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sexta-feira, abril 04, 2008

Indústria vende mais com menor uso da capacidade instalada

Do Valor Economico

Indústria vende mais com menor uso da capacidade instalada

Arnaldo Galvão
04/04/2008

A redução do uso da capacidade instalada da indústria, verificada em fevereiro, veio acompanhada de atividade mais intensa no setor e esse cenário eletrizou o debate sobre a necessidade de o Banco Central (BC) aumentar a taxa básica de juros na reunião da próxima semana. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou que, em fevereiro, o uso da capacidade recuou de 83,1%, em janeiro, para 82,9% em fevereiro. O pico foi registrado em novembro (83,3%).


Além da folga maior na capacidade instalada, o que indica maior espaço para o atendimento da demanda, fevereiro teve crescimentos expressivos nos outros quatro indicadores industriais medidos pela CNI: faturamento (11,5%), horas trabalhadas (8,8%), emprego (4,9%) e massa salarial (7,2%), na comparação com fevereiro de 2007. Segundo os economistas da entidade, Flávio Castelo Branco e Paulo Mol, esse ritmo mais forte do setor é explicado pelos aumentos do emprego, da renda, do crédito e da recomposição dos estoques que vem ocorrendo em pequenas, médias e grandes indústrias.


O uso da capacidade instalada (UCI) da indústria recuou em fevereiro porque, segundo os economistas da CNI, o investimento vem crescendo há oito trimestres consecutivos em ritmo mais acelerado que o do Produto Interno Bruto (PIB). "Não há pressão inflacionária disseminada. Aumentar os juros neste momento é mudar o custo de oportunidade, fazendo com que eles concorram com o investimento produtivo. Seria temerário porque a capacidade instalada vem sendo elevada e, com a Selic mais alta, a demanda vai diminuir", alertou Castelo Branco.


Outra comparação de aumento de oferta foi feita, ontem, pelo Departamento Econômico do Bradesco. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (que soma produção menos exportação mais importação), revelou alta de 20,2% - o triplo dos 6,9% acumulados pela produção industrial medida pelo IBGE para o mesmo período. A comparação entre produção e nível de utilização da capacidade também mostra um descolamento. Em fevereiro, a produção da indústria foi 6,5% superior àquela registrada no fim de 2006. Para atender esse volume, o uso de capacidade cresceu bem menos - 2 pontos.


Mol procurou ressaltar que metade dos setores industriais está com o uso da capacidade estável ou em queda, cenário totalmente diferente do de 2004. Naquele ano, o crescimento foi muito rápido mas veio acompanhado de inflação e o BC reagiu aumentando os juros. Quatro anos atrás, o quadro era de claro descompasso entre oferta e demanda. "Outra grande diferença que pouca gente vê é que, em 2004, o país tinha maior custo de financiamento e o governo ainda não tinha desonerado o investimento. O custo é crucial para o aumento da capacidade", diz.


Outra importante diferença entre 2008 e 2004, citada pelos economistas da CNI, é o câmbio. Naquele ano, o real estava muito mais desvalorizado, o que inibia o poder de substituição que as importações têm atualmente. "Aumento de juros e política industrial são dois anúncios que não combinam", ironizou Castelo Branco.


O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, evitou julgar a condução da política monetária, mas comentou que as informações da CNI revelam uma boa relação entre aumento da atividade e estabilização do uso da capacidade instalada da indústria. Ele concluiu que não causa preocupação o que acontece atualmente entre oferta e demanda.


Barbosa ressaltou que o ministro Guido Mantega recebeu informações tranqüilizadoras de representantes de vários setores produtivos, especialmente da indústria automobilística, das usinas siderúrgicas e dos fabricantes de cimento. Portanto, na Fazenda, garantiu não há temor nem sequer quanto ao tempo de maturação dos investimentos desses segmentos. Citou que as montadoras terão capacidade de produzir 3,5 milhões de veículos neste ano e, até 2010, o nível subirá para 5 milhões de unidades por ano.


Na avaliação da economista-chefe do ABN Amro, Zeina Latif, apesar das boas notícias da CNI, o BC está atento às expectativas de inflação e essas vêm aumentando. Nesse quadro, ela acredita que os integrantes do Copom já deram todos os sinais que querem agir preventivamente. "O aumento da Selic é o cenário mais provável", comentou.


Para Zeina, o que a CNI revelou é um quadro de aumento da atividade acompanhado de recuo do uso da capacidade instalada, o que mostra maturação de investimentos. Ela informa que o segmento de bens intermediários, tradicionalmente exportador, vem liderando essa ampliação da capacidade desde 2005 e há sinais de redução de ociosidade em alguns setores, como a produção de automóveis.


De acordo com a CNI, a indústria automobilística foi responsável por 40% do aumento do uso da capacidade nos últimos 12 meses. Esse segmento, de fevereiro de 2007 a fevereiro de 2008, teve aumento de nove pontos percentuais no UCI. Móveis (5,4), borracha/plástico (3,4) e máquinas/aparelhos elétricos (2,9) vêm em seguida. Nesse período, o segmento de produtos metálicos teve acréscimo de 1,5 ponto percentual e trajetória parecida teve alimentos/bebidas (1,3). Mas têxteis (-0,9), vestuário/acessórios (-1,0), produtos químicos (-1,6), material eletrônico e de comunicação (-3,3) e refino de petróleo e álcool (-5,8) aumentaram a ociosidade. No total, a indústria teve aumento de 1,5 ponto percentual no UCI nesses 12 meses.


Também foi ressaltado pela CNI o que ocorreu com a atividade da indústria em fevereiro. O indicador de horas trabalhadas deu um salto de 8,8% sobre o mesmo mês de 2007. Na comparação com janeiro deste ano, representou o triplo. Na série histórica, foi a maior taxa de crescimento mensal desde abril de 2005.


Demanda de máquinas cresce 49,9%
Guilherme Manechini
04/04/2008


A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) divulgou ontem que o faturamento do setor nos dois primeiros meses de 2008 cresceu 39,8% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 10,9 bilhões. O consumo aparente de bens de capital também apresentou alta expressiva, 49,9%, o que significa um volume de R$ 13,6 bilhões. No primeiro bimestre de 2007, o consumo aparente foi de R$ 9 bilhões.


No período, as importações chegaram a US$ 3,3 bilhões, com alta de 66,1% sobre o ano passado. Novamente a China foi o país que mais ampliou a presença no mercado nacional, 147,8% de alta, com US$ 364 milhões vendidos ao país. Já as exportações tiveram evolução menor, 26,8%. No total, os fabricantes nacionais de bens de capital exportaram US$ 1,7 bilhão. Apesar da queda de 12,3%, os Estados Unidos continuam sendo o maior mercado dos equipamentos brasileiros, US$ 349 milhões no bimestre.


Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nos dois primeiros meses do ano foram de R$ 4,3 bilhões, 50,9% maior do que igual intervalo de 2007. Cerca de 63% do total foram destinados via Finame, seguido pelo BNDES Automático e Programa Agrícola, ambos com 15% do total financiado.


Segundo o balanço da Abimaq, o número de empregos no setor cresceu 11,3%, enquanto que em igual período de 2007 havia sido reduzido em 1,2%. Atualmente, os fabricantes de bens de capital empregam 233,1 mil pessoas.

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