Quarta-feira, Março 01, 2006

Melhora da nota brasileira pela S & P faz risco Brasil ceder 4,52%, para 211 pontos

SÃO PAULO - Um dos principais termômetros da confiança dos investidores na economia, o EMBI+ Brasil, indicador de risco calculado pelo Banco JP Morgan Chase, cedia 4,52% às 19h30, perto do fechamento do mercado, para 211 pontos. Se fechar nesse nível irá renovar a marca histórica alcançada na segunda-feira, quando marcou 215 pontos. Ontem, o risco-país indicou 221 pontos ao término das operações.

A melhora do EMBI+ brasileiro reflete a elevação da nota atribuída ao país pela agência internacional de classificação de risco Standard & Poor´s. A classificação de longo prazo da dívida brasileira em moeda estrangeira passou de "BB-" para "BB", com perspectiva estável. Faltam duas elevações para que seja atendido o "grau de investimento", nível considerado de risco menor. A classificação da dívida de longo prazo da moeda local subiu de BB para BB+, e a de curto prazo permaneceu em B.

No mercado secundário de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40 apontava alta de 0,05%, saindo a 132,875% do seu valor de face. O segundo papel mais representativo do índice do JP Morgan, o Global 18 ou A-Bond (Amortizing Bond ou Bônus de Amortização) indicava estabilidade, a 112% do seu valor de face.

Sobre o EMBI + Brasil
O Emerging Markets Bond Index - Brasil é um índice que reflete o comportamento dos títulos da dívida externa brasileira. Corresponde à média ponderada dos prêmios pagos por esses títulos em relação a papéis de prazo equivalente do Tesouro dos Estados Unidos, tido como o país mais solvente do mundo, de risco praticamente nulo.

O indicador mensura o excedente que se paga em relação à rentabilidade garantida pelos bônus do governo norte-americano. Significa dizer que a cada 100 pontos expressos pelo risco-Brasil, os títulos do país pagam uma sobretaxa de 1% sobre os papéis dos EUA.

Basicamente, o mercado usa o EMBI+ para medir a capacidade de um país honrar os seus compromissos financeiros. A interpretação dos investidores é de que quanto maior a pontuação do indicador de risco, mais perigoso fica aplicar no país. Assim, para atrair capital estrangeiro, o governo tido como " arriscado " deve oferecer altas taxas de juros para convencer os investidores externos a financiar sua dívida - ao que se chama prêmio pelo risco.

(Valor Online, com agências internacionais)

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Melhora da nota brasileira pela S & P faz risco Brasil ceder 4,52%, para 211 pontos

SÃO PAULO - Um dos principais termômetros da confiança dos investidores na economia, o EMBI+ Brasil, indicador de risco calculado pelo Banco JP Morgan Chase, cedia 4,52% às 19h30, perto do fechamento do mercado, para 211 pontos. Se fechar nesse nível irá renovar a marca histórica alcançada na segunda-feira, quando marcou 215 pontos. Ontem, o risco-país indicou 221 pontos ao término das operações.

A melhora do EMBI+ brasileiro reflete a elevação da nota atribuída ao país pela agência internacional de classificação de risco Standard & Poor´s. A classificação de longo prazo da dívida brasileira em moeda estrangeira passou de "BB-" para "BB", com perspectiva estável. Faltam duas elevações para que seja atendido o "grau de investimento", nível considerado de risco menor. A classificação da dívida de longo prazo da moeda local subiu de BB para BB+, e a de curto prazo permaneceu em B.

No mercado secundário de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40 apontava alta de 0,05%, saindo a 132,875% do seu valor de face. O segundo papel mais representativo do índice do JP Morgan, o Global 18 ou A-Bond (Amortizing Bond ou Bônus de Amortização) indicava estabilidade, a 112% do seu valor de face.

Sobre o EMBI + Brasil
O Emerging Markets Bond Index - Brasil é um índice que reflete o comportamento dos títulos da dívida externa brasileira. Corresponde à média ponderada dos prêmios pagos por esses títulos em relação a papéis de prazo equivalente do Tesouro dos Estados Unidos, tido como o país mais solvente do mundo, de risco praticamente nulo.

O indicador mensura o excedente que se paga em relação à rentabilidade garantida pelos bônus do governo norte-americano. Significa dizer que a cada 100 pontos expressos pelo risco-Brasil, os títulos do país pagam uma sobretaxa de 1% sobre os papéis dos EUA.

