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segunda-feira, março 31, 2008

Bradesco terá ganho extraordinário de R$ 352 milhões com venda de ações em IPO da Visa

SÃO PAULO - O Bradesco teve um ganho de R$ 352 milhões com a venda de parte das ações que possuía na Visa Inc., que concluiu sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de ações na semana retrasada.

Segundo comunicado do banco, a venda das ações deve gerar um lucro antes de impostos no valor de R$ 352 milhões, que serão contabilizados no balanço do primeiro trimestre deste ano.

O banco informou que ainda possui uma participação remanescente de 3,7 milhões de ações da Visa, que estaria avaliada em US$ 163 milhões se for considerado o valor de venda da ação no IPO, de US$ 44. Estas ações não poderão ser vendidas nos próximos três anos. Hoje as ações da Visa fecharam cotadas a US$ 62,36.

Concluído no dia 18 de março, o IPO da empresa de cartão de crédito Visa movimentou US$ 17,86 bilhões, sendo o maior já registrado nos Estados Unidos.

A operação ultrapassou com folga a oferta da AT & T Wireless, que em 2000 obteve US$ 10,6 bilhões.

(Valor Online)

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Risco Brasil sobe 2,16% e fecha aos 284 pontos

SÃO PAULO - Considerado um dos principais termômetros da confiança dos investidores na economia brasileira, o EMBI+ Brasil, calculado pelo Banco JP Morgan Chase, terminou a segunda-feira aos 284 pontos, uma alta de 2,16% perante os 278 pontos do fechamento da sexta-feira. No acumulado do primeiro trimestre, o índice subiu 28,51%.

No mercado secundário de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40 era negociado a 133,75% do seu valor de face, com leve queda de 0,04%. O segundo papel mais representativo do índice do JP Morgan, o Global 18 ou A-Bond (Amortizing Bond ou Bônus de Amortização), marcava 112,063%, com avanço de 0,16%.

Sobre o EMBI + Brasil

O Emerging Markets Bond Index - Brasil é um índice que reflete o comportamento dos títulos da dívida externa brasileira. Corresponde à média ponderada dos prêmios pagos por esses títulos em relação a papéis de prazo equivalente do Tesouro dos Estados Unidos, tido como o país mais solvente do mundo, de risco praticamente nulo.

O indicador mensura o excedente que se paga em relação à rentabilidade garantida pelos bônus do governo norte-americano. Significa dizer que a cada 100 pontos expressos pelo risco Brasil, os títulos do país pagam uma sobretaxa de 1% sobre os papéis dos EUA.

Basicamente, o mercado usa o EMBI+ para medir a capacidade de um país honrar os seus compromissos financeiros. A interpretação dos investidores é de que quanto maior a pontuação do indicador de risco, mais perigoso fica aplicar no país. Assim, para atrair capital estrangeiro, o governo tido como " arriscado " deve oferecer altas taxas de juros para convencer os investidores externos a financiar sua dívida - ao que se chama prêmio pelo risco.

(Valor Online, com agências internacionais)

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Ações que mais subiram e caíram no primeiro trimestre

Por: Gustavo Kahil
31/03/08 - 18h28
InfoMoney

SÃO PAULO - O Ibovespa registrou queda de 4,6% nos três primeiros meses deste ano, o pior desempenho desde o segundo trimestre de 2005. Algumas ações chamam atenção pela forte desvalorização, que chega a superar os 40% no período.

Os papéis de GOL, Cesp, Banco do Brasil, ALL e Duratex figuram no fundo do índice. Em sentido contrário, os ativos de Telemar, Telemar Norte Leste, Cosan, Usiminas e CSN, apresentam os melhores desempenhos dentre as 64 ações do principal índice da bolsa brasileira.

Resultados trimestrais abaixo ou acima do esperado por analistas, rumores de mercado, expectativas de consolidação, novos produtos e recuperação de preços dos produtos vendidos estão entre os motivos que explicam o desempenho destas empresas no período.

Vencedoras: Telemar no topo
A possível compra da Brasil Telecom pelo grupo Oi foi o principal fator para a expressiva valorização acumulada dos papéis da Telemar e da Telemar Norte Leste no trimestre. O mercado espera o anúncio da operação já nos próximos dias.

Depois de conquistar o título de pior desempenho no ano passado, as ações do grupo Cosan voltaram a subir. A redução das incertezas sobre as mudanças na estrutura societária abriram espaço para novas projeções. Consolidação e a criação de um alcoolduto também mexem com as ações.

Apesar do aumento nos preços da sua principal matéria-prima, o setor siderúrgico brasileiro destaca-se com a manutenção de ativos de mineração em portfólio. Este é o caso da CSN, com a Casa de Pedra, e da Usiminas, que comprou recentemente a mineradora J.Mendes.

Sobe

Empresa

Var. no ano

Motivos

Telemar (TNLP4)

+36,46%

Possível aquisição da Brasil Telecom

Telemar Norte Leste (TMAR5)

32,85%

Possível aquisição da Brasil Telecom

Cosan (CSAN3)

+25,00%

Consolidação, recuperação dos preços do açúcar e alcoolduto

Usiminas (USIM5)

+21,87%

Resultado trimestral, Reajuste de preços e aquisição de ativo de mineração

CSN (CSNA3)

+19,09%

Plano de recompra de ações e reajuste do minério de ferro, que beneficia empresa

Desce

Empresa

Var. no ano

Motivos

GOL (GOLL4)

-40,38%

Redução de guidance, fracos resultados trimestrais e crise aérea

Cesp (CESP6)

-33,69%

Fracasso no leilão de venda da companhia faz ações despencarem

Banco do Brasil (BBAS5)

-23,39%

Resultados trimestrais, disputa por folha de pagamento e ação trabalhista

ALL (ALLL11)

-23,18%

Resultados abaixo do esperado e ajuste

Duratex (DURA4)

-21,99%

Produção próxima do limite e forte pressão vendedora



Perdedoras: GOL voando baixo
Penalizadas pelas incertezas com a regulamentação do setor, que adiam cada vez mais o final da crise aérea, as ações da GOL lideraram o lado negativo do índice neste primeiro trimestre. Analistas ressaltam que a companhia tem elevado muito os custos operacionais. Além disso, a empresa reduziu as projeções dos resultados para o primeiro trimestre do ano.

Os papéis da Cesp ocuparam a vice-liderança do lado negativo da bolsa. O fracasso do leilão de venda da companhia penalizou fortemente o desempenho das ações, que chegaram a cair 20% em apenas uma sessão. As ações do Banco do Brasil, apesar de receberem recomendações positivas, sofreram com os resultados trimestrais, perda de ação trabalhista e disputa por uma folha de pagamento.

Afetadas por resultados abaixo do esperado, as units da ALL aparecem entre as perdedoras do ano. Apesar de ter revertido prejuízos, o desempenho ficou aquém das expectativas traçadas por analistas. Mesmo apresentando boas perspectivas para o ano, as ações da Duratex têm sido pressionadas por uma forte pressão vendedora. Além disso, a empresa estaria com a capacidade de produção próxima do limite.


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Mesmo sensíveis à crise, papéis ligados a commodities guardam boas oportunidades

SÃO PAULO - Os sinais da crise passaram a ser evidenciados pelo mercado internacional de commodities, que na semana anterior amargou bruscas oscilações. A grande questão levantada é como o preço das matérias-primas vai reagir à disseminação da crise de crédito.

Grande parte das commodities vem de um respeitável ciclo ascendente nos últimos anos, sustentado basicamente pela sólida demanda em nível global. Mas o enfraquecimento da atividade econômica ao redor do mundo pode penalizar esse retrato, fator que alimenta as dúvidas com o futuro deste segmento.

Internamente, a grande dependência da economia brasileira do mercado de commodities amplia ainda mais estas preocupações, tendo em vista que um volume considerável dos ativos de maior liquidez da bolsa brasileira é atrelado às variações do mercado internacional de commodities.

