Últimas 100 Atualizações do Website via Twitter:

Pesquise todo o conteúdo do website Horus Strategy abaixo:
Loading

segunda-feira, abril 13, 2009

Demissão no BB foi mal recebida e deixa ressabiada burocracia das áreas mais técnicas

As razões da queda do presidente do Banco do Brasil, Antonio Lima Neto, e a

participação mais ativa da ministra Dilma Rousseff nas decisões de política

econômica à medida que se assume candidata à sucessão presidencial em 2010

são questões interligadas - e assim interpretadas por empresários,

políticos e a burocracia das áreas monetária e fiscal, a mais poderosa do

funcionalismo.



Lima Neto perdeu o cargo devido à "obsessão" do presidente Lula, conforme

ele próprio, com a redução do spread bancário, a margem adicionada pelos

bancos ao custo do dinheiro tomado emprestado ao investidor. Lima Neto,

como a ministra explicitou em reunião com um grupo de sindicalistas,

resistiria a tal objetivo.



"Nós não aguentamos mais ter de discutir com os presidentes dos bancos

públicos, que estão pensando que são presidentes de bancos privados", disse

ela, segundo um dos sindicalistas. Tradução: que se preocupam com os

resultados da instituição estatal, não com os objetivos do governo, que

podem não ser estritamente públicos.



De fato e de direito, o BB não é um banco público. É uma empresa de

economia mista, já que de capital aberto, com ações em bolsas e milhares de

acionistas - grande parte os próprios funcionários por meio do fundo de

pensão, a Previ, virtual controladora do capital.



Para Dilma, banco público não pode ter "lucro real de 20% a 30% ao ano,

porque, senão, perde a razão de existir". Em função dessa norma o ministro

da Fazenda, Guido Mantega, impôs ao sucessor de Lima Neto, Aldemir Bendine

– outro funcionário de carreira, mas considerado mais leal ao PT que à

instituição -, um "contrato de gestão" de conteúdo não explicitado.

Provavelmente, será voltado à ampliação do crédito com menos condições e

custos mais baixos.



Como resultado eleitoral, a "obsessão" de Lula pode ser eficaz. A imagem da

ministra, porém, começa a ser reavaliada. Ou avaliada. É que, disciplinada

e submissa à liderança de Lula, nunca revelou o que pensa sobre a política

monetária, as metas de inflação, câmbio flutuante, carga tributária,

iniciativa privada – coisas assim, do cerne do funcionamento da economia e,

verdadeiramente, definidoras da orientação política do candidato. Dilma

está sendo observada.



Dilma sai à chuva



Não que isso seja relevante. Na oposição, Lula atacava "tudo isso que está

ai". Depois de eleito, governou com o quê? Com "tudo isso que está aí". Com

Dilma pode ser igual. Ou não. Ela tem de dizer.



É o que fez ao ouvir Mantega, crítico de Lima Neto, e avalizar a sua

demissão junto a Lula. É também o que está fazendo ao assentir com

conselhos da direção do PT e se aproximar do que é chamado de "movimentos

sociais".



Ela já discutiu sobre aliança, campanha e plano de governo com o PC do B e

PSB. Mas não com o PMDB. Nem com o empresariado, que tem pouco voto, mas

tem capital e pode ajudar a eleger ou dificultar uma candidatura. Tudo está

sendo observado.



Candidato enigma



A diferença gritante é que Lula já demonstrara seu estilo e suas

preferências como sindicalista, à frente do PT, como candidato, e foi

conquistando as simpatias e confiança, enquanto Dilma, exceto por sua

militância de gerente do PAC – que mais expõe uma aplicada gestora que um

gênio político -, e contra o regime militar, quando foi presa e torturada,

é um enigma.



Em seu trato com subordinados e dirigentes de órgãos do governo, fala-se

que é dura e ríspida. Se isso é qualidade ou defeito, falta apurar. Lula

também não é um doce de pessoa com os auxiliares. Mas disfarça bem em

público.



Pressão tem limite



Imagem é a grande bússola de um governo que melhor que qualquer outro faz

da comunicação a peça de resistência de seu mandato. As sondagens de

popularidade de Lula e avaliação do governo indicam queda, o que é coerente

com os tempos de crise.



As últimas, porém, chocaram por revelar queda de 10 pontos em três meses,

enquanto a subida para índices de aprovação acima de 70 pontos se deu em

três anos.



O aperto sobre a burocracia vem daí, mas também pela inércia habitual, que

Lula deixou correr e se vê sem tempo para mudar. Mas as pressões têm

limites.



Os quadros mais técnicos de primeiro escalão estão ressabiados. A diretoria

da Petrobras, por exemplo, decidiu congelar seus salários por um ano. Gesto

simbólico de alto teor. Dela Lula cobra mais do que pode entregar. Assim

tem sido em outras empresas e bancos estatais. A demissão no BB pegou mal.

Se repetirem a dose, a candidatura de Dilma poderá sair arranhada.



Coordenação medíocre



A contradição, e são tantas, é que o governo que sabe comunicar-se como

ninguém às vezes parece titubear na frente econômica menos pelo que suas

áreas fazem ou deixam de fazer e mais pela medíocre coordenação das

expectativas empresariais, hoje o dado relevante a definir o tamanho da

desaceleração e continuidade do investimento.



Das percepções do mercado financeiro o Banco Central cuida bem. A área

sindical é especialidade de Lula. A base aliada... Bem, é só liberar

emendas ao orçamento que ela se acerta. E a economia real, alicerce da

economia? É ouvida sem influir. Se estivesse ao lado, sua tranqüilidade

faria mais bem à economia que qualquer obsessão.

Bookmark and Share

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home

Copyright © 2002 / 2014 HorusStrategy.com.br. Horus Strategy é marca registrada. Todos os direitos reservados.