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segunda-feira, maio 19, 2008

CENÁRIO SEMANAL: PETRÓLEO NÃO DÁ FOLGA À INFLAÇÃO E AO MERCADO

CENÁRIO SEMANAL: PETRÓLEO NÃO DÁ FOLGA À INFLAÇÃO E AO MERCADO

São Paulo, 19 - "The price of gas keeps on rising" (o preço da gasolina continua a subir), cantam os
meninos do Bloc Party, na música "Price of gas". Se a palavra gas for substituída por oil (petróleo), a frase
é suficiente para resumir o quadro mundial e explicar onde estará (novamente) o foco nesta semana.
Ainda há algumas discordâncias entre analistas se a economia norte-americana não terá mais recessão,
mas um crescimento baixo prolongado, ou se a crise de crédito passou de vez ou não. É praticamente
unânime a avaliação desses profissionais de que o comportamento ascendente dos preços do petróleo
no ambiente internacional é hoje a principal preocupação. E a retomada da alta na última sexta-feira,
após a ameaça de uma trégua na semana passada, reforça a atenção sobre o óleo nos próximos dias.

Os contratos futuros da commodity dispararam no último pregão. Em Nova York, o contrato de junho
fechou a sexta-feira no recorde de US$ 126,29 o barril (+ 1,75%). Até a quinta-feira, registrava queda
acumulada na semana de 1,46%, revertendo, assim, para alta de 0,26. No mês, o ganho já soma 11,31%.
Relatório do Goldman Sachs elevando a sua projeção para o preço médio do petróleo no segundo
semestre de 2008 de US$ 107 para US$ 141 por barril ajudou. Os analistas do banco citaram limites ao
crescimento na oferta no longo prazo para justificar o aumento. Para outros analistas, contudo, a
demanda não justifica. "Neste momento, os fundamentos não dão sustentação em particular aos preços",
disse Eric Wittenauer, analista de futuros de energia do Wachovia Securities em St. Louis

A grande preocupação está no impacto dessa valorização sobre a inflação ao redor do mundo, que
trouxe dados melhores, mas segue acima do patamar considerado confortável. "É o petróleo o que não
deixa a inflação no exterior ceder", enfatizou o estrategista na BB Investimentos, Hamilton Moreira Alves.
Conforme observou, há uma diferença razoável entre as taxas cheias dos índices ao consumidor nos
Estados Unidos e Europa, em particular, e os núcleos - que excluem justamente alimentos e energia. Isso
mostra o impacto da commodity. Os preços ao consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês) subiram
3,9% em abril ante abril do ano passado, enquanto o núcleo avançou 2,3%. Na mesma base de
comparação, o CPI da zona do euro subiu 3,3% e o núcleo, 1,6%.

Os números amenizaram os ânimos, mas não foram considerados benignos ou garantem uma
tranqüilidade sólida, uma vez que os preços dos insumos continuam subindo. Na semana passada, a alta
nos metais e de commodities ligadas à energia ainda teve como propulsor um terremoto na China. O
argumento foi de que a tragédia que matou mais de 20 mil pessoas tenha maiores implicações para a
demanda e a produção dos metais, além de aumento das importações de diesel. Para o
economista-chefe da corretora Ativa, Arthur Carvalho, o comportamento dos preços seguirá afetando os
ânimos dos participantes do mercado. E o Brasil não passa ileso desta atenção. A piora recente nos
indicadores mantém a expectativa negativa para os dados que serão conhecidos nesta semana.

Enquanto nos Estados Unidos os analistas monitoram o índice de preços no atacado (PPI, na sigla em
inglês) de abril, a agenda doméstica traz prévias do IGP-M e do IPC-Fipe. Todos na terça-feira. A
previsão é de que o dado norte-americano acompanhe a desaceleração do último número, com o efeito
sazonal sobre os preços da gasolina exercendo uma influência de baixa sobre a taxa cheia do PPI. Para
os índices brasileiros, a expectativa é de que sigam aquecidos. Moreira Alves, da BB Investimentos,
ressalta que embora tenha mostrado uma deterioração, a inflação no Brasil permanece dentro da meta
de 4,5%, apenas um pouco acima do centro dela, diferente do quadro no exterior. O alívio no IPC-S da
FGV até 15 de maio, conhecido na sexta-feira, ainda não foi suficiente para firmar uma melhora nas
previsões.

