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quinta-feira, junho 25, 2009

IPO da VisaNet frustra pequenos investidores

Com descredenciamento de 19 corretoras no último dia de reserva, participação da pessoa física é limitada

Yolanda Fordelone e Mariana Segala - AE

O cancelamento da participação de um quarto das corretoras incluídas na oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da VisaNet atingiu em cheio os investidores pessoa física. Das 23 corretoras descredenciadas pelos bancos coordenadores da oferta, pelo menos dez estão entre os 20 maiores home brokers do País. “As pessoas físicas foram prejudicadas. A demanda por esta oferta era equivalente à da BM&F, muito popular no final de 2007. Praticamente todo investidor da corretora havia feito a reserva”, afirma o diretor da Geral, Ivanor Torres, uma das corretoras descredenciadas, ao informar que tem cerca de 1.500 clientes pessoas físicas.
Nos fóruns de discussão de investidores na internet, a frustração e indignção era grande. “Por que a exclusão só foi anunciada hoje? Será que a VisaNet só obteve as informações das 19 corretoras ontem à noite? É muita coincidência de uma vez só”, afirma Thalis Leon de Ávila Saint'Yves, de 23 anos. Ele pretende se informar se cabe algum recurso. “Tirei praticamente todo meu dinheiro da [corretora] TOV para aplicar cerca de R$ 5 mil pela Gradual e Ativa”, diz. “Como as duas foram excluídas, fiz a reserva pela TOV, mas no limite mínimo”, explica.

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VisaNet estende prazo de reserva de ação até as 16h Com o descredenciamento de várias corretoras, muitos investidores não tiveram tempo de se cadastrar em uma casa que ainda estivesse participando. “Queria muito entrar nesse IPO”, conta o analista de sistemas Thiago Iwamoto, de 26 anos, que acabou vendo as três corretoras em que tem conta – Banif, Icap e Bradesco – serem excluídas nos momentos finais do período de reserva. “Retirei capital de um fundo de renda fixa para complementar a reserva. Isso que me deixou indignado.” Este seria seu primeiro IPO. Sua intenção era “flippar”, ou seja, vender os papéis no primeiro dia de negociação.

Outros pequenos investidores tiveram de correr para conseguir participar. “Eu ia aplicar pela Ágora, onde eu deveria depositar pelo menos 10% do total que eu queria reservar”, afirma o engenheiro Diego Venâncio, de 32 anos. “Com o cancelamento tive de abrir as pressas uma conta na Spinelli, mas fui obrigado a depositar uma porcentagem maior do valor da reserva. Como meu dinheiro estava em títulos do governo, diminui a quantia que eu gostaria de comprar”, explica o investidor, ao afirmar que já participou de mais de 20 IPOs, mas nunca teve este tipo de problema de a corretora sair da oferta.

Algumas das corretoras restantes da oferta passaram o dia em força-tarefa para cadastrar interessados na compra. Na Spinelli, o investidor fazia o cadastro pelo site e enviava o formulário de cadastro junto com a cópia do RG, CPF, comprovante de residência e pedido de transferência do dinheiro da reserva. Ao ligar na corretora, funcionários informavam que era necessário depositar no mínimo 30% da quantia, até o fechamento dos bancos, às 16 horas.

E quem ficou de fora?

Para aqueles que ficaram de fora da oferta da VisaNet, a recomendação é ter cautela nos primeiros dias de negociação da ação, que estreia no pregão na próxima segunda-feira (29). “Mesmo com a saída de muitas pessoas físicas, a demanda continua alta e o preço da ação pode sair caro”, afirma um analista do mercado. “O investidor de curto prazo perdeu a oportunidade. Se o objetivo é o longo prazo, em alguns dias a ação pode recuar devido ao momento da Bolsa e o investidor pode adquiri-la por R$ 10”, diz. Nesta quinta-feira, será fixado o preço da ação.

Segundo a assessoria de imprensa da BM&F Bovespa, há uma preocupação para que o investidor individual não seja prejudicado na oferta, mas “a interferência da Bolsa neste caso é nula, já que envolve os coordenadores da oferta, a CVM e as corretoras”. Até esta tarde, o ombudsman da Bolsa ainda não havia recebido nenhuma reclamação de investidores que se sentiram prejudicados.

O que aconteceu?

De acordo com comunicado divulgado pela VisaNet, as corretoras deixaram de integrar o grupo de instituições responsável pela colocação dos papéis por suposta veiculação de material publicitário sobre a oferta não submetido à prévia aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Recebi o comunicado do coordenador da oferta às 23h13 da terça-feira”, diz, com indignação, o diretor da corretora Elite, Otto dos Santos.

