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terça-feira, março 10, 2009

O herói da bolsa - matéria

O herói da bolsa

Pesquisa exclusiva feita pela TNS InterScience em parceria com a DINHEIRO
mostra o perfil do novo investidor brasileiro e como ele consegue driblar a
crise

ANA CLARA COSTA

FOTOMONTAGEM: TOLLER SOBRE FOTO
DE MURILLO CONSTAN
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MACEDO COMPROU PETROBRAS A R$ 45 E AGORA PRECISA ACALMAR O URSO

ELE ACREDITOU. Fez poupança, mas se cansou da velha caderneta e do CDB e
tentou conhecer melhor o mercado de ações. No começo, levou alguns tombos
típicos de principiantes, mas, com o tempo, aprendeu a lição e viu que a
bolsa subia, subia, subia em um céu que parecia não ter fim. Todos diziam a
ele que o Brasil tinha finalmente entrado nos eixos. E ele acreditou
novamente. Mas o conto de fadas teve data e hora para acabar e levou para
baixo uma boa parte da rentabilidade das quase 500 mil pessoas físicas que
aplicavam na BM&FBovespa em outubro de 2008, mês em que o Ibovespa ficou
abaixo dos 30 mil pontos. Apesar do baque, ele continuou ali, firme e
forte, engolindo a seco cada real que escapava do preço de suas ações. Esse
investidor - que nasceu eufórico, quebrou a cabeça, ganhou muito e também
se frustrou - é aquele que segurou suas ações e não irá vendê-las. Acredita
em uma recuperação brasileira, está comprando na baixa e é ciente do risco
que corre. Otimista, mas sensato. Conservador, mas com uma pequena cadência
arrojada. Este é o perfil do novo investidor brasileiro, traçado em uma
pesquisa exclusiva elaborada pela DINHEIRO e TNS InterScience. Por meio da
metodologia quantitativa, foram ouvidos 210 investidores residentes em São
Paulo e no Rio de Janeiro até dezembro do ano passado. E pelo menos uma
constatação pode surpreender os mais pessimistas em relação à atual crise
financeira: este aplicador está tranquilo e aguardando o temporal passar.
E, enquanto a tormenta não passa, esse investidor aumenta sua carteira de
ações.

A RENDA MÉDIA DOS INVESTIDORES É DE R$ 8,2 MIL SENDO QUE 66% TÊM RENDIMENTO MAIOR

Comprar na baixa é um dos conselhos básicos de investimentos. Mas nem
sempre é fácil segui-lo. A tendência, segundo a disciplina de finanças
comportamentais, é o investidor demorar para aceitar que seu patrimônio
está se desvanecendo. Mas quando o faz, em um ato súbito, acaba realizando
o prejuízo. Este, no entanto, não foi o resultado apurado na pesquisa. Ela
revela, por exemplo, que 69% dos investidores brasileiros mantiveram suas
carteiras após a grande queda de outubro passado. Dos que venderam suas
ações, 31% afirmam não ter sofrido prejuízos, já que a bolsa estava ainda
em um patamar superior ao do início de seus investimentos. Dos que
realizaram lucro antes da queda (cerca de 39%), apenas 7% o fizeram quando
a bolsa estava acima de 70 mil pontos. E 28%, quando o Ibovespa marcava
entre 60 mil e 70 mil. "Foi importante para os investidores, principalmente
para os que nunca tinham visto uma queda tão grande. É um aprendizado que
eles levarão para o longo prazo", afirma Rogério Karp, da Ágora Corretora.
Segundo ele, a resposta dos próprios clientes da Ágora corrobora o
comportamento mais sereno do investidor. "Eles se preocuparam no início,
mas logo perceberam que se tratava de uma fase e que as chances de
recuperação são inegáveis. São pessoas com visão de longo prazo, bem
diferentes dos jogadores que havia na bolsa nos anos 80", diz. O empresário
paulistano Marcelo Macedo, 33 anos, investe na bolsa há dez anos. Sempre
optou por diversificar seu risco entre papéis, fundos de ações, renda fixa
e imóveis. No início, chegou a perder 90% do que havia investido quando as
ações da GloboCabo S.A. praticamente viraram pó, após uma reorganização
societária. A partir de então, investiu só em bluechips. Cliente da Hedging
Griffo, ele também colocou parte do seu capital no Fundo Verde, quando este
ainda estava aberto. Em cinco anos no fundo, conseguiu dinheiro suficiente
para comprar sua atual residência, um luxuoso apartamento em São Paulo.
Usiminas, Petrobras, Vale, Bradesco e Banco do Brasil são as escolhas de
Macedo. E, mesmo tendo visto sua carteira se desvalorizar dia após dia, ele
não se desanima. "Comprei Petrobras por R$ 45, então ainda estou no
prejuízo. Mas isso não me afeta. Continuo com meus papéis. E penso na minha
aposentadoria daqui a 30 anos. Sei que a bolsa vai se recuperar", diz,
confiante. O ano de 2009, para ele, será o ano de ir às compras. "Quem
entrar agora vai sorrir muito quando ela voltar aos níveis que estava
antes, assim como já aconteceu em tantas outras ocasiões. Alguém lembra
onde estava a bolsa em 2002?", questiona, relembrando a queda ocorrida
durante as eleições presidenciais daquele ano.

