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domingo, março 30, 2008

Petrobrás, a menos rentável das petroliferas

Matéria da revista Exame

Mais longe das melhores

A queda de 17% no lucro da Petrobras revela a distância que existe entre a estatal brasileira e as grandes empresas petrolíferas do mundo

Geraldo Falcão/Banco de imagens Petrobras

Plataforma marítima da Petrobras: atrasos


Por Samantha Lima

EXAME O MAGNATA JOHN D. Rockefeller, fundador da primeira companhia petrolífera americana, a Standard Oil, cunhou no início do século passado uma definição cristalina para seu ramo de atividade: "O melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada. O segundo melhor negócio é uma empresa de petróleo mal administrada". A companhia petrolífera americana ExxonMobil, descendente direta da Standard Oil, enquadra-se na primeira parte desse axioma. Embalada pelos sucessivos recordes no preço do barril de petróleo, a ExxonMobil registrou no ano passado o maior lucro anual já obtido por uma corporação americana, de 41 bilhões de dólares, 5% maior que o registrado em 2006. Cravou ainda o maior faturamento do ano nos Estados Unidos, de 404 bilhões de dólares, à frente do Wal-Mart — 378 bilhões de dólares em 2007 —, e o destronou do posto de maior empresa aberta do mundo. A gigante brasileira Petrobras parece mais próxima da segunda parte da definição. Em um cenário extremamente favorável para o setor, com altas recordes da cotação do petróleo, a Petrobras viu seu lucro cair 17% no ano passado, o que significou uma perda equivalente a 2,6 bilhões de dólares em comparação ao resultado de 2006.

Como no aforismo de Rockefeller, a Petrobras está muito longe de ser um mau negócio. A empresa detém a mais avançada tecnologia de extração de petróleo de águas profundas no mundo e é conhecida como um centro de excelência em prospecção de reservas. Seu lucro em 2007, mesmo sendo inferior ao de 2006, foi de 21,5 bilhões de reais (12 bilhões de dólares), o maior registrado por uma empresa brasileira no ano passado. A receita líquida da companhia cresceu 8% e fechou o ano em 170 bilhões de reais (96 bilhões de dólares). A descoberta da gigantesca reserva de Tupi na costa brasileira levou a um crescimento de 87% em seu valor de mercado, que ultrapassou os 200 bilhões de dólares. No entanto, mesmo números tão excepcionais não conseguiram mascarar o fato de que o desempenho da Petrobras ficou muito aquém das melhores empresas do setor no período. Um levantamento conduzido por EXAME com base nos resultados financeiros de dez das principais empresas de petróleo do mundo (Exxon, Shell, TotalFinaElf, Eni, Sinopec, Petrobras, Pemex, PDVSA, Gazprom e Repsol) aponta que apenas quatro delas não registraram crescimento nos lucros em 2007: a Petrobras, a mexicana Pemex, a venezuelana PDVSA e a russa Gazprom — todas empresas estatais. As demais tiveram crescimento. A expansão abarcou da espanhola Repsol, com apenas 2%, à chinesa Sinopec, com espetaculares 40%.

O cenário foi favorável

Resultados de algumas das principais companhias petrolíferas do mundo em 2007, ano em que a cotação do barril de petróleo bateu sucessivos recordes

EXXON
(Estados Unidos)

Resultado em 2007(1)
Lucro de 41 bilhões de dólares

Variação em relação a 2006
Crescimento de 5%

O que diz a empresa
Todas as áreas da empresa tiveram forte desempenho, amplificado pelo preço do petróleo

SHELL
(Reino Unido e Holanda)

Resultado em 2007(1)
Lucro de 31 bilhões de dólares

Variação em relação a 2006
Crescimento de 23%

O que diz a empresa
Aumento na produção e alta do petróleo justificam os resultados "satisfatórios"

TOTALFINAELF
(França)

Resultado em 2007(1)
Lucro de19 bilhões de dólares

Variação em relação a 2006
Crescimento de 12%

O que diz a empresa
As condições do mercado para a indústria foram favorecidas pela alta do petróleo

ENI
(Itália)

Resultado em 2007(1)
Lucro de 15 bilhões de dólares

Variação em relação a 2006
Crescimento de 8%

O que diz a empresa
Mesmo com queda de 2% na produção e desvalorização do dólar, obteve bons resultados

SINOPEC
(China)

Resultado em 2007(1)
Lucro de 10 bilhões de dólares

Variação em relação a 2006
Crescimento de 40%

O que diz a empresa
Melhor controle de custos, maior integração de recursos e inovação tecnológica

