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quarta-feira, junho 17, 2009

O teste de fogo está nos 51 mil pontos

O teste de fogo está nos 51 mil pontos


Daniele Camba
17/06/2009

Mais uma vez o mercado ontem oscilou bastante, meio sem rumo certo, mas com um jeitão bem mais para o lado pessimista. Durante a manhã, o Índice Bovespa teve forças para subir até 0,88%, mas esse cenário logo virou. O índice foi caindo, caindo e fechou em baixa de 1,59%, aos 51.205 pontos. O que se vê há alguns dias é que o Ibovespa vem encostando com frequência nos 51 mil pontos. Acima desse nível, o indicador tem certa dificuldade para se descolar. Dificilmente os fundamentos macroeconômicos explicariam o porquê dessa insistência nos 51 mil pontos. Já os gráficos podem dar alguma resposta. Segundo o economista-chefe da Way Investimentos e diretor do curso de relações internacionais da ESPM-RJ, Alexandre Espírito Santo, o Ibovespa na casa dos 51 mil pontos é um suporte (nível que pode desencadear ordens de compra) importante desde que começou esse movimento de recuperação da bolsa, no início de março.

É importante ficar de olho no gráfico porque, se o índice cair abaixo dos 51 mil pontos, ele possivelmente iniciará um movimento de queda até buscar um novo nível relevante dentro da sua história gráfica. Em outras palavras, isso é o mesmo que dizer que, segundo os gráficos, o teste de fogo do mercado está nos 51 mil pontos. Ontem, o indicador novamente respeitou tal marca. Ele caiu até 51.165 pontos, mas teve forças suficientes para fechar pelo menos 40 pontos acima da mínima do dia. De qualquer forma, o mercado está na marca do pênalti segundo a análise dos gráficos. Vale lembrar que ontem foi a primeira vez em 12 pregões que o indicador fechou abaixo dos 52 mil pontos.

Segundo Espírito Santo, desde março, o Ibovespa encostou nessa marca algumas vezes: nos dias 3, 9, 10, 30 e 31 de março, 1º e 28 de abril e, neste mês, ontem e na segunda-feira. "Em todos esses dias, o indicador bateu nos 51 mil pontos, mas respeitou essa marca, voltando a subir logo em seguida", diz Espírito Santo. "A questão agora é saber se o mercado continuará respeitando esse suporte", afirma o professor.

Se a bolsa resolver fugir à recente regra, a análise gráfica mostra que o mercado pode devolver toda a alta do período, em torno de 15%, que nada mais é do que a distância média entre as mínimas e máximas diárias do Ibovespa nos últimos dois meses e meio, explica o professor da ESPM-RJ. Se cair esse percentual, o Ibovespa voltará para a casa dos 45 mil e 46 mil pontos, lembra Espírito Santo.

Para onde vai?

Partindo do princípio que os fundamentos econômicos neste momento dizem pouco e que os gráficos estão certos, resta saber agora para onde irá o mercado. Na opinião do professor e economista da Way Investimentos, alguns indicadores apontam que a bolsa pode passar por uma correção maior e ir buscar pelo menos os 46 mil pontos. Um sinal importante é a tendência de queda do Ibovespa nos últimos dias com um volume financeiro bem menor do que o registrado na recente recuperação do mercado. Nos últimos dias, o giro da bolsa varia entre R$ 4 bilhões e R$ 4,5 bilhões, enquanto nos meses de abril e maio o volume médio variou entre R$ 6,5 bilhões e R$ 7 bilhões.

Ontem, por exemplo, o giro foi de R$ 4,3 bilhões. "Esse é um sinal de que as ações estão caindo sem que haja um fluxo de compras que possa defender os ativos dessas quedas", diz Espírito Santo. Outro fator que merece reflexão, segundo ele, é a perda de força do enorme fluxo de entrada de recursos estrangeiros, que foi o grande patrocinador da valorização das ações nos últimos meses. "Se os investidores internacionais resolveram fazer uma parada, me parece no mínimo arriscado o brasileiro nadar contra a maré e continuar apostando nessa tendência de alta", diz o professor. Neste mês, até dia 10, o saldo (diferença entre compra e vendas) de estrangeiro está negativo em R$ 278 milhões. Desde fevereiro, esta é a primeira vez que as vendas são maiores que as compras.

Para fechar o cenário delicado, os fundamentos econômicos nem de longe justificam uma valorização tão acentuada dos mercados. Pelos cálculos de Espírito Santo, o índice deveria estar em torno dos 48 mil pontos no fim do ano, o que, descontado pela taxa de juros projetada para o período, significa algo hoje na casa dos 46 mil pontos.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail: daniele.camba@valor.com.br

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