De olho nesta questão, os analistas do Citigroup buscaram avaliar o atual momento dos papéis brasileiros diretamente relacionados às oscilações de preço das matérias-primas. De modo geral, as perspectivas ainda favorecem as ações brasileiras do setor, com maior destaque para os ativos da Petrobras e do segmento de papel e celulose.

Petrobras pode trazer surpresas...

As ações de maior volume da bolsa brasileira acumulam desvalorização superior a 17% desde o começo do ano, fator que gera dúvidas se o momento é bom para a compra dos ativos ou as perspectivas incorporam incertezas suficientes para limitar ainda mais o potencial das ações.

Na avaliação dos analistas do Citi, o noticiário pode trazer novas surpresas agradáveis para os acionistas da estatal, fator que sustenta a recomendação de compra às ações. Para a instituição, a camada pré-sal ainda reserva grande potencial de novas jazidas, que podem estar próximas de serem anunciadas.

Em adição, o Citi ressaltou que espera uma resposta operacional da empresa, com o crescimento da produção, outro ponto positivo para a Petrobras. Em meio a estas considerações favoráveis, os analistas buscaram citar que vêem com otimismo as operações da estatal no segmento de óleo e gás natural, mas as investidas em outros ramos não agradam na mesma proporção.

Papel e celulose em alta

A Petrobras dividiu os holofotes com os ativos ligados ao mercado de papel e celulose. A perspectiva estável em relação aos preços, com o aguardo de um reajuste para abril, se uniu à visão otimista da possibilidade de um movimento de consolidação do setor para determinar a recomendação favorável com o segmento.

Tendo em vista essas premissas, os analistas reiteraram sua sugestão de compra para os papéis dos principais drivers brasileiros do setor, Aracruz, Suzano e VCP.

Bom também para Cosan e Ultrapar

Já em relação aos papéis da Cosan, duramente penalizados no ano passado, os analistas acreditam que a combinação positiva entre demanda e custos operacionais relativamente baixos tende a guiar o momento dos papéis, fator que se alia à possibilidade de consolidação.

O foco da administração da Ultrapar em gerar valor a seus acionistas foi destacado como importante tópico à atratividade dos papéis da companhia, que tiveram sugestão de compra reiterada. Também foram citados o programa de recompra de ações, o crescimento orgânico e o balanço operacional sólido.

Mais cautela com Braskem e Brasil Ecodiesel

Apesar de assumir que a administração da Braskem se esforça para conter o cenário macroeconômico negativo, os analistas destacaram a força do mesmo sobre o desempenho das ações. Inspirando maior cautela, o Citi recomenda a "manutenção" dos ativos da empresa.

Em relação às ações da Brasil Ecodiesel, o sentimento também é conservador. Na avaliação do banco, os fundamentos de curto prazo da companhia continuam "fracos". Ainda assim, algumas possibilidades podem beneficiar, como o novo leilão de biodiesel programado para abril, em que os analistas recomendam olhar com atenção para os preços adotados.

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domingo, março 30, 2008

Petrobrás, a menos rentável das petroliferas

Matéria da revista Exame

Mais longe das melhores

A queda de 17% no lucro da Petrobras revela a distância que existe entre a estatal brasileira e as grandes empresas petrolíferas do mundo

Geraldo Falcão/Banco de imagens Petrobras

Plataforma marítima da Petrobras: atrasos


Por Samantha Lima

EXAME O MAGNATA JOHN D. Rockefeller, fundador da primeira companhia petrolífera americana, a Standard Oil, cunhou no início do século passado uma definição cristalina para seu ramo de atividade: "O melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada. O segundo melhor negócio é uma empresa de petróleo mal administrada". A companhia petrolífera americana ExxonMobil, descendente direta da Standard Oil, enquadra-se na primeira parte desse axioma. Embalada pelos sucessivos recordes no preço do barril de petróleo, a ExxonMobil registrou no ano passado o maior lucro anual já obtido por uma corporação americana, de 41 bilhões de dólares, 5% maior que o registrado em 2006. Cravou ainda o maior faturamento do ano nos Estados Unidos, de 404 bilhões de dólares, à frente do Wal-Mart — 378 bilhões de dólares em 2007 —, e o destronou do posto de maior empresa aberta do mundo. A gigante brasileira Petrobras parece mais próxima da segunda parte da definição. Em um cenário extremamente favorável para o setor, com altas recordes da cotação do petróleo, a Petrobras viu seu lucro cair 17% no ano passado, o que significou uma perda equivalente a 2,6 bilhões de dólares em comparação ao resultado de 2006.

Como no aforismo de Rockefeller, a Petrobras está muito longe de ser um mau negócio. A empresa detém a mais avançada tecnologia de extração de petróleo de águas profundas no mundo e é conhecida como um centro de excelência em prospecção de reservas. Seu lucro em 2007, mesmo sendo inferior ao de 2006, foi de 21,5 bilhões de reais (12 bilhões de dólares), o maior registrado por uma empresa brasileira no ano passado. A receita líquida da companhia cresceu 8% e fechou o ano em 170 bilhões de reais (96 bilhões de dólares). A descoberta da gigantesca reserva de Tupi na costa brasileira levou a um crescimento de 87% em seu valor de mercado, que ultrapassou os 200 bilhões de dólares. No entanto, mesmo números tão excepcionais não conseguiram mascarar o fato de que o desempenho da Petrobras ficou muito aquém das melhores empresas do setor no período. Um levantamento conduzido por EXAME com base nos resultados financeiros de dez das principais empresas de petróleo do mundo (Exxon, Shell, TotalFinaElf, Eni, Sinopec, Petrobras, Pemex, PDVSA, Gazprom e Repsol) aponta que apenas quatro delas não registraram crescimento nos lucros em 2007: a Petrobras, a mexicana Pemex, a venezuelana PDVSA e a russa Gazprom — todas empresas estatais. As demais tiveram crescimento. A expansão abarcou da espanhola Repsol, com apenas 2%, à chinesa Sinopec, com espetaculares 40%.

O cenário foi favorável

Resultados de algumas das principais companhias petrolíferas do mundo em 2007, ano em que a cotação do barril de petróleo bateu sucessivos recordes

EXXON
(Estados Unidos)

Resultado em 2007(1)
Lucro de 41 bilhões de dólares

Variação em relação a 2006
Crescimento de 5%

O que diz a empresa
Todas as áreas da empresa tiveram forte desempenho, amplificado pelo preço do petróleo

SHELL
(Reino Unido e Holanda)

Resultado em 2007(1)
Lucro de 31 bilhões de dólares

Variação em relação a 2006
Crescimento de 23%

O que diz a empresa
Aumento na produção e alta do petróleo justificam os resultados "satisfatórios"

TOTALFINAELF
(França)

Resultado em 2007(1)
Lucro de19 bilhões de dólares

Variação em relação a 2006
Crescimento de 12%

O que diz a empresa
As condições do mercado para a indústria foram favorecidas pela alta do petróleo

ENI
(Itália)

Resultado em 2007(1)
Lucro de 15 bilhões de dólares

Variação em relação a 2006
Crescimento de 8%

O que diz a empresa
Mesmo com queda de 2% na produção e desvalorização do dólar, obteve bons resultados

SINOPEC
(China)

Resultado em 2007(1)
Lucro de 10 bilhões de dólares

Variação em relação a 2006
Crescimento de 40%

O que diz a empresa
Melhor controle de custos, maior integração de recursos e inovação tecnológica

PETROBRAS
(Brasil)

Resultado em 2007(1)
Lucro de 12 bilhões de dólares

Variação em relação a 2006
Queda de 17%

O que diz a empresa
Ajuste no plano de pensão dos funcionários e variação cambial prejudicaram o resultado

PEMEX
(México)

Resultado em 2007(1)
Prejuízo de 1,4 bilhão de dólares

Variação em relação a 2006
Queda de mais de 100%

O que diz a empresa
A produção caiu pelo esgotamento de poços. Se não fosse a alta do petróleo, o prejuízo seria maior

