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quinta-feira, setembro 10, 2009

Ata do Copom não altera cenário principal de manutenção da Selic por um período mais longo

Divulgada nesta manhã, a ata da última reunião do Copom não trouxe surpresas em seu conteúdo, com o BC mencionando a necessidade de uma postura mais cautelosa na política monetária diante das reduções de juros já praticadas e dos sinais de melhora da atividade econômica. As perspectivas para a inflação seguem vistas como benignas, mas o ritmo de redução da ociosidade dos fatores de produção será o principal direcionador das decisões futuras do Comitê. Eu suma, predominou um otimismo cauteloso, com a economia dando sinais de retomada com baixos riscos inflacionários – cenário que evidentemente dependerá da intensidade desta recuperação nos próximos meses.

Sobre a evolução da inflação, o Copom explicitou com aparente satisfação o fato do IPCA anual ter retornado à meta de 4,50% em julho, após 18 meses acima deste patamar. Para o BC, “a aceleração inflacionária observada no ano passado vem sendo superada”. Porém, não deixou de atentar à persistência das altas nos preços de serviços. Voltando aos aspectos mais benignos, mencionou o recuo dos núcleos e do índice de difusão em julho. As projeções para a inflação, calculadas pelos modelos do BC, continuam abaixo do centro da meta em 2009 e em torno da meta em 2010.

Quanto à atividade econômica, o parágrafo 6 cita que “o mercado de trabalho parece tender a um comportamento mais favorável” e que “continua ocorrendo recuperação da geração de vagas no setor formal, ainda que aquém do padrão sazonal”. No âmbito da indústria (parágrafo 4), para o BC “o piso da produção ocorreu em dezembro-janeiro, sendo seguido por gradual recuperação”. Enfatizou também a expansão da massa salarial real, que “atingiu 4,5% em julho, continuando a constituir fator chave para a sustentação da demanda doméstica”. A este respeito, citou no parágrafo 7 a melhora do volume de vendas no varejo, e previu que “nos próximos trimestres, a trajetória do comércio continuará sendo sustentada pelas transferências governamentais e pelo crescimento da massa salarial real”. Ou seja, apontou diversos aspectos que sugerem melhora na sua visão relacionada ao comportamento da economia na margem.

Um ponto importante ainda relacionado à atividade, mas que terá particular importância na definição das perspectivas para a política monetária, consiste na evolução do nível de utilização da capacidade instalada (NUCI). O parágrafo 8 cita o fato do NUCI medido pela FGV em agosto estar 5,0 pontos percentuais abaixo do patamar observado no mesmo mês de 2008, embora tenha se elevado 3,7 p.p. em relação à mínima registrada em fevereiro. Seguindo estes números, conclui o BC que “em síntese, as evidências sugerem que seguem reduzidas as pressões de demanda sobre a capacidade produtiva da indústria, embora as taxas de utilização tenham se elevado nos últimos meses”.

Essa ênfase no mercado de fatores, já citada no comunicado divulgado após a reunião na última semana, é reiterada em outros trechos da ata. No parágrafo 25, o Copom reforça um “contexto de retomada paulatina na utilização dos fatores de produção”, ao discorrer sobre a postura cautelosa da política monetária. No parágrafo 27, sintetiza: “importantes estímulos monetários e fiscais foram introduzidos na economia nos últimos meses, e deverão contribuir para a retomada da atividade e, consequentemente, para a redução na margem de ociosidade dos fatores produtivos”. Desta forma, alterações na taxa de juros irão depender do ritmo de recuperação da economia, mais precisamente do aquecimento do uso de fatores (trabalho e capital).

Desta forma, com a inflação sob controle no curto prazo, o foco dos analistas se voltará daqui em diante para os dados de atividade econômica. Os pontos que merecerão acompanhamento mais atento serão o mercado de trabalho (taxa de desemprego, contratações formais e evolução dos rendimentos reais) e os níveis de utilização da capacidade instalada (NUCI). Se tais números mostrarem um ritmo de recuperação apenas moderado nos próximos meses, se tornará mais provável a manutenção da Selic em 8,75% por um período mais longo. No caso dos dados apontarem retomada mais vigorosa, podem abrir espaço para algum aperto mais rapidamente. Outro fator que deverá ser monitorado consiste no ritmo da economia global, diante dos efeitos sobre preços de commodities agrícolas e metálicas – com conseqüente impacto nos custos da cadeia produtiva.

De todo modo, nosso cenário principal segue não contemplando ajustes na política monetária ao menos até meados de 2010. Movimentos de elevação na Selic poderão ocorrer a partir do último trimestre do próximo ano, com vistas à manutenção do IPCA na meta em 2011 – dado que a inflação deve permanecer sob controle até o próximo ano. Em suma, mantemos a previsão de Selic em 8,75% ao final de 2009 e de 9,25% ao final de 2010.

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