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segunda-feira, dezembro 29, 2008

Como as empresas irão enfrentar o ano que vem

Como as empresas irão enfrentar o ano que vem
Por Rafael Sigollo, de São Paulo
29/12/2008

Contenção de custos administrativos, de treinamentos que não forem
considerados essenciais e de viagens. Congelamento de promoções, de
contratações e, em alguns casos, medidas mais agressivas como demissões,
tanto no nível gerencial quanto no operacional. Soluções emergenciais como
estas, que funcionam principalmente no curto prazo, já se fazem presentes
em grande parte das empresas no mundo todo. Os principais impactos da
crise sentidos até o momento pelas companhias, no entanto, são a contração
do crédito e a prorrogação e o cancelamento de investimentos. Essa é a
conclusão de uma pesquisa realizada em novembro pelo Hay Group com 40
empresas instaladas no Brasil de diversos setores como químico, elétrico,
papeleiro, siderúrgico, farmacêutico, alimentício, varejo e serviços -
cada uma delas com faturamento anual entre US$ 100 milhões a US$ 1 bilhão.

Trinta por cento das companhias, por exemplo, já sentem mudanças no
posicionamento de clientes e fornecedores. O resultado disso é o aumento
de custos, redução de produção e de vendas. Por esse motivo, cerca de 60%
das empresas revisaram o orçamento para o ano que vem para se adaptarem ao
novo mercado e conseguirem equilibrar as contas. Na agenda de 63% das
empresas pesquisadas está a negociação de preços de matérias-primas e
insumos nos próximos 12 meses e quase 25% admitiram que aumentarão os
preços de seus produtos e serviços durante esse período.

Diante destas perspectivas, a maioria (40%) irá adotar uma postura
conservadora em 2009 e fará ajustes na receita de apenas 5% acima ou
abaixo do nível atual. Como medidas para conter a crise, 76% optaram por
postergar investimentos e 39% irão além, cancelando investimentos e até
aquisições de outras empresas. Para Vicente Gomes, diretor do Hay Group,
alguns setores sofrem mais do que outros e não conseguirão evitar
demissões. "Em qualquer movimento da economia, uns ganham e outros perdem.
Mesmo as empresas que não foram tão impactadas num primeiro momento, como
as que produzem bens não duráveis voltados para o mercado interno, têm
tomado diversas providências por precaução. Tranqüilo ninguém está",
afirma. Para 63% dos presidentes e diretores de RH que participaram do
estudo, a preocupação de seus funcionários e colaboradores com a crise é
uma realidade. Novas contratações foram canceladas em metade das empresas,
40% já planejam uma revisão da estrutura organizacional e os cortes estão
previstos em 20%.

De acordo com o diretor, é essencial que em um momento de turbulência os
gestores saibam identificar e consigam reter os talentos e os executivos
de alta performance no quadro de colaboradores. A medida tem por objetivo
dar condições para que esses funcionários diferenciados contribuam na
otimização de recursos e na produtividade, além de manterem a empresa
competitiva mesmo depois da crise. "As organizações estão agindo com o
máximo de cuidado, preservando tudo o que for possível dentro da
perspectiva de ser eficiente e estar bem condicionado no futuro", garante.


Ainda que estejam preocupados e sentindo os efeitos da crise, os líderes
brasileiros acreditam que a situação é reversível e não deixará grandes
seqüelas. Para 80% deles, em no máximo dois anos o mercado estará
recuperado e voltará a apresentar números positivos. Embora precisem se
adequar ao novo cenário, muitos estão encarando este momento como uma
oportunidade e vislumbram até mesmo possibilidades de crescimento. Quase
30% esperam que a receita de sua companhia cresça no ano que vem, sendo
que a grande maioria estima que o índice fique entre os 5% e 15% a mais do
que em 2008. "Podemos dizer que esse é o lado positivo disso tudo. Até
mesmo por uma questão de sobrevivência, muitas empresas estão repensando
seu modelo de negócios, colocando em prática inovações, lançando produtos
ou serviços e melhorando seus processos internos", ressalta Gomes.


O diretor do Hay Group afirma que, nos últimos anos, com o cenário
econômico favorável, as organizações cresceram muito rápido. Agora, é
natural que se busque maior eficiência operacional e o máximo de retorno
dos investimentos passados. "É como se as empresas estivessem indo à
academia e se condicionando para enfrentar uma maratona", compara. Para
Gomes, o futuro dessas organizações dependerá das decisões que forem
tomadas agora. "Quem conseguir fazer os ajustes necessários e atravessar
esse período sem sofrer muitos desfalques sairá fortalecido."

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BOLSA SOBE, DÓLAR E JURO CAEM EM SEMANA DE BAIXA LIQUIDEZ

O mercado financeiro registrou poucos negócios nesta sexta-feira, espremida entre o feriado de Natal e o último fim de semana de 2008. O ceticismo dos investidores sobre o futuro da economia global podou o rali de fim de ano, quando os investidores poderiam tentam recuperar parte das fortes perdas registradas durante o ano. Desta vez, por causa da crise, o movimento foi tímido e inconsistente. Sem indicadores econômicos nos EUA, a decisão do Federal Reserve de aprovar o pedido do braço financeiro da General Motors - a GMAC - para se tornar holding bancária ajudou a neutralizar a informação negativa no setor de varejo, que teve queda nos gastos dos consumidores nos EUA em dezembro. A unidade GMAC agora poderá ter direito a parte dos recursos do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp), de US$ 700 bilhões do governo, além de poder acessar a janela de redesconto do Fed. A recuperação parcial dos preços do petróleo e o avanço de algumas commodities metálicas também favoreceram os índices acionários. As bolsas em Nova York operaram a maior parte da sessão no positivo. A Bovespa subiu 1,08% hoje, mas teve o menor giro do ano. Na semana, contudo, caiu 5,79%. O dólar à vista caiu na sessão, mas contabiliza valorização de 0,21% na semana, de 2,42% no mês e de 33,52% no ano. Os juros futuros ficaram praticamente estáveis, diante da perspectiva de uma economia mais fraca em 2009 que tende a justificar o início da flexibilização monetária no País em janeiro.


BOLSA
A última sexta-feira de 2008 foi morna no mercado acionário. Incrustada entre o feriado de Natal e o final de semana, a sessão registrou o menor volume financeiro do ano, com alguns raros investidores na ativa. Isso não impediu, entretanto, que fosse interrompido um ciclo de cinco quedas seguidas.

A Bovespa terminou o pregão em alta de 1,08%, aos 36.864,13 pontos. Na mínima, atingiu 36.334 pontos (-0,38%) e, na máxima, 37.136 pontos (1,82%). Na semana, acumulou queda de 5,79%. No mês, a Bolsa sobe 0,74%, mas, em 2008, cai 42,30%.

O giro financeiro foi o menor de 2008 ao totalizar R$ 1,192 bilhão. Depois de um ano desgastados pela crise e à espera de notícias melhores - a expectativa mais empolgante no curto prazo e com fôlego para mudar os ânimos é a posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos - os investidores concluíram que as festas de final de ano foram providenciais. Assim, praticamente emendaram esta e também devem fazê-lo na próxima, só voltando aos negócios com mais vigor a partir de cinco de janeiro.

A Bovespa abriu em alta e operou nesse sentido até o início da tarde, acompanhando as bolsas norte-americanas. Neste momento, entretanto, o índice virou para baixo e renovou as mínimas, para depois engatar num movimento indeciso entre positivo e negativo e ficar assim boa parte da sessão restante. O sinal se firmou no azul de novo perto da última hora.

Segundo um operador, os investidores foram às compras de manhã na expectativa da reação de Wall Street à notícia da GMAC. Anteontem, o Federal Reserve atendeu ao pedido do braço financeiro da General Motors e permitiu que a unidade virasse uma holding bancária. Assim, poderá ter direito a parte dos recursos do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp), de US$ 700 bilhões do governo, além de poder acessar a janela de redesconto do Fed.

"Quem comprou de manhã passou a vender à tarde. Mas como não havia um grande comprador para assumir as ofertas, os preços passaram a cair", explicou o profissional do mercado para justificar a queda momentânea do Ibovespa. "A reação de NY à notícia não foi grande coisa, daí a Bovespa ter patinado", acrescentou. A sustentação das blue chips em elevação e a recuperação de Wall Street garantiram o fechamento em alta.

Segundo ele, a tendência para as próximas semanas não deve sofrer alteração. "É preciso uma massa bem grande de boas notícias para efetivar uma mudança na percepção dos investidores", disse para justificar a inconsistência dos movimentos de correção para cima das bolsas.

Hoje, a alta do petróleo deu fôlego às ações da Petrobras, que fecharam em alta, na máxima. As ações também podem ter sido influenciadas pelo pagamento de dividendos no valor de R$ 0,80 por ação, que será feito com base na posição acionária de hoje, conforme observou a editora Lucia Kassai, do AE Empresas e Setores. Petrobras ON, +3,71%, PN, +3,64%.

Vale também avançou +4,80% a ON e a PNA, +2,97%. A mineradora anunciou, na quarta-feira, a compra dos ativos de exportação de carvão da colombiana Cementos Argos S.A., por US$ 300 milhões. O cobre fechou em alta no mercado externo, assim como o ouro e a prata.

Os contratos futuros do petróleo operaram sustentados por indicações de que a Opep seguirá seus esforços para manter os preços em níveis mais equilibrados. Ontem, os Emirados Árabes unidos declararam que irão cortar suas exportações em até 15% em fevereiro - a primeira redução para este mês anunciada por um membro da Opep desde que o grupo pediu atuação dos países membros para colocar um piso no mercado. Na Nymex, o contrato para fevereiro fechou em alta de 6,68%, a US$ 37,71.

Às 18h35, o Dow Jones operava em alta de 0,61%, o S&P, de 0,80%, e o Nasdaq, de 0,30%. Dados divulgados hoje mostraram que as vendas de Natal recuaram. Segundo números da consultoria SpendingPulse, da MasterCard, houve queda de 8% nas vendas em dezembro até a véspera do Natal em comparação ao ano passado, seguindo-se à retração de 5,5% novembro. Excluindo as vendas de gasolina, a retração foi menor, de 4% em dezembro e 2,5% em novembro. Por outro lado, a varejista online Amazon.com informou que teve seu melhor Natal.

No Brasil, as vendas no Natal cresceram. Pelo Indicador Serasa do Nível de Atividade do Comércio, na capital paulista o crescimento das vendas no varejo foi de 1,1% e, no País, de 2,8% entre os dias 18 e 24 de dezembro na comparação com o mesmo período do ano passado. Pela Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop), as vendas de Natal dos shoppings cresceram 3,5% em comparação com o ano anterior. Para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), houve crescimento de 1,65% de 1 a 25 de dezembro ante o mesmo período do ano passado.

As maiores altas do pregão hoje foram BM&FBovespa ON (+5,22%), Cyrela ON (+4,91%) e Vale ON (+4,80%), e as maiores quedas, BrT Par PN (-8,08%), VCP PN (-5,11%) e TAM PN (-4,65%).

As ações da Telebrás foram destaque hoje, depois que a empresa informou que a União, acionista majoritária da companhia, tem interesse em realizar um aumento de capital, por meio da emissão de novas ações, no montante de até R$ 200 milhões. As ON subiram 21,62% e as PN, +35,48%.

Com o aumento de capital, a Telebrás está mais próxima de se tornar a gestora de um programa nacional de inclusão digital. Para tanto, segundo técnicos do governo, a Telebrás usaria a rede de fibras óticas da falida Eletronet, uma prestadora de serviços de telecomunicações criada em 1999 por empresas de energia elétrica e que entrou em falência em 2003 (ver nota às 15h56).

Aracruz PNB fechou em alta de 0,88%. A negociação envolvendo a empresa e instituições financeiras a respeito do pagamento das perdas de US$ 2,1 bilhões que a fabricante de celulose acumulou com operações de derivativos deverá ser concluída em um prazo de 30 dias, previu o executivo de uma das empresas que foram contraparte nas operações e que mantêm conversações com a Aracruz.

Eletropaulo PNB fechou em alta de 3,99%. A Justiça tomou uma decisão que se traduzirá em uma receita extraordinária de R$ 123,8 milhões no quarto trimestre. A Eletropaulo havia provisionado o valor em função de uma disputa judicial sobre o aumento da base de cálculo do PIS/Cofins. Com a vitória na Justiça, o valor será revertido.


