios que ela tende a gerar no primeiro dia. Em média, na estreia, os papéis objeto de oferta inicial giram entre 30% e 40% do valor distribuído. No caso do Santander, esse volume poderia chegar a R$ 6,6 bilhões - para efeito de comparação, em agosto e setembro os pregões da bolsa paulista têm negociado, em média, R$ 5,4 bilhões por dia.

E houve casos em que essa proporção foi ainda maior - a oferta da Bovespa Holding somou R$ 6,6 bilhões, e o papel negociou no primeiro dia R$ 5,7 bilhões ou 85% do total colocado. Como as expectativas são que a oferta de ações do Santander seja bastante demandada, em particular por pessoa física, como foi o caso das bolsas, os volumes negociados podem ser ainda mais elevados.

Na operação da BM&F, a procura de pessoas físicas foi recorde e a quantidade de negócios foi tanta no primeiro dia que o próprio sistema operacional da então Bovespa, o megabolsa, enfrentou problemas para processá-los e sofreu com lentidão, o que afetou os negócios com a BM&F, que ainda assim giraram 40% do total ofertado, e com os outros papéis listados. De lá para cá a bolsa fez investimentos para elevar a capacidade do sistema.

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