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terça-feira, abril 28, 2009

Como e por que o banqueiro André Esteves recomprou o Pactual, por US$ 2,5 bilhões, três anos depois de sua venda ao suíço UBS "Isto é Dinheiro"

Resgate nos escombros da crise global

Como e por que o banqueiro André Esteves recomprou o Pactual, por US$ 2,5 bilhões,
três anos depois de sua venda ao suíço UBS

Milton Gamez

"Se fosse caro, não teria comprado, teria vendido"
ANDRÉ ESTEVES, COMPRADOR DO UBS PACTUAL

O banqueiro André Esteves está com a faca e o queijo na mão. No caso, um queijo
suíço. O brasileiro recomprou o Banco Pactual três anos depois de tê-lo vendido ao
UBS, por US$ 3,1 bilhões. O negócio, fechado em Nova York às 7h30 do domingo 19,
por quase US$ 2,5 bilhões, é sintomático dos novos tempos das finanças mundiais.
Esteves e seus sócios têm muito dinheiro em caixa, apostam no Brasil e estão
ávidos por ficar ainda mais ricos e influentes. Os suíços, por outro lado, tentam
juntar os cacos da crise do subprime, que obrigou o governo helvético a
socorrê-los. Perderam US$ 17,8 bilhões em 2008, o maior prejuízo da história
daquele país, e mais US$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre de 2009. Além disso,
sofreram processos da Justiça dos Estados Unidos por facilitar a evasão fiscal
para milhões de americanos e foram obrigados a abrir o sigilo bancário de seus
clientes. Essa reviravolta sem precedentes no sistema financeiro suíço, famoso por
abrigar recursos de milionários honestos e desonestos do mundo todo, resultou em
saques de US$ 23 bilhões do UBS. Avenda da operação brasileira era inevitável.


Esteves, um jovem de apenas 40 anos de idade, era o homem certo na hora certa. No
dia 4 de abril aconteceu o telefonema que ele esperava há meses. Era um emissário
do presiden-te do UBS, Oswald Grüebel, com a boa notícia: os suíços aceitavam
ven-der o UBSPactual de volta. "Tem que ser uma negociação rápida. Esob sigi-lo
absoluto. Se vazar, cancelamos tudo", avisou. "Concordo", respondeu Esteves. Dito
e feito. O brasileiro, que no ano passado reuniu ex-sócios e fun-cionários do
Pactual numa empresa de investimentos, o BTG - Banking and Trading Group, não
perdeu um segundo. Chamou o sócio Jon Bisgaier, um advogado que atuou na compra do
Pactual a favor do UBSe depois uniu-se à BTG, para preparar a papelada. Bisgaier
enviou um e-mail na mesma hora para Alan Myers, do seu antigo escritório Skadden,
em Nova York, solicitando uma reunião para tratar do negócio. Myers estava
mergulhando na costa da Austrália, próximo a Papua-Nova Guiné, e não viu a
mensagem na hora. Mais tarde, tão logo conseguiu sinal novamente em seu BlackBerry
e leu o e-mail, fez as malas e voltou para Nova York. Esteves, Bisgaier e outro
sócio do BTG, Marcelo Kalim, foram para lá amarrar a proposta de compra.

O LONDRINO: Persio Arida (acima) economista global do banco, mora na Inglaterra

O trabalho andou rápido. Em apenas uma semana, no domingo 12, os executivos do
UBSna Suíça receberam a oferta de Esteves. O cálculo do valor e o trabalho
jurídico envolvido foram complicados, pois o UBSainda devia US$ 2,1 bilhões para
os vendedores do Pactual, a serem pagos a partir de 2011, e todos os contratos
individuais tiveram de ser revistos e trazidos a valor presente. O negócio foi
fechado no domingo seguinte, por US$ 2,475 bilhões, no mesmo endereço de onde o
brasileiro saíra bilionário, em 2006: Times Square, número 4, sede da Skadden.
Marcelo Kalim imediatamente enviou um e-mail para o colega Roberto Sallout, que
estava em São Paulo. Às 8 horas do domingo 19, Sallout e os sócios Antonio Carlos
Porto, o Totó, e James Oliveira começaram a comunicar a notícia aos demais
acionistas da BTG. Na tarde da segunda-feira, todos se reuniram novamente na sede
da BTG, em São Paulo. Uma simples salva de palmas dos funcionários celebrou a
volta da turma ao topo do mercado de investimentos brasileiro. "Fizemos um bom
negócio", disse Esteves à DINHEIRO. "Queremos ser o Goldman Sachs brasileiro",
resumiu.