CÂMBIO
O dólar no mercado à vista oscilou entre leves quedas e altas até terminar no negativo nesta sexta-feira de poucos negócios, espremida entre o feriado de Natal e o último fim de semana de 2008. O fluxo cambial foi muito fraco e o Banco Central não fez nenhum leilão. Assim, os investidores monitoraram o comportamento externo do dólar.

Contudo, as oscilações do dólar no mercado de moedas acabaram tendo influência limitada sobre a formação de preços à vista, uma vez que a liquidez e a volatilidade das moedas foram estreitos por causa dos feriados no Canadá e no Reino Unido e os mercados da Austrália, da Nova Zelândia, de Hong Kong, da Indonésia e das Filipinas não funcionaram durante a madrugada, disse um operador de tesouraria de uma instituição estrangeira.

No fechamento, o dólar no balcão caiu 0,21%, para R$ 2,370, após oscilar entre uma mínima de R$ 2,360 (-0,63%) e máxima de R$ 2,383 (+0,34%). Na semana, porém, o pronto no balcão apurou alta de 0,21%; no mês sobe 2,42%; e no ano, o ganho é de 33,52% até o momento. Na BM&F, o pronto recuou 0,83%, para R$ 2,3671 nesta sexta-feira. O giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 1,224 bilhão, dos quais cerca de US$ 1,159 bilhão em D+2.

O fluxo cambial foi pequeno e tendeu ao negativo. "Alguns importadores zeraram operações residuais de fim de ano", observou o operador da instituição estrangeira consultada em São Paulo. Outro profissional de tesouraria de um banco nacional disse, de outro lado, que pode ter sido registrada alguma entrada financeira pontual, mas que não foi identificada, uma vez que alguns players operaram, aparentemente, para enfraquecer a ptax, num movimento típico de quando há fluxo favorável, avaliou.

No mercado de dólar futuro da BM&F, apenas dois vencimentos foram transacionados na sessão e ambos projetaram taxas mais baixas. De acordo com a assessoria de imprensa da bolsa, o dólar janeiro de 2009 apontou queda de 0,93%, a R$ 2,371, com volume financeiro de US$ 2,34 bilhões; e o dólar fevereiro09 indicou recuo de 0,92%, a R$ 2,396, com giro de US$ 199,05 milhões movimentados. O último negócio com o dólar janeiro, segundo um operador, saiu a R$ 2,372, com declínio de 0,79%.

No exterior, o destaque foi o euro, que operou a maior parte do dia em alta ante o dólar e por volta das 12h40 atingiu a máxima histórica em comparação à moeda britânica, de 0,9575 libra esterlina. Mas a liquidez também foi fraca no mercado internacional de moedas e a expectativa dos analistas é de que continue assim até o final do mês.

Às 18h12, o euro quase zerava os ganhos intraday e operava a US$ 1,4048, de 1,4045 na quarta-feira, enquanto o dólar subia para 90,59 ienes, de 90,42 ienes na quarta-feira. A libra registrava queda para US$ 1,46695, de US$ 1,4775 na quarta-feira.

Nesta sexta-feira, o dólar mantém-se em níveis superiores a 90 ienes pela segunda sessão consecutiva em duas semanas. Na semana passada, a moeda norte-americana atingiu mínima em 13 anos em relação à moeda japonesa, de 87,13 ienes, de acordo com informações da agência Dow Jones. Os fracos indicadores da economia japonesa ajudaram a dar sustentação ao dólar, enquanto os mercados não descartam uma eventual intervenção do governo japonês caso o iene sofra uma valorização muito acentuada. O Ministério de Finanças do Japão alertou recentemente que está acompanhando os movimentos do mercado de câmbio e tomará medidas apropriadas caso seja necessário.

Dados divulgados mais cedo mostraram que em novembro a produção industrial japonesa teve queda de 8,1% - a maior já registrada - em comparação ao mês anterior. Também houve declínio no consumo e no número de empregos do país. O ritmo de aumento dos preços ao consumidor no Japão também teve o maior desaquecimento desde a primavera de 1981 em novembro, de acordo com a Dow Jones.

Nos EUA, as informações sobre as vendas no varejo na temporada de compras antes do Natal reforçaram a fraqueza da economia do país. A consultoria SpendingPulse, da MasterCard, informou uma queda de 8% nas vendas em dezembro até a véspera do Natal em comparação ao ano passado, seguindo-se a retração de 5,5% novembro. Excluindo as vendas de gasolina, a retração foi menor, de 4% em dezembro e 2,5% em novembro. Uma desaceleração de 40% nos preços da gasolina em relação ao mesmo período do ano passado contribuiu para a queda nas vendas totais.


JUROS
Sem nenhuma notícia com força para mexer com as taxas, o mercado de juros operou nesta sexta-feira com volume reduzido e pouca oscilação em relação ao dia 23. Os dados referentes às vendas de Natal (Serasa, ACSP e Alshop) serviram apenas para mostrar que afinal as vacas magras não chegaram a tempo para atrapalhar o comércio neste fim de ano. De qualquer modo, o mercado já vislumbra um cenário de economia bem mais fraca em 2009, o que provavelmente obrigará o Banco Central a afrouxar a política monetária logo no início do ano.

Na negociação estendida do mercado de juros futuros da BM&F, entre 16h45 e 18h, O DI janeiro/2010, o mais líquido, teve 55.215 contratos negociados e ficou em 12,29%, de 12,28% no fechamento e no ajuste de terça-feira. O vencimento para janeiro/2012, com 16.605 ativos, encerrou em 12,67%, mesmo patamar do encerramento do dia 23 e de 12,64% no ajuste de terça-feira.

O Serasa informou que as vendas de Natal no varejo do País cresceram 2,8% entre os dias 18 e 24 de dezembro na comparação com o mesmo período de 2007. A da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) informou que a média das compras feitas pelo consumidor paulistano registrou crescimento de 1,65% entre os dias 1 e 25 de dezembro. Já os números da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop) revelaram crescimento de 3,5% em relação ao ano passado, segundo o valor das vendas.

A próxima semana também deve ser de volume minguado de negócios por causa do feriado de Ano Novo e, a princípio, nenhum indicador deve tirar a apatia do mercado de juros. Mas o mercado ainda assim vai estar de olho na pesquisa Focus e no IGP-M de dezembro, ambos na segunda-feira. As estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções variam de uma deflação de 0,16% a uma leve inflação 0,09%, com mediana de -0,05%. Para o ano fechado, as previsões oscilam de 9,80% a 10,00%, com mediana em 9,88%.

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VALOR DAS PESSOAS E EMPRESAS EM FACE DA CRISE MUNDIAL

William Douglas, Professor, Juiz Federal

Quanto vale sua empresa? E você?


Bem, todos estão dizendo que tudo está valendo menos. A Vale e a Petrobras estão valendo a metade, o mundo, até menos que isso. Bem, boa parte de quem faz esta avaliação é o mesmo pessoal que inventou as complicadíssimas operações financeiras que estão a ponto de quebrar o planeta.

Eu, como pessoa, continuo valendo a mesma coisa. Tudo o que sei fazer, que faço, continua o mesmo de antes da crise. Aliás, estou certo de que passei a valer mais ultimamente. Sim, por que já passei por momentos difíceis antes. Sei a quem recorrer: A Deus, que sempre me ajudou; aos valores internos, que sempre procurei seguir e que são um fundamento seguro em tempos de agitação e turbulência; à competência adquirida em estudo e nessa longa viagem; em disposição para trabalhar, sob quaisquer circunstâncias, para seguir em frente e não só alimentar os filhos, como também mudar o que eu puder da realidade, e para buscar sentido.

Eu valho mais na crise, porque continuo tendo o que sempre tive, porque na crise, durante ela, vão ser ainda mais necessárias às virtudes e atitudes que tenho, que fui obrigado a desenvolver para chegar até aqui. Cada vez que a Bolsa cai, eu acordo valendo mais.

Não que eu não tenha medo da crise, tenho, me preocupo, é obvio, não sou um irresponsável. Apenas sei que com ela ou sem ela eu continuarei trabalhando e que as coisas que deram certo até hoje continuarão dando certo amanhã: fé, trabalho, dedicação, honestidade, dar mais do que é pedido, tratar os outros como gostaria de ser tratado. Isso funciona em qualquer cenário, mesmo naqueles (e talvez mais ainda naqueles) em que um grupo de pessoas age sem ética, querendo lucro exagerado, pensando apenas em seus próprios interesses e inventando ganhos sem o lastro do trabalho.

Fui criado num ambiente onde "a vida do homem não consiste na abundância dos bens que possui", onde se indaga aos meninos "de que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?", onde fé e trabalho são valores nos quais se acredita. Esse é um ambiente com menos glamour, luxo, lucros recordes, palavras e operações de nomes complicados... mas um ambiente que não perde valor quando as curvas do telão da Bolsa insistem em embicar para o chão.

Quanto maior a escuridão, maior diferença faz uma pequena chama. E fé, valores e trabalho são fogueiras acesas em meio a qualquer cenário. E a mente do homem é o primeiro dos cenários de decisão a respeito do que virá no amanhã. É preciso zelar pelas idéias que permitimos repousar nela.

Estou certo de que eu acordo valendo mais quanto maior for a crise. E as instituições e empresas onde estou não podem perder valor, listadas em Bolsa ou não, ao menos do ponto de vista do "valor" mais importante que existe.

Vamos vender menos? Há menos dinheiro em circulação? Tudo está mais barato? Ora, ora, ora, tempestades não são novidade para mim nem para as instituições e empresas onde trabalho. Continuarei a fazer as coisas como sempre fiz, e estaremos aqui depois dessa chuva... às vezes até por falta de opção, mas continuaremos a trabalhar e sabemos fazer isso.

O que determina meu valor não é o cenário exterior.

Viktor Frankl, um psicólogo que ficou anos nos campos de concentração da Alemanha nazista, nos quais perdeu toda sua família, foi obrigado a lidar com uma crise bem maior do que a nossa. No campo de concentração tudo está perdido, a família, a roupa do corpo, o emprego, o futuro, tudo. Todo o patrimônio e todas os direitos são desfeitos, confiscados. Fome, humilhação, medo, sofrimento e tortura são a regra.

Nesse cenário, bem pior do que o nosso de hoje, Frankl desenvolveu o que chamou de "a última liberdade humana", qual seja, a capacidade de "escolher a atitude pessoal diante de determinado conjunto de circunstâncias".

Este homem realizou sessões terapêuticas nos seus companheiros de prisão e um dos seus desafios era de "como despertar num paciente o sentimento de que é responsável por algo perante a vida, por mais duras que sejam as circunstâncias?". Para ele, "a vida tem um sentido potencial sob quaisquer circunstâncias, mesmo as mais miseráveis". E logrou êxito ao provar sua tese numa situação tão extrema como a de um campo de concentração. A tese está em seu livro "Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração" (Ed. Vozes, 2008), de onde saíram as citações deste parágrafo (pp.7-10).

Se continuar tendo fé e trabalhando, adquirindo conhecimento e experiência, seguindo valores éticos e pessoais que sejam seguros, em 2009 estarei valendo mais do que em 2008. Não poderei dizer se isso dará mais ou menos que o CDI, o Dólar, o Euro, o ouro. Sei apenas que são referências que não se apequenam diante das crises, ao contrário.

Como diz o próprio Frankl (ob. cit, p. 10), sucesso e felicidade, e acrescentaria ainda riqueza e dinheiro - ao menos para serem obtidos de modo seguro -, têm um segredo. Para ele quanto mais se procura o sucesso e o transformamos em um alvo, maior a chance de errar. "O sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior do que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser. A felicidade deve acontecer naturalmente, e o mesmo ocorre com o sucesso; vocês precisam deixá-lo acontecer não se preocupando com ele. Quero que vocês escutem o que sua consciência diz que devem fazer e coloquem-no em prática da melhor maneira possível. E então vocês verão que a longo prazo - estou dizendo a longo prazo! - o sucesso vai persegui-los, precisamente porque vocês esqueceram de pensar nele".

Esta é uma boa fórmula para 2009: dedicarmo-nos a uma causa maior, seguirmos a consciência e fazermos as coisas da melhor maneira possível. Em longo prazo, isto terá como efeito colateral, como subproduto: sucesso, felicidade, riqueza, paz de espírito.

A crise atual é efeito colateral e subproduto de atitudes, valores e comportamentos equivocados e pode nos atingir, assim como o campo de concentração e o nazismo atingiram Frankl. Mas, como ele, dispomos da "última liberdade humana", de atitudes, valores e comportamentos alternativos, que servem de rumo, garantia e salvaguarda. Por isso, cada vez que a Bolsa cai, quem tem valores sólidos e está trabalhando, acorda valendo mais.

