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quarta-feira, março 18, 2009

Banco central dos EUA mantém juros entre zero e 0,25%

VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) manteve nesta
quarta-feira, pela segunda reunião consecutiva, sua taxa de juros no
patamar a que chegou em dezembro do ano passado : uma margem de variação
entre zero e 0,25% ao ano.

As taxas muito baixas fazem com que o Fed não tenha a arma dos juros para
tentar estimular a economia americana e tirá-la da recessão em que
mergulhou em dezembro de 2007. Juros baixos tornam o dinheiro mais barato
para os bancos, o que, em tese, deveria baratear empréstimos para empresas
e pessoas físicas. Com a taxa quase a zero, o Fed não tem como tornar a
captação de recursos mais atraente para os bancos.

Arte/Folha Online

Desde a reunião anterior do Fed, em janeiro, a economia dos EUA continuou a
apresentar dados desanimadores. O PIB (Produto Interno Bruto, soma das
riquezas produzidas por um país) no quarto trimestre sofreu uma queda ainda
mais acentuada que o estimado inicialmente: no fim do mês passado, o
governo informou que a contração no período foi de 6,2%, muito acima dos
3,8% apresentados na estimativa divulgada em janeiro. Trata-se do pior
desempenho desde a queda de 6,4% ocorrida no primeiro trimestre de 1982.

O reflexo mais contundente dessa fraqueza na economia é a situação do
mercado de trabalho. Os números de fevereiro assustam: foram perdidos 651
mil empregos, e a taxa de desemprego no país chegou a 8,1%, a maior desde
dezembro de 1983. Nos quatro meses até fevereiro foram perdidos cerca de
2,6 milhões de empregos. Desde o início da recessão, em dezembro de 2007,
cerca de 4,4 milhões de postos de trabalho foram fechados no país. O número
de desempregados no país aumentou para 12,5 milhões no mês passado.

Pesquisa da rede americana de TV CNN divulgada nesta semana mostrou que a
preocupação com o desemprego triplicou nos Estados Unidos em 2008 por causa
da recessão. A secretária americana do Trabalho, Hilda Solis, definiu a
situação como um "ciclo destrutivo" de perdas de empregos.

No "Livro Bege" (documento com dados econômicos coletados nas 12 divisões
regionais do banco), elaborado com informações coletadas até o dia 23 de
fevereiro, o Fed estimava que a economia só deve se recuperar da atual
crise no fim deste ano ou do início de 2010.

Recentemente, no entanto, alguns indicadores apresentaram desempenho menos
negativo. No último dia 2, o governo informou que os gastos do consumidor
tiveram avanço de 0,6% em janeiro, interrompendo uma sequência de seis
quedas consecutivas.

O mercado imobiliário também apresentou alguns números favoráveis. Ontem, o
Departamento do Comércio informou que o número de construções de casas nos
Estados Unidos registrou avanço de 22,2% em fevereiro, chegando a uma taxa
anualizada de 583 mil unidades. O resultado de fevereiro marca ainda o
primeiro mês de alta no indicador, após as quedas vistas nos sete meses
anteriores --a última vez em que o indicador de construções de casas nos
EUA havia registrado um mês positivo foi em junho de 2008.

Apesar do dado positivo, a construção de casas nos EUA ainda está 47,3%
abaixo do registrado um ano antes.

Hoje, a MBA (Associação de Bancos de Hipoteca, na sigla em inglês) informou
que as solicitações de contratos de hipoteca nos EUA tiveram na semana
encerrada no último dia 13 um aumento de 21,2% na comparação com o período
imediatamente anterior, devido a um aumento nos pedidos de refinanciamento.
Os pedidos de refinanciamento responderam por 72,9% do total apurado pela
associação na semana passada, contra 67,9% uma semana antes.

Os sinais positivos, no entanto, ainda são poucos para reverter o efeito
que mais de um ano de recessão provocou na confiança dos americanos na
economia. O indicador mais recente dessa situação foi divulgado no último
dia 13 pela Universidade de Michigan: o índice de confiança do consumidor
ficou praticamente estável no início deste mês, indo para 56,6 pontos,
contra 56,3 em fevereiro.

Apesar do avanço modesto, o indicador continua em níveis baixos, devido ao
efeito dos dados negativos do mercado de trabalho sobre a confiança dos
americanos na economia, diz a pesquisa mensal da universidade.

Também no fim de fevereiro, o instituto privado de pesquisa Conference
Board informou que a confiança do consumidor americano caiu para 25 pontos,
pior índice desde que a pesquisa começou a ser feita, em 1967 e
estabelecendo um novo recorde.

Luta contra recessão

Na tentativa de conter a recessão, uma série de pacotes e medidas já foram
anunciadas neste ano. O governo Obama aprovou no mês passado o pacote de
US$ 787 bilhões, a principal na agenda.

Na última segunda-feira (16), o governo anunciou um plano de US$ 15 bilhões
para abrir o mercado de crédito para as pequenas e médias empresas.

No mesmo dia, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, disse que os
bancos do país precisam "fazer um esforço extra" para ajudar as pequenas
empresas americanas. O departamento vai buscar mudanças regulatórias que
façam com que todos os bancos do país divulguem dados sobre empréstimos a
pequenas empresas a cada trimestre.

No início deste mês, o Fed lançou um programa para impulsionar a oferta de
crédito a consumidores e pequenas empresas, no valor de US$ 200 bilhões. O
objetivo é que os recursos cheguem a consumidores para, por exemplo, quitar
dívidas de cartão de crédito, pagar créditos estudantis e financiar compras
de itens como automóveis. Além disso, irá ajudar pequenos empresários a
manter as portas abertas.

Além disso, o governo também lanço, no último dia 4, um programa de ajuda
para que mutuários com problemas nos pagamentos de suas hipotecas consigam
refinanciamento da dívida e evitem o despejo. O plano prevê um montante de
US$ 75 bilhões para financiar entre 3 milhões e 4 milhões de "proprietários
responsáveis" de modo a manterem seus imóveis.

Tudo isso tenta conter o que poderia virar um depressão. No fim do mês
passado, o presidente do Fed, Ben Bernanke, disse que a economia americana
sofria uma "severa contração" e o desemprego no país deve crescer
"substancialmente" até o início 2010, quando então deve começar a ceder e
seguir em ritmo moderado.

E no último domingo (15), o presidente da autoridade monetária americana
reafirmou, em entrevista ao programa "60 Minutes", da rede americana de TV
CBS, que os Estados Unidos escaparam de cair em uma depressão, como a de
1929, e que a recessão "provavelmente" terminará no final deste ano.

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