Basicamente, o mercado usa o EMBI+ para medir a capacidade de um país honrar os seus compromissos financeiros. A interpretação dos investidores é de que quanto maior a pontuação do indicador de risco, mais perigoso fica aplicar no país. Assim, para atrair capital estrangeiro, o governo tido como " arriscado " deve oferecer altas taxas de juros para convencer os investidores externos a financiar sua dívida - ao que se chama prêmio pelo risco.

(Valor Online, com agências internacionais)

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Melhora da nota brasileira pela S & P faz risco Brasil ceder 4,52%, para 211 pontos

SÃO PAULO - Um dos principais termômetros da confiança dos investidores na economia, o EMBI+ Brasil, indicador de risco calculado pelo Banco JP Morgan Chase, cedia 4,52% às 19h30, perto do fechamento do mercado, para 211 pontos. Se fechar nesse nível irá renovar a marca histórica alcançada na segunda-feira, quando marcou 215 pontos. Ontem, o risco-país indicou 221 pontos ao término das operações.

A melhora do EMBI+ brasileiro reflete a elevação da nota atribuída ao país pela agência internacional de classificação de risco Standard & Poor´s. A classificação de longo prazo da dívida brasileira em moeda estrangeira passou de "BB-" para "BB", com perspectiva estável. Faltam duas elevações para que seja atendido o "grau de investimento", nível considerado de risco menor. A classificação da dívida de longo prazo da moeda local subiu de BB para BB+, e a de curto prazo permaneceu em B.

No mercado secundário de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40 apontava alta de 0,05%, saindo a 132,875% do seu valor de face. O segundo papel mais representativo do índice do JP Morgan, o Global 18 ou A-Bond (Amortizing Bond ou Bônus de Amortização) indicava estabilidade, a 112% do seu valor de face.

Sobre o EMBI + Brasil
O Emerging Markets Bond Index - Brasil é um índice que reflete o comportamento dos títulos da dívida externa brasileira. Corresponde à média ponderada dos prêmios pagos por esses títulos em relação a papéis de prazo equivalente do Tesouro dos Estados Unidos, tido como o país mais solvente do mundo, de risco praticamente nulo.

O indicador mensura o excedente que se paga em relação à rentabilidade garantida pelos bônus do governo norte-americano. Significa dizer que a cada 100 pontos expressos pelo risco-Brasil, os títulos do país pagam uma sobretaxa de 1% sobre os papéis dos EUA.

Basicamente, o mercado usa o EMBI+ para medir a capacidade de um país honrar os seus compromissos financeiros. A interpretação dos investidores é de que quanto maior a pontuação do indicador de risco, mais perigoso fica aplicar no país. Assim, para atrair capital estrangeiro, o governo tido como " arriscado " deve oferecer altas taxas de juros para convencer os investidores externos a financiar sua dívida - ao que se chama prêmio pelo risco.

(Valor Online, com agências internacionais)

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GAFISA: COM LOTE SUPLEMENTAR, TOTAL DA OFERTA VAI A R$ 926,988 MI

São Paulo, 01 - A oferta primária e secundária de ações ordinárias da Gafisa totalizou R$ 926,988 milhões, segundo anúncio de encerramento publicado hoje na imprensa. O texto afirma que foram vendidas 50,107 milhões de ações, incluindo o lote suplementar de 6,012 milhões de títulos, que ficou com o coordenador líder da oferta, o Merrill Lynch. O comunicado diz ainda que foram vendidas 23,383 milhões de ações sob a forma de Global Depositary Shares (GDSs), correspondentes a duas ações. O preço final da oferta ficou em R$ 18,50 por papel.

De acordo com o anúncio, a maior fatia de ações, de 36,199 milhões foi vendida a 254 investidores estrangeiros, outros 7,745 milhões ficaram com 269 fundos de investimento. Segundo o anúncio, 13.753 pessoas físicas adquiriram 4,031 milhões de ON. Os sócios, administradores, empregados e pessoas ligadas à companhia ou aos participantes da oferta (599) ficaram com 154,7 mil ações.
(Nelson Rocco)

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GAFISA: COM LOTE SUPLEMENTAR, TOTAL DA OFERTA VAI A R$ 926,988 MI

São Paulo, 01 - A oferta primária e secundária de ações ordinárias da Gafisa totalizou R$ 926,988 milhões, segundo anúncio de encerramento publicado hoje na imprensa. O texto afirma que foram vendidas 50,107 milhões de ações, incluindo o lote suplementar de 6,012 milhões de títulos, que ficou com o coordenador líder da oferta, o Merrill Lynch. O comunicado diz ainda que foram vendidas 23,383 milhões de ações sob a forma de Global Depositary Shares (GDSs), correspondentes a duas ações. O preço final da oferta ficou em R$ 18,50 por papel.