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domingo, dezembro 28, 2008

Produto Obama - Míriam Leitão: O Globo Online

Produto Obama - Míriam Leitão: O Globo Online

Produto Obama

Barack Obama virou commodity e está em liquidação nos EUA. Anúncio na televisão avisa que a porcelana decorativa da eleição de Obama está por um preço especial; o “New York Times” anuncia promoção da sua primeira página com o famoso “Barreira racial cai em vitória decisiva” e oferece xícaras com a foto do presidente. O rosto dele é onipresente nos shoppings, nas ruas, nas livrarias.

A história do menino de pai africano e mãe americana, que vê o pai apenas uma vez, vai à África atrás de suas origens, faz carreira política de sucesso e se torna presidente já tem uma versão em livro infantil. Michelle, que no começo da campanha era criticada por declarações que não cabiam no figurino de primeira-dama, já tem biografia nas bancas das livrarias. Fotos da nova primeira-família estão à venda em bancas, lojas de rua e boas casas do ramo. No Central Park se pode comprar uma fotomontagem em que o ex-presidente John Kennedy e o reverendo Martin Luther King olham para Obama, que está no meio dos dois. Pode-se também ter uma versão mais negativa. Os três estão juntos, mas Kennedy e King olham para lados opostos e estão de costas para Obama. Camisetas com frases e fotos, chaveirinhos, bolas, pode-se comprar qualquer coisa com o sucesso da temporada. Nas livrarias, o primeiro livro autobiográfico de Obama está na estante de assuntos afro-americanos. Na Universidade de Columbia, está na estante dos mais vendidos do ano naquela livraria.

O produto Obama vende bem neste início do que os economistas, em coro, projetam ser a pior crise desde a grande depressão. Enquanto Obama virou commodity em bolha de consumo, o presidente em exercício prepara a mais patética saída do cargo da História recente americana. Na Casa Branca, o fantasma que ronda George W. Bush é o de Herbert Hoover, o presidente que deixou a terra arrasada para o sucessor Franklin D. Roosevelt.

Mas Bush ainda sonha com uma saída honrosa, e convoca fantasmas mais ilustres. Disse num discurso recente que tudo começou com um George W. — no caso, W de Washington — e está terminando o governo de outro George W. Difícil entender o sentido da convocação histórica. Bush, nos últimos tempos, tem dado entrevistas introspectivas, admitindo erros, com voz de lamento, ar de fim de feira. Nada está terminando, a não ser esse infeliz governo, que tem uma dramática coleção de erros em todas as áreas. O tom de algumas entrevistas permite imaginar que ele já começou a sofrer de uma espécie de DPG, depressão pós-governo. O governo Bush não é ruim apenas porque termina em crise econômica ou em duas guerras inconclusas. Ele foi ruim sistematicamente pelas escolhas que fez em diversas áreas.

“Comprem, últimos dias, encomendem agora”, avisa o vendedor das porcelanas decorativas com as fotos do presidente eleito. Depois de terminado o prazo, informa o anúncio, os pratos serão queimados. “Essa é a última chance de guardar esse momento histórico.” E a propaganda termina com depoimentos de famílias brancas e negras dizendo que não pensavam em ver tão cedo um evento como esse.

O evento é a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Ele chega após uma longa trajetória de avanços na formação de canais de ascensão que criaram uma elite negra poderosa. Obama está longe de ser avis rara. São inúmeras as histórias de sucesso e afro-americanos prontos para postos de comando no país, como mostram várias de suas nomeações. Mas a distância ainda é imensa e há estatísticas assustadoras.

Como no Brasil, quem mais está em risco é o jovem do sexo masculino entre 16 e 24 anos. Um dado espantoso está no livro recém-lançado (ainda sem tradução no Brasil) “Waiting for Lightning to Strike. The Fundamentals of Black Politics”, do escritor Kevin Alexander Gray: “Nacionalmente, um em cada três jovens negros de 16 a 24 anos está sob algum tipo de supervisão da Justiça Criminal. Há dez anos era um em cada quatro.” Gray, intelectual da velha esquerda negra americana, foi diretor da campanha de Jesse Jackson. Ele alerta que, a partir da escolha de Obama nas primárias, começou a se fazer um imenso silêncio nos EUA sobre a trajetória do movimento negro. O ponto dele é que, agora, fala-se de cada detalhe da saga pessoal de Obama, como se isso resumisse e resolvesse tudo; como se não houvesse um longo e doloroso processo ainda inconcluso, e assustadores sinais de perigo.

Sobre Obama pesam expectativas demais. Ele terá que consertar uma economia em frangalhos, encerrar guerras pantanosas e passar por testes de desempenho que são maiores para ele.

Na rica Manhattan, o ambiente sombrio de crise parece ser mais visível do que na ensolarada e latina Miami. Na Flórida, as lojas cheias, os engarrafamentos nos shoppings e as filas nos caixas mostram a face de uma economia mais normal. Mesmo na Flórida, onde Obama ganhou com margem menor de votos, os partidários de McCain já recolheram seus cartazes e ressentimentos, e aguardam o novo governo. Nas duas cidades, tão diferentes em tudo, há um ponto em comum: o rosto de Obama virou produto que alavanca vendas.

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sábado, dezembro 27, 2008

Israel- Ataque contra Gaza é 'apenas o início'

Cidade de Gaza - Israel declarou que o ataque aéreo conduzido na manhã de hoje contra Gaza é "apenas o início" de uma operação definida pelo gabinete de segurança do governo israelense. Em uma ofensiva sem precedente contra vários complexos de segurança do Hamas em Gaza, pelo menos 155 pessoas morreram e outras 310 ficaram feridas, entre as quais crianças que voltavam da escola. A maior parte dos complexos de segurança do Hamas situam-se em áreas civis. "É apenas o começo de uma operação deflagrada após uma decisão do gabinete de segurança. Pode levar tempo. Não fixamos um período, mas agiremos de acordo com a situação em terra", disse o porta-voz do Exército de Israel, Avi Benayahu, na radio do exército.

O militar israelense afirmou que os ataques aéreos foram lançados em uma tentativa de interromper os "ataques terroristas" do Hamas. "Nossa aviação interveio maciçamente neste sábado contra a infra-estrutura do Hamas na Faixa de Gaza para parar os ataques terroristas das últimas várias semanas contra instalações civis israelenses", disse outro porta-voz do Exército em entrevista.


Somente na Cidade de Gaza, pelo menos 70 pessoas morreram, a maior parte dentro dos quartéis do Hamas, disseram os médicos. A ofensiva acontece após vários dias de ataques seguidos de morteiros contra regiões na fronteira de Israel por militantes do Hamas, aos quais Israel advertiu que responderia com rigor.


Israel deixou Gaza em 2005 após 38 anos de ocupação, mas a retirada não melhorou a relação do país com os palestinos no território como as autoridades israelenses esperavam. Ao invés disso, a retirada foi sucedida por aumento nos ataques de militantes contra comunidades na fronteira com Israel, provocando resposta do Exército israelense. Com informações da Dow Jones e da Associated Press. (AE)

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Bovespa fecha em alta após 5 quedas seguidas - Invertia

Bovespa fecha em alta após 5 quedas seguidas - Invertia

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JB Online :: TR- EUA: mercado abre em alta; ações da GM disparam - 26/12/2008

JB Online :: TR- EUA: mercado abre em alta; ações da GM disparam - 26/12/2008

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sexta-feira, dezembro 26, 2008

Ferro, bilhões e decepção

Ferro, bilhões e decepção


| 23.12.2008
A valorização do minério de ferro no mercado internacional atraiu investidores do
mundo inteiro ao Brasil - que, passada a euforia, podem ficar com micos nas mãos






Pedro Motta
(Embedded image moved to file: pic20715.jpg)
Mina da ArcelorMittal em Minas Gerais: as reservas não eram tão grandes assim

Por Samantha Lima


Revista EXAME


Uma das maiores estrelas do período de exuberância econômica que acaba de ficar
para trás, o minério de ferro brasileiro ameaça se transformar num mico. A alta
acumulada de mais de 380% no minério desde 2003, que ajudou a transformar a Vale
de estatal combalida em multinacional poderosa, atraiu para o setor gente que
nunca havia pisado numa mina. No Brasil, grupos ingleses, chineses, coreanos e
indianos investiram cerca de 15 bilhões de dólares em projetos que muitas vezes
não passavam de um calhamaço de papel cheio de números e projeções. Até mesmo
gigantes da indústria siderúrgica decidiram comprar minas, acreditando que os
altos preços davam à produção do próprio minério sentido econômico. Feita com base
na suposição de que a demanda pelo minério continuaria alta pelo menos até 2011,
boa parte desses investimentos já dava sinais, nos últimos meses, de que não era
mais do que o resultado de uma boa propaganda. Com o agravamento da crise, os
investidores finalmente perceberam que haviam comprado ferro de baixa qualidade a
preço de ouro.

O epicentro da recente derrocada nos projetos de mineração é a região de Serra
Azul, no entorno de Belo Horizonte. Desde o início do ano, as minas da região
receberam propostas bilionárias, apesar de fornecerem um minério considerado de
segunda linha - além disso, há também notórias dificuldades no transporte da
matéria-prima até os portos. O motivo da empolgação, claro, era a perspectiva de
crescimento na demanda e de um aumento de mais de 50% no preço do minério, que
justificava os pesados investimentos em logística necessários. Mas, com a crise,
as siderúrgicas do mundo todo cortaram a produção em até 30%, e passou a haver uma
grande probabilidade de queda de preços do minério. Assim, inverteu-se a equação
de custo-benefício. O empresário Eike Batista é o melhor exemplo tanto da euforia
quanto da atual depressão. Em janeiro de 2008, ele vendeu o controle de um de seus
projetos, a MMX, à Anglo American, faturando sozinho 3,3 bilhões de dólares (em
dezembro, a Anglo anunciou que vai adiar por um ano os projetos de exploração). Na
fila de empreendimentos que Eike ainda planejava passar adiante, porém, estavam
três mineradoras menores, a AVG, a Minerminas e a Bom Sucesso, todas na região de
Serra Azul. O empresário desembolsou 550 milhões de dólares pelas minas em 2008.
Desta vez, no entanto, compradores potenciais, como as siderúrgicas Tata Steel,
ArcelorMittal e Mitsubishi, rejeitaram o negócio, e Eike está sendo obrigado a
colocá-las a plena produção sozinho.

O empresário carioca enfrenta, ainda, um risco conhecido por aqueles que
investiram recentemente na região do Quadrilátero Ferrífero mineiro - as reservas
vendidas eram maiores do que a realidade demonstrou. A siderúrgica Usiminas
comprou em 2008 a J. Mendes por 1,8 bilhão de dólares. A mina foi vendida como
oportunidade única, mas o início das pesquisas tem dado aos compradores motivos
para decepção. Segundo executivos ouvidos por EXAME, as reservas são muito menores
que os 3 bilhões de toneladas estimados inicialmente. "O que as sondagens iniciais
mostram é que a quantidade é um pouco abaixo do previsto, mas a qualidade é um
pouco melhor", diz Paulo Penido Pinto Marques, diretor financeiro e de relações
com investidores da Usiminas. "E o pagamento dos 800 milhões de dólares vai
depender da comprovação das estimativas." Acontece fenômeno idêntico com a
ArcelorMittal, que comprou a London Mining por 810 milhões de dólares. Tanto
Usiminas como ArcelorMittal estenderam os prazos de ampliação dos projetos,
esperando ter uma definição do potencial das minas. A crise mundial piorou um
cenário que já não era bom. Em Corumbá, na mina da MMX que já está em operação, a
produção foi interrompida no início de novembro e investimentos de 200 milhões de
reais foram suspensos. "Vamos reavaliar o retorno em janeiro. Vai depender do
mercado", diz Chequer Habib, diretor de relações com investidores da MMX.

