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quarta-feira, setembro 02, 2009

No futuro próximo do Brasil há a possibilidade de uma nova bolsa

No futuro próximo do Brasil há a possibilidade de uma nova bolsa

Por: Giulia Santos Camillo
02/09/09 - 14h25
InfoMoney

SÃO PAULO - Preparem-se para uma a entrada de novos players no setor de bolsas de valores, sinalizou o gestor da Galleas, Marcos Elias, no programa Money Talks, no final de julho. A afirmação pode parecer estranha a alguns, devido à presença maciça da empresa no setor nacional de bolsa de valores - tanto que parece até ser proibida a constituição de novos ambientes de negociação.

Apesar da situação atual, contudo, é importante lembrar que não há reserva de mercado no setor de bolsas brasileiro e que a fragmentação do mercado é possível. Para os que não se lembram, antes da bolsa paulista tornar-se a maior do Brasil e antes do
episódio Naji Nahas, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro ocupava o mesmo posto.

Conforme explicado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), "pela regulamentação atual, já se pode analisar a instalação de novas bolsas para concorrer com a bolsa existente, ou ainda, outros mercados de balcão para concorrer com os existentes. Vale lembrar que essa restrição só existe para as ações de companhias listadas, pois, em relação aos outros valores mobiliários, já é possível a
negociaçãode papéis listados em qualquer mercado organizado".

Com isso em mente, Elias afirma que é possível esperar já para 2010 várias iniciativas de concorrência à BM&F Bovespa. "Eu já tenho conversado com alguns empresários que vão colocar em prática um plano de concorrer com a BM&F Bovespa, que hoje vale aproximadamente R$ 20 bilhões na bolsa", afirmou o gestor durante o programa.

Não tão fácil

Contudo, a existência da permissão de instalação de uma nova bolsa não significa que não há outros empecilhos. "A legislação, diferente do que ocorre em outros países, exige que o ambiente de negociação preste uma série de serviços, realize controles, seja auto-regulador... enfim, tem uma série de atividades que precisam ser realizadas por quem deseja entrar no ramo de viabilização de negócios no mercado de capitais", explica Gilberto Mifano, ex-presidente e atual consultor do conselho da BM&F Bovespa.

Segundo ele, esta condição restringe a possibilidade de alguém efetivamente entrar no setor de bolsas no Brasil. Outro ponto que merece atenção é a restrição oferecida pelo tamanho do mercado brasileiro. "O problema é de escala. O mercado brasileiro cresceu muito, é bastante forte, mas talvez não o suficiente para atrair alguém que queira se estabelecer, começar do zero e fazer todas aquelas atividades necessárias", explica Mifano.

É necessário lembrar ainda que o modelo de negócio no Brasil é bastante específico e não suporta aplicação de sistemas de
negociações estrangeiros, sem alterações. Assim, tem ainda outros requisitos que devem ser desenvolvidos e que podem desanimar players potenciais.

Outras alternativas de fragmentação

De acordo com Mifano, nem sempre a fragmentação pode ser vista como uma evolução. "Em mercados muito líquidos, você ter alternativas em termos de ambientes de negociação, de fato é uma evolução. No nosso caso, a fragmentação pela fragmentação não acrescentaria nada. Não seria, na minha opinião, uma evolução. Seria, provavelmente, até uma perda de liquidez num primeiro momento".

Atualmente, o mercado brasileiro já tem um certo nível de fragmentação, com a listagem de empresas nacionais em bolsas estrangeiras, sob a forma de ADRs (American Depositary Receipts). Em comparação com mercados norte-americanos, entretanto, esse é um nível extremamente baixo. Lá fora, há diversos sistemas alternativos de negócios, que aumentam a fragmentação dos mercados.

Um exemplo disso são as chamadas dark pools of liquidity, que são ATS (Alternative Trading Systems) usados por traders que procuram movimentar grandes quantias de ações sem revelar as operações no mercado aberto. As compras e vendas desse sistema não são mostradas nos livros de ofertas.

A CVM alerta, contudo, que "não pretende autorizar dark pools, ECNs, etc, para concorrer com a bolsa na negociação de ações". Porém, como já foi manifestado pela autarquia anteriormente, há a "intenção de reavaliar, no futuro, essa restrição à concorrência em nosso mercado de ações".

Fragmentação durante a crise

A crise financeira internacional chamou a atenção dos investidores para um aspecto mais perene dos mercados financeiros: a regulação. Durante os meses de turbulência ficou clara a falta de transparência nas negociações e formação de preços de ativos, especialmente nos países desenvolvidos, onde os mercados são bastante fragmentados.

A fragmentação, por si só, não pode ser culpada pelos problemas de regulação. Porém, é senso comum que ela facilita a falta de transparência. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde há uma forte segmentação do mercado, a crise foi acompanhada por medidas paliativas dos órgãos reguladores em relação a mercados alternativos, de forma a reduzir as oscilações nos preços dos ativos.

"O Brasil se saiu muito bem nessa crise e uma das razões é a regulação brasileira e os controles exercidos pelo regulador, no caso a CVM. A transparência na formação de preço foi o nosso grande diferencial. A fragmentação, sistemas alternativos de negociação, são possíveis no Brasil, desde que mantenham essa lógica de transparência na formação de preço, transparência na negociação, regras claras de negociação, que não beneficiem alguns segmentos em detrimentos de outros", explica Gilberto Mifano.

Segundo ele, isso tudo é muito positivo, mas, por outro lado, também inibe novos entrantes que comecem do zero. "Talvez o Brasil ainda tenha que evoluir um pouco para poder atrair novas estruturas, novos ambientes de negociação", afirma.

Movimento contrário: a consolidação

Depois da crise e das movimentações dos reguladores no sentido de limitar os mercados alternativos, reforçadas pela unificação das tecnologias, é possível pensar também em uma movimentação contrária à segmentação, alinhada à consolidação dos mercados.

"Hoje em dia não tem porque dividir os segmentos. Acho difícil acontecer isso no Brasil não só porque o Brasil não tem empresas suficientes ainda, mas porque é uma época em que as tecnologias estão todas concentradas", afirma Paulo Portinho, gerente-geral do Instituto Nacional de Investidores.

"Acho extremamente improvável que uma outra bolsa venha competir diretamente com a BM&F Bovespa. Acho mais provável que eles façam uma joint venture ou que comprem. Até a própria BM&F Bovespa pode consolidar, isso é uma coisa importante. A BM&F Bovespa pode consolidar todas as bolsas da América do Sul", alerta Portinho, sem, contudo, descartar um movimento futuro de fragmentação.

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