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segunda-feira, agosto 25, 2008

Petrobras estuda nova oferta de ações, diz Gabrielli

Por Reese Ewing

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente da Petrobras disse nesta sexta-feira que a companhia está estudando, embora ainda não esteja planejando, uma nova oferta de ações para levantar capital para o desenvolvimento de novos campos de petróleo descobertos.

José Sergio Gabrielli, que falou a jornalistas, não deu mais detalhes sobre a possível oferta.

Dizendo que uma oferta de título poderia também ser possível, Gabrielli apontou que o nível de endividamento em relação à receita é de cerca de 17 por cento, mas poderia subir para 25 ou 30 por cento.

"Estes números são baseados no petróleo a 35 dólares o barril. Da última vez que chequei, o petróleo estava a 115 dólares o barril, então isso nos dá mais alavancagem", disse.

A Petrobras investiu 1 bilhão de dólares na extração de 20 poços na camada do pré-sal, na costa brasileira, desde 2005, e encontrou grandes quantidades de petróleo leve de boa qualidade e gás natural.

O Banco de Investimentos UBS estimou que os campos de Tupi e Carioca precisam de cerca de 600 bilhões de dólares para seus desenvolvimentos.

A Petrobras tem necessitado, até o momento, de pouco financiamento, pois seu fluxo de caixa é de aproximadamente 104 bilhões de dólares anualmente, disse Gabrielli.

Em seu plano de investimento para 2008-2012, a companhia tem previstos 112,4 bilhões de dólares, mas deverá revisar o número para focar investimentos futuros mais fortes nos campos do pré-sal.

Antonio Carlos Pinto, gerente de concepção de projetos da Petrobras, disse mais cedo a jornalistas que os custos de extração do petróleo em águas profundas poderiam ficar realmente mais atraentes.

"Os custos de extração por barril para a produção piloto, segundo me disseram, estão extremamente econômicos", afirmou ele. "O principal custo para o pré-sal está na perfuração dos poços. Estamos investindo na redução do tempo e do custo de perfuração."

O primeiro poço da Petrobras no pré-sal, perfurado em 2005, custou 240 milhões de dólares e levou um ano para ser concluído.

Desde então, a companhia reduziu os custos de perfuração para 60 milhões de dólares por poço, e o tempo de conclusão para 60 dias, principalmente por meio de melhores tecnologias e da maior experiência.

A Petrobras anunciou em novembro uma reserva recuperável de 5 bilhões a 8 bilhões de barris de petróleo no campo de Tupi, na bacia de Santos, maior descoberta em águas profundas na história.

O anúncio e as estimativas sobre uma reserva de 50 bilhões a 70 bilhões de barris de petróleo no pré-sal geraram especulações sobre a possibilidade de o governo assumir um maior controle sobre a riqueza do petróleo.

Algumas autoridades do governo disseram que são favoráveis a uma mudança no modelo de divisão dos ganhos para um sistema similar ao utilizado pela Noruega na extração de petróleo no Mar do Norte.

COSTA DOS EUA

Em resposta a um pergunta que se referia ao debate sobre a abertura da exploração de áreas da costa dos EUA, Gabrielli disse que acha que os avanços tecnológicos reduziram o risco ambiental da prospecção.

"É um importante debate ambiental, mas você não precisa sacrificar os recursos naturais", disse. "Avanços tecnológicos nos permitem reduzir o impacto ambiental."

Ele deu o exemplo da produção e do armazenamento de embarcações atuantes no Golfo do México, onde a empresa tem a concessão da exploração de 320 blocos.

"Eles serão desligáveis dos poços. Se um furacão vier, podemos simplesmente desligar e reduzir os riscos de dano ambiental. O navio simplesmente sairia do caminho da tempestade".

O debate presidencial dos Estados Unidos tocou em um assunto sensível sobre a abertura da exploração na costa em resposta às altas nos preços do petróleo.


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Todo país que acho petróleo mudou a lei


Edison Lobão
"Todo país que achou petróleo mudou a lei"
POR DENIZE BACOCCINA

ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, diz que "o oceano de reservas" encontrado no pré-sal do mar brasileiro justifica a mudança da legislação sobre o petróleo. Mas garante que nenhum contrato já assinado será descumprido. "Não há razão para inquietude", afirmou. "Não se vai prejudicar ninguém que tenha obtido legalmente a sua concessão. É uma decisão já tomada pelo governo." Ele também não acredita que haverá fuga de investimentos, porque acha que o setor continuará lucrativo para as empresas. Lobão também garante ter conseguido um compromisso entre os dois consórcios vencedores das hidrelétricas do rio Madeira de que não haverá litígios judiciais. O ministro também confirma o início da construção de Angra 3 em 10 de setembro, e diz que várias termoelétricas nucleares serão construídas até 2050. A seguir, sua entrevista à DINHEIRO.

DINHEIRO – O que vai acontecer com as áreas já concedidas no pré-sal? A Petrobras ou as empresas estrangeiras podem perder as concessões?
EDISON LOBÃO – Não, o que foi concedido, assinado contrato, dentro da lei, da regra, do marco regulatório, esses contratos serão válidos.

DINHEIRO – A Petrobras tem muitos investidores privados. O governo não teme uma redução forte no valor da empresa com esta insegurança sobre o marco regulatório do pré-sal?
LOBÃO – As ações subiram demasiadamente. Só este ano subiram mais de 100%. Não há no mundo negócio que tenha esta lucratividade. Bom, houve uma queda, não muito grande.

DINHEIRO – É superior a 20%.
LOBÃO – Sim, mas em razão de quê? Da redução do preço do petróleo.

DINHEIRO – Não é por causa da discussão em torno do pré-sal? Não houve uma quebra de expectativa?
LOBÃO – Mas esta expectativa era falsa, porque essas reservas nunca foram da Petrobras. Essas reservas são da União, são do Estado brasileiro. A Petrobras já teve o monopólio. O monopólio, e não a propriedade. Hoje não tem nem a propriedade nem o monopólio. As reservas são da União. O que é da Petrobras é o que está concedido a ela, e com ela ficará.

DINHEIRO – Não há possibilidade de mudança nas áreas concedidas?
LOBÃO – As áreas já concedidas serão da Petrobras, das empresas estrangeiras, das empresas nacionais que ganharam no leilão e assinaram os contratos com a Agência Nacional do Petróleo.

DINHEIRO – Só para esclarecer: por exemplo Tupi, que já está com a Petrobras e duas empresas parceiras. Há algum risco delas?
LOBÃO – Nenhum.

DINHEIRO – Essa insegurança dos investidores, então, é à toa?
LOBÃO – Completamente à toa. O que não se leiloou não será leiloado por enquanto. Houve uma decisão do conselho nacional de política energética, recente, de suspender os leilões na área do pré-sal e na franja do pré-sal. Nós vamos manter os leilões em terra e em águas rasas, fora do pré-sal. É tudo o que se vai fazer. Não se vai prejudicar ninguém que tenha obtido legalmente a sua concessão com contratos assinados. É decisão tomada.

DINHEIRO – A exploração do pré-sal vai custar muito dinheiro. O governo não teme uma fuga de investidores?
LOBÃO – Que insegurança? Não há nenhuma insegurança. Fuga, só se as empresas renunciarem a ganhar dinheiro, coisa que não é admissível.

DINHEIRO – Existe no mundo um movimento de estatização. O sr. acha que o temor de uma estatização no setor pode afugentar o capital externo?
LOBÃO – O capital externo nunca renuncia ao seu ganho. Se ele vislumbrar que mudou a lei, mas ele continua ganhando, ele permanece. O que se está procurando fazer é ter uma participação maior do Estado nos lucros do petróleo. Já que se trata de reservas opulentas, reservas robustas, é razoável que o Estado, a União federal, queira ganhar mais. Até porque o trabalho das petroleiras será infinitamente menor. Os gastos serão menores, os riscos se reduzirão a zero.