Claro, onde há compradores insatisfeitos, há vendedores exultantes. Famílias
tradicionais do Quadrilátero Ferrífero fizeram fortunas vendendo suas minas a
grandes grupos. O maior destaque dessa onda foi o empresário José Mendes Nogueira,
da J. Mendes, mais conhecido como Zé Nogueira. Ele e seus cinco filhos embolsarão
o 1,8 bilhão de dólares a ser pago pela Usiminas. Um dos últimos a lucrar com a
corrida pelas minas brasileiras foi Benjamin Steinbruch, o maior acionista da
siderúrgica CSN. Em outubro, ele fechou a venda de 40% da Namisa para um consórcio
de companhias japonesas por 3,2 bilhões de dólares. Os negócios bilionários
protagonizados por empresários desconhecidos, como Zé Nogueira, deram origem a uma
corrida por negócios de mineração no Brasil - todos querendo vender projetos para
investidores entusiasmados. A crise, porém, pegou esse pessoal no contrapé. Um dos
projetos mais ambiciosos era o da GME4, empresa do Opportunity do banqueiro Daniel
Dantas em sociedade com o geólogo baiano João Carlos Cavalcante, conhecido como
JC. Dantas e seu sócio aplicaram 40 milhões de dólares na empreitada, uma espécie
de banco de projetos de mineração espalhados pelo Brasil. A idéia era aproveitar a
experiência de JC e de um grupo de 70 geólogos para encontrar boas minas, estimar
suas reservas, fazer um projeto e vender no mercado. Em 2008, a empresa contratou
o banco de investimento Credit Suisse para oferecer o projeto a investidores pelo
mundo. Com a crise, as reuniões com investidores cessaram, e o ânimo arrefeceu.
"Estamos escolhendo os locais de perfuração de forma mais criteriosa para reduzir
os custos e vamos dobrar para seis meses o programa exploratório", diz JC.

Não deixa de ser irônico que a sobrevivência desses projetos mais novos dependa,
em boa medida, do presidente da Vale, Roger Agnelli. Pouco satisfeito com o
surgimento de concorrentes, Agnelli passou os últimos meses criticando os altos
valores atingidos pelas minas no Brasil. O presidente da Vale iniciou há duas
semanas uma série de visitas a siderúrgicas chinesas para negociar o preço do
minério de ferro para 2009. Os chineses acumulam estoques de pelo menos 70 milhões
de toneladas de minério de ferro, o equivalente a dois meses e meio de produção da
Vale, e reduziram as encomendas a cerca de 10% do previsto em dezembro. A meta dos
chineses é diminuir os preços do minério em 82%. "Se a Vale conseguir segurar a
queda no preço a uns 30%, terá feito um ótimo negócio", diz um executivo próximo à
empresa. No caso da Vale, essa queda ainda é possível porque a empresa tem um
custo de produção e entrega próximo dos 18 dólares por tonelada. O preço de seu
minério está em 78 dólares por tonelada, e portanto a empresa tem ainda muita
margem para ceder. O mesmo não pode ser dito dos projetos que surgiram nos
primeiros meses de 2008. Em muitos casos, a única salvação possível para essas
empreitadas é torcer para que a Vale consiga manter os preços no patamar em que
estão hoje.


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quinta-feira, dezembro 25, 2008

Mais rica do mundo é nova vítima de fraude bilionária

São Paulo - A mulher mais rica do mundo é a mais nova vítima da fraude de Bernard Madoff, o ex-presidente da Bolsa eletrônica Nasdaq, acusado de um golpe de US$ 50 bilhões. Liliane Bettencourt, dona da L'Oreal confiou parte de sua fortuna de US$ 22,9 bilhões a investimentos relacionados à empresa de Madoff, noticiou nesta quinta-feira o jornal inglês The Times.

Liliane tinha investimentos com a Access International, um fundo cujo criador se suicidou na última terça-feira, em Nova York, devido ao envolvimento com a fraude.

Segundo o The Wall Street Journal, antes de morrer, Thierry Magon, criador do Access International, ainda tentou recuperar US$ 1,5 bilhão do que havia confiado à administradora de Madoff. A Access era uma empresa criada para arrecadar dinheiro de investidores europeus para aplicar na companhia de Madoff.

Segundo o The Times, além de Liliane, a bilionária espanhola Alicia Koplowitz, o cineasta americano Steven Spielberg e o prêmio Nobel Elie Wiesel são outros famosos vítimas do esquema de Madoff.

Filha de Eugene Schueller, fundador da L'Oreal, Liliane Bettencourt possui a maior fortuna entre as mulheres do Velho Continente, com uma total estimado pela revista em US$ 22,9 bilhões. Liliane ficou viúva no final de 2007 e mantém uma instituição beneficente, que dá assistência médica e faz projetos de educação na França e em países em desenvolvimento.

As informações são do Terra

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quarta-feira, dezembro 24, 2008

COM GIRO FRACO, BOLSAS E JUROS CAEM E DÓLAR À VISTA SOBE

COM GIRO FRACO, BOLSAS E JUROS CAEM E DÓLAR À VISTA SOBE


O mercado financeiro operou com volumes de negócios bastante reduzidos no exterior
e no Brasil e tende a diminuir ainda mais o ritmo nas próximas sessões por causa
dos feriados de final de ano. As bolsas norte-americanas e a brasileira chegaram a
subir pela manhã, mas inverteram para queda em meio a indicadores mistos nos EUA.
A Bovespa declinou 3,05%, para o patamar de 36 mil pontos. A redução de posições
em ações desta vez foi induzida principalmente pelo tombo das vendas de imóveis
usados e a queda do índice de atividade industrial do Federal Reserve de Richmond,
ambos em novembro. O recuo da inflação medida pelo PCE também reforçou a percepção
negativa sobre o futuro da economia. O dólar recuperou as perdas intraday e subiu
ante o euro, a libra esterlina e o iene em meio à queda dos preços do petróleo.
Contudo, as cotações à vista da divisa norte-americana não tiveram força para
acompanhar a reabilitação externa, porque o Banco Central fez um leilão pouco
antes do fim da sessão e teria vendido um volume significativo de moeda. Os juros
futuros persistiram em baixa diante da expectativa de queda da produção e da
inflação local em 2009, que tende a justificar o início de cortes da Selic em
janeiro.

BOLSA
Apático. Foi assim que trabalhou o mercado acionário nesta antevéspera de Natal. O
sinal negativo das bolsas norte-americanas e o fato de amanhã, lá, haver uma
agenda carregada de indicadores, enquanto a Bovespa só volta a trabalhar na
sexta-feira, fizeram com que os investidores se precavessem. E, nesses tempos de
crise, o sinal disso é venda de papéis.

A Bolsa doméstica terminou em queda de 3,05%, aos 36.470,78 pontos. Na mínima,
atingiu 36.452 pontos (-3,10%) e, na máxima, 38.005 pontos (+1,03%). No mês, a
Bovespa passou a acumular perda de 0,34% e, no ano, a queda atinge 42,91%. O giro
financeiro foi o mais baixo do mês, ao totalizar mero R$ 2,132 bilhões. E a
tendência é de que ele continue fraco até pelo menos 5 de janeiro, quando começa o
ano novo na prática.

No início do dia, a Bolsa até operou em terreno positivo, assim como as bolsas
norte-americanas. A agenda, lá, era carregada, mas, a princípio, os investidores
não reagiram aos números. Pela manhã, foi divulgada a última revisão do PIB do
terceiro trimestre (-0,5%, em linha com o número anterior e abaixo da previsão de
-0,6%).

Depois, no entanto, os índices acionários mudaram de rumo e assim trabalharam até
o fechamento, levados por uma segunda rodada de indicadores. Vieram especialmente
ruins as vendas de imóveis usados (despencaram 8,6% em novembro ante outubro e
10,6% ante novembro de 2008); e o índice de atividade industrial do Federal
Reserve de Richmond (caiu para -55 em dezembro, de -38 em novembro). Também foram
conhecidos os números das vendas de casas novas (queda de 2,9% em novembro, ante
previsão de -4,2%; o dado de outubro foi revisado para -5,2%, de -5,3%); e o
índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan (subiu para 60,1 em
dezembro, na comparação com 55,3 em novembro).

Às 18h40, o Dow Jones recuava 1,26%, o S&P, 1,04%, e o Nasdaq, 0,79%. O giro
financeiro também foi reduzido em Nova York, o que contribuiu para a volatilidade
dos ativos. Entre as ações que mais caíam neste horário estavam as dos setores
automotivo, financeiro, telecomunicações e alguns papéis de tecnologia.

No Brasil, as ações da Petrobras passaram a maior parte da sessão em alta, a
despeito da queda do petróleo. Na última hora, no entanto, as ações titubearam,
contribuindo para a Bovespa renovar as mínimas e perder o suporte de 37 mil
pontos.

Petrobras ON fechou com variação negativa de 0,88% e PN, em queda de 0,63%.
Segundo operadores, uma das razões para o descolamento ao longo da sessão pode ter
sido o tombo da véspera. "Acho que houve correção. Ontem a perda foi exagerada",
comentou um profissional. Mas o fôlego não durou até o fim.

Ontem à noite, a estatal informou, em comunicado encaminhado à Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), que renovou operações de financiamento junto ao Banco do Brasil
e à Caixa Econômica Federal (CEF), fechadas no decorrer de 2008, ampliando o
volume captado junto à segunda instituição. Conforme a Petrobras, duas operações
firmadas com o BB no primeiro semestre deste ano, com vencimentos programados para
o primeiro semestre de 2009, foram pré-pagas e renovadas com prazo de vencimento
em 2011 e valor total de R$ 2 bilhões.

Na Nymex, o contrato para fevereiro do petróleo fechou novamente em queda, de
2,33%, a US$ 38,98. Amanhã, serão conhecidos os dados semanais de estoques nos
Estados Unidos e os analistas esperam crescimento.

Vale ON recuou 3,79% e PNA, 3,65%. A queda foi forte também nas siderúrgicas -
Gerdau PN, 3,33%, Metalúrgica Gerdau PN, 2,78%, Usiminas PNA, 6,78%, CSN ON, 3,79%
- e bancos - Bradesco PN, 3,93%, Itaú PN, 5,28%, Unibanco unit, 4,59%, BB ON,
5,98%.

As maiores altas do Ibovespa foram BrT Par PN (+4,46%), Tele Norte Leste PNA
(+2,53%) e CCR ON (+1,55%). As maiores quedas foram registradas por Gafisa ON
(-10,57%), Cyrela ON (-8,84%) e Gol PN (-8,15%).

Em tempo: hoje a BM&FBovespa elevou as margens mínimas de garantia de 36 ações e
reduziu a de seis. As novas margens entram em vigor em 29 de dezembro e entre os
destaques estão as blue chips Petrobras PN, cuja margem foi elevada de 17% para
18%; Petrobras ON, de 17% para 19%; e Vale ON, de 18% para 19%. A margem de Vale
PNA foi mantida em 18%.

CÂMBIO
O dólar no mercado à vista reduziu a queda no fechamento, pressionado pela
inversão para alta da divisa norte-americana no mercado de moedas. A correção do
dólar no exterior ocorreu em meio a um fraco volume de negócios e a indicadores
mistos dos EUA divulgados hoje. No Brasil, a moeda só não virou para o positivo no
final porque o Banco Central fez um leilão no mercado à vista, em que vendeu cerca
de US$ 450 milhões. "Alguns players aproveitaram a compra de moeda do BC para
fazer operações casadas de balcão e arbitragens do mercado à vista com o futuro",
observou um operador de uma corretora em São Paulo, para quem o fluxo cambial não
foi destaque hoje.

Com um giro transacionado à vista reduzido em relação aos dias normais de
negócios, por causa da ausência de alguns players de tesourarias e também empresas
de comércio exterior, que já saíram para as folgas de fim de ano, a atuação do BC
favoreceu o declínio final das cotações à vista.

No fechamento, o dólar no balcão caiu 0,13%, para R$ 2,387, sendo que a mínima foi
de 2,370 (-0,84%) e a máxima de R$ 2,395 (+0,21%), ambos registrados na primeira
parte dos negócios. Na BM&F, o pronto terminou em alta de 1,14%, a R$ 2,3870, por
causa de ajustes das cotações ao fechamento de ontem no mercado à vista (a R$
2,390), uma vez que a Clearing de Câmbio da BM&F não realizou operações em D+2
nessa segunda-feira. Em função disso, os negócios com câmbio foram limitados na
véspera e não representaram a movimentação normal do mercado.

Nesta terça-feira, o giro total à vista diminuiu 28% em relação ao registrado na
sexta-feira, para cerca de US$ 2,340 bilhões (US$ 2,2 bilhões em D+2, dos quais o
dólar pronto da BM&F movimentou apenas cerca de US$ 170,5 milhões).

No mercado de dólar futuro da BM&F, dos seis vencimentos negociados, quatro
terminaram em queda (janeiro09, fevereiro09, março09 e abril09) e dois, em alta
(julho09 e janeiro de 2012). Com um giro individual de US$ 8,827 bilhões de um
total de US$ 10,301 bilhões, segundo a bolsa, o dólar janeiro de 2009 encerrou em
baixa de 0,29%, a R$ 2,393. Mas, o último negócio com dólar dezembrou foi cotado a
R$ 2,391, em queda de 0,87%, informou um operador de Tesouraria de um banco
nacional.