De acordo com o anúncio, a maior fatia de ações, de 36,199 milhões foi vendida a 254 investidores estrangeiros, outros 7,745 milhões ficaram com 269 fundos de investimento. Segundo o anúncio, 13.753 pessoas físicas adquiriram 4,031 milhões de ON. Os sócios, administradores, empregados e pessoas ligadas à companhia ou aos participantes da oferta (599) ficaram com 154,7 mil ações.
(Nelson Rocco)

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GAFISA: COM LOTE SUPLEMENTAR, TOTAL DA OFERTA VAI A R$ 926,988 MI

São Paulo, 01 - A oferta primária e secundária de ações ordinárias da Gafisa totalizou R$ 926,988 milhões, segundo anúncio de encerramento publicado hoje na imprensa. O texto afirma que foram vendidas 50,107 milhões de ações, incluindo o lote suplementar de 6,012 milhões de títulos, que ficou com o coordenador líder da oferta, o Merrill Lynch. O comunicado diz ainda que foram vendidas 23,383 milhões de ações sob a forma de Global Depositary Shares (GDSs), correspondentes a duas ações. O preço final da oferta ficou em R$ 18,50 por papel.

De acordo com o anúncio, a maior fatia de ações, de 36,199 milhões foi vendida a 254 investidores estrangeiros, outros 7,745 milhões ficaram com 269 fundos de investimento. Segundo o anúncio, 13.753 pessoas físicas adquiriram 4,031 milhões de ON. Os sócios, administradores, empregados e pessoas ligadas à companhia ou aos participantes da oferta (599) ficaram com 154,7 mil ações.
(Nelson Rocco)

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CONSTRUÇÃO: MAIS 4 INCORPORADORAS PODEM ESTREAR NA BOVESPA ATÉ 2007

(AE)

São Paulo, 01 - A onda de ofertas de ações de empresas da construção civil na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), iniciada em setembro do ano passado pela Cyrela Brazil Realty, não deve ser interrompida tão brevemente.

Segundo fonte do setor, pelo menos quatro incorporadoras imobiliárias estariam se preparando para estrear na Bolsa de Valores entre 2006 e 2007, dentre as quais as paulistas Even, Tecnisa e Klabin Segall. "Mas há também empresas de fora do Estado que estão interessadas em captar recursos via abertura de capital", diz a fonte.

A receptividade dos papéis nas recentes operações - além da Cyrela, ocorreram as ofertas de Rossi Residencial, Gafisa e Company -, a profissionalização das empresas do setor e a possibilidade de financiar planos de expansão com custos adequados ao negócio, conforme especialistas, são os principais motores do crescimento do peso dessa indústria na Bovespa.

Na esteira da operação da Cyrela, que resultou na captação de R$ 902,175 milhões e estréia da companhia no Novo Mercado, os papéis da Rossi Residencial - que já era listada em Bolsa e migrou também para o segmento especial, com a oferta de R$ 900 milhões em ações ordinárias - registraram ganhos significativos.

Em um ano, contado até o encerramento do pregão de Sexta-feira (24), a alta acumulada de Rossi ON era de 540,90%, para R$ 28,30. Em fevereiro, o ganho atingia 23,04%. Já as ações de Cyrela subiam 21,91% em 2006 e 18,21% no mês, para R$ 39,01.

Os papéis de Gafisa, que começaram a ser negociados no Novo Mercado em 17 de fevereiro, avançaram 32,97% em apenas uma semana, para R$ 24,60, ante o preço de R$ 18,50 estabelecido no bookbuilding. Já as ações de Company estréiam amanhã (2) no Novo Mercado, com preço fixado em R$ 16,00, no teto da faixa sugerida no prospecto da operação.

O cenário favorável aos IPOs (do inglês Initial Public Offer) do setor é complementado ainda pelas perspectivas positivas para a construção nacional e a forte retomada das operações de crédito imobiliário, que vem alavancando os negócios com imóveis no País desde o ano passado.

