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segunda-feira, maio 11, 2009

Rumores de mercado e performance dos investimentos

Períodos de crise como o atual são marcados por grande incerteza e, consequentemente, alta volatilidade nos mercados. Outro desdobramento da incerteza é o número crescente de rumores. A psicologia social está repleta de estudos apontando que o surgimento e a difusão de rumores são frequentes quando vivemos situações que implicam em ameaça ao nosso futuro. A função primordial do rumor neste contexto é trazer conforto e alguma previsibilidade, uma vez que tenta dar uma explicação ou prever o rumo que determinada situação incerta tomará no futuro próximo. Seja entre os funcionários de uma empresa que passa por reestruturação ou em meio aos agentes de uma economia em recessão, rumores surgirão de forma crescente como parte do arsenal a que recorremos para lidar com o incerto.
A mídia escrita encontrou meios de comunicar de maneira formal tais rumores. A coluna "Heard on the street", do "The Wall Street Journal" reproduz os principais rumores e boatos do mercado americano. São especulações de possíveis fusões e aquisições, falências, aumentos no pagamento de dividendos de certas empresas ou revisões das expectativas de lucros para o próximo trimestre. Há até mesmo uma equipe de jornalistas encarregada de levantar e selecionar os rumores de maior circulação. No Brasil também temos profissionais e publicações dedicados ao tema. São colunas que se propõe a buscar direto na fonte (raramente mencionando a tal fonte) informações em primeira mão e não disponíveis ao grande público. Há publicações que produzem diariamente uma página inteira de boatos, rumores e especulações, muitas delas escritas na forma de enigmas dignos do Oráculo de Delfos.
Há alguma evidência empírica em dar ouvidos a tais publicações de rumores e boatos que possa ajudar de alguma forma a incrementar o retorno de seus investimentos? Foi essa hipótese que John Pound e Richard Zackhauser, da Universidade de Harvard, resolveram testar. Os pesquisadores coletaram durante seis meses os rumores divulgados na coluna "Heard on the street" que faziam menção às ações de empresas cotadas no índice Dow Jones. Caso o rumor fosse positivo, os pesquisadores aumentavam suas posições nas ações dessa companhia. Por outro lado, caso fosse negativo, os pesquisadores vendiam as ações.
Nos 12 meses seguintes, e tendo por base a alocação em ações resultante dos rumores e boatos coletados, os pesquisadores compararam o retorno dessa carteira com o oferecido pelo índice Dow Jones. Como resultado, perceberam que a carteira de ações gerida com base na incorporação de rumores e boatos apresentou retorno significativamente inferior ao do índice Dow Jones (12,6% inferior no período de 12 meses analisado). Ou seja, dar ouvidos a rumores e boatos drenou a carteira de investimentos em ações de parte do retorno oferecido pelo índice.
Será que os rumores e boatos em circulação no Brasil também têm impacto negativo sobre a carteira de ações do investidor que incorpora tais informações ao seu processo decisório? Para responder a essa pergunta, coletamos as notícias de duas publicações - na verdade, uma coluna e uma publicação de dedicada a repercurtir rumores no mercado brasileiro - ao longo do terceiro trimestre de 2008, período marcado por alta incerteza dado o agravamento da crise no período. Analisamos, então, cada edição (aproximadamente 60 edições) para identificar se havia algum boato positivo ou negativo recaindo sobre uma das 50 empresas que compõem o índice de ações IBX-50. Quando identificamos um rumor positivo recaindo sobre uma empresa X, aumentamos a posição em suas ações para um percentual 1% superior àquele observado no índice IBX-50 e vice-versa, ou seja -1%, se o rumor ou boato fosse negativo. A seguir, observamos nos seis meses seguintes (de outubro de 2008 a março de 2009) o impacto que a incorporação de tais rumores teve na performance dessa carteira com relação ao IBX-50.
Assim como no estudo de Pound e Zackhauser, o investidor brasileiro que se deixou influenciar por rumores e boatos nas decisões de investimento teve resultado inferior ao observado pelo IBX-50, o mesmo referencial oferecido pelos fundos PIBB. No caso de nosso estudo, 9% inferior. Ou seja, da próxima vez que se deparar com uma coluna ou publicação voltada a repercutir os rumores do mercado, vire a página e dedique seu tempo a outras notícias. Ou, alternativamente, ao lê-la, tenha ciência de que tomar decisões de investimento com base em tais informações tenderá a drenar o retorno do seu portfólio.
Aquiles Mosca é estrategista de investimentos pessoais, superintendente de vendas da Santander Asset Management e autor dos livros "Investimento sob medida" e "Finanças Comportamentais"
E-mail: aquiles.mosca@banco real.com.br
Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações

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