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segunda-feira, abril 28, 2008

CENÁRIO SEMANAL: RICA PAUTA COM FOMC IMPÕE CAUTELA E REQUER ESTUDO

CENÁRIO SEMANAL: RICA PAUTA COM FOMC IMPÕE CAUTELA E REQUER ESTUDO

São Paulo, 28 - Diz um provérbio árabe que há cinco degraus para se alcançar a sabedoria: calar, ouvir,
lembrar, sair e estudar. No mercado financeiro, é tempo de estudar. E os eventos previstos para a
semana, particularmente nos Estados Unidos, não serão poucos para os investidores se debruçarem nos
próximos dias. Não há como negar que a volatilidade diminuiu desde o início do mês, mas isso não
significa que os agentes estão confortáveis com a situação presente. Há muitas distorções nos mercados
globais ainda, a safra de balanços segue em andamento e muitas incertezas permeiam o horizonte.
Nesse contexto, entender bem as informações que sairão a partir de hoje pode ajudar muito.

Conforme observa o economista-chefe do Banco Votorantim, Leonardo Sapienza, o mercado está
"anestesiado", ainda digerindo as várias atuações do Federal Reserve. De acordo com o profissional,
houve uma melhora nas bolsas. O índice americano Dow Jones, por exemplo, acumula ganho de 5% no
mês. Mas o mercado ainda permanece pressionado, enfatiza, citando a taxa Libor (a taxa de juro do
mercado interbancário londrino, uma referência global para os juros de curto prazo) em relação aos Fed
Funds. No dia 31 de março, a taxa Libor em dólar de três meses estava em 2,6881%, passando para
2,9125% na última sexta-feira. O juro do Fed Funds está em 2,25%.

Isso mostra que grandes bancos estão precisando pagar mais para contrair empréstimo no mercado
internacional, que usa a Libor como parâmetro. Ou seja, o crédito continua mais difícil, com o clima ainda
conservador. Todo mundo anda temeroso. E pauta rica nos próximos dias não ampara uma atitude
diferente dessa. O evento mais aguardado é a decisão do Fed sobre o juro norte-americano na
quarta-feira.

A maioria dos analistas aguarda um recuo de 0,25 ponto porcentual nos atuais 2,25% ao ano, mas já
começam a aparecer notícias e rumores de que o afrouxamento monetário poderia terminar aí. No último
dia 24, Greg IP, escreveu no The Wall Street Journal que o Fed deverá interromper o ciclo de corte das
taxas de juro norte-americanas após a reunião. O colunista é conhecido por normalmente ter informações
sobre as decisões do governo. Nesse sentido, ganha ainda mais importância o comunicado que sairá
com a decisão e pode sinalizar alguma direção sobre isso. Vale notar que desde março o juro real nos
EUA é negativo.

Na agenda de indicadores, o relatório do mercado de trabalho dos EUA em abril é um dos grandes
destaques. O comportamento da folha de pagamento naquele país ainda é um dos principais
termômetros considerados pelo Fed para medir o ritmo da economia, que, em março, registrou o
encolhimento de 80 mil vagas - o maior declínio em cinco anos. A taxa de desemprego ficou em 5,1%, no
maior nível desde setembro de 2005. A partir desses dados, muitos analistas consideraram que a
economia norte-americana deve estar em recessão branda, ou "rasa" na primeira metade deste ano. E
isso poderá ser avaliado ainda nesta semana.

Também na quarta-feira será conhecida a primeira estimativa sobre o desempenho do PIB dos EUA no
primeiro trimestre de 2008. No início do mês, o presidente do Fed, Ben Bernanke, afirmou que a
economia poderá se contrair no primeiro semestre deste ano, apontando pela primeira vez desde o início
da crise do crédito a perspectiva de uma recessão naquele país. "Parece provável que o produto interno
bruto real (PIB) não vá crescer muito, se for, no primeiro semestre do ano e pode até se contrair
levemente", disse, na ocasião, em comentários preparados para o Comitê Econômico Conjunto do
Congresso.

No mesmo discurso, Bernanke afirmou que as preocupações com o emprego e a renda, junto com o
declínio no valor das residências e com as condições de crédito apertadas, causaram uma
desaceleração considerável nos gastos dos consumidores e que os gastos das empresas também
diminuíram.

Vale considerar outras divulgações, como a confiança do consumidor de abril, os números de março de
gasto e renda pessoal, os dados de abril do ISM sobre a atividade manufatureira. E há balanços
relevantes, como BP, Santander, Countrywide, Shell, GM, ExxonMobil, BG Group e Chevron.

O mercado já espera dados mais fracos. O que será avaliado é a intensidade dessa debilidade, para
que os investidores e analistas consigam tentar medir a profundidade e extensão da já esperada
recessão nos EUA. É mais ou menos como um trecho da música "The Stars Shine In The Sky Tonight" do
grupo norte-americano EEls: "It's not where you're coming from, It's where you're going to" (Não é de onde
você está vindo, é para onde você está indo).

No Brasil, a semana tem um dia a menos por causa do feriado do Dia do Trabalho na quinta-feira e
poucas divulgações relevantes, mas isso não significa menos cautela. Além do exterior, a inflação deve
manter os investidores de sobreaviso. Números mais salgados na semana passada elevam a atenção
dos agentes para os próximos dias, quando a pauta inclui o IGP-M de abril, no dia 29. Também não ajuda
a mudança na última ata do Copom do cenário de referência do Banco Central, projetando a inflação em
2008 e 2009 acima da meta de 4,5%. Isso dá suporte a mais preocupações sobre os preços e alimenta
expectativas de novas altas da taxa Selic.

E o analista de mercados emergentes na Arkhe DTVM, Luiz Felipe Brandão, chama a atenção para o
impacto futuro de juros elevados. De acordo com o profissional, isso sustenta o fluxo de capitais, segura
o dólar, ancora a economia e segura os preços. "Com ele, vem bom fluxo no balanço de pagamentos, é
possível recomprar dívida externa, fazer reservas. Isso fortalece o País. Mas, por outro lado, tem o ônus no
futuro, na dívida doméstica", observa. Além disso, o profissional chama a atenção para o fato de que
mesmo com o juro alto e o dólar segurando os preços no conjunto, há uma elevação nos índices de
inflação. "Imagina se o dólar estivesse mais descontrolado?", questiona.

Desse modo, convém conferir os números que virão nas notas do setor externo, política fiscal e política
monetária e operações de crédito que o Banco Central divulga nesta semana, além da balança comercial
de abril pelo Ministério do Desenvolvimento. Entre os resultados corporativos, os destaques são
Bradesco, Gol, Sadia, Lojas Renner e Oi. (Paula Laier)

O QUE ESTARÁ NO FOCO DOS MERCADOS

Bolsa
Safra de balanços, petróleo e cenário externo definem rumo nos negócios.

Câmbio
Rolagem de contratos futuros influencia cotações, com investidor atento a fluxo e comportamento global
do dólar.

Juros
Expectativa em torno de aumento de combustíveis divide atenção com IGP-M e Focus.

Petróleo
Dados de estoques, dólar e questões geopolíticas impõem volatilidade aos preços.


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