Edison Lobão
"Todo país que achou petróleo mudou a lei"
POR DENIZE BACOCCINA

"As reservas não são da Petrobras, são da União e do povo brasileiro como um todo"
José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras

DINHEIRO – Muita gente contesta isso. É verdade que o risco de não encontrar petróleo é zero, mas o risco, segundo especialistas, está na dificuldade de extrair esse petróleo lá de baixo.
LOBÃO – Se for criada a empresa, de capital estatal, ela não vai explorar nada. Ela vai contratar a Petrobras, a Shell, a Exxon, etc., e pagar a elas o justo preço ou a justa participação pela presença dela explorando aquele petróleo. Nenhuma empresa será convocada a trabalhar de graça, ou para ter prejuízo. O que não podemos fazer é entregar este mar de petróleo.

DINHEIRO – Qual seria o modelo ideal? Uma agência arrecadando o lucro do petróleo ou uma agência sendo dona das reservas e contratando uma empresa para explorar e pagando pelos serviços? Qual seria o melhor cenário?
LOBÃO – Nós não decidimos ainda e não queremos adiantar as soluções, até porque não temos ainda. Estamos estudando todos esses aspectos: a criação da estatal para ser a dona, a possibilidade de aumentar a participação especial, o processo de partilha, da concessão como é hoje. Enfim, estamos estudando todas as possibilidades para levar ao presidente Lula.

DINHEIRO – É possível aumentar a participação do governo sem mexer no modelo atual?
LOBÃO – Sem mexer no modelo é impossível. O que podemos fazer é, por decreto, aumentar a participação especial e os royalties. Nós não estamos abandonando nenhuma possibilidade. Teremos a conclusão em 40 dias.

DINHEIRO – Qual é a diferença desta estatal para a ANP?
LOBÃO – A ANP é apenas reguladora, cumpridora da lei, e realiza os leilões. A outra seria proprietária das reservas e contrataria os serviços. Este é o modelo que está posto.

DINHEIRO – Seria uma agência de que tamanho, com quantos funcionários?
LOBÃO – Esta é uma discussão que serve para apequenar a própria discussão. Essa história de que vai ser um cabide de empregos. Ora, isso é coisa do passado. Não se faz mais hoje o empreguismo como política de governo. Não existe isso no Brasil. As pessoas são contratadas por concurso. Esta é uma história já velha.

DINHEIRO – O Brasil está seguindo esta tendência internacional de estatização das reservas de petróleo?
LOBÃO – O Brasil está seguindo esta tendência internacional não por desejar fazer uma estatal, mas porque todos esses países, quando encontraram reservas generosas como estas, alteraram sua legislação. O Brasil vai alterar a sua. A legislação brasileira foi feita para um tempo em que o petróleo praticamente não existia no Brasil. Hoje não, hoje você tem um oceano de petróleo, um lago de petróleo. Então, nós temos que ter uma lei adequada a esta situação nova que se descobriu.

DINHEIRO – A decisão de transformar o petróleo do pré-sal em produto acabado, refinado, é questionada por especialistas que dizem que o País perde flexibilidade na exportação.
LOBÃO – Esta é uma decisão da Petrobras e do governo. Por isso o presidente autorizou uma grande refinaria no Maranhão, que vai processar 600 mil barris. Agora vai autorizar também uma no Ceará, outra no Rio Grande do Norte. A exportação será sempre de produto acabado, de boa qualidade, para exportar para os Estados Unidos e Europa. Há uma carência de refinarias no mundo.

DINHEIRO – Como está o processo para a construção das hidrelétricas do MaMadeira? O sr. negociou uma trégua entre as empresas concorrentes?
LOBÃO – Negociei. Tivemos uma reunião quinta-feira e ficou acertado que as empresas se curvarão às decisões da Aneel e do Ibama. É claro que tanto a Aneel quanto o Ibama examinarão o projeto de Jirau com os rigores que a lei requer. O que for justo será feito e o que for feito será obedecido. Se a Aneel ou o Ibama disserem que o projeto não pode ser feito, o consórcio terá que voltar ao eixo antigo ou então perder as garantias que foram dadas.

DINHEIRO – É permitido mudar o projeto? O consórcio vencedor alega que a licitação é da energia, não da obra, mas ao mesmo tempo o edital fala na localização da usina. Qual é a sua opinião?
LOBÃO – Exatamente, o que foi licitado é a energia. Mas tem as regras que devem ser seguidas. Ela estabelece como parâmetro a localização, mas outro dispositivo do próprio edital deixa muito claro que pode ser modificado. O próprio consórcio ganhador de Santo Antonio também mudou a localização em 250 metros. A Aneel é que vai estudar esta parte técnica.

Edison Lobão
"Todo país que achou petróleo mudou a lei"
POR DENIZE BACOCCINA

DINHEIRO – A decisão sai quando?
LOBÃO –
Isso é com a Aneel. Nós não temos o controle sobre as ações da Aneel, é uma agência independente, mas eles têm consciência da necessidade de pressa e estou convencido de que a Aneel estudará com a pressa devida sem perder a qualidade da decisão.

"Acordo de Itaipu não muda, até porque o Paraguai não fez nenhuma proposta concreta"
Usina hidrelétrica de Itaipu, na fronteira com o Paraguai

DINHEIRO – Como se deu a trégua?
LOBÃO – Conversando. Acredito muito no diálogo. Conversamos muitas vezes. Conversei com um lado, com o outro, e depois conversamos conjuntamente. E nesta conversa conjunta foi possível chegarem a um acordo que convém ao País e a eles.

DINHEIRO – Pode haver algum atraso?
LOBÃO – Nós não trabalhamos com nenhuma possibilidade de atraso no Madeira. Ao contrário, estamos com a promessa do grupo que ganhou a licitação de Jirau de antecipar em mais de um ano a entrega das obras.

DINHEIRO – Isso se houver projeto novo. E se não houver?
LOBÃO – Se não houver, fica valendo a anterior, que é 2014. Eles prometem antecipar para 2011.

DINHEIRO – E Itaipu, como fica?
LOBÃO – Fica como está. O tratado não terá modificação. Até hoje o governo do Paraguai não fez nenhuma proposta oficial. Não temos protocolado nem no Ministério de Minas e Energia nem no Ministério das Relações Exteriores nenhuma proposta. No instante em que isso acontecer, se acontecer, nós estudaremos com o devido cuidado tais propostas. Agora, alterar o tratado que existe entre os dois países, não há esta possibilidade.

DINHEIRO – E o processo de licenciamento ambiental para a construção das usinas nucleares?
LOBÃO – Vamos reiniciar as obras de Angra 3 no dia 10 de setembro. E as exigências feitas pelo Meio Ambiente estão sendo atendidas paulatinamente. As que têm mais urgência antes e as que são a longo prazo estão sendo examinadas. Além de Angra 3, nós temos projeto para construção de quatro térmicas, duas no Nordeste e duas no Sudeste, iniciando o projeto já em 2009. Em seguida construiremos mais duas, e daí por diante vamos tentar fazer uma termoelétrica nuclear por ano até um total de 60 mil megawats até 2050.


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Petróleo e conceitos pré-históricos

Pré-históricos

Colunista: Miriam Leitão

O estatismo do governo Lula faz jorrar idéias diárias desde a descoberta do petróleo no muito fundo do mar. A ideologia é tão distante no tempo quanto é profundo o novo petróleo brasileiro. O governo já falou em criar uma nova estatal, acabar com as licitações, suspender o pagamento de royalties aos estados, endividar-se por conta, e outras idéias não refinadas da lavra do ministro de Minas e Energia.