Também nesta semana entrecortada pelo feriado de Corpus Christi na quinta-feira será acompanhado o
resultado da pesquisa do IBGE sobre o nível de emprego no País (dia 20), que ajudará a mostrar o ritmo
de aquecimento da economia brasileira e a força da pressão inflacionária decorrente dessa variável. A
atenção com os preços mantém ainda o mercado brasileiro na esperança de que o governo eleve a meta
do superávit primário, atualmente em 3,8%. Embora o anúncio do uso do excedente dessa "economia"
como parte dos recursos que irão formar o Fundo Soberano do Brasil (FSB) tenha indicado uma
elevação informal do superávit, não houve um decisão oficial. O aumento do superávit seria um outro
meio de combate à inflação, além da alta dos juros.

Na sexta-feira, fontes do repórter Ricardo Leopoldo disseram que o governo está estudando um pacote
de medidas na área fiscal e monetária a fim de reduzir a magnitude do ciclo de elevação de juros, que
incluiria o aumento de depósitos compulsórios dos bancos e a elevação do superávit primário de 3,8%
para 5% do PIB neste ano. As medidas devem ser anunciadas num bloco único a fim de mostrar ao
mercado que a política econômica está coordenada entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central e
visam a indicar que o Poder Executivo vai jogar pesado para manter a inflação sob controle e o
crescimento do País em bom nível no longo prazo. De acordo com as fontes, tais medidas, que ainda não
foram definidas em detalhes, podem ser anunciadas em breve.

De volta ao cenário externo, a pauta norte-americana conta ainda com a importante ata da última reunião
do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve, na quarta-feira. O documento é
referente ao encontro do final de abril, quando o banco central dos EUA reduziu o juro naquele país de
2,25% para 2% ao ano. Na visão dos economistas da área de pesquisa do Banif Banco de Investimento,
a ata poderá sinalizar a interrupção dos cortes para a próxima reunião do Fomc. No comunicado
divulgado na ocasião do anúncio da decisão, o Fed já havia sinalizado que o ciclo de redução de sete
meses pode estar perto do fim. Também serão observadas no documento as percepções da autoridade
monetária em relação à inflação, ao crescimento da economia dos EUA e à crise do crédito.

Há sim a percepção de que houve uma melhora nos dados de atividade dos EUA, ou pelo menos a
situação não piorou muito mais, assim como no ambiente de crédito. A queda na taxa Libor ajuda a
referendar isso. Mas, voltando, a inflação ainda não mostra alívio. E comentários como o do
ex-presidente do Fed Paul Volcker na última semana não ajudam. Para ele, que presidiu o Fed de 1979 a
1987, há muito mais inflação do que os números dizem. E, mais do que isso, disse ver "algumas
semelhanças" entre a inflação de hoje e a do começo dos anos 1970, quando uma combinação de
tendência de alta da inflação com elevação dos preços de energia e alimentos e uma reação fraca do
Fed criou o cenário para taxas de inflação de dois dígitos no fim da década.

Nesse contexto, fica complicado para analistas ou gestores usarem o verso final da música do Bloc Party
para tentar montar um cenário mais à frente para os clientes. Definitivamente, ainda é cedo para eles
dizerem: "I can tell you how this ends. We're going to win this" (Eu posso te contar como isso acaba, nós
vamos ganhar).

No cenário corporativo, as redes varejistas nos Estados Unidos continuam detalhando seus resultados do
primeiro trimestre nesta semana, entre elas a Home Depot, a Saks e a Gap. Também vale destacar o
resultado da Hewlett-Packard - que estava previsto na semana passada, mas foi adiado para esta. No
Brasil, não há divulgações relevantes nesse sentido. (Paula Laier)

O QUE ESTARÁ NO FOCO DOS MERCADOS

Bolsa
Vencimento de opções sobre ações abre semana em que petróleo e outras commodities seguirão como
destaques.


Câmbio
Possível anúncio de medidas para conter deterioração inflacionária, confirmação ou não de upgrade e
fluxo de dólares para o País dividem atenções.


Juros
Investidor olha Focus e índices de preços, na expectativa de ação do governo para combater inflação.


Petróleo
Fatores técnicos, dados de reservas, noticiário geopolítico e comportamento do dólar podem levar
cotação a superar US$ 130.


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