PETROBRAS
(Brasil)

Resultado em 2007(1)
Lucro de 12 bilhões de dólares

Variação em relação a 2006
Queda de 17%

O que diz a empresa
Ajuste no plano de pensão dos funcionários e variação cambial prejudicaram o resultado

PEMEX
(México)

Resultado em 2007(1)
Prejuízo de 1,4 bilhão de dólares

Variação em relação a 2006
Queda de mais de 100%

O que diz a empresa
A produção caiu pelo esgotamento de poços. Se não fosse a alta do petróleo, o prejuízo seria maior

Fonte: empresas

TER UM ANO DE GANHOS MENORES, quando a maioria das outras empresas do setor comemora resultados históricos, já seria suficientemente preocupante. Mas a questão central para a Petrobras é de outra natureza: a distância entre a estatal brasileira e suas congêneres internacionais vem aumentando. Um ranking produzido especialmente para esta reportagem pela consultoria Economática dá uma idéia disso. De 2006 para 2007, a Petrobras caiu da quinta para a oitava posição entre as dez maiores empresas de petróleo com ações negociadas na principal bolsa de valores do mundo, a de Nova York. O estudo avalia a rentabilidade das companhias, indicador que mede a relação de lucro com patrimônio líquido. Segundo ele, a Petrobras ficou à frente apenas das americanas Apache e Devon. Para os executivos da estatal, a comparação com as congêneres americanas é injusta. "Há diferenças nas regras contábeis do Brasil e dos Estados Unidos que influenciam os resultados", diz Almir Barbassa, diretor financeiro da Petrobras. Em outra pesquisa, publicada pela revista especializada Petroleum International Weekly, a Petrobras caiu três posições no ranking das empresas mais eficientes do mundo, de 2000 a 2006 (levantamento mais recente disponível). O ranking atribui pontuações às companhias com base em seis indicadores, que levam em conta as reservas, a capacidade de produção, a capacidade de refino e o volume de vendas.

Oficialmente, a queda no lucro da Petrobras foi provocada por quatro fatores: impacto da desvalorização do dólar sobre os ativos no exterior, aumento nos gastos com a importação de produtos, ajustes no plano de pensão dos funcionários e aumento nos custos de fornecimento de bens, serviços e recursos humanos na indústria petrolífera. O dólar, de fato, foi um problema — especialmente porque a Petrobras não estava protegida por um hedge cambial que previsse o enfraquecimento da moeda americana. Equipamentos usados pelas petroleiras em extração tiveram aumento médio de 24% no mercado internacional — mas isso valeu para todas as empresas do setor. O mesmo aconteceu com o encarecimento dos serviços e da mão-de-obra. Para especialistas ouvidos por EXAME, os problemas vão além, portanto, e estão profundamente enraizados no viés político que domina a administração da companhia. Um exemplo: a decisão do governo de não repassar os aumentos do petróleo aos preços de derivados como gasolina e óleo diesel custou à Petrobras 5,8 bilhões de reais de setembro de 2005, quando ocorreu o último reajuste, para cá — segundo um cálculo feito pela consultoria Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE). Apenas no mês passado, a defasagem custou à empresa 16 milhões de reais diários, de acordo com o CBIE. "Essa é uma decisão política que tem grande impacto nos resultados da empresa", diz o consultor Adriano Pires, do CBIE. O controle de preços é comum em países como Argentina, Venezuela, México e China. Nos Estados Unidos e na Europa, os custos são imediatamente repassados para os consumidores. Parte dos investimentos recentes feitos pela Petrobras ainda não se transformou em resultado, o que também é um fator a prejudicar o resultado final. No ano passado, a estatal investiu 18 bilhões de reais, 20% mais que em 2006 e um recorde em toda a sua história. É possível que ocorram ganhos de produtividade no futuro. Mas, em 2007, a produção de petróleo e gás permaneceu praticamente estagnada em 2,3 milhões de barris diários. Das cinco novas plataformas previstas para entrar em operação no ano, apenas uma começou efetivamente a produzir no prazo programado. Como resultado, a companhia, que chegou a anunciar a auto-suficiência em 2006, importou 390 000 barris diários em 2007. "A Petrobras é a maior empresa de operação em águas profundas no mundo, e extrair petróleo nessas condições é uma operação complexa, passível de atrasos", diz o diretor Barbassa. Para os analistas, o argumento é plausível, mas isso não significa que o mercado seguirá tão condescendente em relação à empresa. "Todos estão atentos, e talvez a paciência não seja a mesma caso esses problemas voltem a se repetir", diz Eduardo Roche, gerente de análise da gestora de investimentos Modal Asset. A posição e o prestígio que a Petrobras tem hoje no cenário petrolífero internacional são resultado de um quadro técnico de primeira linha e de um esforço de rofissionalização iniciado nos anos 90. Naquela ocasião, a estrutura corporativa da empresa foi modificada para torná-la mais transparente, competitiva e eficiente. Criou-se um conselho de diretores independente e aboliu-se o monopólio de exploração no país. A profissionalização, porém, deu passos para trás nos últimos anos. "Criou-se uma cultura na Petrobras em que o que conta é a capacidade de articulação política dos funcionários, e não os aspectos técnicos do trabalho; os funcionários perdem um tempo enorme se compondo com aliados e procurando prejudicar os inimigos", disse um ex-conselheiro da empresa a EXAME. Recentemente, o cargo de diretor da nova unidade de biocombustíveis da Petrobras foi usado para resolver uma disputa interna. O novo diretor da unidade, Alan Kardec Pinto, exgerente de abastecimento e refino e apoiado pelo PT, recebeu a cadeira como uma espécie de prêmio de consolação depois de entrar em rota de choque com seu chefe imediato, o diretor de abastecimento, Paulo Roberto Costa, apadrinhado de outro partido, o PP. Engenheiro e ex-gerente de abastecimento da Petrobras, Kardec nunca escondeu seu interesse pelo posto de Costa. Acabou afastado em 2007 e reacomodado em uma assessoria da presidência, de onde saiu para ocupar o novo cargo. A Petrobras foi e continua a ser uma potência no Brasil e em seu setor. Mas seus números, embora ainda impressionantes, deixam claro que algumas coisas na empresa podem e devem ser melhoradas.