No único leilão realizado hoje no mercado à vista, o BC vendeu cerca de US$ 450
milhões, segundo estimou um operador, com taxa de corte de R$ 2,386. Este valor
era inferior à taxa do dólar à vista no balcão no momento em que o leilão foi
anunciado, de R$ 2,388, em queda de 0,08%. Logo depois dessa atuação, o pronto no
balcão ampliou a baixa para 0,33%, a R$ 2,382.

No mercado de moedas, o dólar atingiu as máximas intraday ante o euro e o iene no
início da tarde, numa sessão volátil e de poucas negociações, com escritórios no
Japão e em Londres fechados por causa da véspera dos feriados de final de ano. A
migração de alguns investidores do mercado de petróleo para o de câmbio também
favoreceu a correção do dólar lá fora. Às 19h02, o euro caía a US$ 1,3956, de uma
mínima intraday a US$ 1,3918 e fechamento ontem a US$ 1,3980; o dólar subia a
90,88 ienes, ante máxima a 90,84 ienes e encerramento na véspera a 90,27 ienes; e
a libra esterlina cedia para US$ 1,47725, ante mínima intraday de US$ 1,46695 e
encerramento ontem a US$ 1,48310. Em Nova York, o petróleo para fevereiro caiu
2,33%, para US$ 38,98 o barril.

Para Dustin Reid, diretor de estratégia de câmbio do RBS Global Banking & Markets
em Chicago, os movimentos de preço provavelmente não representam um direcionamento
consistente do mercado de moedas e correspondem ao ajuste de posições do final do
ano, segundo informações da agência Dow Jones.

Nos EUA, os indicadores divulgados foram mistos. O Departamento do Comércio
norte-americano manteve o cálculo anterior para o PIB do terceiro trimestre, de
contração à taxa anualizada de 0,5% - resultado melhor do que a projeção dos
economistas, que esperavam que o PIB fosse revisado para contração de 0,6%.
Contudo, a contração de 0,5% é a maior desde a queda de 1,4% no terceiro trimestre
de 2001.

No setor imobiliário, as vendas de imóveis novos nos EUA caíram 2,9% em novembro,
para 407 mil, menos do que o recuo de 4,2% projetado pelos economistas. O dado de
outubro foi revisado para queda de 5,2%, ante estimativa anterior de declínio de
5,3%. Em comparação anual, as vendas de imóveis novos caíram 35,3% em novembro.

No caso dos imóveis usados, a queda nas vendas em novembro foi de 8,6% em
comparação a outubro, para a média anual sazonalmente ajustada de 4,49 milhões de
unidades. Em relação a novembro do ano passado, as vendas cederam 10,6%, de acordo
com a Associação Nacional dos Corretores de Imóveis. O preço médio dos imóveis
usados caiu para US$ 181,3 mil, retração de 13,2% em comparação ao ano passado, e
a maior desaceleração desde que o grupo deu início à pesquisa, em 1968. Lawrence
Yun, economista-chefe do grupo afirmou que provavelmente esta é a maior retração
nos preços desde a Grande Depressão.

No campo da inflação, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em
inglês) no terceiro trimestre nos EUA foi revisado em baixa pelo Departamento de
Comércio, de alta de 5,2% estimada anteriormente para alta de 5,0%. Ainda assim, o
índice foi superior ao avanço de 4,3% registrado no segundo trimestre. O núcleo do
PCE, que exclui alimentos e energia, também foi revisado em baixa, da alta de 2,6%
estimada antes para 2,4%. No segundo trimestre, essa medida havia apresentado
aumento de 2,2%. De acordo com dados da Universidade de Michigan, a previsão para
inflação em 12 meses à frente caiu para 1,7% - menor nível desde julho de 2003 -,
de 2,9% em novembro.

"Queda de inflação costuma ser notícia boa, mas em tempos de crise acaba sendo
mais um sinal de fraqueza da atividade econômica, o que é negativo para o
mercado", disse um operador de tesouraria de um banco nacional.

Um indicador de atividade refletiu essa percepção. O índice de atividade
industrial do Federal Reserve de Richmond caiu para -55 em dezembro, de -38 em
novembro. Ainda assim, houve leve melhora do sentimento do consumidor. O índice de
sentimento do consumidor da Universidade de Michigan subiu para 60,1 em dezembro,
na comparação com 55,3 em novembro. O número é final e maior do que o dado
preliminar de 59,1 divulgado anteriormente.

JUROS
O noticiário desta terça-feira não chegou nem a fazer marola no mercado de juros,
que operou com liquidez ainda menor que a de ontem, tendo em vista a proximidade
dos feriados de fim de ano. Os DIs voltaram a fechar em queda, mas, como observou
um analista de mercado, esse movimento foi mais relacionado à percepção de
inflação menor e desaceleração forte da economia em 2009 do que aos fatos do dia.

Na negociação estendida do mercado de juros futuros da BM&F, entre 16h45 e 18h, o
DI de janeiro de 2010, o mais líquido, com 103.370 contratos negociados, caiu para
12,28% de 12,31% no fechamento de ontem e 12,27% no ajuste. O DI de janeiro/2009
(49.480 ativos) ficou estável em 13,52%, mesmo fechamento de ontem, e 13,54% no
ajuste. O DI de janeiro/2012 (36.755 contratos) recuou para 12.67%, de 12,85% no
encerramento e 12,81% no ajuste.

De mais relevante hoje, a agenda trouxe uma déficit maior do que o esperado nas
contas do Governo Central em novembro, que não chegou a pressionar as taxas de
juros futuros. A inflação medida pelo IPC-S até 22 dezembro veio menor que o dado
anterior, reforçando cenário de arrefecimento de preços e servindo de subsídio
para os que apostam em corte da Selic na próxima reunião do Copom. Teve também a
divulgação dos dados do crédito em novembro, que mostraram leve recuperação em
relação ao turbulento mês de outubro.

O Governo Central, formado por Tesouro, Previdência Social e Banco Central,
registrou déficit primário de R$ 4,325 bilhões no mês de novembro, pior do que
esperavam os analistas consultados pelo AE Projeções (-R$ 1,5 bilhão a +R$ 2,5
bilhões). "O resultado surpreendeu, mas não teve impacto no mercado. Este ano, a
meta do superávit primário será cumprida com folga, mas a preocupação está no ano
que vem. A arrecadação não será tão forte e há possibilidade de mais gastos por
parte do governo para estimular a economia. Há risco para a área fiscal em 2009",
comentou o economista-sênior do BES Investimento, Flávio Serrano.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostra disposição para colocar mais
dinheiro na economia. Ele disse esta tarde que se o governo avaliasse a
necessidade de injeção de recursos para reduzir os impactos da crise financeira
internacional, esse dinheiro seria enviado ao setor produtivo e não aos bancos.

O IPC-S de até 22 de dezembro subiu 0,61%, ante 0,73% na taxa anterior e ficou
dentro das estimativas do mercado (0,56% e 0,67%).

Já o Banco Central divulgou que as operações de crédito do sistema financeiro
cresceram 2% em novembro ante outubro, atingindo R$ 1,209 trilhão (40,3% do PIB).
Nos 12 meses encerrados em novembro, subiram 32,8%. "O crédito mostrou
recuperação, mas a dinâmica do crédito continua muito fraca. Setores ligados a
crédito continuarão a sofrer", disse Serrano.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, no entanto,
informou que o BC espera um crescimento de 16% no volume de crédito em 2009,
alcançando a marca de 43% do PIB. Em novembro, a relação crédito/PIB ficou em
40,3%. O BC espera que esse indicador feche o ano em 40,5% do PIB, o que significa
uma expansão de 31% do crédito em 2008 ante 2007.

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segunda-feira, dezembro 22, 2008

AJUDA A MONTADORAS NÃO SUSTENTA ENTUSIASMO NAS BOLSAS

AJUDA A MONTADORAS NÃO SUSTENTA ENTUSIASMO NAS BOLSAS


O entusiasmo dos investidores com o plano do governo dos EUA de US$ 17,4 bilhões
às montadoras General Motors e Chrysler esfriou à tarde, em meio a perspectivas
sombrias de uma recuperação econômica no curto prazo. Este sentimento induziu
vendas de ações e as bolsas oscilaram entre leves altas e quedas no fim da tarde
em Nova York. A Bovespa acompanhou em parte esse movimento, mas também perdeu
força com o recuo dos preços de algumas commodities metálicas e do petróleo, o que
afetou os papéis da Petrobras. Na semana, o índice paulista caiu 0,61%. O dólar
sustentou os ganhos intraday no mercado de moedas e em relação ao real, amparado
no socorro à indústria automobilística e em uma realização de ganhos recentes do
euro. Contudo, na semana, a moeda norte-americana ficou estável no mercado de
balcão brasileiro. Os juros futuros tiveram correção de alta, após uma trajetória
de queda desde que o Copom discutiu na semana passada a possibilidade de corte da
Selic. Esse movimento refletiu realização de lucros, embora a desaceleração do
IPCA-15 de dezembro e o aumento da taxa de desemprego no País em novembro tenham
reforçado os argumentos do mercado para apostas em redução de 0,50 ponto
porcentual.

BOLSA
A novela da ajuda dos Estados Unidos às três grandes montadoras do País finalmente
mudou de capítulo hoje, com o socorro de US$ 17,4 bilhões anunciado pela Casa
Branca. Mas, se a notícia deu ânimo aos índices acionários em Wall Street, em São
Paulo a história foi outra na Bovespa. Depois de muitas altas e baixas pela manhã,
a Bolsa consolidou o sinal negativo à tarde, decorrente das perdas das blue chips
e papéis de primeira linha, entre eles bancos e siderúrgicas. Os dados que
sinalizam desaceleração da atividade, divulgados hoje, pesaram sobre as ações
voltadas ao mercado doméstico, como consumo.

A Bovespa recuou 1,02%, aos 39.131,23 pontos, acumulando perda de 0,61% na semana.
Em dezembro, a Bolsa ainda contabiliza ganhos, de 6,93%, mas, em 2008, tem queda
de 38,75%. Na mínima do dia, atingiu 38.728 pontos (-2,04%) e, na máxima, 39.785
pontos (+0,63%). O giro financeiro totalizou R$ 3,061 bilhões.

"Hoje teve de tudo um pouco. Queda das commodities, indicadores frágeis,
realização de lucros. A notícia das montadoras nos EUA foi boa, mas nem isso deu
muito gás às bolsas lá", comentou Hersz Ferman, gestor de recursos da Um
Investimentos.

A principal notícia do dia foi o anúncio, pela Casa Branca, de um plano de US$
17,4 bilhões para as montadoras do país. A ajuda pelo governo foi necessária
depois que o Senado vetou o pacote aprovado na Câmara. Os recursos serão liberados
em empréstimos de emergência do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp),
do Tesouro, a serem disponibilizados em duas etapas, a primeira delas praticamente
imediata (entre dezembro e janeiro).

O presidente dos EUA, George W. Bush, justificou que seria irresponsabilidade
deixar as empresas pedirem concordata com a economia norte-americana em recessão.
"Se deixarmos que o mercado livre siga seu curso agora, isso certamente levaria a
uma concordata e a uma liquidação desordenadas das montadoras", disse.

Com a ajuda, as ações das montadoras dispararam, influenciando as bolsas. Mas, no
final da tarde, o Dow Jones e o S&P viraram e, às 18h24, caíam 0,41% e 0,13%,
respectivamente. O Nasdaq ainda subia, 0,55%. O tombo do petróleo, em mais uma
sessão, pesou sobre as ações do setor, segurando o desempenho dos índices.
Em São Paulo, Petrobras continuou repercutindo os preços do óleo no mercado
externo e teve mais uma sessão de baixa, embora, à tarde, tenha devolvido grande
parte das perdas registradas mais cedo. Fechou em -0,75% a ON e -0,64% a PN.

A estatal informou no final da tarde que a produção de óleo da Petrobras no mês de
novembro no Brasil caiu 1,5% ante o mês anterior, para 1,844 milhão de barris por
dia. Com este resultado, a média diária anual da Petrobras está em 1,852 milhão de
barris por dia. Segundo a Petrobras, a queda se deve à parada programada nas
plataformas do Pólo Nordeste e a problemas operacionais "já resolvidos" nos campos
de Marlim, Albacora e Jubarte.