Fonte: empresas

TER UM ANO DE GANHOS MENORES, quando a maioria das outras empresas do setor comemora resultados históricos, já seria suficientemente preocupante. Mas a questão central para a Petrobras é de outra natureza: a distância entre a estatal brasileira e suas congêneres internacionais vem aumentando. Um ranking produzido especialmente para esta reportagem pela consultoria Economática dá uma idéia disso. De 2006 para 2007, a Petrobras caiu da quinta para a oitava posição entre as dez maiores empresas de petróleo com ações negociadas na principal bolsa de valores do mundo, a de Nova York. O estudo avalia a rentabilidade das companhias, indicador que mede a relação de lucro com patrimônio líquido. Segundo ele, a Petrobras ficou à frente apenas das americanas Apache e Devon. Para os executivos da estatal, a comparação com as congêneres americanas é injusta. "Há diferenças nas regras contábeis do Brasil e dos Estados Unidos que influenciam os resultados", diz Almir Barbassa, diretor financeiro da Petrobras. Em outra pesquisa, publicada pela revista especializada Petroleum International Weekly, a Petrobras caiu três posições no ranking das empresas mais eficientes do mundo, de 2000 a 2006 (levantamento mais recente disponível). O ranking atribui pontuações às companhias com base em seis indicadores, que levam em conta as reservas, a capacidade de produção, a capacidade de refino e o volume de vendas.

Oficialmente, a queda no lucro da Petrobras foi provocada por quatro fatores: impacto da desvalorização do dólar sobre os ativos no exterior, aumento nos gastos com a importação de produtos, ajustes no plano de pensão dos funcionários e aumento nos custos de fornecimento de bens, serviços e recursos humanos na indústria petrolífera. O dólar, de fato, foi um problema — especialmente porque a Petrobras não estava protegida por um hedge cambial que previsse o enfraquecimento da moeda americana. Equipamentos usados pelas petroleiras em extração tiveram aumento médio de 24% no mercado internacional — mas isso valeu para todas as empresas do setor. O mesmo aconteceu com o encarecimento dos serviços e da mão-de-obra. Para especialistas ouvidos por EXAME, os problemas vão além, portanto, e estão profundamente enraizados no viés político que domina a administração da companhia. Um exemplo: a decisão do governo de não repassar os aumentos do petróleo aos preços de derivados como gasolina e óleo diesel custou à Petrobras 5,8 bilhões de reais de setembro de 2005, quando ocorreu o último reajuste, para cá — segundo um cálculo feito pela consultoria Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE). Apenas no mês passado, a defasagem custou à empresa 16 milhões de reais diários, de acordo com o CBIE. "Essa é uma decisão política que tem grande impacto nos resultados da empresa", diz o consultor Adriano Pires, do CBIE. O controle de preços é comum em países como Argentina, Venezuela, México e China. Nos Estados Unidos e na Europa, os custos são imediatamente repassados para os consumidores. Parte dos investimentos recentes feitos pela Petrobras ainda não se transformou em resultado, o que também é um fator a prejudicar o resultado final. No ano passado, a estatal investiu 18 bilhões de reais, 20% mais que em 2006 e um recorde em toda a sua história. É possível que ocorram ganhos de produtividade no futuro. Mas, em 2007, a produção de petróleo e gás permaneceu praticamente estagnada em 2,3 milhões de barris diários. Das cinco novas plataformas previstas para entrar em operação no ano, apenas uma começou efetivamente a produzir no prazo programado. Como resultado, a companhia, que chegou a anunciar a auto-suficiência em 2006, importou 390 000 barris diários em 2007. "A Petrobras é a maior empresa de operação em águas profundas no mundo, e extrair petróleo nessas condições é uma operação complexa, passível de atrasos", diz o diretor Barbassa. Para os analistas, o argumento é plausível, mas isso não significa que o mercado seguirá tão condescendente em relação à empresa. "Todos estão atentos, e talvez a paciência não seja a mesma caso esses problemas voltem a se repetir", diz Eduardo Roche, gerente de análise da gestora de investimentos Modal Asset. A posição e o prestígio que a Petrobras tem hoje no cenário petrolífero internacional são resultado de um quadro técnico de primeira linha e de um esforço de rofissionalização iniciado nos anos 90. Naquela ocasião, a estrutura corporativa da empresa foi modificada para torná-la mais transparente, competitiva e eficiente. Criou-se um conselho de diretores independente e aboliu-se o monopólio de exploração no país. A profissionalização, porém, deu passos para trás nos últimos anos. "Criou-se uma cultura na Petrobras em que o que conta é a capacidade de articulação política dos funcionários, e não os aspectos técnicos do trabalho; os funcionários perdem um tempo enorme se compondo com aliados e procurando prejudicar os inimigos", disse um ex-conselheiro da empresa a EXAME. Recentemente, o cargo de diretor da nova unidade de biocombustíveis da Petrobras foi usado para resolver uma disputa interna. O novo diretor da unidade, Alan Kardec Pinto, exgerente de abastecimento e refino e apoiado pelo PT, recebeu a cadeira como uma espécie de prêmio de consolação depois de entrar em rota de choque com seu chefe imediato, o diretor de abastecimento, Paulo Roberto Costa, apadrinhado de outro partido, o PP. Engenheiro e ex-gerente de abastecimento da Petrobras, Kardec nunca escondeu seu interesse pelo posto de Costa. Acabou afastado em 2007 e reacomodado em uma assessoria da presidência, de onde saiu para ocupar o novo cargo. A Petrobras foi e continua a ser uma potência no Brasil e em seu setor. Mas seus números, embora ainda impressionantes, deixam claro que algumas coisas na empresa podem e devem ser melhoradas.

A Petrobras perdeu em rentabilidade...

Com o lucro em queda, a estatal caiu três posições no ranking de rentabilidade das empresas com ações na bolsa de Nova York (em percentual do lucro sobre patrimônio líquido)

2006


1. Marathon Oil (EUA)

39,8

2. Anadarko Petroleum (EUA)

37,4

3. Exxon (EUA)

35,1

4. Valero Energy (EUA)

32,4

5. Petrobras (Brasil)

30,5

6. Chevron Texaco (EUA)

26,0

7. Occidental Petrol (EUA)

24,4

8. Chesapeake Energy (EUA)

23,0

9. ConocoPhillips (EUA)

22,9

10. Apache (EUA)

21,5

2007


1. Exxon (EUA)

34,4

2. Valero Energy (EUA)

28,2

3. Exelon (EUA)

27,2

4. Occidental Petrol (EUA)

25,7

5. Chevron (EUA)

25,6

6. Anadarko Petroleum (EUA)

24,1

7. Marathon Oil (EUA)

23,3

8. Petrobras (Brasil)

22,1

9. Apache (EUA)

19,6

10. Devon Energy (EUA)

18,2

Fonte: Economática

...e em eficiência(1)

De 2000 a 2006, a Petrobras perdeu três posições entre as empresas mais eficientes do mundo

RANKING DE 2000


1. Saudi Aramco (Arábia Saudita)

2. PDVSA (Venezuela)

3. Exxon (EUA)

4. Nioc (Irã)

5. Shell (Reino Unido/Holanda)

6. Pemex (México)

7. British Petroleum (Reino Unido)

8. TotalFinaElf (França)

9. Petrochina (China)

10. Pertamina (Indonésia)

11. Sonatrach (Argélia)

12. Petrobras (Brasil)

13. KPC (Kuwait)

14. Chevron Texaco (EUA)

15. ConocoPhillips (EUA)

RANKING DE 2006


1. Saudi Aramco (Arábia Saudita)

2. Nioc (Irã)

3. Exxon (EUA)

4. British Petroleum (Reino Unido)

5. PDVSA (Venezuela)

6. Shell (Reino Unido/Holanda)

7. Petrochina (China)

8. ConocoPhillips (EUA)

9. Chevron (EUA)

10. TotalFinaElf (França)

11. Pemex (México)

12. Gazprom (Rússia)

13. Sonatrach (Argélia)

14. KPC (Kuwait)

15. Petrobras (Brasil)

(1) Ranking montado pela Petroleum International Weeklycom base na avaliação dos seguintes critérios: reservas e produção de petróleo, reservas e produção de gás, capacidade de refino e volume de vendas



__,_._,___

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Descoberto outro poço na Bacia de Santos:

Petrobrás ainda vai fazer testes para determinar potencial do reservatório
(Estadão) Nicola Pamplona

A Petrobrás encontrou mais um reservatório de petróleo e gás abaixo da camada de sal na Bacia de Santos. Foi no bloco BM-S-8, ao sul das reservas gigantes de Tupi. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) recebeu a notificação no dia 6. A empresa informou que não fez comunicado ao mercado porque ainda não foram feitos testes de produção para avaliar o potencial da jazida.

