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terça-feira, maio 26, 2009

Por que é impossível copiar Warren Buffett

Por: Leandro Ruschel
25/05/09 - 16h23

Todo participante do mercado pergunta-se qual é a melhor estratégia para operar ações e outros instrumentos financeiros. Qual é o plano que gera o melhor retorno? Há infinitas abordagens possíveis, mas, antes de responder a pergunta, deve-se considerar que a experiência de cada trader ou investidor, no mercado, é única.

Por exemplo, a hipótese dos mercados eficientes defende a impossibilidade de retornos maiores do que a média do mercado, já que o mercado reflete instantaneamente o melhor preço para um determinado ativo ou derivativo, levando em consideração todas as variáveis. Sob essa ótica, tentar obter um retorno maior que o mercado seria perda de tempo e dinheiro. Essa visão, bastante aceita no meio acadêmico, sugere que a melhor estratégia seria investir em fundos de administração passiva, que apenas têm como objetivo apresentar a mesma rentabilidade de um índice, de preferência com a menor taxa de administração possível.

Na teoria pode parecer interessante, mas, na prática, algumas dificuldades se impõem: em primeiro lugar, é bastante complicado simular a carteira de um índice. Existirão custos de ajuste de posições conforme o índice modifica a sua carteira; outro problema é que o mercado pode oferecer retornos anuais negativos por um longo período de tempo, mais de 15 ou 20 anos. Pode ser que, no longo prazo, o retorno de um fundo de ações de índice seja muito bom, mas numa experiência real, ninguém aceitaria 20 anos de retornos negativos.

"Cada experiência de mercado e cada situação é única"
Já a análise fundamentalista defende o estudo das empresas para identificar papéis que estejam caros ou baratos, através da avaliação da sua lucratividade, gestão e posição de mercado, entre outros fatores. Nesse caso, o mercado não seria eficiente e não precificaria corretamente as empresas, sendo que um investidor inteligente poderia encontrar barganhas geradas por uma interpretação errada dos participantes do mercado.

Apesar de estar provado que empresas com um baixo P/L apresentam uma valorização maior no longo prazo do que as empresas de alto P/L, há problemas sérios nessa abordagem. O maior deles é a consistências dos dados a serem analisados. Os profissionais da área de contabilidade sabem como um balanço pode ser manipulado para demonstrar basicamente qualquer coisa. O caso da Enron, empresa americana que fraudou balanços por vários anos é emblemático nesse sentido: os seus múltiplos indicavam uma empresa extremamente barata, onde, na verdade, existia uma empresa quebrada. Quem comprou acreditando nos múltiplos perdeu todo o capital investido.

Além disso, existe outro problema: a maior parte dos compradores de ações não está interessada em ser sócia da empresa, mas sim em lucrar na operação. Isso afeta diretamente a hipótese dos mercados eficientes e a própria análise fundamentalista, visto que os preços podem ficar "caros" ou "baratos" por muito tempo, movidos pelo desejo das massas em comprar um ativo podre simplesmente porque os seus preços estão subindo ou, ainda, em deixar de lado boas empresas porque os seus preços não vão a lugar algum. Entender essa dinâmica é o primeiro passo para realmente compreender o que se passa nos mercados.

Mesmo com esses poréns, existem sujeitos com uma grande habilidade em pesar as variáveis fundamentalistas da maneira correta e identificar barganhas, como, por exemplo, Warren Buffett e outros grandes investidores. Eles apresentam resultados que não podem ser explicados pelo simples acaso, mas são exceções.

Aqui vem o ponto central desse artigo: não podemos dizer que existe uma melhor estratégia para operar no mercado que possa ser repetida exatamente da mesma forma que o seu criador a executou com sucesso. Cada experiência de mercado é singular. Não estou defendo a impossibilidade de aprender com esses vencedores, mas defendo a impossibilidade de aplicar exatamente a mesma idéia e ter o mesmo resultado. Há milhares de livros sobre a estratégia utilizada por Warren Buffett para se transformar no homem mais rico do mundo, mas, vejam só: não surgiu nenhum novo Warren Buffett, mesmo com toda essa informação à disposição. Talvez repetir exatamente a mesma estratégia dele seja um grande erro, pois o tabuleiro do jogo agora é outro.

O mesmo problema ocorre com uma terceira abordagem mais utilizada para operar os mercados: a análise técnica. Essa é a ferramenta que eu utilizo para auxiliar as minhas decisões de compra e venda. Mas sei das limitações em simplesmente emular táticas de trade antigas, porque o mercado se movimenta em padrões que se repetem ao longo do tempo, mas não se repetem EXATAMENTE da mesma forma. Sempre acontecem pequenas mudanças nos padrões, o que requer um ajuste constante nas táticas utilizadas. Lembrem, cada experiência de mercado e cada situação é única, apesar de apresentarem uma boa semelhança com as situações anteriores.

É por isso que sistemas automatizados de trade têm um sucesso limitado: primeiro porque são criados pelo estudo do movimento dos preços no passado que, apesar de seguir mais ou menos o mesmo padrão, não serão repetidos exatamente da mesma forma; em segundo lugar, a própria ação de um sistema de trade pode ser auto-destrutiva para o sistema, visto que o volume de dinheiro alocado em cada operação pode modificar o movimento dos preços, e o padrão que o sistema estava explorando não existirá mais.

A minha abordagem envolve a aplicação de várias ferramentas baseadas no entendimento da lógica de movimentação de preços. Nos últimos tempos, fica evidente uma certa miopia dos desenvolvedores de trading systems (que modelam o movimento dos preços em equações complexas mas não entendem o que está por trás dessas equações), impossibilitando eventuais ajustes quando o sistema deixa de oferecer bons resultados. São os novos Ptolomeus.

Acredito no conhecimento empírico gerado pela experiência em operar no mercado, testando táticas e favorecendo aquelas que geram melhores retornos e menor risco, fazendo ajustes ao longo do tempo e descartando ideias que não dão certo. É um processo contínuo. Eu sempre entendo, porém, a lógica por trás de cada tática. Esse é o problema da maioria dos teóricos de mercado: eles não operam, não têm como entender como o mercado realmente funciona, gerando modelos com premissas falsas.

A experiência de cada trader é única. Apresento para os meus alunos aquilo que a aprendi operando no mercado em mais de uma década, mas encorajo cada um a desenvolver o seu plano para operar. Quem sabe algum deles pode se transformar numa nova singularidade, como um Warren Buffett ou um Jim Simons? Se cada um buscar o seu caminho e desistir da ideia de simplesmente imitar um trader de sucesso, as chances disso acontecer serão maiores. Além disso, quando for comprar um livro para estudar o mercado, dê preferência para aqueles autores que realmente operaram no mercado. Mesmo um trader perdedor pode ter mais a ensinar do que teóricos acadêmicos.

Leandro Ruschel é sócio-fundador da Leandro&Stormer e escreve mensalmente na InfoMoney, às segundas-feiras.

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