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segunda-feira, agosto 25, 2008

FORÇA DO DÓLAR COM FED DERRUBA PETRÓLEO E BOVESPA CAI

FORÇA DO DÓLAR COM FED DERRUBA PETRÓLEO E BOVESPA CAI

A sinalização do presidente do Fed, Ben Bernanke, de que não está inclinado a elevar o juro, porque prevê menor pressão sobre os preços, deu força ao dólar no mercado de moedas, o que levou a fortes perdas das commodities. Em Nova York, os contratos futuros de petróleo tiveram a maior queda em dólares, de US$ 6,59, desde 17 de janeiro de 1991. O impacto dessas notícias foi positivo para as ações em Wall Street e as bolsas subiram mais de 1%. Na Bovespa, ao contrário, o declínio das matérias-primas provocou um movimento de realização parcial dos ganhos de 4,89% nos três pregões anteriores e o índice paulista terminou em baixa. Na semana, porém, a bolsa avançou 2,96%. O dólar à vista ganhou impulso da alta externa da moeda e também interrompeu a série de três baixas, ao terminar na cotação máxima, acima de R$ 1,62. No mercado de juros, o alívio com o IPCA-15 no piso das expectativas durou pouco e as taxas assumiram rumo ascendente, reagindo a movimentos técnicos relacionados ao mercado secundário de títulos públicos e à valorização do dólar.


BOLSA
A melhora do clima no exterior permitiu uma recuperação no preço do dólar e, por tabela, queda nas commodities, impactando diretamente a Bolsa paulista. Depois de três pregões em elevação, o principal índice da bolsa doméstica recuou, com as mesmas Petrobras, Vale e siderúrgicas conduzindo os negócios. Mas a queda de hoje perdeu fôlego no final da jornada e foi insuficiente para zerar a alta da semana.

Na sessão de hoje, o Ibovespa caiu 0,15%, aos 55.850,1 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 55.202 pontos (-1,31%) e a máxima de 56.430 pontos (+0,89%). Na semana, teve ganho de 2,96%, mas, no mês, ainda acumula perda de 6,14%. No ano, a baixa é de 12,58%.

A retração da Bolsa paulista após três altas decorreu principalmente do tombo das commodities, embora a falta de argumentos que justificassem as compras também tenha sido citada nas mesas de operação. A agenda de hoje foi fraca e, embora as condições macroeconômicas não tenham se alterado, o dinheiro estrangeiro ainda não voltou. Isso significa que está sendo mais lento o processo de recuperação da Bovespa.

"A Bolsa precisa romper os 56.400 pontos para engatar numa trajetória de alta. Mas só saberemos se ela será firme se houver dinheiro no mercado e isso não está acontecendo", comentou o gestor da corretora Umuarama Rafael Moysés. Ele tem toda a razão. O volume financeiro negociado hoje totalizou apenas R$ 3,376 bilhões - o menor nível do mês, cuja média diária já é baixa, de R$ 5,265 bilhões. E essa média só está neste nível por conta do pregão de 13 de agosto, dia do vencimento de opções sobre Ibovespa, quando houve R$ 13,026 bilhões de giro.

A título de comparação, a média diária em maio, mês imediatamente após o investment grade (30/4), somou R$ 7,035 bilhões, volume que vem caindo desde então com o ramerrame da crise norte-americana e a fuga de estrangeiros dos mercados emergentes (em junho, foi de R$ 6,311 bilhões, em julho, R$ 5,644 bilhões). "É preciso que o dinheiro volte para que a recuperação seja firme", comentou um operador.

Os parcos recursos que movimentaram a Bolsa hoje foram principalmente para as ações da Petrobras PN, Vale PNA, CSN ON e Vale ON, os quatro maiores giros individuais do pregão, nesta ordem. E isso ocorreu por causa da recuperação do dólar em meio a um clima de trégua no exterior.

O que motivou a tranqüilidade foram: primeiro, a notícia de que o Banco de Desenvolvimento da Coréia do Sul estuda a possibilidade de fazer uma oferta pelo Lehman Brothers, dando alento aos papéis dois dias depois de a instituição não ter conseguido fechar acordo para vender até 50% de suas ações para investidores asiáticos; segundo, o discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, no qual ele afirmou que a taxa básica de juros da economia norte-americana não deve subir.

Embora tenha afirmando que as taxas dos Fed Funds estão "relativamente baixas", apesar da inflação, ele sinalizou que não estuda taxas mais altas porque espera que as pressões inflacionárias irão ceder em meio aos baixos preços das commodities. Ele disse também que a estabilidade recente do dólar é animadora.