Esse é o nono poço bem-sucedido na região, que vem sendo encarada como a principal província petrolífera mundial encontrada nos últimos anos. Em apenas quatro poços foram feitos testes de produção.

O BM-S-8 fica no entorno de uma área com potencial de reservas, batizada pela Petrobrás e seus sócios de Carioca, que se estende por quatro blocos exploratórios na porção paulista da Bacia de Santos.

Analistas acreditam que essa área pode ser maior que a de Tupi, onde a estatal encontrou de 5 bilhões e 8 bilhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás). Em relatório de dezembro do ano passado, o Banco Credit Suisse estimava a existência de algo entre 7 bilhões e 24,5 bilhões de barris em Carioca.

No mercado, especula-se que a falta de comunicado sobre a descoberta pode indicar que os volumes encontrados não são tão representativos quanto os de Tupi ou de Júpiter - esse último descoberto em janeiro, com "uma grande jazida de gás", segundo nota divulgada na época.

O BM-S-8 fica em uma área chamada de franja do pré-sal, ou seja, na borda dos principais reservatórios identificados. Para o Credit Suisse, o bloco tem o menor potencial dos quatro que compõem Carioca, com estimativa de reservas de 250 milhões e 750 milhões de barris.

A justificativa para a falta de teste de produção vai de encontro à atitude adotada na ocasião da descoberta de Júpiter, onde também não foi feito teste, porque a plataforma precisava ser levada para manutenção.

O poço no BM-S-8 foi perfurado pela plataforma Noble Paul Wolf e, segundo a empresa informou à ANP no início dos trabalhos, atingiria 7 mil metros de profundidade. Concluída a perfuração, a plataforma segue para o BM-S-24, onde foi descoberto Júpiter, para avaliar a extensão das reservas.

A Petrobrás não deu detalhes a respeito dos trabalhos no BM-S-8, onde tem como sócios a anglo-holandesa Shell e a portuguesa Galp. Observadores próximos dizem que a repercussão das descobertas abaixo da camada de sal fez a estatal a adotar postura mais cautelosa na divulgação de informações sobre o novo poço. A notificação da descoberta à ANP, porém, é obrigação legal e deve ser feita em até 72 horas após a sonda atingir o reservatório.

O BM-S-8 foi adquirido na segunda rodada de licitações da ANP, em 2000, e tem prazo de exploração vencendo este ano. Algumas áreas em seu entorno estão na lista de ofertas da oitava rodada de licitações, suspensa em 2006 por liminar judicial. A agência deve retomar a licitação, mas, segundo o diretor Nelson Narciso, o potencial desses blocos não é tão grande, uma vez que estão na franja do pré-sal.

NOVA PERFURAÇÃO
A Petrobrás começou neste mês a perfurar o segundo poço do bloco BM-S-9, também em Carioca. A perfuração está a cargo da plataforma Stena Drill Max, contratada pela espanhola Repsol, e deve chegar a 6 mil metros. O BM-S-9 teve uma descoberta anunciada em agosto, em um dos quatro poços testados pela Petrobrás nas descobertas abaixo do sal.

A área identificada como Carioca estende-se ainda, ao sul, pelos blocos BM-S-21 e BM-S-22, esse último operado pela americana Exxon. Na porção fluminense da Bacia de Santos estão Tupi, Júpiter e Parati, todos já com poços perfurados.

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Petrobras Makes Oil Discovery Off Brazil Coast, Estado Reports

fonte: http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=newsarchive&sid=aiLH0d1qHJfE

By Guillermo Parra-Bernal

March 29 (Bloomberg) -- Petroleo Brasileiro SA, also known as Petrobras, found oil and natural gas off the coast of Brazil, Estado de S. Paulo reported, citing unidentified people.

The BM-S-8 offshore basin is south of the Tupi field, which may hold 8 billion barrels of oil, the Brazilian newspaper said. A Petrobras spokesman who declined to be identified declined to comment on the story, Estado reported.

Miriam Guaraciaba, a spokeswoman for Petrobras in Rio de Janeiro, didn't immediately return calls to her office and mobile phones outside of business hours.

Petrobras, Royal Dutch Shell Plc and Portugal's Galp Energia SGPS SA are searching together for oil in the Santos Basin region, off the coast of Brazil's Sao Paulo and Rio de Janeiro states, Estado said.

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sábado, março 29, 2008

Desdobramento PETR4

Desdobramento das Ações Representativas do Capital Social

Desdobramento das ações representativas do capital social em 100%, tanto para as ações negociadas na BOVESPA, quanto para as vinculadas aos ADR (American Depositary Receipts)
negociados na Bolsa de Nova Iorque, resultando:

i) na distribuição gratuita de 1 (uma) ação nova da mesma espécie para cada 1 (uma) ação
possuída em 25/04/08;

ii) na distribuição gratuita de 1 (um) ADR da mesma espécie para cada 1 (um) ADR
possuído; e

iii) na conseqüente alteração da redação do art. 4º do Estatuto Social da Companhia, a partir
da data do desdobramento, ressalvando que a relação entre os ADR e as ações
correspondentes de cada espécie será mantida, continuando “duas (2) ações por um (1) ADR.


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quarta-feira, março 26, 2008

Antes do prazo anunciado, Bovespa e BM&F anunciam integração das atividades

SÃO PAULO - A Bovespa (BOVH3) e a BM&F (BMEF3) anunciaram na noite desta terça-feira (25) que entraram em um acordo para a integração das suas atividades.

O anúncio do acordo entre as bolsas chega antes do prazo máximo de 60 dias estabelecido pelas companhias no dia 19 de fevereiro, quando informaram, por meio de 'fato relevante', o início das conversações.

Detalhes da operação

As Bolsas convidaram a imprensa para uma coletiva na manhã da quarta-feira (26), ocasião na qual "serão anunciados e esclarecidos os termos do acordo celebrado entre as duas companhias para a realização de sua integração", informa a nota distribuída.

De acordo com analistas, a fusão entre Bovespa e BM&F poderá se dar por duas formas. A primeira é a oferta de dinheiro e ações da Bovespa Holding, que tem cerca de R$ 1,4 bilhão em caixa, pelo controle da BM&F e, a segunda, a criação de uma nova empresa que incorporaria ambas. De acordo com informações preliminares, a empresa resultante do negócio será provisoriamente chamada de Nova Bolsa.

Consolidação global

Um dos pontos que teria acelerado o processo de negociação entre as duas é a possibilidade da CME (Chicago Mercantile Exchange) elevar a participação na BM&F com vistas à aquisição do controle. Para fazer frente a possíveis ofertas indesejadas, a união fortaleceria as bolsas. Para analistas, a integração é um processo natural.

Com a operação, o Brasil se firma como o principal mercado financeiro da América Latina e constitui uma das maiores bolsas de valores e futuros do mundo, preparando-se para conviver com o cenário de consolidação do setor em escala global.

Aberturas

Em um IPO (Initial Public Offering) histórico, a Bovespa abriu o seu capital em 26 de outubro de 2007 na maior oferta já realizada desde a reabertura dos mercados em 2004. A captação chegou a R$ 6,62 bilhões.

Pouco tempo depois, em 30 de novembro do ano passado, a BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) também ofertou papéis, arrecadando, no total, R$ 5,98 bilhões. A participação das pessoas físicas, motivadas pela
valorização de 52% na estréia da Bovespa, chegou a 253.707 investidores.