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o financiamento habitacional com recursos da caderneta de poupança alcançou o recorde de R$ 4,79 bilhões em 2005, uma alta de 59,78% na comparação com o ano anterior.

Para este ano, o governo federal trabalha com direcionamento obrigatório de R$ 6,7 bilhões da poupança - mais R$ 2 bilhões da caderneta da Caixa Econômica Federal (CEF) - para os mesmos fins. A Abecip, por sua vez, projeta R$ 9,8 bilhões, se confirmada a premissa de crescimento médio de 0,35% ao mês no saldo da poupança. "2005 foi o melhor dos últimos 11 anos para o crédito imobiliário e 2006 será mais um dos bons", afirma o presidente da Abecip, Décio Tenerello.

Em relação às vendas do setor, a estimativa do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) é a de crescimento de 20% no número de unidades residenciais novas, projeção que se confirmou nos dois primeiros meses do ano. Conforme o vice-presidente da entidade, Ricardo Yazbek, o volume comercializado em janeiro, na cidade de São Paulo (que serve de referência para o mercado), foi 20% superior ao apurado em igual período de 2005. "Em fevereiro, até o dia 23, as vendas já tinham superado as de janeiro e as do mesmo mês do ano passado", acrescenta.

Outro bom sinal é o crescimento do número de unidades financiadas com recursos da poupança. No ano passado, conforme a Abecip, a expansão foi de apenas 12,98%, para 60.769 imóveis. No primeiro mês de 2006, entretanto, foram financiadas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) 5.838 unidades, equivalente a crescimento de 57% sobre o mesmo mês de 2005.

Conforme o diretor do Itaú e vice-presidente da Abecip, Luiz Antonio Rodrigues, o maior aumento dos valores contratados no sistema em 2005 em relação ao número de unidades financiadas deveu-se à alteração dos limites tanto para financiamento quanto para o valor de avaliação do imóvel promovida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no início do ano.

"Não foi uma questão de expansão do financiamento em segmentos de imóveis mais caros. Os novos limites é que elevaram o valor contratado", explica Rodrigues. No segmento de imóveis residenciais usados, a maior oferta de financiamento também deixou saldo positivo em 2005.

No Estado de São Paulo, as vendas cresceram 14,58% no ano passado segundo levantamento do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP) e a perspectiva é de manutenção do ritmo ao longo de 2006.

A consolidação do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), entretanto, ainda esbarra em dois principais entraves, de acordo com a Abecip: a renda média do brasileiro, que impede a adesão de um maior número de clientes; e o patamar elevado da taxa básica de juros, que inviabiliza o mercado secundário de hipotecas.

"Com esses juros, os papéis gerados pelo sistema imobiliário não conseguem competir, por exemplo, com os fundos de renda fixa ou CDBs pré-fixados", explica Tenerello. "Quando o juro real chegar a 8% ao ano, o que deve ocorrer até 2007, o sistema será alavancado", acrescenta.

E foi justamente a elevação das taxas de juros, e seu impacto nos custos de financiamento do setor, que despertaram a atenção de construtoras e incorporadoras para a venda de participação acionária.

De acordo com Ricardo Yazbek, do Secovi-SP, o interesse mais tardio das construtoras e incorporadoras pelo mercado de capitais é justificado pela própria estrutura das empresas, em sua maioria de perfil familiar, e de realização de resultados no longo prazo.

"Ao longo dos anos, a profissionalização dessas companhias abriu a possibilidade de captação de recursos no mercado de capitais, com condições mais atraentes que as das linhas de financiamento via poupança ou Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)", conta Yazbek.

"Os juros também tornaram esse funding mais caro, o que fez com que o setor buscasse alternativas viáveis para financiar seu crescimento", complementa. Nesse sentido, a captação por meio da oferta de ações é bastante adequada para o negócio de incorporação, destaca o vice-presidente do Secovi-SP.

Além de reduzir os custos dos planos de expansão, conforme Yazbek, a abertura de capital também reforça uma das principais características do negócio: a proximidade entre a empresa e o comprador. "Quem compra um imóvel, quer conhecer a empresa que o constrói. Quando ela abre capital, torna-se ainda mais transparente e próxima do cliente", analisa.