O ministro Edison Lobão teve um momento de lucidez desde que foi escolhido para o cargo: foi quando admitiu seu desconhecimento na área, que tentava vencer, segundo disse, informando-se pelos jornais. Desde então, ele foi catapultado a especialista do complexo mundo do petróleo. Nunca a imprensa ministrou um curso tão eficiente e rápido. Doutorado instantâneo, ele virou porta-voz do grupo de cinco sábios que se reúne entre quatro paredes para decidir o que fazer com a riqueza do petróleo do Pré-Sal.

O petróleo começará a ser produzido em 2014, na melhor das hipóteses, se o governo não atrapalhar. E ele tem se esforçado para atrapalhar, com suas indecisões, ameaças de mudança de regras, sustos nos investidores e paralisias em rodadas de licitação. Uma das idéias, informou o blog de Josias de Souza, é o país lançar papéis no exterior para extrair já o dinheiro do petróleo e começar a gastar no atual mandato.

Em setembro, o presidente Lula vai comemorar a produção do petróleo do Pré-Sal. Será uma falsa comemoração. Ele vai visitar o campo de Jubarte, no Espírito Santo, onde foi feito o primeiro e incipiente teste, porque há petróleo do Pré-Sal exatamente abaixo do campo. Isso é diferente de produzir, de fato, em escala comercial. O campo de Tupi fará um teste no ano que vem. Nada contra os testes, mas tudo contra o uso político e a confusão técnica que o governo fará com eles. Tentará dar a impressão de que o Pré-Sal está na mão, e ele está a 7 quilômetros de profundidade, a 300 quilômetros da costa e a bilhões e bilhões de dólares de investimentos.

Para se chegar até ele, o país precisará de investidores internos e externos com apetite para investimento. Para isso, é necessário que as regras sejam claras e que um princípio simples seja respeitado: que o prioritário venha primeiro. Esta semana, o ministro Lobão falou em criar não apenas um, mas dois fundos, para depositar o futuro dinheiro; a Petrobras pediu um cheque de R$ 100 bilhões ao governo com o pretexto de ser menos pública e mais estatal; o governo pensa em se endividar para gastar o dinheiro, avisou que vai mudar o sistema de royalties para não dividir a quantia com os estados e municípios; o presidente disse ao conselho político que vai, sim, criar uma estatal. Tudo sobre como gastar; nada sobre como será a forma de produzir petróleo em local tão remoto e com tantas dificuldades técnicas, ou como continuar as pesquisas para que se respondam dúvidas elementares sobre a dimensão dos campos e sua viabilidade.

O prioritário agora seria tomar as decisões sobre os campos já encontrados, fazer a unitização dos que excedam a área já licitada, para que a Petrobras e seus sócios possam planejar os pesados investimentos à frente. Prioritário seria fazer as novas rodadas de licitação, mesmo que seja extraindo as áreas próximas ao Pré-Sal. O governo já suspendeu duas rodadas. Tudo está parado enquanto o governo fica contando o dinheiro virtual do mercado futuro de produção do Pré-Sal e tenta trazer a valor presente no campo da exploração política.

O DNA do estatismo está em cada uma das idéias defendidas pelos sábios do petróleo. Para que e por que criar uma nova estatal? O governo não consegue responder a essa pergunta a não ser com a divulgação de um preconceito: o de que a Petrobras, por ter capital aberto e acionistas "americanos", seria uma empresa quase estrangeira, à qual o país não pode "entregar" a riqueza. Ora, a Petrobras tem controle estatal, e o capital pulverizado não é ameaça. É o que a moderniza. Ela tem acionistas pequenos e grandes, brasileiros e estrangeiros, pessoa física e institucionais. Isso não a desnacionaliza, faz dela uma empresa pública, em vez de apenas estatal; apesar de, em Brasília, não se saber a diferença entre uma coisa e outra. A empresa pública presta conta aos acionistas e não pode ser manipulada pelo acionista controlador sem respeito aos minoritários.

O governo repete que vai reproduzir aqui o modelo norueguês sem saber das abissais diferenças entre a história da produção do petróleo daqui e de lá. O repórter Sérgio Leo, do "Valor", foi a Oslo e deu uma informação definitiva: aplicar hoje e no Brasil o modelo norueguês seria dar ao ministro Edson Lobão o poder da palavra final na escolha de que empresa exploraria que campo de petróleo. Os ministros de Minas e Energia do Brasil têm sido escolhidos pelo pré-sálico método do apadrinhamento e loteamento políticos. Com a exceção da ex-ministra Dilma Rousseff, os ministros recentes são da "cota" do PMDB.

Numa entrevista que me concederam na Globonews, tanto Almir Barbassa, da Petrobras, quanto João Carlos de Luca, do IBP, disseram que é fundamental preservar o instrumento dos leilões de licitação, mais transparentes. É o sensato a fazer, e até a Noruega dá o mesmo conselho.

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Spread em PETRO

Discrepância no spread entre ações da Petrobras sugere compra de preferenciais

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
21/08/08 - 18h36
InfoMoney

SÃO PAULO - As ações da Petrobras, líderes absolutas em volume negociado no Índice Bovespa, vem de um período de bruscas oscilações. Com os olhares na forte volatilidade do preço do petróleo, os ativos da estatal acumulam três valorizações consecutivas. Diante do movimento das últimas sessões, os analistas do Santander encontraram uma discrepância na relação entre as ações ordinárias e preferenciais que pode alimentar ganhos.

A atual relação entre os preços destes ativos sugere que o momento pode ser melhor para se investir nas preferenciais. Em análise de spread, os analistas do Santander encontraram uma lacuna entre a margem de preços das ações ordinárias e preferenciais, fator que sustenta a recomendação de vender as primeiras (PETR3) e comprar as últimas (PETR4).

Caso a aposta da instituição se concretize, e o spread volte a seu nível de normalidade, o investidor que aderir a esta sugestão pode receber bons frutos. Considerando as cotações do pregão da última quarta-feira (20), o spread entre as ações é de 0,810 pontos e o spread-alvo para o dia 26 de agosto, de 0,838 pontos. A normalização desta diferença gera potencial de ganhos de 3,38%.

Spread
Cabe ressaltar que a ferramenta de spread não considera os fundamentos e demais variáveis relacionadas à companhia em questão, apenas a tendência de valorização ou desvalorização destes papéis de acordo com a relação entre a cotação destes ativos ao longo do tempo.

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Retomada da Vale pode chegar quando o mercado começar a olhar para frente

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
21/08/08 - 18h28
InfoMoney

SÃO PAULO - Parece que o mercado espera ansioso para dar início à recuperação dos papéis da Vale (VALE5, VALE3). A solidez dos fundamentos é consenso entre os analistas, o que não condiz com tamanho período negativo enfrentado pelas ações. O comportamento dos papéis nas últimas sessões pode ser evidência desta afirmação.

Algumas questões ainda geram incerteza e pesam sobre o rendimento das ações, como perspectivas de desaceleração global e recuo dos metais básicos. Chama atenção comentário da Merrill Lynch desta quinta-feira (21): é difícil afirmar se os papéis da mineradora já atingiram o fundo do poço, mas os atuais patamares de preço e o potencial de valorização sobrepujam os riscos.

Enfático, o banco de investimentos considera os ativos da Vale como o melhor caminho para se beneficiar do bom momento do mercado de minério de ferro. E é daí mesmo que o otimismo é alimentado.

Ação não reflete próximo reajuste
Tomando por base o modelo de projeções da instituição, no atual patamar de preços a ação da Vale reflete um recuo de 10% no preço do minério de ferro em 2009, margem que parece muito longe da realidade.

Para se ter uma idéia, a previsão da Merrill Lynch é de valorização de 20% da matéria-prima no próximo ano, uma das mais conservadoras até o momento. A equipe de análise do Citigroup, por exemplo, aposta em alta de 30% do minério na próxima rodada de negociação com as siderúrgicas. A conclusão é que o atual valor da ação está muito distante de incorporar tais perspectivas.