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segunda-feira, março 24, 2008

Ações da Vale reagem com recomendação do Goldman Sachs e elevam Ibovespa

Por: Conrado Mazzoni Cruz
24/03/08 - 20h11
InfoMoney

SÃO PAULO - Os papéis da Vale contribuíram decisivamente para um início de semana positivo do principal índice acionário da Bovespa, após as perdas da semana passada. Depois de caírem mais de 9% neste período, as ações PNA (VALE5) e as ordinárias (VALE3) experimentaram sólida recuperação e encerraram com altas de respectivamente 4,75% e 5,15% no pregão desta segunda-feira (24).

A mineradora contou com auxílio de recomendação anunciada pelo Goldman Sachs para apagar o fraco histórico recente. O banco de investimentos norte-americano incluiu os ativos da empresa em sua lista de "convicção de compra". O desempenho das ações, que possuem peso grande no índice, contribuíram com a recuperação do Ibovespa nesta sessão.

A notícia motivou investidores a ampliarem exposição na Vale, corrigindo o recuo no preço oriundo da avalanche que abateu o mercado de capitais brasileiro nos últimos dias. A desvalorização nas cotações de metais derrubou os papéis de grandes produtoras de commodities, como a mineradora.

Commodities
Para analistas, a performance decepcionante dos ativos da mineradora na semana passada acompanhava uma derrocada dos pares externos e ignorava fundamentos, como a conclusão das negociações para o reajuste do preço da pelota de ferro de alto forno para 2008 com a Ilva, maior siderúrgica da Itália.

A reversão da trajetória de queda nos preços de commodities também colabora com o cenário mais tranqüilo para a companhia. Vítimas do fluxo do capital especulativo, as cotações de metais como ouro e prata apresentaram recuperação, com o sentimento de "exagero" sobre a baixa recente.

Tendência
A Tendências Consultoria acredita que as commodities continuarão a ser negociadas em altos patamares e com elevada volatilidade nas cotações, ainda que reconheça as grandes dificuldades em prever a extensão da atual crise.

De acordo com analistas, o declínio reportado pelas commodities representou a maior queda semanal no mercado desde 1956. Vale destacar que, para a Merrill Lynch, o principal driver atual das ações da Vale segue sendo os desdobramentos da possível aquisição da anglo-suíça Xstrata, apesar do impacto dos preços de matérias-primas.

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Mercado de capitais esfria no Brasil, mas ocupa o ponto mais alto da história

Por: Gustavo Kahil
24/03/08 - 20h18
InfoMoney

SÃO PAULO - O mercado de capitais brasileiro freou neste ano. Depois de atingir recordes em 2007, como o número de operações de ofertas iniciais de ações, e a quebra da marca dos 60 mil pontos do Ibovespa, a crise de crédito nos EUA lançou incertezas sobre o desempenho de 2008.

"Estamos vivendo uma correção de ativos como nunca vimos nos tempos recentes", aponta Roberto Teixeira da Costa, profissional com mais de 50 anos de mercado e primeiro presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão que regula o mercado de capitais.

Aproximadamente 20 empresas já desistiram de ofertar ações neste ano, mostra o portal da CVM na internet, movimento também notado nos EUA e no mundo. De acordo com dados da WFE (World Federation of Exchanges), foram realizadas apenas cinco IPOs na Bolsa de Nova York em janeiro deste ano.

O Ibovespa acumula neste ano perdas de cerca de 7%, o que configura, até o momento, o pior desempenho trimestral desde o último trimestre de 2002, quando iniciou o mais recente ciclo de alta da bolsa brasileira. "O ciclo começou exatamente em 17 de outubro de 2002", explica Thomas Tosta de Sá, diretor da Mercatto Gestão de Recursos e também ex-presidente da CVM.

Mercado maduro
"O ano de 2008 será particularmente difícil em todos os mercados devido à crise do mercado imobiliário norte-americano", afirma Tosta de Sá. Apesar dos números nada animadores para este ano, a percepção dos participantes do mercado é de que o Brasil passa por um momento inédito e maduro do mercado de capitais.

Tal desempenho sugere que uma recuperação está próxima. "A tendência positiva do mercado de capitais veio para ficar", diz Rodolfo Zabisky, CEO (Chief Executive Officer) da MZ Consult, empresa que presta assessoria de Relações com Investidores para empresas de capital aberto ou no processo do pré-IPO. "Dificilmente veremos o que aconteceu nos anos 90", acredita Zabisky.

O executivo afirma que tem ouvido de bancos de investimentos que entre maio e junho as operações de abertura de capital podem retornar. As operações, contudo, tendem a ser maiores, com o mercado mais seletivo e operações superiores a R$ 500 milhões. Zabisky revela ainda que novos clientes ainda têm procurado os serviços com vistas a lançar ações, porém em um ritmo menor.

Otimismo no longo prazo
Do ponto de vista de quem acompanha o mercado há décadas, as incertezas e turbulências vividas nos primeiros meses do ano servem como alerta para o novo investidor. "O investidor precisa de cautela e não pensar em ter lucro no curto prazo porque isso pode não acontecer", sugere Paulo Campos, presidente do INI (Instituto Nacional dos Investidores).

Para ele, o momento pode até ser positivo ao mostrar que a baixa pode ser uma oportunidade de compra e que não é todo o ano que a bolsa vai subir. "É preciso traçar um preço médio e no futuro ter uma rentabilidade que irá refletir o aumento de valorização via os fundamentos das companhias", indica Campos.

O número de investidores pessoas físicas disparou em 2007, chegando a 456 mil, mais do que o dobro do registrado no ano anterior. "Quem entrou no final do ano está tomando ferro e pode querer ir embora. A volatilidade destes três meses não tinha sido vista nos últimos anos", diz Antônio Amado, diretor da Profins Business School, escola que forma investidores iniciantes e em processo de profissionalização.

De acordo com o professor, ainda não é notada uma queda na procura pelos cursos da escola, o que mostra o amadurecimento do mercado. "É um novo tipo de mão-de-obra. A decisão de treinamento e estudo é uma coisa que amadurece com o tempo e provavelmente ainda foi tomada no ano passado".

Otimista com o longo prazo, Tosta de Sá acredita que, apesar de um ajuste que o mercado possa vir a ter em 2008, será apenas um capítulo de um ciclo de alta que terá uma duração de 10 a 12 anos. "Teremos uma bolsa em alta até 2012 a 2014, que levará o Ibovespa aos 140 mil pontos. Isso não significa que não podemos ter nenhum ano de baixa".

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Ações do Fed, commodities e depreciação do dólar guiam mercado global de fundos

Por: Juliana Pall Farias
24/03/08 - 20h20
InfoMoney

SÃO PAULO - A decisão extraordinária do Banco Central dos EUA, tomada no último dia 15, de reduzir a taxa de redesconto em 25 pontos-base, e o corte de 75 pontos-base na Fed Funds Rate anunciado dois dias depois realimentaram o otimismo perante os fundos de investimento norte-americanos.

O suporte oferecido pelo Federal Reserve na compra da Bear Stearns pelo JP Morgan também foi decisivo, na avaliação da consultoria EPFR Global, na retomada da busca por fundos de ações do setor financeiro.

Também em foco no período em questão, o mercado de commodities, a despeito da volatilidade resultada dos temores de "bolha", mais uma vez foi procurado pelos investidores, que buscaram pelos fundos atrelados às matérias-primas.

Contudo, a consultoria destaca que, apesar do saldo semanal positivo, as sessões de derrocada nos preços desses produtos foram marcadas por forte fuga de capital de tais fundos, assim como entre as indústria de fundos de mercados emergentes amplamente expostos às commodities.

O fôlego do mercado norte-americano
Os fundos de ações dos EUA se descolaram da tendência de fuga de capital apresentada pelas demais potências econômicas do globo, com captação líquida (diferença entre aplicações e resgates) positiva no período de sete dias com fim em 19 de março.