A reunião do Conselho de Administração da Petrobras terminou hoje sem concluir a
avaliação a respeito da revisão do plano de negócios para o período 2009-13, pauta
do encontro. Em comunicado, a empresa informou que a pauta será retomada em
janeiro, quando o plano poderá ser aprovado, dependendo das novas avaliações.
Segundo a companhia, até a aprovação do novo plano, a política de investimentos da
Petrobras está mantida.

Na Nymex, o contrato para janeiro recuou 6,49%, a US$ 33,87, com os temores de
enfraquecimento acentuado na demanda. Hoje, líderes da Organização dos Países
Exportadores de Petróleo (Opep) alertaram que a forte queda dos preços da
commodity está prejudicando projetos de refino e de perfuração de longo prazo, já
que os produtores temem pelo desempenho da demanda no futuro.

Vale, a outra blue chip, também passou por correção de baixa hoje. Caiu 0,42% a ON
e 0,43% a PNA. Siderúrgica e bancos acompanharam: Gerdau PN, -1,77%, Metalúrgica
Gerdau PN, -1,38%, CSN ON, -1,87%, Usiminas PNA, -0,17%, Bradesco PN, -4,47%, Itaú
PN, -3,68%, Unibanco unit, -2,98%, Banco do Brasil ON, -0,98%.

Hoje, a agência de classificação de risco Moody's Investors revisou de positiva
para estável a perspectiva do rating da Gerdau e da Gerdau Ameristeel, subsidiária
da empresa nos Estados Unidos. A classificação Ba1 para os ratings corporativos
das duas companhias e todos os ratings relacionados foram confirmados.

O setor de consumo também esteve na ponta negativa, o que pode ser explicado pelos
indicadores divulgados hoje pelo IBGE: a taxa de desemprego teve ligeira elevação
de outubro para novembro, de 7,5% para 7,6%, e o IPCA-15 de dezembro ficou em
0,29%, ante 0,49% (em 2008, o índice subiu 6,10%). O dado de inflação seria bom se
não reforçasse as análises de desaquecimento econômico. B2W ON recuou 4,31%, Lojas
Renner ON (-2,5%) e Lojas Americanas ON (-0,18%).

O que ainda é futuro no Brasil já é realidade nos países desenvolvidos e, depois
do corte pelo Fed a quase zero na taxa de juro, hoje o Banco do Japão também fez o
mesmo: reduziu a sua taxa de 0,3% para 0,1%. Apesar disso, a bolsa japonesa fechou
em queda, diante da previsão de queda de 0,8% para o PIB do país no ano fiscal que
termina em março. A previsão anterior era de crescimento de 1,3%.

Para as próximas duas semanas, a Bovespa deve seguir em ritmo lento, com muitos
investidores já desfrutando das folgas de final de ano. Assim, o volume deve
seguir descrescente.

Em tempo: o Banco Central informou hoje que os investimentos estrangeiros em
ações, em novembro, registraram saída líquida de US$ 1,757 bilhão. Em outubro,
essa conta já havia registrado uma forte saída de US$ 6,065 bilhões, refletindo a
crise financeira internacional. No acumulado de janeiro a novembro, as aplicações
de estrangeiros em ações registram saldo negativo de US$ 6,654 bilhões, ante saldo
positivo de US$ 18,704 bilhões, em igual período de 2007.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, os
investimentos estrangeiros em ações de empresas brasileiras somam US$ 500 milhões
em dezembro (até hoje), incluindo ADRs. Os investimentos em ações negociadas no
País, segundo ele, somam US$ 480 milhões.

CÂMBIO
O dólar no mercado à vista terminou em alta de 0,25%, a R$ 2,365 no balcão, após
iniciar a sessão na máxima intraday, de R$ 2,460 (4,28%). Na BM&F, o pronto
encerrou com ganho de apenas 0,04%, a R$ 2,360, sendo que a máxima na abertura foi
de R$ 2,459 (4,24%). Na semana, a moeda ficou estável no balcão e recuou 0,21% na
BM&F. No acumulado do mês, respectivamente, os ganhos são de 2,20% e de 1,07%; e
no ano, de 33,24% e 32,79%.

A disparada das cotações à vista no começo do dia refletiu ajustes do mercado ao
fechamento do dólar futuro janeiro ontem, a R$ 2,435, enquanto a moeda no balcão
terminou a R$ 2,359. A forte valorização externa do dólar também foi acompanhada
pelas cotações no mercado à vista. Contudo, houve entradas de recursos no final da
manhã, que asseguraram uma inversão momentaneamente do sinal para queda, que foi
revertida em seguida por influência do cenário externo.

A correção do dólar no mercado de moedas foi induzida pelo anúncio do plano do
governo dos EUA de socorro às montadoras. O futuro incerto das economias européias
e a firme valorização recente do euro estimularam ainda as vendas de euro.

A ajuda do governo americano às montadoras envolve US$ 17,4 bilhões em empréstimos
de emergência do Programa de Alívio para Ativos Problemáticos (Tarp) para a
General Motors e Chrysler. Os fundos oferecidos pelo governo serão distribuídos em
duas etapas, a primeira totalizando US$ 13,4 bilhões em dezembro e janeiro. Uma
segunda parcela de US$ 4 bilhões será oferecida em fevereiro, dependendo da
liberação da segunda metade dos US$ 700 bilhões do Tarp, de acordo com informações
da agência Dow Jones.

A Casa Branca alertou que qualquer falência do setor automotivo desencadearia uma
redução de 1% do crescimento do PIB, a perda de 1,1 milhão de empregos e US$ 13
bilhões em novos pedidos de auxílio-desemprego.

A General Motors afirmou em comunicado que o plano vai ajudar a empresa a
preservar muitos empregos e a completar sua reestruturação de longo prazo. A
Chrysler disse em um comunicado que a injeção de capital ajudará a companhia a
superar a crise de liquidez e anunciou que vai desativar todas as suas cinco
fábricas no México por três semanas, em vez das duas habituais, a partir da
próxima segunda-feira, em parte para ajudar a empresa a ajustar sua produção à
baixa demanda. Já a Ford Motor elogiou a ação do governo dos EUA e reiterou que
não enfrenta um problema de liquidez de curto prazo. A montadora pede ao governo
acesso a uma linha de crédito de US$ 9 bilhões em empréstimo-ponte, que serviria
como um apoio para o caso de piora das condições.

Em Nova York às 1847, o euro recuava a US$ 1,3889, de US$ 1,4263 ontem; a libra
caía a US$ 1,48745, de US$ 1,51245 na véspera; e o dólar subia a 89,20 ienes, ante
89,29 ienes ontem. Nas bolsas, o Dow Jones caía 0,25%; o Nasdaq subia 0,51%; e o
S&P500 avançava 0,18%.

A desaceleração dos ganhos do dólar à vista ocorreu no fim da manhã, quando os
operadores observaram entradas de recursos, estimadas entre US$ 400 milhões e US$
500 milhões. Em meio a esse fluxo positivo, cuja origem não foi identificada, o
pronto zerou os ganhos e atingiu as cotações mínimas intraday, de R$ 2,3527
(-0,27%) na BM&F e de R$ 2,352 (-0,30%) no balcão.

Os dois leilões realizados pelo Banco Central também favoreceram a redução de
ganhos. Na quinta tranche de rolagem do vencimento de US$ 9,6 bilhões em contratos
de swap cambial em 2/1/2009, o BC vendeu 6.000 contratos para 2 de março de 2009,
equivalentes a US$ 298,9 milhões. A autoridade monetária informou, há pouco, que
dará continuidade na segunda-feira à rolagem desse vencimento. No sexto leilão
dessa rolagem serão ofertados até 15.800 contratos de swap cambial com três
vencimentos diferentes, equivalentes a US$ 780 milhões. Na operação, serão
ofertados até 9.800 contratos para 2 de março de 2009; 3.000 contratos de 1º de
julho de 2009; e 3.000 contratos com vencimento em 1º de outubro de 2009. A
operação será das 12h30 às 13 horas e o resultado será divulgado a partir das
14h30.

Já no leilão no mercado à vista, hoje, a autoridade vendeu cerca de US$ 150
milhões, com taxa de corte de R$ 2,380. No fim da manhã, o BC informou que as
vendas de moeda no mercado à vista em novembro somaram US$ 7,5 bilhões. Em
dezembro até o momento, as vendas do BC foram estimadas por um operador em cerca
de US$ 3,3 bilhões. "Essas ofertas atenderam à demanda por moeda de empresas para
remessas de dividendos e de investidores para pagamentos de compromissos no
exterior", disse a fonte.

O giro financeiro total manteve-se em cerca de US$ 3,249 bilhões (US$ 3,083
bilhões em D+2).

No mercado de dólar futuro, por volta das 16h20 o dólar janeiro de 2009 devolvia
os ganhos intraday e projetava queda de 0,08%, a R$ 2,370, com um volume
financeiro movimentado de cerca de US$ 8,286 bilhões de um total registrado com
sete vencimentos de US$ 8,795 bilhões. Na máxima, no começo do dia, esse
vencimento de dólar futuro atingiu R$ 2,480. "A zeragem dos ganhos da abertura
resultou do fluxo positivo no mercado, que estimulou realização de lucros
intraday", justificou um operador de uma instituição em São Paulo.

JUROS
O mercado de juros partiu hoje para uma realização de lucros, reduzindo a
exposição ao risco, após uma seqüência de queda de taxas desde que o Copom
informou em seu comunicado que a possibilidade de corte da Selic foi discutida
entre os diretores do Banco Central no encontro da semana passada.

O DI janeiro de 2010 (227.175 contratos) subiu a 12,37%, de 12,30% no fechamento
de ontem e 12,33% no ajuste; e o DI janeiro de 2012 (34.200 contratos) avançou a
12,98%, de 12,92% no fechamento e 12,95% no ajuste. Na sessão estendida, o DI
janeiro/2012 até chegou a virar o sinal para baixo, mas não se sustentou e voltou
a subir. Na sexta-feira da semana passada, estes contratos encerraram
respectivamente em 12,79% e 13,60%.

E o mercado embutiu tantas boas notícias nos preços nos últimos dias que o IPCA-15
de dezembro próximo do piso das estimativas, reforçando a percepção de que a
inflação não deverá ser empecilho no processo de desaperto monetário, foi
relevado. Os dados do mercado de trabalho, também informados pelo IBGE, referentes
a novembro já emitiram sinais de arrefecimento por causa da crise, mas ainda assim
o mercado optou por reduzir um pouco suas posições vendidas. Também teria
estimulado os ajustes o efeito calendário. Esse período de festas de final de ano
é de folga para muitos investidores, que não querem passar estes dias a
descoberto.

Logo pela manhã, o mercado recebeu a informação de que o IPCA-15 ficou em 0,29% em
dezembro, ante 0,49% em novembro, resultado que veio perto da previsão mais baixa
dos analistas (0,26%) e aquém da mediana de 0,41%. Os núcleos em desaceleração,
assim como o índice de difusão - que caiu de 65,60% no IPCA-15 do mês passado e de
64,50% no IPCA fechado para 61,98% -, também surpreenderam positivamente.

No entanto, as taxas futuras passaram o dia pressionadas para cima. Alguns
analistas estranharam o comportamento, mas informaram que ontem, por exemplo, o DI
janeiro de 2010 recebeu um grande lote de venda no final da negociação normal, o
que acelerou a queda da taxa para 12,30%. "O mercado talvez já tivesse antecipado
ontem um número benigno", disse um profissional. Segundo ele, esse lote de venda
ontem teria partido de uma única instituição e acabou puxando para a venda outros
players de day trade. "Hoje essas posições vendidas foram zeradas", complementou.

Já a taxa de desemprego em novembro, de 7,6%, mostrou leve aumento ante o
resultado de outubro, de 7,5%, mas, de todo modo, foi a menor da série histórica
do IBGE para um mês de novembro. Os dados da renda indicam que a massa de
rendimento efetivo real dos ocupados em outubro - que sempre se refere ao mês
anterior ao da taxa de desemprego divulgada - subiu 0,2% ante setembro.

Porém, a queda na população ocupada (-0,4%) mostrou um comportamento inédito na
série histórica da pesquisa, iniciada em 2002, segundo destacou o gerente da
pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo. É a primeira vez em sete anos que há uma queda no
número de ocupados em novembro, mês em que tradicionalmente são contratados
empregados temporários para o final do ano, em relação ao mês anterior. "A
variação negativa não é significativa, mas mostra uma tendência de que o mercado
está dispensando", disse o gerente. Para a analista da Tendências Consultoria
Ariadne Vitoriano, "a deterioração do mercado de trabalho na margem reflete
provavelmente os primeiros efeitos da crise externa sobre a atividade econômica".