O níquel também não parece problema. Depois de longo período de ajuste, o metal vem de duas sessões consecutivas de forte valorização. Notícias de redução na produção por parte de grandes participantes deste mercado, como a Xstrata, podem sugerir que esta recente inversão de tendência pode prevalecer.

Mercado deve olhar para frente
O ajuste ao preço da oferta de ações foi doloroso às ações da mineradora. Mas passado o evento, o que fica é a utilização do valor captado para crescimento orgânico e via aquisições de médio e grande porte. Mais um ponto que pode ajudar as ações no curto prazo.

A questão é, nas palavras da Merrill Lynch, que o mercado precisa esquecer a oferta de ações e "começar a olhar para frente". O potencial das ações parece mesmo consenso, mas as projeções dos analistas nem de longe estão precificadas sobre o atual preço do ativo. Entre tamanho otimismo, é redundante mencionar que a instituição vê a Vale como sua top pick do setor para a América Latina.

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TENSÃO EXTERNA IMPULSIONA PETRÓLEO E BOVESPA TEM 3ª ALTA

TENSÃO EXTERNA IMPULSIONA PETRÓLEO E BOVESPA TEM 3ª ALTA

O aumento da tensão geopolítica após a Rússia responder furiosamente ao acordo para a instalação de um escudo antimíssil fechado entre os Estados Unidos e a Polônia fez o petróleo disparar, encerrando o dia acima de US$ 121 o barril. Na Bovespa, o impacto foi positivo, em razão do efeito da alta da commodity sobre as ações da Petrobras, e o Ibovespa registrou a terceira elevação seguida, período no qual acumulou ganho de 4,89%. Mas, em Nova York, a reversão das perdas só aconteceu no final do dia, com a recuperação de papéis do setor financeiro. A piora do humor no cenário internacional recolocou o dólar na trajetória de desvalorização frente a moedas como euro e iene, e o mercado local de câmbio acompanhou. O dólar à vista recuou pela terceira sessão, acumulando perda de 1,77% desde terça-feira. No segmento de juros futuros, o avanço do petróleo e de outras commodities amparou o ajuste para cima na curva de DI. Após o leilão de títulos do Tesouro Nacional, contudo, as taxas devolveram boa parte do avanço, com os investidores preparando-se para o IPCA-15 amanhã.

BOLSA
Petróleo, metais e, no fim, Wall Street garantiram mais um pregão de ganhos para a Bovespa. As blue chips e siderúrgicas guiaram as compras, com Petrobras à frente, motivadas pela disparada do petróleo e dos metais no mercado externo. Com a melhora das bolsas norte-americanas no finalzinho do dia, as ações de bancos no Brasil também passaram a subir, mas poucas se mantiveram no positivo, ajudando a engrossar a alta da Bolsa.

No terceiro pregão sucessivo de ganhos, o Ibovespa terminou com variação de + 1,01%, aos 55.934,7, depois de oscilar entre a mínima de 55.380 pontos (estabilidade) e a máxima de 56.144 pontos (+1,39%). No mês, as perdas foram diminuídas para -6% e, no ano, para -12,45%. Apenas nestas três sessões de alta, os ganhos somaram 4,89%.

A alta da Bolsa doméstica foi impulsionada pela arrancada do petróleo, motivada por tensões geopolíticas e também pelo enfraquecimento do dólar. Na Nymex, o contrato para outubro terminou em US$ 121,18, depois de avançar 4,86% com o agravamento das tensões entre Rússia e Estados Unidos.

Os russos não gostaram do acordo fechado pelos Estados Unidos para instalar, na Polônia, um componente do sistema de defesa de mísseis norte-americanos em seu território. Com a notícia, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse que a Rússia suspendeu a cooperação militar com a aliança até segunda ordem. Vale lembrar que a instabilidade na região já vinha se arrastando com a invasão, pelos russos, da Ossétia do Sul, na Geórgia, que é aliada dos Estados Unidos. A Rússia é o maior produtor de petróleo do mundo a tensão pode prejudicar o fornecimento mundial.

Não bastasse a crise local, o enfraquecimento do dólar diante da continuidade de problemas no segmento financeiro norte-americano também foi estímulo para os investidores fugirem para as commodities. Com isso, também se beneficiaram as commodities metálicas e agrícolas.

É claro que o efeito desse movimento foi imediato sobre as ações brasileiras, em especial Petrobras, Vale e siderúrgicas, que lideraram os ganhos. Mas foi prejudicial às bolsas norte-americanas que, entretanto, conseguiram ter um respiro perto do final, diante da oportunidade de compra que se abriu com o tombo de vários papéis.

O Dow Jones acabou subindo 0,11%, aos 11.430,2 pontos, o S&P teve elevação de 0,25%, para 1.277,72 pontos, enquanto o Nasdaq caiu 0,36%, para 2.380,38 pontos. Depois de terem derretido nas últimas sessões, as ações do segmento financeiro acabaram devolvendo parte das perdas iniciais. As ações do banco de investimento Lehman Brothers, por exemplo, chegaram a subir, depois que o analista Richard Bove, do Ladenburg Thalmann, disse que os investidores derrubaram tanto as ações do banco que o tornou atraente para uma oferta hostil. Bove elevou sua recomendação para as ações do Lehman de "neutra" para "comprar", aconselhando os investidores a comprarem as ações do banco à luz das crescentes perspectivas de uma aquisição (ver nota às 16h08).

Mais cedo, o segmento financeiro imputou vendas firmes às bolsas norte-americanas, depois que os analistas do Citigroup reduziram suas estimativas do terceiro trimestre para Lehman Brothers, Goldman Sachs e Morgan Stanley e previram que as três instituições juntas terão baixas contábeis combinadas de US$ 6,4 bilhões no período. Os indicadores divulgados nos Estados Unidos também foram desalentadores - queda de 13 mil no número de pedidos de auxílio-desemprego na última semana; recuo de 0,7% no índice de indicadores antecedentes; e índice de atividade regional do Fed de Filadélfia de -12,7 em agosto - e ajudaram a impedir compras até a guinada da última hora de pregão.

Para amanhã, a recuperação de hoje pode se sustentar em razão da agenda vazia - está prevista apenas um discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke. E pelo andar da carruagem, ou seja, com a volta dos temores mais fortes com o segmento financeiro, ele pode novamente tentar estimular o mercado.

Hoje, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, o diretor do Economic Cycle Research Institute (Ecri) em Nova York, Lacksman Achuthan, avaliou que os Estados Unidos já estão em recessão e a recuperação não está a caminho. Para ele, "o Fed e o governo demoraram muito para admitir o risco de recessão, o Fed foi lento no processo de corte de juros e agora é tarde. O trem já saiu da estação". Talvez justamente por esta razão, Bernanke agora tente correr atrás do prejuízo e tente dar um impulso via discurso para o mercado.

O mercado doméstico, no entanto, vai continuar de olho nas commodities. Mas isso não significa que não possa haver uma correção se esses preços continuarem em alta. Como a trajetória de alta não foi oficialmente retomada, os investidores podem preferir não passar o final de semana comprados. "O ponto de resistência estava em 55,7 mil 55,8 mil. Hoje fechamos acima disso, mas o volume foi fraco. Para isso realmente ser rompido, é preciso dinheiro, a volta dos investidores", comentou um profissional. Hoje, por exemplo, o volume na Bovespa somou apenas R$ 4,635 bilhões.

As maiores altas do pregão hoje foram Usiminas ON (+3,98%), Natura ON (+3,88%) e Tim Par ON (+3,74%), e as maiores quedas, Gol PN (-3,36%), TAM PN (-3,34%) e Tim Par PN (-3,01%).

Petrobras terminou com +3,12% as ON e +3,45% as PN. A corretora japonesa Nomura elevou hoje sua recomendação para as ações da Petrobras de neutra para comprar, afirmando que os preços altos dos produtos no mercado doméstico, a nova capacidade de produção e a exploração das reservas pré-sal no Brasil deverão sustentar o preço das ações. O noticiário sobre as mudanças no marco regulatório e a criação de uma estatal para cuidar das reservas do pré-sal continua sem confirmações e a estatal tem passado, nos últimos pregões, ao largo dos rumores.