Já os fundos de títulos norte-americanos apresentaram, no mesmo período, captação deficitária de US$ 216 milhões, contando com a contribuição positiva de US$ 218 milhões dos fundos de títulos municipais. Em âmbito global, o mercado de fundos de títulos experimentou, na semana encerrada na última quarta-feira (19), saída líquida de US$ 413 milhões.

A aversão ao risco em meio à volatilidade apresentada pelos mercados globais no período mais uma vez encontrou refúgio nos fundos de curto prazo, que na semana em questão apresentaram captação de US$ 8,8 bilhões, levando o saldo no acumulado de 2008 à marca de US$ 123 milhões.

Dólar fraco novamente penaliza fundos em Europa e Japão
Enquanto os fundos de ações norte-americanos experimentaram uma melhora de cenário com as intervenções do Federal Reserve, a tendência de depreciação do dólar renovou o pessimismo com os fundos de ações de outras potências, como Europa e Japão, uma vez que os EUA são responsáveis pelas exportações de, respectivamente, 24% e 22% destes mercados.

A maior dificuldade enfrentada pelo setor exportador dessas economias com o enfraquecimento do dólar e as perspectivas pouco otimistas diante dos lucros da empresas locais foram, na leitura da EPFR Global, os dois principais fatores que levaram os investidores a fugir dos fundos de ações de Europa e Japão.

No primeiro caso, a captação líquida negativa de US$ 3,22 bilhões apresentada na semana com fim em 19 de março levou o saldo anual aos US$ 21,8 bilhões negativos. Já no Japão o movimento de fuga de capital na última semana foi bem mais modesto, de US$ 35 milhões, todavia, selou, pela qüinquagésima vez nas 51 últimas semanas, captação deficitária dos fundos de ações japoneses.

Emergentes em posições distintas
Já entre os mercados emergentes, a EPFR Global identificou movimentos distintos. No geral, o saldo dos fundos de ações deste grupo foi negativo, de US$ 363 milhões. De acordo com a consultoria, as dúvidas quanto à competitividade do setor exportador, em um cenário de enfraquecimento do dólar, também penalizaram os fundos de ações emergentes.

Porém, na América Latina e entre os emergentes de Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês), mais expostos às commodities, tal movimento de fuga de capital teve menos força. Mesmo motivo que levou os fundos de ações da Rússia a selar oito semanas consecutivas de captação positiva.

Outro mercado de fundos de ações a registrar mesmo período de captação líquida superavitária é o de Taiwan, na avaliação da EPFR Global, resultado da expectativa de vitória da oposição nas eleições presidenciáveis do país, o que sinalizaria maior aproximação com a China. A despeito do bom desempenho do país, no geral os emergentes asiáticos não performaram bem, levando a captação líquida negativa no acumulado do ano a US$ 11 bilhões.

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quarta-feira, março 19, 2008

Fuja da alavancagem: Citi recomenda onde se deve e onde não se deve investir

Por: Juliana Pall Farias
19/03/08 - 14h35
InfoMoney

SÃO PAULO - Enquanto os mercados globais esbanjavam liquidez, muitas economias, empresas e investidores aproveitaram a facilidade de acesso ao capital para se alavancar.

Mas os desdobramentos da crise de crédito trouxeram uma brusca mudança de cenário, levando a equipe de estrategistas do Citigroup a avaliar, na atual conjuntura, onde se deve e onde não se deve aplicar.

De maneira geral, a recomendação é evitar a alavancagem. Seja em economias, em fundos, em empresas e até em investidores.

Emergentes e setores não-financeiros
Ainda que o mercado acionário não esteja imune às perdas oriundas da crise que toma conta das praças financeiras em âmbito global, a baixa alavancagem de determinadas companhias (fora do setor financeiro) e mercados emergentes ameniza estes impactos.

A resiliência destes às perdas não surpreende o banco de investimentos, que recomenda exposição acima da média tanto em companhias de baixa alavancagem quanto em mercados emergentes.

Em complemento aos emergentes, a instituição sugere maior posicionamento em outro mercado com governo e consumidores com baixa alavancagem: a Europa (excluindo o Reino Unido).

Acima e abaixo da média
Na opinião do Citi, é aconselhável fugir de empresas com consumidores alavancados, acionistas alavancados e modelo de negócios alavancado. Já que estão mais vulneráveis às fases cíclicas do quadro corporativo.

Entre os segmentos que despertam dúvida no Citi quanto à resistência a um cenário de desaceleração econômica global, estão Varejo, Semi-Condutores, Automotivo, entre outros.

Já que o conselho é evitar a alavancagem, o banco de investimentos recomenda alocação abaixo da média, obviamente, no setor mais alavancado do mercado - o fnanceiro.

Já exposição acima da média é recomendada nos segmentos de Materiais e Energia. Justificada por dois fatores primários: seus consumidores finais possuem baixa alavancagem e estão localizados, em sua maioria, em economias com baixa alavancagem.

Se quiser alavancagem, prefira títulos
Ainda que a recomendação primária do Citi seja fugir da alavancagem, para os investidores que querem tomar risco em ativos de instituições financeiras, é recomendada a procura por títulos, ao invés de ações.

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Petrobras e Vale despencam com cotações de metais e petróleo em queda

Por: Nathália A. Terra Pereira
19/03/08 - 17h40
InfoMoney

SÃO PAULO - Seguindo o expressivo movimento de desvalorização apresentado pelo barril de petróleo e pela onça de ouro, as ações das maiores blue chips brasileiras, Petrobras e Vale, registraram fortes quedas nesta quarta-feira (19).

Os papéis preferenciais da petrolífera (PETR4) fecharam com baixa de 7,40%, cotados a R$ 69,40. Além da própria queda do Ibovespa e das turbulências nas praças do mundo, o desempenho negativo dos ativos segue o recuo no preço do barril de petróleo no mercado internacional, reagindo ao aumento nos estoques norte-americanos da commodity.

De acordo com o DOE (Departamento de Energia dos EUA), foi registrado na última semana nos EUA uma expansão de 200 mil barris nos estoques do óleo. Embora tenha ficado aquém das expectativas do mercado, a alta reportada pelo relatório é a nona em um período de dez semanas.

Outro fator que auxilia na queda do barril nesta quarta-feira são os temores de que o corte promovido pelo Fed no juro básico dos EUA, de 75 pontos-base, não seja suficiente para evitar uma recessão no país, o maior consumidor mundial de petróleo. Cabe lembrar que o mercado esperava uma redução de 100 pontos-base na taxa.

Ouro cai e puxa mineradoras
Os ativos da Petrobras não são os únicos a despencarem neste pregão. As ações preferenciais da Vale (VALE5) também figuraram no topo dos papéis líderes das perdas registradas pelo Ibovespa nesta quarta-feira, encerrando cotados a R$ 44,26, queda de 7,21%.

Assim como o barril de petróleo, a onça de ouro se desvia da sua atual trajetória ascendente, que lhe rendeu na última segunda-feira novo recorde histórico de valorização, registrando neste pregão sua maior queda desde junho de 2006.

Para analistas, a correção apresentada pelo ouro nesta sessão comporta-se como um movimento natural de ajuste frente aos consecutivos topos históricos conquistados. Ademais, o corte aplicado pelo Fed, menos agressivo do que o esperado pelo mercado, dá fôlego à cotação do dólar frente ao euro.

Historicamente, investidores recorrem a aplicações em commodities, como ouro e petróleo, quando o sistema financeiro começa a dar sinais de turbulências, com o objetivo de proteger seu poder de compra, à medida em que a divisa norte-americana cai a patamares recordes frente às principais moedas do mundo.

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Distribuindo lucros: conheça a ação que mais aparece nas carteiras de dividendos

Por: Gabriel Ignatti Casonato
19/03/08 - 10h10
InfoMoney

SÃO PAULO - As ações da CPFL Energia receberam o maior número de recomendações nas carteiras de dividendos dos analistas para o mês de março, segundo levantamento realizado pela InfoMoney, que incluiu sete portfólios sugeridos por corretoras.