O Goldman Sachs, um dos sobreviventes da crise do subprime, é um modelo que agrada
a Esteves e a seus sócios. O novo BTG Pactual nasce como uma sociedade
meritocrática, em que os principais banqueiros são acionistas, trabalham no
negócio e dividem 30% dos lucros com todos os funcionários, em forma de bônus,
conforme o resultado e a contribuição estratégica de cada um. Aequipe atual do
UBSPactual foi convidada a ficar. A soma das duas instituições deve resultar em um
banco com 60 sócios e 850 funcionários. O pequeno BTG, que administra ativos de
US$ 1,5 bilhão (R$ 3,3 bilhões), compra um gigante com R$ 57 bilhões de recursos
sob gestão e ativos totais de R$ 14 bilhões. Com escritórios em Nova York, Londres
e Hong Kong, o BTG Pactual será um banco de investimentos nacional com alcance
global. Um dos principais sócios é Persio Arida, que mora em Londres e é o
economista-global do grupo. "Nascemos globalizados. 60% das receitas do BTG vêm do
Exterior", diz Totó. "Somos o único banco de investimentos nacional independente e
isso nos dá uma vantagem competitiva no mercado atual", afirma Sallout. Seu
principal concorrente local, agora, passa a ser o Itaú BBA.

MUDANÇA DE PLACA: sai UBS, entra BTG na sede do banco em São Paulo

Muita gente, ao saber da volta de Esteves ao comando do Pactual, indagou se ele
não pagou muito caro diante da crise que assolou o UBSe depreciou os bancos no
mundo todo. "Se fosse caro, eu não teria comprado. Teria vendido", rebate. Os
indicadores usualmente utilizados nessas avaliações e transações indicam que ele
vendeu muito caro lá atrás e recomprou bem barato (veja quadro ao lado). O Banco
do Brasil levou a Nossa Caixa por 1,6 vez o valor dos livros. Esteves, ao adquirir
por US$ 2,475 bilhões um banco com patrimônio líquido de US$ 1,83 bilhão,
conseguiu aplicar um índice preço/valor patrimonial de 1,35, considerado baixo em
fusões e aquisições de bancos saudáveis - caso do UBSPactual. Quando vendeu o
Pactual, há três anos, esse múltiplo foi nove, ou seja, os suíços pagaram o
equivalente a nove vezes o valor contábil do banco, de US$ 300 milhões (veja
quadro). "Parece um excelente negócio. Ele pagou mais barato que o mercado tem
desembolsado nos últimos tempos", diz o gestor Mauro Cunha, contemporâneo de
Esteves no antigo Pactual.

O SUÍÇO: o presidente do UBS, Oswald Grüebel, (acima), mandou
vender o Pactual

Oficialmente, os suíços decidiram se desfazer do banco brasileiro devido à mudança
na estratégica da organização. Se, antes, eles queriam correr mais riscos nos
mercados emergentes, agora querem uma gestão mais conservadora. Os sócios
brasileiros, que antes estavam motivados em fazer parte de uma agressiva
instituição global, não aceitaram a mudança de postura e alguns deixaram o banco,
inclusive o próprio Esteves, rumo ao BTG. Agora, mais do que nunca, acham que é
hora de pisar no acelerador. Adivergência estratégica era constante. O UBSnega que
atritos de gestão no Brasil determinaram a venda. "Essa não é a razão pela qual
vendemos. Essa foi uma transação estrate-gicamente e financeiramente vantajosa
para o UBS. Aumentamos a posi-ção de capital e melhoramos o foco estratégico e
geográfico, que é consistente com os objetivos que temos", disse à DINHEIRO Doug
Morris, porta-voz do banco em Zurique.


O que o UBS não menciona é que vem sendo pressionado desde 2007 a vender o Pactual
por um grupo de acionistas liderado pelo ex-presidente do banco, Luqman Arnold. Em
carta

enviada ao vice-presidente do UBS, Sergio Marchionne, Arnold pede a venda do
Pactual e de outros bancos de investimento que o UBSpossui no mundo. "Essas vendas
não devem ferir o foco das operações globais do UBSe devem atrair compradores
dispostos a pagar o preço justo nesse competitivo mercado. O Pactual, a área de
Global Asset Management e os negócios na Austrália e na Ásia preenchem esses
requisitos", escreveu Arnold. Esteves, que teve uma breve passagem na matriz do
banco como diretor global de renda fixa antes de voltar ao Brasil, estava atento.
Como se vê, não perdeu tempo, devorou seu queijo suíço e está de volta ao primeiro
time das finanças globais. Colaboraram Ana Clara Costa e Márcio Kroehn


Colaboraram Ana Clara Costa e
Márcio Kroehn

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