INFOGRAFIA: ANDERSON CATTAI

Assim como Macedo, 29% dos investidores entrevistados na pesquisa também
comprarão mais papéis este ano, sendo que 27% do total já havia feito novas
compras nos últimos seis meses. Os que responderam que não reinvestirão
este ano ainda são maioria (41%). Outro que aproveita os preços baixos para
fazer novas compras é o empresário carioca Rafael Coletta, 32 anos. Dono de
uma factoring, ele começou a investir há sete anos e também perdeu muito no
início.

FOTOMONTAGEM:
TOLLER SOBRE FOTO DE PAULO JARES

COLETTA, O OUSADO: investiu em
opções, perdeu R$ 200 mil e
mudou a estratégia

"Resolvi operar opções e perdi quase R$ 200 mil em dois anos", relembra. O
baque o estimulou a mudar de estratégia. Agora, o empresário tem uma
carteira de longo prazo somente com bluechips, como Usiminas, Petrobras e
Vale, e utiliza os dividendos para fazer novas compras. Também realiza
venda coberta de opções, operação considerada de baixo risco, para aumentar
seu número de ações. "A bolsa não é um cassino como o que eu joguei um
dia", diz. Coletta possui 40% de seu patrimônio em ações, mas ainda assim
se considera conservador. "Eu não realizo lucro e só realizarei dentro de
10, 15 anos. Isso é ser conservador", pondera.

A resposta de Coletta corresponde à autoavaliação que os investidores
fizeram durante a pesquisa - 44% deles se diziam conservadores na hora de
investir. Somente 34% dos investidores, no entanto, afirmaram ter 10% ou
menos de seu patrimônio aplicado na bolsa. "Esse ponto me chamou bastante a
atenção, pois muitos estão convictos de que investir no longo prazo é a
mesma coisa que ser conservador", diz Felipe Menezes, diretor da TNS
InterScience e coordenador da pesquisa. Outro ponto que une a maioria dos
novos investidores é a confiança nas ações de primeira linha, mesmo após a
crise. Muitos migraram das small e middle caps para os papéis de maior
liquidez na bolsa. De acordo com a pesquisa, se antes apenas 44% dos
investidores aplicavam somente nas ações mais negociadas, agora esse numero
subiu para 79%. Macedo é um dos que afirmam que jamais voltarão a investir
em papéis com baixa liquidez. "Às vezes meus gestores até recomendam
alguns, mas eu não compro", diz.

"Para uma geração que só conhecia o mercado em alta, quem ficou está fortalecido"
FABRIZIA GRANATIERI/AG. Mauricio Bastter
ISTOÉ

Investir em blue chips, porém, também não é sinônimo de risco zero. E
empresas com menor liquidez também estão longe de ser as vilãs do mercado.
Afinal, toda blue chip já foi um dia uma small cap. Mas o investidor parece
não ligar. O que ele busca mesmo é estabilidade e rentabilidade, se
possível, ao mesmo tempo. "Trata-se de uma geração que só conhecia a alta.
Alguns ficaram na esperança da recuperação rápida, que não aconteceu. Quem
sobreviveu vai sobreviver mais forte", afirma Mauricio "Bastter" Issa, o
médico que virou consultor financeiro.

INFOGRAFIA: ANDERSON CATTAI

Se o novo investidor brasileiro está hoje mais consciente, também está mais
confiante a ponto de preferir administrar sozinho sua carteira de ações,
deixando um pouco de lado os fundos. Segundo a pesquisa, 47% dos
investidores compram ações, mas apenas 37% investem em fundos de ações.
"Tem quem gerencie a carteira porque gosta. Mas era fácil quando a bolsa
estava em alta", pondera William Eid Jr., professor da FGV. "Agora é que
veremos o que é um bom investidor. Eu ainda acho melhor optar por um fundo
de ações bem gerido, com pessoas que estudam para isso", diz. Para Eid, o
investidor que aplica sozinho acaba temendo o mercado e só opta por blue
chips, o que acarreta rendimentos sempre medianos.

O comportamento tão ponderado, que prenuncia uma maturidade maior no perfil
do pequeno investidor, pode ser deixado de lado quando a bolsa voltar a
subir. Pelo menos é o que diz a psicóloga Vera Rita de Melo Ferreira, que
comanda um grupo de pesquisa sobre psicologia econômica: o comportamento
eufórico nas aplicações pode voltar ao cotidiano dos investidores ao mesmo
tempo que a bolsa voltar a subir com mais vigor. "É parecido com as
pesquisas de dezembro que perguntam ao consumidor o que ele fará com o
décimo terceiro. Ele sempre diz que vai poupar, mas em janeiro está todo
endividado", diz. A necessidade de satisfação imediata é a principal
culpada por tal comportamento. "Somos dominados pelo emocional. Se investir
demais na bolsa acalma essa ânsia, ele vai voltar a fazê-lo quando ela
disparar, o que é pior", explica, antes de fazer uma advertência. "Enquanto
o ser humano não conseguir controlar essa vontade de ganhar dinheiro
rápido, ele continuará perdendo na bolsa", afirma Vera. O novo investidor
parece ter aprendido a lição. Mas será para sempre?

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