Os investidores se empolgaram e voltaram a comprar dólar, e as commodities caíram. Na Nymex, o contrato para setembro terminou em US$ 114,59, em baixa de US$ 6,59 (-5,44%), na maior queda dos preços em termos de dólar desde janeiro de 1991. O Dow Jones fechou em alta de 1,73%, aos 11.628,1 pontos, o S&P avançou 1,13%, aos 1.292,19 pontos, e o Nasdaq subiu 1,44%, para 2.414,71 pontos. As bolsas européias também fecharam em alta.

Apesar de a notícia do Lehman favorecer o segmento financeiro, Fannie Mae e Freddie Mac continuaram como destaques de baixa, diante da possibilidade de que venham a sofrer intervenção federal. Segundo o investidor Warren Buffett, as duas agências vêm sondando o mercado em busca de ajuda, mas, para ele, o tamanho do suporte que precisam seria tão elevado que não deve vir do setor privado. Hoje, a Moody's cortou o rating de solidez financeira bancária de ambas de B- para D+.

Para a próxima semana, as mesmas variáveis que vêm permeando o cenário internacional continuam em cena, como commodities e crise norte-americana. Serão conhecidos indicadores relevantes nos Estados Unidos. Um diferencial pode ser o pacote que o governo do Japão está finalizando para ajudar a economia do país.

As maiores altas do Ibovespa hoje foram Duratex PN (+7,49%), TIM Par ON (+5,05%) e Vivo PN (+3,59%) e as maiores quedas, Gafisa ON (-4,60%), Natura ON (-4,48%) e Rossi Residencial ON (-3,90%).

Petrobras ON recuou 0,46% (mas subiu 7,64% na semana), PN, -0,28% (+8,02%), Vale ON, -1,63% (+5,02%), PNA, -1,80% (+6,72%). Gerdau PN, -0,93% (+6,1%), Metalúrgica Gerdau PN, -0,69% (+6,36%), Usiminas PNA, -1,50% (+6,02%), CSN ON, +0,89% (+6,81%). A recuperação dos papéis do setor financeiro norte-americano também beneficiou os papéis desse segmento no Brasil: Bradesco PN avançou 0,60%, Itaú PN, 0,90%, Unibanco units, 1,42%, e Banco do Brasil ON, 0,90%.

Eletrobras ON subiu 1,87% e PNB, 0,74%. O presidente da empresa, Luiz Antonio Muniz Lopes, informou que a empresa está próxima de alcançar um entendimento com o Tesouro Nacional para o pagamento de dividendos retidos pela companhia entre o final da década de 70 e início dos anos 80. Segundo Lopes, a expectativa é de que o acordo seja anunciado até o final do ano. A dívida dos dividendos retidos totaliza R$ 8,5 bilhões, sendo que a União tem direito a receber um valor superior a R$ 4 bilhões.


CÂMBIO
O dólar subiu ante o real, após três baixas consecutivas, acompanhando a correção das cotações no mercado de moedas. A sinalização do presidente do Fed, Ben Bernanke, de que não está inclinado a elevar o juro, prevendo menor pressão sobre os preços, deu força ao dólar e às bolsas internacionais, enquanto os preços do petróleo e matérias-primas recuaram. De olho nesse movimento, os investidores no mercado doméstico reverteram parte das vendas recentes à vista e a futuro, reconduzindo as cotações à alta. O fluxo cambial relativamente equilibrado ajudou na melhora do volume de negócios.

No fechamento, o pronto estava na máxima do dia, cotado a R$ 1,628, em alta de 1,12% na BM&F e no balcão. Ainda assim, a moeda americana apurou queda de 0,61% na semana. Mas, em agosto o dólar apura ganho de 4,23% ante o real, resultado que reduziu a desvalorização no ano para -8,28%.

Na abertura de sua apresentação no simpósio anual Jackson Hole do Fed de Kansas City, Bernanke disse que as autoridades do Fed apostam que a estabilidade dos preços das commodities, junto ao menor crescimento global e manutenção do controle sobre as expectativas de inflação irão eventualmente reduzir a pressão sobre os preços. "Nesse sentido, a queda recente dos preços das commodities, assim como a maior estabilidade do dólar, são sinais encorajadores", afirmou. "Se não forem revertidos, esses fatores, junto ao ritmo de crescimento, que deve ficar abaixo do potencial por algum tempo, levará à moderação da inflação ao final deste ano e no próximo ano", observou Bernanke. Contudo, ele classificou a perspectiva para os preços de "altamente incerta" e disse que as autoridades "irão agir se necessário" para garantir que os preços fiquem sob controle, de acordo com informações da Dow Jones.