As sete carteiras recomendadas de pagadoras de proventos selecionadas são de: Coinvalores, Concórdia, Fator, HSBC, Senso, Souza Barros e Unibanco.

Pontos fortes da campeã
Destas sete instituições, quatro listaram os papéis da CPFL em suas sugestões. De modo geral, os analistas apontam que a companhia além de contar com uma boa política de distribuição de seus lucros, é uma forte geradora de caixa.

Adicionalmente, os papéis da distribuidora contam com boa liquidez e as instituições têm boas perspectivas para os próximos resultados da empresa, que apresentou crescimento nos números do quarto trimestre e do acumulado de 2007.

Vale ressaltar que a companhia propôs a distribuição de R$ 1,561 bilhão em dividendos, o que corresponde a 95% do lucro líquido do ano passado. O dividend yield referente ao segundo semestre de 2007 foi de 9,7%, um dos maiores dentre as empresas listadas na bolsa.

Segundo lugar dividido
Com três recomendações, aparecem os ativos de quatro empresas. As ações preferenciais classe A da Comgás, as ordinárias da Souza Cruz e da Tractebel e as preferenciais da Transmissão Paulista figuram empatadas em segundo lugar.

Os papéis possuem em comum o fato de contarem com uma satisfatória liquidez e boas taxas de distribuição de proventos, além de estarem consolidados em termos de nível de atividade.

Avaliações
Assim como a CPFL, a Comgás possui uma elevada projeção de dividend yield, enquanto a Tractebel, mais uma representante do setor com mais sugestões também possui um atrativo histórico de proventos. Além disso, a companhia é apontada como uma das favoritas para adquirir a Cesp, o que deve beneficiar os ativos.

A Transmissão Paulista também recebe elogios. Segundo o Citigroup, a companhia apresenta fatores como a reestruturação operacional e o potencial de alavancagem, que representam incentivos aos dividendos. O UBS considera a empresa uma das mais atrativas do setor em termos de proventos.

Por fim, os bons resultados apresentados nos últimos trimestres, o cenário favorável para a companhia e o fato de ter fechado 2007 com um dos maiores dividend yields deixam as ações da Souza Cruz como uma boa sugestão de investimento.

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Temor com EUA se une a derrocada de commodities, derrubando mercados

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
19/03/08 - 18h10
InfoMoney

SÃO PAULO - Depois dos fortes ganhos da véspera, o ajuste foi expressivo sobre os mercados. Penalizada pela amplificação da tensão nos mercados externos e por um movimento de realização dos lucros, a bolsa brasileira fechou a quarta-feira (19) marcando sua maior desvalorização desde janeiro, com queda de 5%. O pessimismo da sessão também impactou o dólar comercial, que voltou a subir forte.

A referência externa, que na última terça-feira abriu caminho para os ganhos no mercado doméstico, voltou a exercer influência negativa. Passado o efeito positivo do corte no juro básico norte-americano, o setor financeiro do país voltou a preocupar com notícias apontando para insolvência do fundo Carlyle, além de novos questionamentos em relação à saúde do banco de investimentos Lehman Brothers. Estas ocorrências ofuscaram a impressão positiva gerada pelos resultados melhores do que o esperado do Morgan Stanley.

Em adição, a redução abaixo das expectativas de grande parte do mercado na Fed Funds Rate mexeu com o mercado de commodities. Os contratos de ouro despencaram nas bolsas mercantis internacionais, movimento acompanhado pelas commodities agrícolas. O barril de petróleo, que vinha de recordes consecutivos, cedeu mais de US$ 4 em seus contratos futuros, ignorando os dados abaixo das projeções para o nível de estoques nos EUA.

Com tantos movimentos pesando para o lado negativo, o pessimismo voltou à tona e se uniu a um expressivo movimento de realização de lucros, jogando a agenda de indicadores, sem dados relevantes na esfera externa, para segundo plano. Por aqui, os investidores ainda avaliaram as informações inflacionárias trazidas pelas prévias do IGP-M e do IPC-Fipe.

Ibovespa despenca 5%; dólar avança forte
Em meio a este cenário, o Ibovespa - principal índice acionário brasileiro - encerrou o dia com expressiva desvalorização de 5,01%, apagando os ganhos da véspera e voltando para a casa dos 58.827 pontos. A queda marcada nesta quarta-feira foi a maior registrada na bolsa brasileira desde o dramático dia 21 de janeiro, em que o índice recuo 6,60%. O volume financeiro totalizou R$ 6,77 bilhões.

No mercado de câmbio, o pessimismo proveniente da cena externa se resumiu em um forte avanço na cotação do dólar comercial, que com a alta de 1,83%, fica cotado a R$ 1,7210.

Vindos de quatro altas nas últimas cinco sessões, os papéis preferenciais da Bradespar despencaram 7,84% e lideraram as baixas do Ibovespa no dia, que também destacou a dura desvalorização dos ativos da Vale e Petrobras, os de maior liquidez do mercado brasileiro.

Na contramão da tendência declinante do índice, os ativos de TAM e Acesita foram os únicos que escaparam do vermelho. Destaque para a valorização de 0,60% das ações da TAM, que estenderam os fortes ganhos das duas últimas sessões.

Renda Fixa
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,3% de seu valor de face, o que representa uma alta de 0,56%.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 291 pontos-base, alta de 14 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas dos EUA no vermelho
Nos Estados Unidos, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou em baixa de 2,57% e atingiu 2.210 pontos.

Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvalorizou-se 2,43%, a 1.298 pontos. Da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, caiu 2,36%, a 12.100 pontos.

Na Europa, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres registrou baixa de 1,07% e atingiu 5.546 pontos. No mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris desvalorizou-se 0,58%, chegando a 4.556 pontos. Já o DAX 30, da bolsa de Frankfurt, caiu 0,50%, a 6.361 pontos.

Veja os indicadores previstos para a quinta-feira
Na quinta-feira, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulga a Sondagem do Consumidor referente ao mês de março e o IBGE apresenta a Pesquisa Mensal de Emprego de fevereiro.

Nos EUA, serão publicados os dados do PIB (Produto Interno Bruto) e de seu deflator, ambos baseados no quarto trimestre. Também está previsto o número de pedidos de auxílio-desemprego no país (Initial Claims), em base semanal.

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segunda-feira, março 17, 2008

FMI vê economia do Brasil mais sólida e elogia Bolsa Família

O diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anoop Singh, faz rasgados elogios à situação da economia brasileira e à condução da política econômica. Para Singh, o Brasil "está aproveitando os benefícios de políticas bem-sucedidas de estabilização, das reformas estruturais, da abertura externa crescente e da redução das vulnerabilidades", que permitiram ao país crescer a taxas mais elevadas, num cenário de inflação mais baixa e com redução da dívida pública em relação ao PIB. Sobram elogios também para o Bolsa Família, o principal programa social do governo Lula. "Em especial, o Bolsa Família ajudou a melhorar as bases sociais das políticas de crescimento, e as conquistas sociais são importantes para dar mais sustentabilidade à economia", afirma ele.

Singh vê o Brasil mais preparado para enfrentar a crise internacional, graças à robustez das contas externas, mas destaca que uma queda mais forte dos preços das commodities teria um efeito negativo sobre o país. "Como outros países emergentes de rápido crescimento, o sucesso do Brasil veio em grande parte da crescente integração aos mercados internacionais", lembra ele.

Singh participa hoje da conferência "Euro: Implicações Globais e Relevância para a América Latina", que contará com a presença, amanhã, de Lorenzo Bini-Smaghi, integrante do Comitê Executivo do Banco Central Europeu (BCE), entrevistado abaixo. A seguir, os principais trechos da entrevista com Singh, feita por e-mail.

Valor: O Brasil se tornou um credor externo líquido e as reservas superam os US$ 190 bilhões. A vulnerabilidade externa acabou?