Embora a Selic não tenha sido alterada, na prática, os juros já estão em queda,
como mostra a curva de DI, que antecipou em boa medida os fatores que devem levar
o Banco Central a efetivamente reduzir a taxa básica em janeiro. No entanto,
diante da rapidez dos acontecimentos, não é possível diagnosticar se a redução dos
prêmios nas últimas semanas colocou os contratos da BM&F em preços justos.

Entre as dificuldades, está a precificação da magnitude do ciclo de afrouxamento
monetário, embora a ata do Copom tenha sugerido ontem que este deve começar com
reduções comedidas da Selic, de 0,25 ponto ou 0,5 ponto. Em relatório enviado a
clientes, o banco JPMorgan alterou sua projeção, prevendo queda de 0,5 ponto em
janeiro ante 0,25 ponto anteriormente. O banco agora também acredita que a taxa
poderá cair em 2 pontos porcentuais ao longo de 2009, ante expectativa anterior de
1,5 ponto. As revisões tiveram por base os dados do IPCA-15 e do desemprego hoje.
"Ambos indicam riscos mais baixos para a perspectiva de inflação, abrindo espaço a
um ciclo mais agressivo em 2009", diz o texto.

Nesta sexta-feira, mais bancos centrais relaxaram sua política monetária, no
Japão, Dinamarca e Colômbia. Como nos EUA, o Banco do Japão também praticamente
esgotou suas armas ao reduzir sua taxa de juros de 0,3% para 0,1%. Além disso,
anunciou várias medidas para injetar liquidez nos mercados de capitais e facilitar
o levantamento de recursos por parte de empresas com problemas de caixa. Na
Dinamarca, a taxa básica foi reduzida em um ponto percentual para 3,75%, e na
Colômbia o BC cortou o juro de 10% para 9,50%.

Na segunda-feira, as atenções estão voltadas à divulgação do Relatório Trimestral
de Inflação pelo Banco Central, a partir das 8h30. Além das previsões para a
inflação, o documento trará projeções da autoridade monetária para uma série de
variáveis, com destaque para o PIB. Segundo apuraram os jornalistas Célia Froufe,
Francisco Carlos de Assis e Flavio Leonel, o presidente do BC, Henrique Meirelles,
sinalizou que o número deve ser ao redor de 3,5% (veja matéria do AE Projeções
divulgada às 13h28 no AE-News).

Também na segunda-feira o mercado acompanha os números da pesquisa Focus, que pode
trazer eventuais mudanças nas projeções de IPCA e Selic.

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Petrobras anuncia distribuição de juros sobre o capital próprio

Petrobras anuncia distribuição antecipada de juros sobre o capital próprio


Por: Marcelo Olsen Saad
19/12/08 - 21h29
InfoMoney

SÃO PAULO - Por meio de nota enviada ao mercado, a Petrobras (PETR3; PETR4)
aprovou a distribuição antecipada de remuneração aos acionistas, sob a
forma de juros sobre o capital próprio.

Segundo o comunicado, o valor a ser distribuído, no montante de R$ 7,01
milhões, correspondente a um valor bruto de R$ 0,80 por ação ordinária ou
preferencial, está sendo provisionado nas demonstrações contábeis de 31 de
dezembro de 2008.

A data de pagamento será fixada pela Assembléia Geral Ordinária a ser
realizada em 08 de abril de 2009, com base na posição acionária de 26 de
dezembro de 2008. A partir de 29 de dezembro de 2008, as ações passarão a
ser negociadas ex-juros sobre capital próprio.

A estatal declarou que este provento deverá ser descontado da remuneração
que vier a ser distribuída no encerramento do exercício social de 2008 e
está sujeito à incidência de 15% de imposto de renda na fonte, exceto para
os acionistas que declararem ser imunes ou isentos.

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sexta-feira, dezembro 19, 2008

JUROS AMPLIAM DECLÍNIO COM AJUSTES À ATA DO COPOM

JUROS AMPLIAM DECLÍNIO COM AJUSTES À ATA DO COPOM


A ata da reunião do Copom da semana passada deu fôlego hoje à queda dos juros
futuros. O mercado enxergou no documento disposição do BC de iniciar gradualmente
o ciclo de flexibilização, que poderá ser mais longo do que o previsto diante da
agressiva mudança na política monetária nos EUA esta semana. O dólar subiu no
mercado internacional de moedas e também em relação ao real, amparado pelo tombo
do petróleo, expectativas em torno de um gigantesco pacote de estímulo econômico
que estaria sendo costurado pelo presidente eleito Barack Obama, redução da taxa
de juro sobre os depósitos mantidos no Banco Central Europeu (BCE) e perspectivas
de outra redução de juro pelo Banco da Inglaterra. No Brasil, o fluxo cambial
negativo e o anúncio da CVM sobre sete novas normas contábeis às empresas de
capital aberto também pesaram à alta das cotações, principalmente sobre o dólar
futuro. A Bovespa seguiu volátil e acompanhou o declínio das ações em Wall Street
e dos preços do petróleo.


JUROS
Ainda que tenha antecipado ontem em boa medida o tom da ata do Copom, o mercado de
juros renovou o fôlego de queda com a leitura do documento, que impôs mais ajustes
à curva. A partir do texto, fechou-se consenso que a Selic começa a cair em
janeiro, mas o mercado corrigiu algumas expectativas. O trecho em que o Banco
Central detalha que a possibilidade de queda da Selic de 0,25 ponto porcentual foi
aventada na reunião da semana passada pela maioria dos diretores levou à idéia de
que o ciclo de desperto monetário começará de forma gradual, possivelmente com
corte do juro de até 0,5 ponto.

O recuo das taxas foi mais forte nos contratos de longo prazo. O DI janeiro de
2010 (253.855 contratos) encerrou em 12,30%, de 12,51% no fechamento de ontem com
ajuste a 12,50%; e o DI janeiro de 2012 (61.345 contratos) recuou a 12,93%, ante
13,27% no fechamento de ontem com ajuste de 13,28%. Segundo cálculo de operadores,
com a queima de prêmios desde o início do mês, interrompida por realizações de
lucros apenas pontuais, os DIs já embutem queda de cerca de 2 pontos porcentuais
para a Selic no ano que vem.

O que mais o mercado queria ver na ata era o detalhamento da discussão entre os
participantes sobre o corte da Selic já em dezembro. O parágrafo 26 diz que a
consolidação das condições financeiras restritivas "por um período mais prolongado
poderia ampliar de forma relevante os efeitos da política monetária sobre a
demanda e, ao longo do tempo, sobre a inflação". Diante desse entendimento, o
documento observa que a maioria dos membros do Copom, "tendo em vista o balanço de
riscos para a atividade econômica e, conseqüentemente, para o cenário
inflacionário em 2009, discutiu a opção de realizar, neste momento, uma redução de
25 pontos-base na taxa de juros".

Para os analistas, a possibilidade avaliada pelo Copom de começar o ciclo com
corte de 0,25 ponto sinaliza a disposição do BC de iniciar o processo de forma
lenta, como recomenda a conhecida prudência da autoridade monetária. Há que se
considerar ainda os sinais expansionistas da política fiscal para o próximo ano,
com queda de arrecadação e aumento de despesas, o que limitaria movimentos mais
bruscos da política monetária.

Essa percepção, somada à indicação do Fomc esta semana de que os juros nos EUA
devem permanecer baixos por um longo período, permite imaginar que o ciclo de
cortes da taxa básica doméstica pode ser mais longo do que o previsto. Depois
disso, é possível prever estabilidade da taxa básica por muitos meses antes que um
novo processo de aperto se inicie. Pelo menos, essa foi uma das leituras que se
fez da forte pressão para baixo vista hoje na curva longa.

Mas é certo também que a velocidade e a magnitude dos cortes da Selic vão depender
dos próximos dados sobre a atividade econômica. A ata deu, como esperado, bastante
ênfase na questão da atividade e, além disso, o próximo encontro do Copom só será
nos dias 20 e 21 de janeiro.

A ata também aguçou a curiosidade em relação às previsões do Banco Central para a
inflação, que só serão divulgadas na próxima semana, com o Relatório Trimestral de
Inflação. Na ata, os diretores afirmaram que as projeções de IPCA 2009 caíram em
relação ao documento anterior, tanto no cenário de referência quanto no de
mercado. No primeiro, as estimativas estariam ainda acima do centro da meta de
4,5% e, no segundo, "em torno" do centro do centro da meta.

A grande questão é que a taxa de câmbio utilizada no cenário de referência subiu
na comparação entre esta ata e a de outubro, de R$ 2,25 para R$ 2,40. Dessa forma,
o mercado especula sobre o que o BC estaria considerando como compensação para que
a previsão de inflação tenha caído: tombo das commodities? desaceleração brusca da
atividade? A conferir no Relatório de Inflação, na segunda-feira.

Amanhã, a divulgação do IPCA-15 de dezembro pode continuar sustentando o ânimo do
mercado em espremer prêmios dos contratos, especialmente se o indicador vier
abaixo de 0,40%. Segundo o AE Projeções, o intervalo das estimativas está entre
0,26% e 0,49%, com mediana de 0,41%. Em novembro, o IPCA-15 ficou em 0,49% e o
IPCA, em 0,36%.

Em tempo: o Banco Central da Turquia reduziu hoje a taxa para tomada de crédito no
overnight de 16,25% para 15,00% e a taxa para concessão de crédito no overnight de
18,75% para 17,50%. Economistas acreditavam que a taxa para tomada de crédito
fosse reduzida para 15,75%. Em seu comunicado, o comitê diz que a desaceleração da
atividade econômica se aprofundou recentemente.

A predisposição dos investidores em assumir risco ajudou hoje o Tesouro a colocar
integralmente os lotes de LTN e LFT em seus últimos leilões previstos para 2008.
No leilão de LTN, o Tesouro vendeu 300.000 papéis para 1/4/2009 a taxas máxima e
média de 13,1599%; 1 milhão de LTN para 1/10/2009 a taxas máxima e média de
12,6299%; e 1 milhão de títulos para 1/1/2011 com taxa máxima de 12,8680% e média
de 12,8435%. O giro financeiro somou R$ 1,98 bilhão aproximadamente. No leilão de
LFT, o Tesouro vendeu 471.700 títulos para 21/12/2011 ao par e 528.300 papéis para
7/9/2012, também ao par. O volume financeiro somou R$ 3,713 bilhões.


CÂMBIO
A perda de força do dólar no mercado internacional de moedas no fim da tarde em
sintonia com a ampliação das perdas nas bolsas norte-americana provocou ajustes de
posições compradas e a ampliação dos ganhos de contratos de dólar no mercado
futuro da BM&F. O dólar janeiro de 2009, que concentrou a liquidez, terminou acima
de R$ 2,40, cotado a R$ 2,435, em alta de 2,55%, segundo um operador, ante uma
taxa de R$ 2,369 (+0,32%) por volta das 16h16.

"A subida mais acentuada do dólar futuro acompanhou a oscilação dos ativos em Nova
York, mas também coincidiu com o anúncio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
sobre a edição hoje de sete novas normas contábeis às empresas de capital aberto,
entre elas a inclusão nos balanços de um quadro de análise de sensibilidade com
instrumentos financeiros (derivativos ou não), incluindo três cenários de
estresse", observou um operador. Aparentemente, afirmou a fonte, algum player
teria se antecipado na zeragem de posições vendidas em dólar futuro em reação a
essa notícia, uma vez que as novas normas já se aplicam aos balanços de 2008.

No mercado à vista, o dólar subiu 0,34%, a R$ 2,359 na BM&F, e 0,47%, a R$ 2,359
no balcão, após cair 1,30% no balcão nas duas sessões anteriores. No mês até o
momento, o pronto acumula alta de 1,94% e, no ano, de 32,90%. O giro financeiro
total à vista diminuiu 53%, para cerca de US$ 2,539 bilhões.

A correção da moeda norte-americana ante o real amparou-se na recuperação parcial
de perdas ante o euro, a libra e o iene hoje. Com um fluxo de saída de dividendos
bem menor do que o de ontem, os negócios no mercado à vista foram reduzidos e
ficaram mais sensíveis à volatilidade externa da moeda norte-americana, afirmaram
os operadores consultados.

O Banco Central fez dois leilões, mas vendeu apenas cerca de US$ 223,9 milhões,
sendo US$ 123,9 milhões na quinta tranche de rolagem de swap cambial e outros
cerca de US$ 100 milhões no mercado à vista. Essas operações favoreceram a
desaceleração dos ganhos da moeda à vista à tarde. Tanto a cotação máxima como
mínima foram registradas na primeira parte dos negócios.no balcão foi de R$ 2,369
(+0,89%) e a mínima, de R$ 2,342 (-0,26%).