A Petrobras perdeu em rentabilidade...

Com o lucro em queda, a estatal caiu três posições no ranking de rentabilidade das empresas com ações na bolsa de Nova York (em percentual do lucro sobre patrimônio líquido)

2006


1. Marathon Oil (EUA)

39,8

2. Anadarko Petroleum (EUA)

37,4

3. Exxon (EUA)

35,1

4. Valero Energy (EUA)

32,4

5. Petrobras (Brasil)

30,5

6. Chevron Texaco (EUA)

26,0

7. Occidental Petrol (EUA)

24,4

8. Chesapeake Energy (EUA)

23,0

9. ConocoPhillips (EUA)

22,9

10. Apache (EUA)

21,5

2007


1. Exxon (EUA)

34,4

2. Valero Energy (EUA)

28,2

3. Exelon (EUA)

27,2

4. Occidental Petrol (EUA)

25,7

5. Chevron (EUA)

25,6

6. Anadarko Petroleum (EUA)

24,1

7. Marathon Oil (EUA)

23,3

8. Petrobras (Brasil)

22,1

9. Apache (EUA)

19,6

10. Devon Energy (EUA)

18,2

Fonte: Economática

...e em eficiência(1)

De 2000 a 2006, a Petrobras perdeu três posições entre as empresas mais eficientes do mundo

RANKING DE 2000


1. Saudi Aramco (Arábia Saudita)

2. PDVSA (Venezuela)

3. Exxon (EUA)

4. Nioc (Irã)

5. Shell (Reino Unido/Holanda)

6. Pemex (México)

7. British Petroleum (Reino Unido)

8. TotalFinaElf (França)

9. Petrochina (China)

10. Pertamina (Indonésia)

11. Sonatrach (Argélia)

12. Petrobras (Brasil)

13. KPC (Kuwait)

14. Chevron Texaco (EUA)

15. ConocoPhillips (EUA)

RANKING DE 2006


1. Saudi Aramco (Arábia Saudita)

2. Nioc (Irã)

3. Exxon (EUA)

4. British Petroleum (Reino Unido)

5. PDVSA (Venezuela)

6. Shell (Reino Unido/Holanda)

7. Petrochina (China)

8. ConocoPhillips (EUA)

9. Chevron (EUA)

10. TotalFinaElf (França)

11. Pemex (México)

12. Gazprom (Rússia)

13. Sonatrach (Argélia)

14. KPC (Kuwait)

15. Petrobras (Brasil)

(1) Ranking montado pela Petroleum International Weeklycom base na avaliação dos seguintes critérios: reservas e produção de petróleo, reservas e produção de gás, capacidade de refino e volume de vendas



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