Em Nova York, os contratos futuros de petróleo registraram a maior queda em dólar desde 17 de janeiro de 1991 - quando a commodity caiu US$ 10,56 por barril -, pressionados pelo fortalecimento do dólar nos mercados de Moedas e a informação de que a Rússia teria concluído a retirada de suas tropas da Geórgia. Com a queda de hoje, os futuros de petróleo quase apagaram os ganhos da semana. Na Nymex, os contratos de petróleo para outubro caíram US$ 6,59 (5,44%) e fecharam a US$ 114,59 por barril, encerrando a semana com uma valorização de apenas US$ 0,65 por barril sobre a cotação de sexta-feira passada. Incluindo as transações do sistema eletrônico Globex, a mínima foi de US$ 114,18 por barril e a máxima de US$ 121,86 por barril, informou a agência Dow Jones.

Os metais básicos também recuaram hoje, embora a maioria deles tenham encerrado a semana muito mais fortes do que no início da semana. ÀS 17h30, o euro perdia 0,59%, a US$ 1,4782; enquanto o dólar subia 1,05%, a 110,08 ienes.

No mercado de dólar futuro, houve reversão parcial das posições vendidas assumidas nas três sessões anteriores por players locais e estrangeiros. "Apesar da cautela com a saúde do setor financeiro e da economia norte-americana, o discurso de Bernanke num dia de agenda fraca de indicadores permitiu uma trégua no mau humor externo e a recuperação do dólar", disse um profissional.

Segundo a BM&F, os oito vencimentos de dólar futuro negociados projetaram valorizações, com um volume movimentado de cerca de US$ 14,53 bilhões (288.950 contratos). O dólar setembro08, que girou sozinho US$ 14,31 bilhões até às 16h15, apontou avanço de 1,04%, a R$ 1,630; enquanto o contrato de janeiro de 2009 ganhou 0,96%, a R$ 1,683.

Um operador observou que a correção da moeda no mercado à vista este mês reflete, além da correção externa, um aumento das posições compradas dos investidores em dólar futuro, porque apostaram no avanço das cotações. Como na semana que vem será a última do mês e no dia 29, sexta-feira, será formada a ptax (taxa média) de fechamento mensal, a expectativa é de que esses players irão atuar para fortalecer a ptax. Portanto, além de monitorar o fluxo cambial e o cenário externo, o mercado estará vulnerável na próxima semana aos interesses dos agentes financeiros posicionados no mercado futuro.

Além de servir para a liquidação do contrato de dólar setembro08 na BM&F, a ptax de venda do dia 29/8 será usada para os ajustes do vencimento de cerca de US$ 2 bilhões em contratos de swap cambial reverso, que estarão vencendo em 1º de setembro. Um operador disse que o BC poderá anunciar na terça-feira ou quarta-feira, após o fechamento do mercado, uma pesquisa de demanda para avaliar as condições para realização do leilão de rolagem desse vencimento. Quando o BC oferta swap cambial reverso quer dizer que assume posição comprada em câmbio e vendida em taxa de juros.

Nesta sexta-feira, o fluxo cambial tendeu ao positivo no mercado à vista e permitiu uma melhora do volume de negócios. "Houve pelo menos uma saída de cerca de US$ 150 milhões da Petrobras, que foi contrabalançada por uma entrada de US$ 200 milhões relativa a um pré-pagamento de exportação de uma empresa do setor de papel e celulose, além de outro ingresso de US$ 30 milhões de uma refinaria da Petrobras no sul do País", apurou um operador de um banco estrangeiro. Segundo ele, o mercado cambial está operando no giro de curtíssimo prazo e colado ao movimento externo do euro e das commodities. Por isso, afirma, a expectativa é de mais volatilidade na próxima semana. O giro financeiro total à vista cresceu 226%, para cerca de US$ 4,906 bilhões (US$ 4,479 bilhões em D+2).

No leilão, o BC manteve-se comedido e pode ter comprado cerca de US$ 25 milhões. A taxa de corte ficou em R$ 1,6255. De acordo com um operador, quatro bancos declararam quatro propostas, cujas taxas iam de R$ 1,6240 a R$ 1,6270. O BC aceitou três dessas propostas. Catorze instituições não informaram os valores apresentados no leilão.