As corretoras excluídas são: ABN Amro Real CCVM, Ágora Sênior, Alfa Corretora, Ativa, Bradesco Corretora, Coinvalores, Corretora Geral de Valores e Câmbio S.A., Corretora Souza Barros, Elite, Fator Corretora, Finabank, Gradual, Hencorp Commcor, Icap, Intra, Link Corretora, Solidus, Umuarama e Unibanco Investshop. Outras quatro corretoras (Banif, Geração Futuro, Senso e XP Investimentos) já haviam saído da oferta anteriormente.

No caso da corretora XP Investimentos, descredenciada já na semana passada, o problema foi a divulgação de um e-mail aos clientes com informações sobre o IPO – como data do período de reserva e os valores mínimos e máximos para participar. O procedimento não foi diferente do adotado nas outras ofertas das quais a corretora participou, afirma o diretor-geral da XP, Guilherme Benchimol. “Mas admitimos que tínhamos um entendimento errado da instrução 400 da CVM. Por isso, não pré-aprovamos o material com a comissão.”

As corretoras excluídas nesta quarta-feira, porém, se questionam sobre o porquê do cancelamento da participação. “O procedimento foi o mesmo adotado que em outras ofertas como a da MRV”, diz Torres. “Por que nos outros não houve nenhum embargo?”, questiona.

Qual foi o erro das corretoras?

Santos, da Elite, afirma ter tentado entrar em contato com a CVM e com um dos coordenadores da oferta, o Bradesco. “A CVM me informou que irá oficiar até segunda-feira”, explica. “O Bradesco BBI me encaminhou por e-mail o telefone de seus advogados, que informaram que alguma das corretoras inicialmente excluídas, em seu processo de defesa, apontou as outras participantes que haviam feito algum tipo de divulgação”, afirma.

Segundo uma fonte, a CVM teria passado um ofício para o coordenador da oferta, que, para não adiar a oferta, preferiu cancelar a participação das corretoras. “Chegou a ser proposto ao BBI que as corretoras continuassem na oferta, sob a condição de não receberem nenhuma comissão até a apuração do caso”, relata. “Após investigar caso a caso, o coordenador decidiria quem havia feito algo irregular. A proposta não foi aceita”, explica Santos, ao lembrar que no caso da Elite somente foi disponibilizado o cronograma da oferta no site da corretora.

As corretoras teriam ferido o artigo 50 da instrução 400. O artigo, que dispõe sobre ofertas públicas, diz que o uso de qualquer texto publicitário para oferta, anúncio ou promoção da distribuição, veiculado em qualquer meio, depende de prévia aprovação da CVM. “Por ser material meramente informativo, achamos que o e-mail não precisaria da autorização. Fomos denunciados à CVM, não sabemos por quem”, conta Benchimol. “Em nossa defesa à Comissão, mencionamos que divulgamos apenas materiais factuais e sóbrios, de maneira correta, assim como as demais corretoras.”

O que diz a CVM?

Na avaliação do superintendente de Registro de Valores Mobiliários da CVM, Felipe Claret da Mota, a autarquia está acompanhando essa movimentação e, futuramente, vai analisar os procedimentos adotados pelas corretoras excluídas da oferta e verificar se cabe punição. Por enquanto, segundo ele, não cabe à autarquia tomar qualquer decisão relativa ao episódio. "A CVM vai analisar as irregularidades cometidas e verificar se cabe processo administrativo contra as corretoras", afirmou.

Para a autarquia, comentou Mota, o Bradesco foi “diligente” ao tomar a decisão de excluí-las. “A CVM pode suspender uma oferta se constatar irregularidades. O Bradesco teve uma atitude diligente ao verificar irregularidades no material dessas corretoras”, disse.

Nas corretoras, surge agora mais uma preocupação: como agir nas próximas ofertas. O temor agora é de qualquer informação prestada aos investidores seja interpretada como propaganda. “Estava fazendo hoje o comunicado para nossos profissionais a respeito da oferta da BR Malls. Mas o que escrevi, no fim, foi para que orientem os investidores interessados a procurar informações no site da CBLC”, afirma o economista de uma corretora excluída do IPO da VisaNet. “Desse jeito, qualquer coisa pode ser interpretada como propaganda.” Ainda há o receio da imagem dessas corretoras com os clientes. “Em outras ofertas, o investidor pode lembrar do caso”, afirma. (colaborou Stella Fontes)

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