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quinta-feira, janeiro 10, 2008

Análise: Ofensiva americana anti-recessão agrada

09/01/2008 - 07h58 VALOR ONLINE

SÃO PAULO - Os mercados externos - e, por contágio simbiôntico, os brasileiros - se locomovem em função das respostas inconclusivas e mutantes que, a cada hora, são dadas à seguinte questão: a economia americana conseguirá escapar da recessão?

Medido pela rentabilidade do título com prazo de dez anos do Tesouro americano, o grau internacional de aversão a risco acusou leve aumento, mas só no fechamento. A taxa caiu de 3,8339% para 3,7766%, após alcançar 3,90%. Mas ao longo do dia a ala otimista predominou sobre a pessimista. Por causa de alguns fatores:

1) Os presidentes das regionais da Filadélfia e de Boston do Federal Reserve (Fed), Charles Plosser e Eric Rosengren, respectivamente, mandaram recados similares apesar de terem discursado em eventos distintos e de se posicionarem nas extremidades opostas do pensamento monetário. Plosser é um dos expoentes da turma dos falcões, a que defende o uso da força contra a inflação. E são chamados de pombas os que, como Rosengren, estão sempre mais preocupados com a atividade econômica. Mas ambos passaram a mensagem de que a tendência é de o Fed persistir cortando o juro básico.

2) Crescem os rumores de que, no próximo dia 28, dois dias antes da primeira reunião monetária de 2008 do Fed, em seu discurso sobre o estado da União, o presidente George W. Bush irá anunciar um pacotão emergencial de estímulo ao crescimento econômico. Espera-se em Wall Street medidas fiscais, orçamentárias e da área de seguro-desemprego destinadas a evitar a instalação de um ciclo recessivo nos EUA.

3) Os bancos centrais dos países emergentes mantêm-se vigilantes e atentos aos buracos na liquidez global. Ontem, o BCE emprestou 151,5 bilhões de euros por sete dias, atendendo grande parte da demanda de 283,4 bilhões de euros vinda de 301 bancos.

4) Os balanços corporativos ainda se mostram sólidos.

5) Os analistas acreditam que, como acontece no Brasil, as atuais campanhas eleitorais americanas irão impulsionar a atividade.

Os sinais tênues de distensão externa foram magnificados internamente. A Bovespa subiu 2,15%, sem a chancela do Dow Jones, pois o principal índice da Nyse recuou 1,85%. O risco-país medido pelo JP Morgan caiu 1,74%, para 225 pontos-base. E o dólar comercial desvalorizou-se 0,16%, cotado a R$ 1,7620.

As projeções de CDI caíram no mercado futuro da BM&F apesar da alta de 1,47% registrada pelo IGP-DI em dezembro, acumulando 7,89% no ano. A estimativa de taxa para a virada do ano recuou de 12,06% para 12,02%. O contrato para janeiro de 2010 cedeu de 12,74% para 12,68%. E o "swap" de 360 dias, piso das operações de crédito, recuou de 12,06% para 12,04%.

A queda dos DIs ocorre porque, a despeito da deterioração dos índices relativos a inflação corrente, as expectativas inflacionárias pararam de piorar. Para a LCA Consultores, esse movimento de algum alívio nas expectativas pode ser explicado pelo efeito do anúncio das iniciativas fiscais para compensar a perda de arrecadação com a cobrança da CPMF. Isso ocorre porque o pacote produzirá impacto ligeiramente contracionista sobre a atividade econômica.

"A evolução das expectativas, que continuam a caminhar segundo a trajetória de metas de inflação, contribui para manter reduzida a probabilidade de que o Banco Central venha a promover algum ajuste para cima na Selic nos próximos meses", diz relatório da LCA.

Além deste, outros fatores contribuem para esta visão. Entre eles, a evolução recente dos investimentos. Estes sinalizam que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) deve ter encerrado 2007 com crescimento ligeiramente superior a 13%, taxa acima da estimativa recém-revista para cima pelo BC, de 12,2%.

A consultoria destaca que esta evolução da FBCF aponta, por sua vez, que o crescimento potencial do PIB provavelmente encerrou o ano passado na faixa de 4,5% a 5%. "Como tanto os mercados como o BC projetam um crescimento efetivo do PIB em 2008 da ordem de 4,5% e a continuidade da expansão do investimento a taxas acima de 10% (significando continuidade da aceleração do crescimento potencial, que deverá chegar a 5% ou um pouco mais no final de 2008), a situação prospectiva mais provável é de um hiato do produto negativo ainda neste ano", diz a LCA.

A combinação de hiato negativo com a continuidade da apreciação cambial - que deverá ganhar força com a continuidade da flexibilização da política monetária nos EUA - deverá manter as expectativas de inflação 12 meses à frente ancoradas, isto é, estabilizadas abaixo do centro da meta de 4,5%, ou mesmo com algum recuo a partir de meados do ano. Estes fatores abrem uma janela de oportunidade para a retomada do ciclo de cortes da taxa Selic.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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