Últimas 100 Atualizações do Website via Twitter:

Pesquise todo o conteúdo do website Horus Strategy abaixo:
Loading

quarta-feira, maio 07, 2008

Grau do surto

Enviado por Míriam Leitão e Débora Thomé -
Panorama Econômico

A sandice subiu de grau em Brasília. Num mesmo dia, o ministro Paulo
Bernardo disse que haverá um fundo soberano para financiar as empresas
brasileiras no exterior a juros baixos e que será criada uma
subsidiária do BNDES com o mesmo objetivo; o presidente Lula disse que
vai salvar uma empresa que se afundou por sua única culpa e ainda
circula a notícia de criação de uma nova Petrobras.

Vários países fizeram fundo soberano com seus excessos de poupança — o
que não é o nosso caso; não temos excesso de poupança. O pior problema
com o nosso fundo soberano é que, até agora, não se sabe com que
dinheiro ele será constituído. Sabe-se que sairá em junho e sabe-se o
objetivo: o ministro do Planejamento disse que será para "financiar" e
"apoiar" as empresas brasileiras no exterior.

Financiá-las no exterior isso o BNDES já faz. Olhe só o metrô de
Caracas, construído com financiamento do banco, e vários outros
projetos. Já é com um dinheiro mais barato do que o Tesouro paga para
se financiar. Mas o ministro avisou que o fundo foi um pedido do
presidente Lula durante uma reunião para discutir a nova política
industrial. E explicou que se uma empresa for "vender serviços, fazer
incorporação de outras" poderá ser financiada por este mecanismo.
Disse também que está se pensando em criar uma subsidiária do BNDES
para fazer o mesmo trabalho.

Deu para entender? Difícil! O BNDES já faz um determinado trabalho,
ainda assim, será criado um fundo — com dinheiro não se sabe de onde,
mas provavelmente das reservas — e uma subsidiária de um banco estatal
para oferecer o mesmo financiamento. O dinheiro do BNDES vem, em
parte, do Fundo de Amparo ao Trabalhador e vai financiar compras de
empresas brasileiras ou outros negócios no exterior. Será, mais do que
nunca, o Fundo de Amparo a Empresários... e a alguns sindicalistas.

Quando um país atinge o grau de investimento, as empresas daquele país
têm a vantagem de se financiar a custo mais baixo. E isso é tudo que o
Estado deveria fazer por elas; já é o suficiente. Hoje uma grande
companhia brasileira tem crédito onde quiser e paga juros mais baixos
que nunca. Para que financiá-las com as reservas ou com o FAT quando
elas correm risco externo?

A idéia, felizmente ainda não confirmada, de se criar uma nova
Petrobras tem o mesmo grau de surto. Como a Petrobras quer que todas
as reservas do pré-sal sejam concedidas apenas a ela, e isso é
impossível, porque é uma empresa de capital aberto, o governo estaria
pensando nessa idéia brilhante. Seria criada uma nova Petrobras, só
estatal, que teria o monopólio da exploração do petróleo e do gás
naquela faixa de profundidade. Se o governo fizer isso, estará
recriando o monopólio que foi extinto pela Lei do Petróleo. O que
existe hoje é o monopólio da União, e ela conseguiu o direito de
exploração em campos específicos, através de leilão. Se for criada uma
nova empresa para ter esse monopólio, a União estará abrindo mão dele.

Como se todas essas idéias já não fossem estranhas o suficiente, em
Manaus, o presidente Lula afirmou ontem que "o governo tem tentado
criar as condições para salvar a Gradiente". Disse que o companheiro
Luciano Coutinho está encarregado disso e "vamos tentar fazer a nossa
parte".

Governos não devem salvar empresas em dificuldade, e foi nessa trilha
que andou quando negou salvação à Varig, por exemplo. Por que salvar a
Gradiente? Porque o empresário Eugênio Staub é amigo do presidente?
Ela está quebrando no melhor momento para o setor. Como uma empresa de
eletroeletrônicos, instalada numa zona livre de impostos, com
benefício do dólar baixo na importação dos componentes da sua
montagem, consegue quebrar numa hora como esta? Não há de ser culpa do
BNDES; do governo. Por que os contribuintes deveriam pagar por isso?

Com idéias com tal grau de insensatez é que o Brasil pode abrir
caminho para perder o grau de investimento. Tudo isto: "política
industrial", "apoiar empresa brasileira no exterior", "salvar empresa"
significa gasto público. E ampliação desses gastos é o que o governo
não deveria fazer agora. Primeiro, porque eles estão aumentando acima
do crescimento do PIB; segundo, porque este é o ponto fraco do país,
reconhecido até pela agência que nos concedeu o grau de investimento;
terceiro e mais importante: o contribuinte não está disposto a
continuar indefinidamente pagando a conta de gastos públicos
crescentes.

Como se todas essas decisões e declarações já não fossem suficientes
para provar que há um certo grau de surto no governo brasileiro neste
momento, ainda veio a declaração do presidente da República sobre
mulheres.

Lula disse que a mulher quer quatro coisas; pela ordem: casa, casar
com homem bonito e trabalhador, carro e computador. O presidente da
República apequena, assim, o horizonte dos sonhos das mulheres a
alguns bens materiais e um casamento. Nada sobre todos os outros
avanços e conquistas que as mulheres têm conseguido duramente. Tudo o
que ele pensa sobre as mulheres cabe no mais rasteiro dos
estereótipos. O presidente revelou, mais uma vez, sua visão
preconceituosa sobre a mulher. Queremos mais que isso, presidente! São
maiores, mais amplos, mais numerosos e complexos nossos desejos e
possibilidades.

Bookmark and Share

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home

Copyright © 2002 / 2014 HorusStrategy.com.br. Horus Strategy é marca registrada. Todos os direitos reservados.