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domingo, fevereiro 17, 2008

Danos colaterais

Por Adriana Cotias, de São Paulo

Crise das hipotecas com prejuízos a grandes bancos americanos, pacote fiscal, aumento do compulsório e mudanças nas regras de contabilização de cessões de crédito. Não foram triviais os eventos que corroeram os ganhos das ações do setor financeiro no Brasil do ano passado para cá. A recuperação ensaiada na semana passada coincidiu com uma nova rodada de resultados. As demonstrações financeiras apresentadas até aqui mostram um segmento em plena forma e ainda com oportunidades para o candidato a sócio de banqueiro, segundo analistas. Os papéis dos gigantes Bradesco, Itaú e Unibanco, frentes tradicionais de liquidez na Bovespa, estão entre as principais recomendações, mas há também instituições menores, recém-chegadas ao pregão.

Na esteira do fim da CPMF, o aumento da carga fiscal veio no acender das luzes em 2008, com a elevação da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do setor financeiro. Na virada do mês, uma nova regra determinou que os bancos passem a recolher, a partir de março, parcela dos depósitos captados pelas subsidiárias de leasing e repassados às suas tesourarias.

Não bastasse a repercussão das perdas com as hipotecas americanas de alto risco nas ações do setor financeiro global - que respingou por aqui, mesmo sem as instituições terem exposição a esses riscos -, no paralelo, as medidas locais vieram travestidas de instrumentos de política monetária. A leitura preliminar era de que, batendo tudo no liquidificador, haveria menos crédito disponível na praça. Mas essa percepção começa a mudar.

"Os grandes bancos vieram com projeções de expansão da ordem de 20%, 25% nas suas carteiras para 2008, podendo crescer até mais em alguns segmentos como veículos e financiamento imobiliário", diz o analista da Ágora Corretora Aloísio Lemos. "Os banqueiros mostraram muita convicção que o ritmo vai continuar forte e eles costumam entregar o que prevêem."

A sua lista de recomendações traz os três grandes privados, com valorizações potenciais para lá de convidativas. Para as preferenciais (PN, sem voto) do Bradesco, ele estima preço de R$ 70,05 (ante os R$ 43,2 atuais) até dezembro; Itaú PN foi avaliada em R$ 55,64, podendo ganhar 36,7%, enquanto as units (recibos de ações) do Unibanco podem valer R$ 30,61, em comparação aos R$ 22,10 de sexta-feira.

Entre os pequenos, que chegaram ao pregão em bloco no ano passado, Lemos sugere Pine PN (alvo de R$ 26,29), Sofisa PN (R$ 18,56) e Daycoval PN (R$ 22,93), com altas potenciais de 96%, 67% e 79%, na ordem. Após as ofertas públicas, as instituições ganharam musculatura para expandir suas carteiras, apesar das pressões sobre os "spreads" (a diferença entre o custo de captação e o repasse nos empréstimos). "Nessas instituições, a qualidade das operações é uma marca muito forte."

Vale lembrar que as projeções para o preço dessas ações dependem da procura pelos papéis e das condições de mercado, que ainda podem ser bem adversas. Apesar de as instituições financeiras estarem aparentemente com seu valor de mercado defasado na bolsa, o setor não deve entrar no portfólio do investidor como uma aposta cega. "Não dá para falar que a crise passou, o mercado tende a ser altamente volátil e os bancos carregam esse risco do fluxo do capital estrangeiro contra", adverte o gerente de análise da Modal Asset, Eduardo Roche.

Na sexta-feira, o analista Philip Fich, do UBS, distribuiu um relatório a clientes em que estima que os bancos mundiais ainda podem baixar prejuízos de mais de US$ 200 bilhões em créditos dados como garantia ou em hipotecas de alto risco. Foi o mote para uma nova rodada de vendas de ações nos pregões. "O setor financeiro é muito sensível ao cenário externo e tem correlação direta com o desempenho do mercado, mas é importante em termos de liquidez", diz Roche.

Entre os bancos mais negociados, só Banco do Brasil ON teve performance acima do Ibovespa em 2007, com alta de 47%, ante 43,65% do índice. Os papéis ainda são uma das preferências de Roche, junto com as units do Unibanco, que, tem apresentado evolução no retorno sobre o patrimônio (ROE). No rol de instituições de nicho, ele destaca Panamericano PN. "Os menores, que tiveram boa parte das suas ofertas acolhidas pelos estrangeiros, sentiram mais os efeitos da crise, quando nem sempre os fundamentos prevalecem."

É claro que questões como IOF, CSLL e compulsório batem no setor financeiro, mas talvez o arrocho no crédito não seja tão intenso quanto alardeado, afirma o chefe de análise da Planner Corretora, Ricardo Tadeu Martins. "O custo pode aumentar, mas conversando com companhias do mercado imobiliário, o consumidor não tem mudado o seu comportamento e se a prestação cabe no orçamento, ele mantém a compra, sem fazer muita conta", diz.

Na lista de recomendações de Martins estão Itaú PN, pela agressividade bem dimensionada no crescimento por aquisições, além das units do Unibanco, "um risco aceitável em carteira e que pode ser uma surpresa agradável num cenário de novas consolidações, apesar de não ter 'tag along' (o prêmio de controle ao minoritário)." Entre os menores, com um horizonte de tempo maior, as sugestões incluem Pine, pelo foco na média empresa, e Panamericano, uma história longa de relacionamento com o consumidor no financiamento ao varejo. "São, porém, instituições com menor margem de manobra num ambiente menos favorável de captação."

Nas demonstrações financeiras apresentadas até agora, a expansão do crédito veio acima do esperado, os lucros cresceram, mas o ROE vem ano a ano diminuindo e essa é uma mudança estrutural que traz impactos para os preços das ações, nota o analista da Prosper Gestão Gustavo Barbeito. "Mas é um setor que vem apresentando resultados constantes com juros altos ou não e o crédito no país ainda é incipiente", diz. "São companhias bem gerenciadas, lucrativas, com bons dividendos e que ganham na crise ou na euforia."

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