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terça-feira, abril 28, 2009

Qual é o futuro do mercado de videogames? pela Tectoy

CEO da Tectoy detalha o Zeebo
Qual é o futuro do mercado de videogames?

O Zeebo é criação de Reinaldo Normand, um mineiro de 33 anos que começou a
carreira como jornalista especializado em games e depois se mudou para o
outro lado do balcão. "Outras pessoas podem ter pensado a mesma coisa",
afirma Normand. "Mas eu estava no lugar certo e na hora certa." O lugar
certo é a Tectoy, empresa que ganhou notoriedade no país nos anos 80 e 90
por vender consoles como o Master System, mas que nos últimos anos vinha
enfrentando um lento e doloroso declínio. A hora certa foi o início de
2006, de acordo com Normand, que na época gerenciava a equipe que
desenvolvia games para celulares e hoje é vice-presidente da Zeebo Inc., em
San Diego, na Califórnia. Foram necessários três anos de trabalho e quase 8
milhões de dólares em investimento para que a ideia virasse realidade. Além
da equipe brasileira, empresas argentinas, americanas, chinesas, japonesas
e francesas participaram do projeto. Agora, a pouco mais de um mês do
lançamento oficial, a expectativa é grande - no Brasil e também no
exterior.
O mercado de consoles é dominado por gigantes internacionais, como Nintendo
(dona do Wii), Sony (do PlayStation 3) e Microsoft (do Xbox 360), mas a
estratégia da Zeebo não é concorrer diretamente com os videogames de última
geração. A empresa vai concentrar os esforços em consumidores mais jovens,
de até 13 anos de idade, e naqueles que não fazem questão dos gráficos
hiper-realistas dos aparelhos mais modernos. A ideia é buscar um consumidor
que em geral é desprezado pela indústria de games e que acaba comprando um
console quando ele está tecnologicamente defasado. Tradicionalmente, os
consoles contam com peças desenhadas exclusivamente para os videogames e
têm um poder computacional alto, o que lhes garante um ciclo de vida mais
longo e permite criar jogos visualmente mais sofisticados. O Zeebo, ao
contrário, foi montado com peças de prateleira. O chip da Qualcomm, por
exemplo, é usado em celulares. Um dos controles que acompanham o console é
equipado com um sensor que traduz os movimentos do equipamento em comandos
na tela, chamado acelerômetro, que também é um item encontrado em outros
eletrônicos.
Apesar de não ser tecnicamente comparável aos três grandes, a empresa
afirma que o modelo de jogos por download pelo ar já permite chamar o Zeebo
de equipamento da nova geração. "Não temos nenhuma mídia física, e isso
ninguém fez até hoje", diz Ricardo Clementino, diretor de tecnologia da
Tectoy. A sociedade com a Qualcomm, nesse sentido, foi fundamental. Além de
ser dona do design de chips usados por fabricantes de celulares de todo o
mundo, a Qualcomm trouxe para o Zeebo a base do sistema de software que vai
permitir o download dos jogos e os sistemas de controle antipirataria. Os
jogos são vendidos somente na loja virtual da Zeebo - que será acessada
pela rede da Claro, sem cobrança adicional. Todos os títulos comprados
ficam armazenados dentro do console. Mesmo que hackers consigam extrair o
arquivo para um pen drive com a intenção de utilizá-lo em outro aparelho, o
software será capaz de identificar a cópia ilegal, segundo Clementino.
Do lado técnico, a receita parece sólida. Mas existem dois outros
obstáculos essenciais que têm de ser superados para o Zeebo decolar. O
primeiro deles é o preço. A Tectoy ainda não anunciou o valor definitivo do
console. No fim do ano passado, falou-se em 599 reais. Ainda existe a
expectativa de que o preço caia um pouco até o lançamento. Os jogos devem
variar de 9,90 a 29,90 reais. São valores mais baixos do que os dos
concorrentes da geração atual, tanto no hardware como no software - como
comparação, o Wii, console mais barato entre os três, sai por cerca de 2
000 reais por aqui, com os impostos de importação. Mas o mercado de games
que importa no Brasil é o da ilegalidade, e no mercado negro é possível
comprar um PlayStation 2 por cerca de 400 reais. Mais: o aparelho roda
jogos piratas, que custam aproximadamente 10 reais. Ainda assim, vale
lembrar que os equipamentos contrabandeados raramente se beneficiam de
facilidades como parcelamento e assistência técnica, dois diferenciais que
o Zeebo vai oferecer.
O desafio mais importante, porém, é de outra ordem: angariar a comunidade
de desenvolvedores de jogos. De nada adianta um equipamento moderno ou cujo
modelo de negócios é bem amarrado se não houver jogos de interesse dos
consumidores. "Já contamos com 15 empresas para criar jogos, e dezenas de
brasileiros demonstraram interesse em criar conteúdo para o Zeebo", diz o
americano John Rizzo, presidente da Zeebo Inc. nos Estados Unidos e
responsável pela divulgação internacional da marca. Apesar das declarações
otimistas, atrair os programadores não será tarefa simples. Nunca houve
tantas plataformas concorrentes. Além dos consoles, há jogos casuais na
web, games portáteis e um concorrente que está chamando a atenção de toda a
indústria: o combo iPhone/iPod Touch. Mais de 30 milhões de unidades dos
aparelhos já foram vendidas, e a Apple anunciou recentemente mais
flexibilidade nos modelos de negócios oferecidos para os parceiros
maximizarem suas receitas.
Além de ainda não contar com uma plataforma estabelecida, o Zeebo terá de
oferecer uma estrutura de apoio aos programadores e, principalmente, regras
claras de divisão das receitas. Até agora, o modelo ainda não foi definido.
"A intenção é que o criador de jogos fique com pelo menos 50% do valor
líquido da venda", diz Reinaldo Normand, o idealizador do console. Mas,
mesmo com as incertezas e a complexidade do negócio de games, depois de
muitos anos o otimismo voltou aos corredores da Tectoy, em São Paulo. Até o
Dia das Crianças, em outubro, a empresa espera estar presente em todo o
país. Depois do Brasil, a expectativa é que o Zeebo seja lançado em outros
países, como México, China e Índia. Fernando Fischer, presidente da Tectoy,
acredita até mesmo na abertura de capital da Zeebo Inc. em algum momento do
futuro. Antes de chegar a Wall Street, porém, a Tectoy vai ter de
conquistar milhões de lares emergentes - e, se conseguir essa proeza, terá
atingido um sucesso inédito para uma empresa de tecnologia brasileira.

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