Analistas ouvidos pela Agência Estado avaliam que, apesar de certa insegurança, que segurou os preços das ações num primeiro momento, a estatal foi "ajudada" pela alta em geral no valor das commodities e ensaia sua recuperação ainda em época de "incertezas". "Na prática, o valor das ações da Petrobras também foi atingido por outros fatores, como a queda e agora a recuperação do preço do petróleo. Mas há que ser lembrado o fato de o mercado já estar absorvendo a informação de que a Petrobras não será prejudicada no caso de mudança do marco regulatório, mesmo com a criação de uma estatal", comentou Nelson Rodrigues de Matos, do Banco do Brasil (ver nota às 16h56).

Vale ON subiu 1,94%, PNA, +2,37%, Usiminas PNA, +3,40%, CSN ON (+3,45%), Gerdau PN, +2,63%, Metalúrgica Gerdau PN, +2,55%. O vice-presidente de finanças e diretor de relações com investidores da Gerdau, Osvaldo Schirmer, informou hoje que a empresa está analisando com interesse a entrada no mercado chinês para produção e vendas. De acordo com ele, o grupo tem estudado o mercado chinês há cerca de dois anos, mas ainda não encontrou uma oportunidade adequada para o início de operações naquele país. "Na verdade, já gostaríamos de estar lá, mas não tivemos uma boa oportunidade", afirmou.

Eletrobras ON fechou em +2,98%, com a notícia de que a companhia vai realizar um aumento de capital para pagar os dividendos retidos pela companhia no final da década de 1970 e início dos anos 1980. A dívida dos dividendos retidos totaliza R$ 8,5 bilhões, sendo que a União tem direito a receber um valor superior a R$ 4 bilhões.

CÂMBIO
O dólar voltou a cair no mercado de moedas e terminou com a terceira queda seguida ante o real, pressionado por novos indicadores ruins dos Estados Unidos e a migração dos investidores para o petróleo e outras commodities. Com a tensão entre os EUA e a Rússia e a persistente preocupação com a saúde do setor financeiro norte-americano, os agentes internacionais reduziram posições em dólar, direcionando os negócios domésticos. Por isso, segundo um operador, o aumento do déficit em conta corrente do balanço de pagamentos do Brasil para US$ 2,111 bilhões em julho foi recebido sem pressão sobre as taxas de câmbio. Em sessão de negócios reduzidos, o dólar terminou cotado a R$ 1,6100 na BM&F (-0,53%) e no balcão (-0,56%). Em três dias, o pronto apurou baixa de 1,77% no balcão. O giro financeiro total à vista encolheu 45%, para cerca de US$ 1,505 bilhão (US$ 1,498 bilhão em D+2).

No mercado externo, o petróleo para outubro em Nova York disparou até US$ 122,04 na máxima intraday, e encerrou com valorização de 4,86%, a US$ 121,18, impulsionado pelo dólar em baixa e pelas crescentes tensões entre a Rússia e os EUA relacionadas à invasão da Geórgia pelos russos e um acordo entre a Polônia e os EUA para a instalação de um componente do sistema de defesa de mísseis norte-americano na Polônia. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse que a Rússia suspendeu a cooperação militar com a aliança até segunda ordem. Como a Rússia é o maior produtor de petróleo do mundo, há temor sobre a manutenção do fornecimento para diversos países.

Segundo o Financial Times, crescem as especulações de que o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, furioso com a resposta dos EUA e da Europa na guerra na Geórgia, ordenou redução das exportações de petróleo. Às 17h44, o euro subia 0,84%, a US$ 1,49. O dólar caía 1,01%, a 108,48 ienes, em meio a um movimento de aversão ao risco.

Nos EUA, o índice de atividade regional do Fed de Filadélfia melhorou em agosto para -12,7, ante -16,3 em julho, mas seguiu no terreno da contração. O componente de preços pagos, por sua vez, caiu de 75,6 para 57,5, trazendo incerteza para a perspectiva de inflação e dos juros nos EUA. Em outro relatório, o Conference Board informou que o índice de indicadores antecedentes caiu 0,7% em julho, quando economistas esperavam queda de 0,3%. Já no relatório de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, os pedidos caíram 13 mil na semana de 16 agosto, para 432 mil, ante expectativa de queda de 15 mil. A média quadrissemanal de pedidos subiu para 445.750, o maior nível desde dezembro de 2001 e acima da marca de 400 mil tipicamente associada com recessão.

No mercado doméstico, a conta corrente do balanço de pagamentos registrou em julho déficit de US$ 2,111 bilhões, informou o Banco Central. Em julho de 2007, a conta corrente teve déficit de US$ 719 milhões e em junho de 2008, o resultado foi negativo em US$ 2,596 bilhões. O valor ficou dentro das previsões dos analistas consultados pelo AE Projeções, que variavam de um déficit de US$ 2,5 bilhões a US$ 1,4 bilhões, e também em linha com a mediana, que era de déficit de US$ 2 bilhões.

No mercado de dólar futuro da BM&F, os seis vencimentos negociados projetaram novas baixas para a moeda, mas com um volume menor de negócios. O dólar setembro indicou recuo 0,56%, a R$ 1,614, com um giro de cerca de US$ 10,05 bilhões. No total, o volume transacionado diminuiu para cerca de US$ 10,578 bilhões.

No leilão de compra de hoje, o Banco Central adquiriu em mercado cerca de US$ 47 milhões. A taxa de corte ficou em R$ 1,612. Segundo um operador, cinco propostas foram apresentadas, de cinco bancos, e foram aceitas apenas duas. As ofertas declaradas variaram de R$ 1,612 na mínima a R$ 1,613 na máxima.

JUROS
A quinta-feira foi de alta nas taxas de juros negociadas na BM&F. A disparada nos preços do petróleo e outras commodities no exterior serviu como argumento para uma realização de lucros no mercado de DI. Após leilão de títulos públicos, contudo, as taxas dos DIs devolveram parte do avanço, uma vez que o Tesouro Nacional não colocou a oferta integral de papéis prefixados (LTN e NTN-F). Vale destacar ainda que a sexta-feira tem na pauta o IPCA-15 de agosto, que deve corroborar a melhora no quadro de inflação.

O DI janeiro/10 (com 219.395 contratos negociados) terminou em 14,66%, de 14,62% ontem e 14,70% na máxima. Janeiro/12 (com 66.915 ativos) encerrou a 13,98%, estável, após bater 14,09% na máxima. Janeiro/09 (72.820 contratos) passou de 13,81% para 13,83%.

Na avaliação de Eduardo Canto, sócio-gestor da Ático Asset Management, o comportamento dos DIs hoje refletiu uma combinação de realização com apreciação de commodities no exterior. Para o profissional, considerando o movimento recente das taxas, foi uma correção de alta "normal". "O mercado comeu bastante do prêmio nos últimos dias e, agora, precisa de dados novos pra sancionar um ciclo menor de alta de juros. Caso contrário, está bem justo e não tem porque a curva fechar", avalia.

O economista-chefe da CM Capital Markets, Tony Volpon, concorda com a percepção e, comparando a taxa pré 360 dias contra a expectativa para a taxa Selic daqui um ano coletada pela pesquisa Focus do Banco Central, observa que o nível atual deste prêmio na curva de juros está ao redor de 27 pontos-base, próximo do menor patamar visto entre 2004-2008, de 25 pb. Ele explica que, embora um prêmio pequeno não seja por si só indicação de que as taxas devem aumentar, isso indica que a recompensa pelo risco não favorece a aposta. "A menos que se espere uma queda nas expectativas para a Selic."

