Últimas 100 Atualizações do Website via Twitter:

Pesquise todo o conteúdo do website Horus Strategy abaixo:
Loading

sexta-feira, abril 17, 2009

Gustavo Franco descarta inflação nos EUA e vê novo paradigma com Selic menor

Por: Conrado Mazzoni Cruz
16/04/09 - 20h38
InfoMoney

SÃO PAULO - O método de injeções de recursos, aliado a alívio na política monetária, recebeu status de ferramenta universal para combater a crise econômica. Tanto que já prosperam temores sobre o custo mais à frente do dinheiro despejado pelos BCs. Para o ex-presidente do Banco Central do Brasil (1997-1999), Gustavo Franco, "não está se encomendando inflação futura".

Em entrevista à InfoMoney, o estrategista-chefe da Rio Bravo Investimentos questionou a resultante de crescimento sustentado através de tal receita. Se, por um lado, acredita no plano do Tesouro dos EUA para socorrer bancos, critica a postura do Governo brasileiro. Quanto à possível Selic de um dígito: representará uma mudança de paradigma no mercado. Confira:

InfoMoney - A ideia do secretário do Tesouro, Tim Geithner, para salvação dos bancos nos EUA dividiu opiniões. O sr. acredita que a medida funcionará?

Gustavo Franco - Acredito que sim. A primeira reação negativa ao anúncio deveu-se mais à carência de detalhes operacionais que a objeções conceituais. É verdade, adicionalmente, que em matérias delicadas como esta - bancos com problemas - os programas públicos não podem antecipar e divulgar o inteiro teor dos problemas, pelo menos não antes do anúncio do inteiro teor das soluções.

Parece-me que os elementos anunciados estão compondo soluções parecidas com as que estão consagradas em outros episódios de crises bancárias, incluindo as ocorridas no Japão, nos países escandinavos e mesmo no Brasil.

Maior regulação nos mercados será uma herança "benigna" ou "maldita" da crise?

É maligna no plano mais superficial das narrativas filosóficas ou do imaginário da crise, que está afetado pela acusação de foi uma espécie de fracasso do capitalismo e da globalização, e que tudo isso deve ser repensado.

Maligno mas inofensivo, pois esse é um debate no plano da perfumaria, não há alternativa, não vamos reconstruir o Muro, nem há modelos alternativos, exceto talvez o de capitalismo autoritário da China. Há, todavia, um lado prático e objetivo nisso tudo que é o de implementar regulação de teor mais técnico em áreas onde a inovação financeira tem sido mais intensa. Nesse aspecto, a regulação adicional é benigna e normal.

Considerando o "custo" futuro da união de estímulos fiscais e alívio monetário, receita implementada por diversos governos para enfrentar a crise, é possível acreditar em longo período de crescimento antes da inflação?

Não creio que os impulsos fiscais e monetários venham a produzir crescimento sustentado: são impulsos discricionários que vão preencher uma lacuna deixada pelo tombo na demanda privada de consumo e de investimento.

Também não acho que está se encomendando inflação futura, pois a expansão monetária norte-americana é plenamente reversível e com o intuito de compensar uma redução temporária nos multiplicadores monetários.

O impacto fiscal das medidas anticíclicas do governo Lula é um mal necessário?

O Governo Lula, até setembro de 2008, vinha fazendo políticas fiscais pró-cíclicas e levemente irresponsáveis produzindo superaquecimento e deterioração da conta corrente do balanço de pagamentos. A partir daí, com a chegada da crise no Brasil, observa-se uma drástica mudança de ventos e uma significativa contração dos gastos privados de consumo e de investimento.

Com isso, sem que o gasto público tivesse se alterado um centímetro sequer, o que era uma política irresponsável se tornou uma 'política anticíclica de corte keynesiano'. O acontecimento é um lembrete a propósito de relógios parados, que, pelo menos uma vez ao longo dia, marcam a hora certa pelas razões erradas.

Estamos caminhando para uma taxa Selic de um dígito. Isso representa uma transformação importante para o mercado de capitais brasileiro?

Sim, uma mudança paradigmática. O sistema financeiro está acostumado com juros nominais elevados, por conta dos quais se observa um excesso de imobilização e de pessoal, especialmente nos bancos públicos. A tributação do sistema financeiro, aí incluída a que é feita via compulsórios e direcionamentos, está calibrada para juros altos e precisa ser refeita.

O equilíbrio entre as aplicações financeiras - poupança, fundos, CDBs - está calibrado para uma realidade que vai desaparecer. E a dívida pública indexada no "overnight" está atrelada ao oferecimento de fundos com liquidez diária, que funcionam como depósitos à vista remunerados com taxas excessivamente generosas. Parece-me que isso tudo está em vias de mudar.

Bookmark and Share

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home

Copyright © 2002 / 2014 HorusStrategy.com.br. Horus Strategy é marca registrada. Todos os direitos reservados.