Anoop Singh: O Brasil agiu muito bem nos últimos anos ao construir defesas fortes para se proteger de acontecimentos externos adversos, e o seu grande colchão de reservas é uma delas. O setor público é um credor externo líquido desde 2006. Como outros países emergentes de rápido crescimento, o sucesso do Brasil veio em grande parte da crescente integração aos mercados internacionais. Ao mesmo tempo que trouxe enormes benefícios, isso também significa que o Brasil, como outras grandes economias emergentes, é influenciada por acontecimentos e choques externos. Um forte declínio dos preços de commodities no contexto de uma severa desaceleração global provavelmente impactaria o Brasil e outros emergentes. Além disso, se houver um aperto significativo nas condições financeiras para os mercados emergentes, o custo de capital provavelmente aumentará.

Valor: O sr. acredita na tese do descolamento ("decoupling"), de que as economias emergentes não serão severamente afetados pela crise americana? Qual será o principal impacto da desaceleração americana sobre o Brasil?

Singh: Como eu disse, o Brasil está bem preparado para enfrentar os riscos de um cenário externo menos favorável. O regime de câmbio flutuante, a exposição baixa aos riscos cambiais do setor público e do sistema financeiro e um nível de reservas confortável sugerem que o Brasil está numa posição relativamente boa para um ambiente como esse. Embora os EUA não sejam o principal parceiro comercial do Brasil, uma desaceleração americana significativa e uma piora da turbulência financeira internacional devem ter um impacto adverso no crescimento global, afetando os parceiros comerciais do Brasil e, conseqüentemente, o país. Além disso, as condições de financiamento para o setor privado já apertaram na maior parte dos países emergentes, e ainda é muito cedo para saber a extensão total e as conseqüências da atual crise. Os preços de commodities se mantêm fortes até o momento, apesar da desaceleração americana. Nas últimas semanas, os preços de alguns produtos agrícolas que o Brasil exporta, como a soja, até mesmo subiram em dólar e os preços dos contratos de exportação do minério de ferro deverão subir consideravelmente neste ano. No entanto, o impacto sobre as cotações de commodities de uma desaceleração significativa da economia americana e de outros grandes importadores de commodities seria provavelmente negativo. Além disso, um número de mercados para os quais o Brasil exporta, e que também dependem pesadamente de exportação de commodities, seria afetado negativamente. Isso também poderia ter um impacto adverso sobre as exportações brasileiras.

Valor: Depois de cinco anos de superávits em conta corrente, o Brasil provavelmente terá um déficit neste ano, que alguns analistas já projetam em 1,5% do PIB. Esta é uma tendência preocupante?

Singh: No atual estágio de desenvolvimento, é esperado que um país como o Brasil tenha algum déficit em conta corrente. Em países emergentes, em que o o capital é relativamente escasso e os investimentos têm que ser grandes, retornos elevados sobre o capital tenderiam a atrair poupança externa. Isso é evidente no volume considerável de investimento estrangeiro direto que o Brasil está atraindo, e esses fluxos devem constituir uma fonte sustentável para qualquer déficit em conta corrente emergente. Eu ressalto também que as exportações brasileiras continuaram a crescer significativamente em 2007, tanto em volume quanto em valor. Não é surpreendente que as importações tenham crescido mais rapidamente, em linha com a forte demanda doméstica e, conseqüentemente, o superávit comercial tenha encolhido para 3% do PIB em 2007. Parte da força da demanda doméstica e das importações está ligada ao investimento elevado, o que vai ajudar a expandir a capacidade produtiva e de exportação do Brasil. Nós vemos um pequeno déficit em conta corrente em 2008, e esperamos que comece a haver uma moderação na expansão do volume das importações.

Valor: O Brasil cresceu 5,4% em 2007 e há sinais de que a atividade econômica continua forte no começo do ano. O sr. acha que esse nível de crescimento é sustentável?

Singh: Fundamentalmente, a economia brasileira está aproveitando os benefícios de políticas bem-sucedidas de estabilização, das reformas estruturais, da abertura externa crescente e da redução das vulnerabilidades. Em especial, uma administração macroeconômica adequada contribuiu para reduzir a inflação para níveis baixos, diminuir a relação dívida pública/PIB e melhorar o seu perfil e permitir uma forte queda dos juros reais e prêmios de risco, que eram historicamente altos. Houve uma mudança surpreendente no desempenho econômico do Brasil nos anos recentes. Como resultado, o crescimento aumentou. A economia ganhou impulso nos trimestres recentes, principalmente refletindo a força da demanda doméstica, incluindo um considerável crescimento do investimento privado, impulsionado pelos elevados preços de commodities e grandes fluxos de investimentos estrangeiros diretos. Os números mais recentes do PIB, como o resultado do quarto trimestre de 2007, são outra indicação da continuidade da força da economia brasileira. Números parciais mostram que o crescimento se manteve robusto nos primeiros meses de 2008. As perspectivas econômicas de curto prazo são em geral favoráveis, embora sujeitas ao ambiente externo, e o Brasil está certamente construindo capacidade para sustentar um crescimento elevado no médio prazo. Um fator-chave para essa última questão é promover melhoras adicionais no ambiente de investimentos, em infra-estrutura, na intermediação financeira e na eficiência da política fiscal.

Valor: Em que medida o mix da política fiscal, baseado em aumento das receitas e dos gastos públicos, limita o potencial de crescimento?

Singh: No longo prazo, é fundamental melhorar a capacidade de o governo canalizar o gasto para áreas prioritárias, como investimento em infra-estrutura e no alívio da pobreza, ao mesmo tempo mantendo a carga tributária no nível mais baixo e eficiente possível. Nesse caso, construir o consenso para as reformas é fundamental. O projeto do governo de reformar o sistema tributário é um outro passo importante nessa direção.

Valor: As contas externas estão robustas, as contas fiscais estão sob controle, o Brasil tem mais de US$ 190 bilhões de reservas, o país é um credor externo líquido, mas os juros reais continuam altos. Por que eles continuam elevados?

Singh: Eu ressaltaria o ponto oposto. Os juros reais e nominais caíram significativamente nos últimos anos, refletindo o sucesso de políticas macroeconômicas sólidas e a redução nas vulnerabilidades. Eu acrescentaria, no entanto, que a experiência empírica de outros países nos mostra que leva tempo para reduzir os juros reais. Vários fatores estruturais estão interligados e leva tempo para influenciá-los. No Brasil, os projetos para aumentar a eficiência da intermediação financeira também devem ter resultados.

Valor: Quais os principais desafios para a economia brasileira nos próximos anos?

Singh: Primeiro, o Brasil talvez tenha que se adaptar a um cenário externo menos favorável nos próximos anos. É muito cedo para dizer como os preços de commodities vão evoluir, mas há uma possibilidade de que, à luz da desaceleração global, possam cair dos níveis elevados dos últimos anos. Além disso, a turbulência financeira global pode ter efeitos negativos sobre o Brasil, incluindo um aperto nas condições de financiamento. Segundo, continuar a reduzir as vulnerabilidades macroeconômicas restantes. Nos últimos anos, ajudou o fato de que as elevadas receitas fiscais foram usadas para avançar na redução da dívida pública e na melhora de sua composição e maturação. Terceiro, os indicadores do setor financeiro permanecem saudáveis, mas o rápido crescimento do crédito nos últimos anos deve ser monitorado de perto, como o governo tem feito, para se ter certeza de que o aumento da intermediação ocorre num ritmo prudente. Quarto, e em comum com outros países emergentes de crescimento rápido, o Brasil deverá buscar maior flexibilidade em sua economia, melhorar a atratividade do ambiente de negócios e aumentar o apoio à infra-estrutura. Por fim, a continuidade das reformas econômicas em todos os países requer forte consenso social. O Brasil tem agido bem nesse aspecto, distribuindo os benefícios do crescimento, reduzindo desigualdades e fortalecendo de modo generalizado a rede de proteção social. Em especial, o Bolsa Família ajudou a melhorar as bases sociais das políticas de crescimento, e as conquistas sociais são importantes para dar mais sustentabilidade à economia.

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