Hoje o petróleo corroborou ainda mais o cenário desfavorável para apostas de queda nas taxas futuras. Na Nymex, o contrato da commodity para outubro encerrou em alta de 4,86%, a US$ 121,18. A commodity foi impulsionada pelo dólar em baixa e pelas crescentes tensões entre a Rússia e os Estados Unidos, que trazem o receio de uma "nova Guerra Fria". Mas além do petróleo, metais também subiram hoje, colaborando com o cenário de alta nas taxas futuras. No mercado de moedas, o euro valorizava-se a US$ 1,49, às 17h45.

De volta ao ambiente doméstico, o leilão do Tesouro também mexeu com os ânimos, embora o lote de prefixados ofertado e o resultado não tenham dado suporte à busca por hedge nos DIs - e inclusive levaram a desmonte de posições no final dia. Apesar do desequilíbrio entre a participação atual dos prefixados na composição da dívida e a meta estipulada no Plano Anual de Financiamento (PAF), o Tesouro elevou apenas o volume de oferta na operação com um vencimento de LTN, mas manteve o montante do leilão da semana passada no caso do segundo vencimento e reduziu a oferta de NTN-F.

Isso, por si só, já acalmou os ânimos dos players que não descartavam um aumento na oferta. O resultado esfriou ainda mais o clima: a instituição vendeu apenas 100 mil LTN para 1/4/2009, com taxas máxima e média de 14,3340% (PU 921.400000), e não aceitou propostas para os títulos a vencer em 1/7/2010. A oferta inicial era de 500 mil papéis para 1/4/2009 e 1,5 milhão para 1/7/2010. O volume financeiro somou cerca de R$ 92 milhões. O Tesouro também não acatou propostas para os dois vencimentos de NTN-F oferecidos: 1/1/2012 (300 mil papéis) e 1/1/2014 (150 mil títulos).

Na avaliação de Fernando Mendes, agente autônomo e operador de juros na corretora Magliano, a expectativa de que o Tesouro talvez precise elevar a oferta de pré para se ajustar ao PAF permanece, mas o resultado do leilão pode ter sido um recado do Tesouro de que isso não será a qualquer preço.

Na operação de hoje, o Tesouro ainda colocou todo o lote ofertado de LFT, de 1 milhão de papéis. Vendeu 447.200 títulos para 7/9/2012, com ágio de 0,0373% e cotação 100,151000, e 552.800 papéis para 7/9/2014, com ágio de 0,0277% e cotação 100,167300. O giro financeiro foi de aproximadamente R$ 3,564 bilhões. liquidação será nesta sexta-feira.

Apesar da atenção do mercado com o comportamento da demanda interna, os dados da pesquisa mensal de emprego do IBGE fizeram pouco preço nos negócios. A taxa de desemprego apurada nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 8,1% em julho, ante 7,8% em junho - acima do teto das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (7,60% a 7,90%). A mediana era de 7,80%. A renda média real dos trabalhadores ficou em R$ 1.224,40, com variação de 0,1% em julho ante junho e de 3,0% na comparação com julho do ano passado.

Amanhã, as atenções dos players do mercado de DI estarão voltadas para o IPCA-15 de agosto. As expectativas de analistas consultados pelo AE Projeções variam de 0,35% a 0,48%, com mediana de 0,39%. Se isso for confirmado, mostrará mais uma desaceleração da inflação na comparação com o IPCA-15 (0,63%) e com o IPCA fechado (0,53%), ambos em julho.

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Visanet dá primeiro passo para abrir capital

Fonte: Intra Corretora

A Visanet, empresa que faz o credenciamento de estabelecimentos comerciais para a bandeira Visa, dará na próxima segunda-feira, dia 25, o primeiro passo para a listagem de ações na Bovespa. Nesse dia, os acionistas da empresa se reunirão em assembléia para autorizar a apresentação de pedido de registro de companhia aberta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A operação da empresa é aguardada pelo mercado desde que a concorrente Redecard lançou ações, há um ano.
Segundo o diretor executivo de finanças e administração da Visanet Brasil, Vitor Fabiano, a convocação foi efetuada para que sejam criadas condições prévias e para que a empresa esteja pronta para a oferta inicial de ações, caso venha a ser definida pelos acionistas.
Uma vez que o pedido da Visanet ingresse na CVM, a operação deve permanecer em análise por pelo menos um mês. O mercado não sabe estimar se a oferta será realizada neste ano, pois dependerá da janela de oportunidade.

Apesar da instabilidade dos mercados, é possível dizer que a distribuição tem sinalização muito positiva. Em março passado, período nebuloso para o mercado de capitais, diante da crise de crédito internacional, a Visa fez a maior operação inicial de venda de ações nos Estados Unidos, com volume recorde de US$ 17,86 bilhões.
Os analistas da Itaú Corretora comentaram que a operação de Visanet pode ser um fator a impulsionar as ações do Bradesco e do Banco do Brasil, que possuem fatias de 40% e 32%, respectivamente, na empresa. Os papéis devem se beneficiar tanto do valor que o mercado atribuir à Visanet, quanto da venda de ações em uma eventual oferta secundária, em que os recursos vão para os acionistas.
O Itaú assumiu múltiplos para a Visanet semelhantes aos de Redecard, com preço/lucro (P/L) estimado para 2008 de 21,5 vezes e crescimento de receita de 21%. A corretora calculou valor de mercado de R$ 23 bilhões - o da Redecard é de R$ 20 bilhões. Na assembléia, os acionistas também aprovarão a conversão das ações ON, hoje divididas em A e B, em uma classe única de ordinárias.


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FORÇA DO DÓLAR COM FED DERRUBA PETRÓLEO E BOVESPA CAI

FORÇA DO DÓLAR COM FED DERRUBA PETRÓLEO E BOVESPA CAI

A sinalização do presidente do Fed, Ben Bernanke, de que não está inclinado a elevar o juro, porque prevê menor pressão sobre os preços, deu força ao dólar no mercado de moedas, o que levou a fortes perdas das commodities. Em Nova York, os contratos futuros de petróleo tiveram a maior queda em dólares, de US$ 6,59, desde 17 de janeiro de 1991. O impacto dessas notícias foi positivo para as ações em Wall Street e as bolsas subiram mais de 1%. Na Bovespa, ao contrário, o declínio das matérias-primas provocou um movimento de realização parcial dos ganhos de 4,89% nos três pregões anteriores e o índice paulista terminou em baixa. Na semana, porém, a bolsa avançou 2,96%. O dólar à vista ganhou impulso da alta externa da moeda e também interrompeu a série de três baixas, ao terminar na cotação máxima, acima de R$ 1,62. No mercado de juros, o alívio com o IPCA-15 no piso das expectativas durou pouco e as taxas assumiram rumo ascendente, reagindo a movimentos técnicos relacionados ao mercado secundário de títulos públicos e à valorização do dólar.


BOLSA
A melhora do clima no exterior permitiu uma recuperação no preço do dólar e, por tabela, queda nas commodities, impactando diretamente a Bolsa paulista. Depois de três pregões em elevação, o principal índice da bolsa doméstica recuou, com as mesmas Petrobras, Vale e siderúrgicas conduzindo os negócios. Mas a queda de hoje perdeu fôlego no final da jornada e foi insuficiente para zerar a alta da semana.

Na sessão de hoje, o Ibovespa caiu 0,15%, aos 55.850,1 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 55.202 pontos (-1,31%) e a máxima de 56.430 pontos (+0,89%). Na semana, teve ganho de 2,96%, mas, no mês, ainda acumula perda de 6,14%. No ano, a baixa é de 12,58%.

A retração da Bolsa paulista após três altas decorreu principalmente do tombo das commodities, embora a falta de argumentos que justificassem as compras também tenha sido citada nas mesas de operação. A agenda de hoje foi fraca e, embora as condições macroeconômicas não tenham se alterado, o dinheiro estrangeiro ainda não voltou. Isso significa que está sendo mais lento o processo de recuperação da Bovespa.