JUROS
Não adiantaram números melhores de inflação, nem a queda acumulada pelo dólar ante o real nos últimos cinco dias. A semana terminou com as taxas dos contratos de DI valorizadas na BM&F. É quase unânime entre os agentes do mercado que há pouco prêmio para a curva futura assumir uma trajetória declinante e que apenas indicadores de atividade mostrando uma desaceleração considerável, capaz de sancionar uma expectativa para um ciclo menor de alta da Selic, podem ter essa influência sobre o movimento dos DIs. E, uma vez que o crédito tem sido apontado como propulsor da economia brasileira, os dados relacionados ao assunto que o Banco Central divulga na segunda-feira serão fundamentais, particularmente porque os últimos números conhecidos não deram alento no sentido de um abrandamento no aperto monetário.

Em junho, o BC informou que as operações de crédito do sistema financeiro cresceram 2,1%, em relação a maio, com o estoque dessas operações aumentando de R$ 1,044 trilhão para R$ 1,067 trilhão. Na mesma base de comparação, o volume de crédito para as empresas cresceu 3,3%, enquanto as operações para as famílias aumentaram 0,7%. Nos 13 primeiros dias úteis de julho, o volume de operações de crédito referencial cresceu 1,6%, com as operações voltadas às empresas registrando alta de 2,7% e os empréstimos para as famílias, aumento de 0,2%. Na visão do estrategista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, enquanto esses números não mostrarem um sinal significativo de desaceleração, a pressão sobre a inflação vinda da atividade não aliviará.

Ao longo da semana, dados de emprego corroboraram o cenário de economia aquecida. O aumento da taxa de desemprego em julho, para 8,1%, divulgada pelo IBGE não amenizou as preocupações, uma vez que nos dados referentes aos salários houve elevações em relação aos números do ano anterior. A massa de renda real, por exemplo, aumentou 8,2% em junho na comparação com junho do ano passado. Isso sugere que a mensagem da equipe de Henrique Meirelles não está sendo absorvida pelas empresas, o que deve levar o BC a manter o tom duro do discurso relativo às ações de política monetária - entenda, alta de juros para conter o ritmo da demanda e reduzir a pressão sobre os preços.

E é tal perspectiva que, combinada com movimentos técnicos do mercado de DI, mantém alguma pressão nas taxas. Mesmo com a bateria de índices de inflação melhores, que começou com o IGP-10 e a segunda parcial de agosto do IPC-S na segunda-feira, passou pela segunda prévia do IGP-M e segunda quadrissemana do IPC-Fipe na quinta-feira e culminou com o IPCA-15 hoje. De acordo com operadores, essa melhora na inflação já está no preço dos DIs. E muitos analistas ainda citam que esse alívio vem sendo determinado principalmente por alimentação - com outros componentes não tão confortáveis, entre eles o setor de serviços. Por isso, o que os players aguardam para assumir novas posições são informações sobre a atividade, em especial oferta e demanda.

Assim, a taxa do contrato de DI janeiro/10, que estava em 14,66% na última sexta-feira, encerrou hoje a 14,69% (alta também em relação ao fechamento de ontem, de 14,66%). O vencimento janeiro/09 terminou a 13,85%, contra 13,78% na sexta-feira da semana passada (13,83% ontem). Janeiro/12 registrou 14,03%, um pouco menor do que os 14,07% de há uma semana, mas acima dos 13,98% de ontem. No período, o dólar, que havia sido o vilão da semana anterior, passou por correção e encerrou com baixa acumulada de 0,61% - embora tenha valorizado-se 1,12% hoje. Isso, aliás, foi um dos componentes que deu suporte aos acréscimos na curva de juros na jornada desta sexta-feira. No balcão, fechou a R$ 1,6280 - alinhada ao fortalecimento externo do dólar.

Outro ponto de pressão hoje veio do mercado secundário de títulos públicos. De acordo com fonte ouvida pela editora-assistente Lucinda Pinto, no Cenário-1, um player estrangeiro zerou uma grande posição no contrato DI janeiro/2012, o que acabou influenciando a retomada da trajetória de alta nas taxas futuras. A operação em questão é a zeragem de uma posição casada de NTN-F (papel prefixado) com vencimento em 2012 e DI de prazo equivalente. Isso e a alta do dólar na sessão ofuscaram o impacto de baixa que o IPCA-15 sustentou momentaneamente na primeira etapa do dia. O DI janeiro/10 chegou a marcar 14,63% na mínima, o janeiro/12, 13,89%, e o janeiro/09, 13,81%.

O IBGE informou que a inflação medida pelo IPCA-15 ficou em 0,35% em agosto, ante 0,63% em julho. O resultado veio no piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (0,35% a 0,48%) e abaixo da mediana de 0,39%. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 4,69% e em 12 meses, de 6,23%. Mais uma vez a melhora foi determinada pela desaceleração em alimentação.

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