Mesmo com a injeção de liquidez de US$ 9,8 bilhões no mercado à vista desde 18 de
setembro, o BC informou hoje que o volume das reservas internacionais do País
ontem estava em US$ 209,224 bilhões - maior nível histórico. Além da venda direta
desses recursos no mercado à vista, o BC negociou outros US$ 10,8 bilhões em linha
com compromisso de recompra futura; US$ 28,9 bilhões com operações de contratos de
swap cambial; e US$ 2,4 bilhões com linhas para o comércio exterior. No entanto,
nestes casos, não há impacto direto sobre as reservas porque os recursos devem
retornar ao BC em prazo preestabelecido.

No mercado à vista de câmbio, as remessas de dividendos ao exterior prosseguiram,
mas em volumes menores do que nos dias anteriores, disse um operador de uma
corretora em São Paulo. Com um giro mais fraco nos mercados à vista e futuro,
diminuiu o espaço para as operações de arbitragem e houve concentração de
operações de giro. Com a retração do mercado, a atuação do BC também foi tímida,
refletindo uma demanda contraída, afirmou a fonte.

No mercado de dólar futuro, dos nove vencimentos negociados até às 16h16, cinco
(janeiro09, fevereiro09, março09, julho09 e novembro09) apontaram taxas em alta;
três (abril09, setembro09 e outubro09), em queda; e um (maio09), em estabilidade.
O volume financeiro total movimentado até esse horário foi fraco, de cerca de US$
7,822 bilhões. Apenas o dólar janeiro09, sozinho, girou 88% desse total, ou cerca
de US$ 6,901 bilhões, e projetou valorização de 0,32%, a R$ 2,369.

No quinto leilão referente à rolagem do vencimento de US$ 9,6 bilhões de swaps
cambiais em 2/1/2009, realizado hoje, o BC vendeu 2.500 contratos com dois
vencimentos, num total de cerca de US$ 123,9 milhões, de uma oferta de até 24.300
contratos com três vencimentos, equivalentes a US$ 1,215 bilhões. Nesta operação,
a autoridade monetária não aceitou as propostas para o vencimento de swaps em
1/10/2009. Até agora, o BC já renovou US$ 8,537,9 bilhões desse vencimento ou
88,94% do total. Da oferta de até 14.300 contratos para 2 de março de 2009, foram
vendidos 1.500 contratos com cotação de 99,7401; taxa nominal de 1,5675%; e taxa
linear de 1,59%. O volume financeiro vendido somou US$ 74,8 milhões. E da oferta
de até 5 mil contratos de 1º de julho de 2009, foram vendidos 1.000 contratos com
cotação de 98,1403; taxa nominal de 3,8112%; e taxa linear de 3,79%. O volume
financeiro somou US$ 49,1 milhões.

No leilão de venda, a taxa de corte foi fixada em R$ 2,3580.

Para amanhã, o BC já agendou mais um leilão para continuidade da rolagem dos
contratos de swap cambial, que vencem em 2 de janeiro de 2009. Segundo comunicado
do BC ao mercado, serão ofertados até 22.000 contratos de swap cambial de três
vencimentos diferentes. A oferta soma valor equivalente a US$ 1,1 bilhão. A
operação será das 12h30 às 13 horas e o resultado será divulgado a partir das
14h30.

No mercado internacional, o dólar encontrou suporte de alta no começo do dia na
informação de que o presidente eleito Barack Obama está preparando um gigantesco
pacote de estímulo econômico, estimado em cerca de US$ 850 bilhões, para dois
anos. O pacote deve ser apresentado ao Congresso. À tarde, Obama disse que sua
equipe econômica tem mantido contato com o Departamento do Tesouro para discutir a
aplicação do Programa de Alívio para Ativos Problemáticos (Tarp), mas não tomou
nenhuma decisão sobre se deverá ou não pedir ao Congresso que aprove a liberação
da segunda parcela de US$ 350 bilhões.

Além disso, as preocupações com a recessão em alguns países europeus e o recuo dos
preços do petróleo atraíram investidores para o dólar. O euro depreciou-se frente
à moeda norte-americana em reação ao anúncio do BCE de reduzir sua taxa de juro
sobre os depósitos mantidos no Banco Central Europeu (BCE) em uma tentativa de
desestimular o influxo. A principal taxa de juro do BCE está atualmente em 2,50%.
Conseqüentemente, após a mudança, a taxa do programa de empréstimo marginal será
elevada para 3,50%, comparada com 3,00% agora, enquanto a taxa do programa sobre
depósito cairá para 1,50%, de 2,00% atualmente, de acordo com informações da Dow
Jones.

A libra esterlina também sofreu perdas diante de expectativas de outra redução de
juro agressiva pelo Banco da Inglaterra (BoE). A taxa básica de juros britânica
está em 2% ao ano. O euro está cada vez mais perto da paridade com a moeda
britânica.

Em relação à moeda japonesa, o dólar subiu depois que o ministro das Finanças do
Japão, Soichi Nakagawa, disse que a intervenção no câmbio é uma opção, mas não
comentou se o governo irá utilizá-la.

Em Nova York, o euro chegou a cair até US$ 1,4181, de uma máxima intraday de US$
1,4720 registrada durante a noite - maior patamar em 12 semanas. Após duas sessões
consecutivas acumulando acentuados ganhos, o euro às 18h32 caía a US$ 1,4249, de
US$ 1,4434 ontem; a libra esterlina cedia a US$ 1,4998, de uma máxima intraday de
US$ 1,56175 e fechamento na véspera a US$ 1,5543; e o dólar subia a 89,31 ienes,
ante máxima intraday a 90,04 ienes e encerramento ontem a 87,73 ienes. O contrato
de petróleo para janeiro caiu 9,59%, para US$ 36,22 o barril - menor nível desde
2004, pressionados por receios de que cortes na produção, como o anunciado pela
Opep ontem, não serão suficientes para compensar o enfraquecimento da demanda. O
aumento nos estoques da commodity nos EUA também pesou sobre os preços.


BOLSA
O mercado de renda variável já começa a jogar a toalha. Depois de muito
sobe-e-desce, o Ibovespa fechou em baixa e com volume menor do que o registrado na
véspera. Passado o vencimento, os investidores desovaram sobretudo papéis de
Petrobras e Vale, voltando a se posicionar em setores defensivos como o elétrico.
Nova York continuou como referência e, em queda hoje, contribuiu para o resultado
negativo doméstico.

O Ibovespa terminou a quinta-feira com variação negativa de 1,03%, aos 39.536,27
pontos. Na mínima, o Ibovespa atingiu 38.995 pontos (-2,38%) e, na máxima, 40.498
pontos (+1,38%). No mês, acumula ganhos de 8,04%, e, no ano, perdas de 38,11%. O
giro financeiro diminuiu à tarde e totalizou R$ 3,724 bilhões.

A seis pregões de fechar 2008 (a partir de amanhã), poucos arriscam montar grandes
posições nas carteiras. Assim, o que tem ocorrido é troca de papéis, hoje com
venda de blue chips. Passado o vencimento de opções sobre índice, ontem, aqueles
que vinham segurando Petrobras e Vale para exercer decidiram se desfazer das ações
e embolsar algum lucro. A escolha para a troca foi a volta para o setor elétrico,
considerado defensivo, por causa do pagamento de dividendos mais robustos.

O setor siderúrgico também ajudou a segurar o freio do Ibovespa ladeira abaixo.
Algumas notícias movimentaram o segmento hoje: a CSN anunciou que a venda de 40%
da Namisa está prestes a ser concluída para um consórcio asiático; a Usiminas
anunciou a compra da fabricante de tubos Zamprogna por US$ 160 milhões; e a
Associação Mundial de Aço informou que a produção mundial de aço bruto caiu 19% em
novembro na comparação com igual mês de 2007, para 89 milhões de toneladas.

Gerdau PN, +1,43%, Metalúrgica Gerdau PN, +1,45%, Usiminas PNA, +0,35%, CSN ON,
+1,78%. Vale, entretanto, tombou mais de 4%: 4,92% a ON e 4,09% a PNA.

Mas foi Petrobras quem pesou mais sobre o índice, com o maior giro individual do
pregão (R$ 729,485 milhões a PN). As ações ON perderam 5,20% e as PN, 3,79%. O
tombo nas cotações do petróleo e o vencimento de opções sobre Ibovespa ontem
justificaram o desempenho.

A Petrobras participou hoje da 10ª Rodada de Licitação da ANP, no qual arrematou
27 blocos, de um total de 54 vendidos. Destes 27, a empresa teve parcerias em dez,
com as empresas Partex ou Petrogal. Os bônus totais pagos pela companhia totalizam
R$ 39,9 milhões. No total, a ANP arrecadou R$ 89,4 milhões em bônus em todos os
blocos vendidos na 10ª Rodada.

Na quarta-feira, a Opep anunciou um corte de 2,2 milhões de barris por dia, a
partir de janeiro, mas isso não impediu que as cotações recuassem fortemente,
ontem e hoje. O contrato para janeiro negociado na Nymex perdeu 9,59%, aos US$
38,20. Foi a quinta sessão consecutiva de baixa.

A avaliação é de que, apesar de a Opep ter feito o maior corte de sua história, a
crise financeira vai deteriorar ainda mais a demanda por petróleo, anulando os
efeitos da decisão. O mercado, explicou Fausto Gouveia, da Infra Asset, tem
dúvidas sobre se o corte patrocinado pelo grupo é proporcional à queda da demanda
diante da crise.

Para 2009, a ata da última reunião do Copom, divulgada hoje, aponta que há uma
possibilidade de redução nos preços da gasolina. E, se efetivada, afeta
diretamente Petrobras, que passaria a vender menos e por um preço mais baixo. O
documento do BC reforçou a expectativa de corte na taxa básica de juro a partir de
janeiro e foi considerado mais suave do que o inicialmente esperado.

Outra razão de pressão nos preços da principal empresa do Ibovespa hoje é também o
vencimento de opções sobre índice futuro na véspera. "Muitos investidores vinham
segurando papéis da estatal para o exercício de ontem. Passado o vencimento, e com
o tombo das cotações do petróleo, não há como segurar mais", explicou Gouveia para
justificar a desova das ações. "Considero que o ano terminou ontem para a Bolsa.
Em meio a tantas incertezas, muitos investidores estão pensando mesmo isso. É hora
de esperar o ano virar", comentou. Segundo ele, "muitos investidores não querem
estragar o que já têm".

Nos Estados Unidos, as bolsas tiveram uma sessão volátil, acentuada pelo
desempenho do petróleo e pelo comportamento dos papéis das montadoras. Enquanto
aguardam um pacote de ajuda do governo, a General Motors e a Chrysler reabriram as
negociações de fusão.

Dos indicadores macroeconômicos, foram divulgados hoje o relatório de pedidos de
auxílio-desemprego (-21 mil na semana passada, ante -23 mil previstos), e o índice
do Fed Filadélfia de atividade industrial (caiu para 32,9 em dezembro, de 39,3 em
novembro e ante previsão de -40). Às 18h33, o Dow Jones recuava 2,74%, o S&P,
2,45%, e o Nasdaq, 2,31%.

Hoje, circularam rumores de que o governo Barack Obama estaria estudando um pacote
de US$ 850 bilhões para tirar a economia da recessão. No final da tarde, o Wall
Street Journal informou que o pacote de estímulo teria valor entre US$ 675 bilhões
e US$ 775 bilhões a serem investidos ao
longo de dois anos. Até que algo concreto seja definido, e enquanto aguarda a
posse do presidente eleito, em 20 de janeiro, o mercado deve ficar nesse compasso
de valsa.

A maior alta do Ibovespa hoje foi BrT Par PN (+8,11%). À tarde, o Tribunal de
Contas da União revogou a medida cautelar que impedia a Anatel de julgar o
processo de compra da Brasil Telecom pela Oi. BrT Operadora PN subiu 5,46%.

Gol PN, na seqüência, avançou 7,88%. Aracruz PNB (+6,12%), a terceira maior
elevação do índice, subiu na esteira dos rumores de que a empresa estaria prestes
a anunciar o cancelamento do pagamento de proventos no final de ano, diante da
difícil situação financeira enfrentada pela Aracruz.

As maiores quedas foram TIM Par ON (9,38%), Petrobras ON (-5,20%) e Vale ON
(-4,92%).

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