Últimas 100 Atualizações do Website via Twitter:

Pesquise todo o conteúdo do website Horus Strategy abaixo:
Loading

quarta-feira, maio 06, 2009

O retorno da bolha / Folha de São Paulo

A euforia, desta vez, é
alimentada pelos bancos
centrais com uma quantidade sem
precedentes de moeda

O SISTEMA de crédito norte-americano ainda vai precisar de uma grande
faxina de ativos desvalorizados antes de se ouvirem as trombetas da
recuperação global. O anúncio da concordata da Chrysler desmancha a
profecia das autoridades e dos diversos porta-vozes do setor financeiro de
que o balanço de lucros e perdas da crise já teria virado o "cabo da boa
esperança".
Os grandes bancos americanos terão que contabilizar enormes perdas
adicionais decorrentes da transformação dos seus empréstimos às montadoras
GM e Chrysler em partes acionárias. Mas é possível também que, fora dos
seus balanços, os bancos problemáticos carreguem mais alguns bilhões em
operações de troca de riscos (ou "swaps") de crédito, tendo que arcar com o
pagamento integral de dívidas asseguradas, independentemente de as
montadoras poderem ou não saldar os valores originalmente devidos.
Se isso se confirmar, mais socorro do governo americano aos bancos por meio
do Tarp ("Troubled Asset Relief Program") vai se tornar indispensável.
Desde o início da crise, cerca de US$ 2,7 trilhões (cerca de 20% do PIB) já
foram despendidos pelo governo em operações de socorro ou estímulo.
Na absoluta contramão, os mercados de renda variável continuaram a emitir
sinais de euforia cada vez mais acentuados nas últimas semanas e dias. A
alta generalizada das Bolsas e das cotações em março, abril e nestes
primeiros dias de maio (no Brasil, isso ocorre desde o fim de 2008) é
interpretada por muitos como um sintoma inequívoco da virada, não só de
humor dos investidores como da próxima retomada de compras pelos
consumidores, mesmo nos países hoje mais afetados pela retração
generalizada. Está mais para retorno da bolha.
A leitura alternativa é que essa recuperação recente das cotações de Bolsa
de Valores e de commodities, especialmente petróleo e soja, foge aos
padrões esperados de oferta e demanda, para se localizar, de novo, como no
ano passado, na mesma febre especulativa que enfeitiçou os especuladores
com delírios de ganhos extraordinários. E por que essa nova bolha acontece?
A explicação ainda é a mesma que a de 2007 e a de 2008, só que a euforia,
desta vez, é alimentada pelas autoridades monetárias dos principais países
com uma quantidade sem precedentes de moeda, emitida para financiar as
operações de socorro. Sem risco imediato de inflação, o Fed dos EUA, os
bancos centrais da China e Japão, os bancos da Inglaterra e da Europa
passaram a utilizar o expediente das emissões sem lastro como recurso de
última instância para financiar as intervenções de ajuda dos seus governos
ao setor financeiro, às empresas em apuros e às agências hipotecárias
insolventes.
A enorme liquidez adicional, neste primeiro momento, contorna o mercado de
empréstimos a empresas, de cujos riscos de crédito os bancos estão fugindo,
para se alojar no circuito mais líquido da compra e venda de ativos.
Constitui atrativo permanente a especulação compradora em mercados de
valores e commodities que permitem a entrada e a saída a qualquer momento,
embora extremante voláteis. São esses movimentos de acomodação da enorme
massa monetária adicional que, afinal, conduzem a estímulos altistas nas
Bolsas, como temos visto.
Mesmo um não especialista desconfiaria de que o apelo desesperado à injeção
de liquidez encontrará, mais à frente, empresas e indivíduos ainda mais
debilitados para prosseguir na rolagem de seus débitos. Mas, até lá, é uma
festa dos comprados.
PAULO RABELLO DE CASTRO , 59, doutor em economia pela Universidade de
Chicago (Estados Unidos), é vice-presidente do Instituto Atlântico e
chairman da SR Rating, classificadora de riscos. Preside também a RC
Consultores, consultoria econômica, e o Conselho de Planejamento
Estratégico da Fecomercio SP. Escreve às quartas-feiras, a cada 15 dias,
nesta coluna.

Bookmark and Share

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home

Copyright © 2002 / 2014 HorusStrategy.com.br. Horus Strategy é marca registrada. Todos os direitos reservados.