"A Bolsa precisa romper os 56.400 pontos para engatar numa trajetória de alta. Mas só saberemos se ela será firme se houver dinheiro no mercado e isso não está acontecendo", comentou o gestor da corretora Umuarama Rafael Moysés. Ele tem toda a razão. O volume financeiro negociado hoje totalizou apenas R$ 3,376 bilhões - o menor nível do mês, cuja média diária já é baixa, de R$ 5,265 bilhões. E essa média só está neste nível por conta do pregão de 13 de agosto, dia do vencimento de opções sobre Ibovespa, quando houve R$ 13,026 bilhões de giro.

A título de comparação, a média diária em maio, mês imediatamente após o investment grade (30/4), somou R$ 7,035 bilhões, volume que vem caindo desde então com o ramerrame da crise norte-americana e a fuga de estrangeiros dos mercados emergentes (em junho, foi de R$ 6,311 bilhões, em julho, R$ 5,644 bilhões). "É preciso que o dinheiro volte para que a recuperação seja firme", comentou um operador.

Os parcos recursos que movimentaram a Bolsa hoje foram principalmente para as ações da Petrobras PN, Vale PNA, CSN ON e Vale ON, os quatro maiores giros individuais do pregão, nesta ordem. E isso ocorreu por causa da recuperação do dólar em meio a um clima de trégua no exterior.

O que motivou a tranqüilidade foram: primeiro, a notícia de que o Banco de Desenvolvimento da Coréia do Sul estuda a possibilidade de fazer uma oferta pelo Lehman Brothers, dando alento aos papéis dois dias depois de a instituição não ter conseguido fechar acordo para vender até 50% de suas ações para investidores asiáticos; segundo, o discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, no qual ele afirmou que a taxa básica de juros da economia norte-americana não deve subir.

Embora tenha afirmando que as taxas dos Fed Funds estão "relativamente baixas", apesar da inflação, ele sinalizou que não estuda taxas mais altas porque espera que as pressões inflacionárias irão ceder em meio aos baixos preços das commodities. Ele disse também que a estabilidade recente do dólar é animadora.

Os investidores se empolgaram e voltaram a comprar dólar, e as commodities caíram. Na Nymex, o contrato para setembro terminou em US$ 114,59, em baixa de US$ 6,59 (-5,44%), na maior queda dos preços em termos de dólar desde janeiro de 1991. O Dow Jones fechou em alta de 1,73%, aos 11.628,1 pontos, o S&P avançou 1,13%, aos 1.292,19 pontos, e o Nasdaq subiu 1,44%, para 2.414,71 pontos. As bolsas européias também fecharam em alta.

Apesar de a notícia do Lehman favorecer o segmento financeiro, Fannie Mae e Freddie Mac continuaram como destaques de baixa, diante da possibilidade de que venham a sofrer intervenção federal. Segundo o investidor Warren Buffett, as duas agências vêm sondando o mercado em busca de ajuda, mas, para ele, o tamanho do suporte que precisam seria tão elevado que não deve vir do setor privado. Hoje, a Moody's cortou o rating de solidez financeira bancária de ambas de B- para D+.

Para a próxima semana, as mesmas variáveis que vêm permeando o cenário internacional continuam em cena, como commodities e crise norte-americana. Serão conhecidos indicadores relevantes nos Estados Unidos. Um diferencial pode ser o pacote que o governo do Japão está finalizando para ajudar a economia do país.

As maiores altas do Ibovespa hoje foram Duratex PN (+7,49%), TIM Par ON (+5,05%) e Vivo PN (+3,59%) e as maiores quedas, Gafisa ON (-4,60%), Natura ON (-4,48%) e Rossi Residencial ON (-3,90%).

Petrobras ON recuou 0,46% (mas subiu 7,64% na semana), PN, -0,28% (+8,02%), Vale ON, -1,63% (+5,02%), PNA, -1,80% (+6,72%). Gerdau PN, -0,93% (+6,1%), Metalúrgica Gerdau PN, -0,69% (+6,36%), Usiminas PNA, -1,50% (+6,02%), CSN ON, +0,89% (+6,81%). A recuperação dos papéis do setor financeiro norte-americano também beneficiou os papéis desse segmento no Brasil: Bradesco PN avançou 0,60%, Itaú PN, 0,90%, Unibanco units, 1,42%, e Banco do Brasil ON, 0,90%.

Eletrobras ON subiu 1,87% e PNB, 0,74%. O presidente da empresa, Luiz Antonio Muniz Lopes, informou que a empresa está próxima de alcançar um entendimento com o Tesouro Nacional para o pagamento de dividendos retidos pela companhia entre o final da década de 70 e início dos anos 80. Segundo Lopes, a expectativa é de que o acordo seja anunciado até o final do ano. A dívida dos dividendos retidos totaliza R$ 8,5 bilhões, sendo que a União tem direito a receber um valor superior a R$ 4 bilhões.


CÂMBIO
O dólar subiu ante o real, após três baixas consecutivas, acompanhando a correção das cotações no mercado de moedas. A sinalização do presidente do Fed, Ben Bernanke, de que não está inclinado a elevar o juro, prevendo menor pressão sobre os preços, deu força ao dólar e às bolsas internacionais, enquanto os preços do petróleo e matérias-primas recuaram. De olho nesse movimento, os investidores no mercado doméstico reverteram parte das vendas recentes à vista e a futuro, reconduzindo as cotações à alta. O fluxo cambial relativamente equilibrado ajudou na melhora do volume de negócios.

No fechamento, o pronto estava na máxima do dia, cotado a R$ 1,628, em alta de 1,12% na BM&F e no balcão. Ainda assim, a moeda americana apurou queda de 0,61% na semana. Mas, em agosto o dólar apura ganho de 4,23% ante o real, resultado que reduziu a desvalorização no ano para -8,28%.

Na abertura de sua apresentação no simpósio anual Jackson Hole do Fed de Kansas City, Bernanke disse que as autoridades do Fed apostam que a estabilidade dos preços das commodities, junto ao menor crescimento global e manutenção do controle sobre as expectativas de inflação irão eventualmente reduzir a pressão sobre os preços. "Nesse sentido, a queda recente dos preços das commodities, assim como a maior estabilidade do dólar, são sinais encorajadores", afirmou. "Se não forem revertidos, esses fatores, junto ao ritmo de crescimento, que deve ficar abaixo do potencial por algum tempo, levará à moderação da inflação ao final deste ano e no próximo ano", observou Bernanke. Contudo, ele classificou a perspectiva para os preços de "altamente incerta" e disse que as autoridades "irão agir se necessário" para garantir que os preços fiquem sob controle, de acordo com informações da Dow Jones.

Em Nova York, os contratos futuros de petróleo registraram a maior queda em dólar desde 17 de janeiro de 1991 - quando a commodity caiu US$ 10,56 por barril -, pressionados pelo fortalecimento do dólar nos mercados de Moedas e a informação de que a Rússia teria concluído a retirada de suas tropas da Geórgia. Com a queda de hoje, os futuros de petróleo quase apagaram os ganhos da semana. Na Nymex, os contratos de petróleo para outubro caíram US$ 6,59 (5,44%) e fecharam a US$ 114,59 por barril, encerrando a semana com uma valorização de apenas US$ 0,65 por barril sobre a cotação de sexta-feira passada. Incluindo as transações do sistema eletrônico Globex, a mínima foi de US$ 114,18 por barril e a máxima de US$ 121,86 por barril, informou a agência Dow Jones.

Os metais básicos também recuaram hoje, embora a maioria deles tenham encerrado a semana muito mais fortes do que no início da semana. ÀS 17h30, o euro perdia 0,59%, a US$ 1,4782; enquanto o dólar subia 1,05%, a 110,08 ienes.

