Últimas 100 Atualizações do Website via Twitter:

Pesquise todo o conteúdo do website Horus Strategy abaixo:
Loading

quarta-feira, julho 01, 2009

O último dia do pregão viva-voz da história da Bolsa de Mercadorias e Futuros

Na tarde desta terça-feira acabou a gritaria na Bolsa de Mercadorias e Futuros, aquela cena tão comum que você tinha se acostumado a ver.
É que a BM&F aboliu de vez o pregão de viva-voz, substituído por silenciosos computadores. Comprar e vender no mercado financeiro, agora só on-line. Um sofisticado sistema de negócios.

30 de junho de 2009, 17h14. Este foi o último negócio fechado de viva voz na Bolsa de São Paulo. A partir de agora, o silêncio total substitui 119 anos de gritaria. O barulho vai ser mais moderado e só na mesa dos corretores. Só não muda a corrida para fechar os negócios.

Operações feitas em frações de segundo. Clientes em comunicação on-line. A transformação que chegou à Bovespa em 2005, agora bate a porta da Bolsa de Mercadorias e Futuro.

Este é o fim de um capitulo histórico. A partir desta quarta-feira, não haverá mais operadores ali em baixo. Essa imagem pertencerá a uma bolsa de mercadorias do passado.

Em uma sala será usada apenas para leilões eventuais e visitas. Os negócios da BMF dependem de tecnologia e de investimentos milionários para garantir o crescimento da bolsa.

A informatização da BMF é tratada como segredo de estado. Ninguém revela quanto foi investido. Só se sabe que existe um Centro de Processamento de Dados na BM&F e outros três, independentes, na cidade de São Paulo. Se os quatro parassem, nenhum negócio seria fechado. Por isso, os endereços não são revelados.

Mesmo no prédio da bolsa, circular por alguns corredores depende de autorização especial. Uma sala guarda uma poderosa ferramenta de investimento. O "Co-Location". Uma espécie de condomínio de alto luxo para servidores de corretoras, bancos e fundos de pensão. Fomos a única equipe de jornalismo a entrar aqui.

"Estar aqui significa que a corretora/investidor não está sujeita as interferências da comunicação que deixam a conexão com a bolsa mais lenta", explica o Gerente da Co-Location da BMF&Bovespa, Elie Calabres.

As ofertas feitas daqui chegam alguns milisegundos antes das que saem de corretoras concorrentes ou das casas dos clientes. E isso é importante. Quando as propostas empatam no preço, ganha a que chegar primeiro.

Por mais frenético que fosse o pregão viva-voz, ele acabou porque os negócios ali não acompanhavam a rapidez e a onipresença dos computadores. "O pregão de viva-voz, ele tem a limitação física, espacial, enquanto o pregão eletrônico, ele não tem limitação espacial. Basta uma corretora dar acesso a um cliente ele pode operar em um mercado em tempo real", afira o Diretor de Operações da BMF&Bovespa, André Demarco.

Para entender a revolução na BM&F basta comparar a ação de um homem a de um computador. Um bom operador do pregão viva-voz demora, no mínimo, dois minutos para fechar um negócio. Nesse mesmo tempo, o sistema eletrônico pode fechar 2.400 contratos.

Os 420 servidores de uma empresa paulista têm temperatura e umidade controladas. Para entrar, é preciso usar pantufas. Quanto mais informação, mais chance o operador tem de comprar ou vender na hora certa e, assim, fazer o investimento render mais, mas isso nem sempre é feito por pessoas. Em um mundo financeiro controlado eletronicamente, muitas vezes são máquinas que decidem como os negócios devem ser fechados.

Os investidores robôs, conhecidos como "robotraders" estão disponíveis nos grandes bancos e corretoras. Um software feito sob encomenda custa R$ 40 mil. Para um investidor ganhar 10% em uma ação, ele precisa comprar a R$ 100 e vender a R$ 110, por exemplo.

O "robotrader" tem outra estratégia. Compra por R$ 100 e revende toda vez que o preço varia 0,1%, mas como o computador faz isso milhares de vezes por dia, de grão em grão, o investidor encheu o papo, ou o bolso.

O investidor José Olívio não tem robô. Ele usa tênis, agasalho e está pronto para trabalhar no quarto ao lado. "É uma sensação boa porque agora a gente tem uma neta de três meses. Enquanto ela fica tomando sol na cama eu estou aqui operando", conta.

A sete quilômetros dali, o comerciante Michael Spitzer acompanha o mercado enquanto espera clientes na loja de roupas. "Todo dia eu entro aqui e tenho que dar uma olhada".

Os dois operam ao mesmo tempo pelo "Homebroker". Michael acaba de vender derivativos da Vale e lucrou 50% do que investiu. "Eu ganhei nessa operação cento e poucos reais". Essa chance, José Olívio perdeu. "A mínima foi 23. Ele comprou muito próximo da mínima e ia vender a 36, muito próximo da máxima que foi 38. Realmente ele acabou fazendo um 'trade' muito bom".

Cada vez mais brasileiros investem pela internet. Eles usam "Homebrokers', portais que dão acesso a informações das bolsas do mundo inteiro e onde os negócios são fechados. Um terço dos contratos é negociado assim.

O acesso direto de casa não eliminou o operador de mesa das corretoras, mas o trabalho mudou. Ele agora atua como uma espécie de conselheiro. "Antigamente era simplesmente a execução. Hoje, ele enxerga em você um braço direito para ele. O que diferencia hoje o operador são as informações. A formação técnica do operador de mesa é que faz a diferença para o cliente", explica o operador de mesa, Rodrigo Caruso.

Bookmark and Share

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home

Copyright © 2002 / 2014 HorusStrategy.com.br. Horus Strategy é marca registrada. Todos os direitos reservados.