No mercado de dólar futuro, houve reversão parcial das posições vendidas assumidas nas três sessões anteriores por players locais e estrangeiros. "Apesar da cautela com a saúde do setor financeiro e da economia norte-americana, o discurso de Bernanke num dia de agenda fraca de indicadores permitiu uma trégua no mau humor externo e a recuperação do dólar", disse um profissional.

Segundo a BM&F, os oito vencimentos de dólar futuro negociados projetaram valorizações, com um volume movimentado de cerca de US$ 14,53 bilhões (288.950 contratos). O dólar setembro08, que girou sozinho US$ 14,31 bilhões até às 16h15, apontou avanço de 1,04%, a R$ 1,630; enquanto o contrato de janeiro de 2009 ganhou 0,96%, a R$ 1,683.

Um operador observou que a correção da moeda no mercado à vista este mês reflete, além da correção externa, um aumento das posições compradas dos investidores em dólar futuro, porque apostaram no avanço das cotações. Como na semana que vem será a última do mês e no dia 29, sexta-feira, será formada a ptax (taxa média) de fechamento mensal, a expectativa é de que esses players irão atuar para fortalecer a ptax. Portanto, além de monitorar o fluxo cambial e o cenário externo, o mercado estará vulnerável na próxima semana aos interesses dos agentes financeiros posicionados no mercado futuro.

Além de servir para a liquidação do contrato de dólar setembro08 na BM&F, a ptax de venda do dia 29/8 será usada para os ajustes do vencimento de cerca de US$ 2 bilhões em contratos de swap cambial reverso, que estarão vencendo em 1º de setembro. Um operador disse que o BC poderá anunciar na terça-feira ou quarta-feira, após o fechamento do mercado, uma pesquisa de demanda para avaliar as condições para realização do leilão de rolagem desse vencimento. Quando o BC oferta swap cambial reverso quer dizer que assume posição comprada em câmbio e vendida em taxa de juros.

Nesta sexta-feira, o fluxo cambial tendeu ao positivo no mercado à vista e permitiu uma melhora do volume de negócios. "Houve pelo menos uma saída de cerca de US$ 150 milhões da Petrobras, que foi contrabalançada por uma entrada de US$ 200 milhões relativa a um pré-pagamento de exportação de uma empresa do setor de papel e celulose, além de outro ingresso de US$ 30 milhões de uma refinaria da Petrobras no sul do País", apurou um operador de um banco estrangeiro. Segundo ele, o mercado cambial está operando no giro de curtíssimo prazo e colado ao movimento externo do euro e das commodities. Por isso, afirma, a expectativa é de mais volatilidade na próxima semana. O giro financeiro total à vista cresceu 226%, para cerca de US$ 4,906 bilhões (US$ 4,479 bilhões em D+2).

No leilão, o BC manteve-se comedido e pode ter comprado cerca de US$ 25 milhões. A taxa de corte ficou em R$ 1,6255. De acordo com um operador, quatro bancos declararam quatro propostas, cujas taxas iam de R$ 1,6240 a R$ 1,6270. O BC aceitou três dessas propostas. Catorze instituições não informaram os valores apresentados no leilão.


JUROS
Não adiantaram números melhores de inflação, nem a queda acumulada pelo dólar ante o real nos últimos cinco dias. A semana terminou com as taxas dos contratos de DI valorizadas na BM&F. É quase unânime entre os agentes do mercado que há pouco prêmio para a curva futura assumir uma trajetória declinante e que apenas indicadores de atividade mostrando uma desaceleração considerável, capaz de sancionar uma expectativa para um ciclo menor de alta da Selic, podem ter essa influência sobre o movimento dos DIs. E, uma vez que o crédito tem sido apontado como propulsor da economia brasileira, os dados relacionados ao assunto que o Banco Central divulga na segunda-feira serão fundamentais, particularmente porque os últimos números conhecidos não deram alento no sentido de um abrandamento no aperto monetário.

Em junho, o BC informou que as operações de crédito do sistema financeiro cresceram 2,1%, em relação a maio, com o estoque dessas operações aumentando de R$ 1,044 trilhão para R$ 1,067 trilhão. Na mesma base de comparação, o volume de crédito para as empresas cresceu 3,3%, enquanto as operações para as famílias aumentaram 0,7%. Nos 13 primeiros dias úteis de julho, o volume de operações de crédito referencial cresceu 1,6%, com as operações voltadas às empresas registrando alta de 2,7% e os empréstimos para as famílias, aumento de 0,2%. Na visão do estrategista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, enquanto esses números não mostrarem um sinal significativo de desaceleração, a pressão sobre a inflação vinda da atividade não aliviará.

Ao longo da semana, dados de emprego corroboraram o cenário de economia aquecida. O aumento da taxa de desemprego em julho, para 8,1%, divulgada pelo IBGE não amenizou as preocupações, uma vez que nos dados referentes aos salários houve elevações em relação aos números do ano anterior. A massa de renda real, por exemplo, aumentou 8,2% em junho na comparação com junho do ano passado. Isso sugere que a mensagem da equipe de Henrique Meirelles não está sendo absorvida pelas empresas, o que deve levar o BC a manter o tom duro do discurso relativo às ações de política monetária - entenda, alta de juros para conter o ritmo da demanda e reduzir a pressão sobre os preços.

E é tal perspectiva que, combinada com movimentos técnicos do mercado de DI, mantém alguma pressão nas taxas. Mesmo com a bateria de índices de inflação melhores, que começou com o IGP-10 e a segunda parcial de agosto do IPC-S na segunda-feira, passou pela segunda prévia do IGP-M e segunda quadrissemana do IPC-Fipe na quinta-feira e culminou com o IPCA-15 hoje. De acordo com operadores, essa melhora na inflação já está no preço dos DIs. E muitos analistas ainda citam que esse alívio vem sendo determinado principalmente por alimentação - com outros componentes não tão confortáveis, entre eles o setor de serviços. Por isso, o que os players aguardam para assumir novas posições são informações sobre a atividade, em especial oferta e demanda.

Assim, a taxa do contrato de DI janeiro/10, que estava em 14,66% na última sexta-feira, encerrou hoje a 14,69% (alta também em relação ao fechamento de ontem, de 14,66%). O vencimento janeiro/09 terminou a 13,85%, contra 13,78% na sexta-feira da semana passada (13,83% ontem). Janeiro/12 registrou 14,03%, um pouco menor do que os 14,07% de há uma semana, mas acima dos 13,98% de ontem. No período, o dólar, que havia sido o vilão da semana anterior, passou por correção e encerrou com baixa acumulada de 0,61% - embora tenha valorizado-se 1,12% hoje. Isso, aliás, foi um dos componentes que deu suporte aos acréscimos na curva de juros na jornada desta sexta-feira. No balcão, fechou a R$ 1,6280 - alinhada ao fortalecimento externo do dólar.

Outro ponto de pressão hoje veio do mercado secundário de títulos públicos. De acordo com fonte ouvida pela editora-assistente Lucinda Pinto, no Cenário-1, um player estrangeiro zerou uma grande posição no contrato DI janeiro/2012, o que acabou influenciando a retomada da trajetória de alta nas taxas futuras. A operação em questão é a zeragem de uma posição casada de NTN-F (papel prefixado) com vencimento em 2012 e DI de prazo equivalente. Isso e a alta do dólar na sessão ofuscaram o impacto de baixa que o IPCA-15 sustentou momentaneamente na primeira etapa do dia. O DI janeiro/10 chegou a marcar 14,63% na mínima, o janeiro/12, 13,89%, e o janeiro/09, 13,81%.

O IBGE informou que a inflação medida pelo IPCA-15 ficou em 0,35% em agosto, ante 0,63% em julho. O resultado veio no piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (0,35% a 0,48%) e abaixo da mediana de 0,39%. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 4,69% e em 12 meses, de 6,23%. Mais uma vez a melhora foi determinada pela desaceleração em alimentação.

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