Para ele, o êxito dos lançamentos recentes na Bovespa pode ser atribuído ao fato de essas companhias fornecerem um "ativo muito forte". "O imóvel é tangível e isso é levado em conta pelo investidor. Além disso, o Brasil ajustou sua economia, o governo fez muito bem a lição de casa e a renda do brasileiro começa a crescer paulatinamente", enumera o vice-presidente do Secovi-SP. "Podemos dizer que o Brasil vive um momento muito parecido com o da Espanha há 15 ou 20 anos e hoje aquele país é uma referência em termos de mercado imobiliário", complementa.
(Stella Fontes)

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CONSTRUÇÃO: MAIS 4 INCORPORADORAS PODEM ESTREAR NA BOVESPA ATÉ 2007

(AE)

São Paulo, 01 - A onda de ofertas de ações de empresas da construção civil na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), iniciada em setembro do ano passado pela Cyrela Brazil Realty, não deve ser interrompida tão brevemente.

Segundo fonte do setor, pelo menos quatro incorporadoras imobiliárias estariam se preparando para estrear na Bolsa de Valores entre 2006 e 2007, dentre as quais as paulistas Even, Tecnisa e Klabin Segall. "Mas há também empresas de fora do Estado que estão interessadas em captar recursos via abertura de capital", diz a fonte.

A receptividade dos papéis nas recentes operações - além da Cyrela, ocorreram as ofertas de Rossi Residencial, Gafisa e Company -, a profissionalização das empresas do setor e a possibilidade de financiar planos de expansão com custos adequados ao negócio, conforme especialistas, são os principais motores do crescimento do peso dessa indústria na Bovespa.

Na esteira da operação da Cyrela, que resultou na captação de R$ 902,175 milhões e estréia da companhia no Novo Mercado, os papéis da Rossi Residencial - que já era listada em Bolsa e migrou também para o segmento especial, com a oferta de R$ 900 milhões em ações ordinárias - registraram ganhos significativos.

Em um ano, contado até o encerramento do pregão de Sexta-feira (24), a alta acumulada de Rossi ON era de 540,90%, para R$ 28,30. Em fevereiro, o ganho atingia 23,04%. Já as ações de Cyrela subiam 21,91% em 2006 e 18,21% no mês, para R$ 39,01.

Os papéis de Gafisa, que começaram a ser negociados no Novo Mercado em 17 de fevereiro, avançaram 32,97% em apenas uma semana, para R$ 24,60, ante o preço de R$ 18,50 estabelecido no bookbuilding. Já as ações de Company estréiam amanhã (2) no Novo Mercado, com preço fixado em R$ 16,00, no teto da faixa sugerida no prospecto da operação.

O cenário favorável aos IPOs (do inglês Initial Public Offer) do setor é complementado ainda pelas perspectivas positivas para a construção nacional e a forte retomada das operações de crédito imobiliário, que vem alavancando os negócios com imóveis no País desde o ano passado.

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o financiamento habitacional com recursos da caderneta de poupança alcançou o recorde de R$ 4,79 bilhões em 2005, uma alta de 59,78% na comparação com o ano anterior.

Para este ano, o governo federal trabalha com direcionamento obrigatório de R$ 6,7 bilhões da poupança - mais R$ 2 bilhões da caderneta da Caixa Econômica Federal (CEF) - para os mesmos fins. A Abecip, por sua vez, projeta R$ 9,8 bilhões, se confirmada a premissa de crescimento médio de 0,35% ao mês no saldo da poupança. "2005 foi o melhor dos últimos 11 anos para o crédito imobiliário e 2006 será mais um dos bons", afirma o presidente da Abecip, Décio Tenerello.

Em relação às vendas do setor, a estimativa do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) é a de crescimento de 20% no número de unidades residenciais novas, projeção que se confirmou nos dois primeiros meses do ano. Conforme o vice-presidente da entidade, Ricardo Yazbek, o volume comercializado em janeiro, na cidade de São Paulo (que serve de referência para o mercado), foi 20% superior ao apurado em igual período de 2005. "Em fevereiro, até o dia 23, as vendas já tinham superado as de janeiro e as do mesmo mês do ano passado", acrescenta.

Outro bom sinal é o crescimento do número de unidades financiadas com recursos da poupança. No ano passado, conforme a Abecip, a expansão foi de apenas 12,98%, para 60.769 imóveis. No primeiro mês de 2006, entretanto, foram financiadas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) 5.838 unidades, equivalente a crescimento de 57% sobre o mesmo mês de 2005.

Conforme o diretor do Itaú e vice-presidente da Abecip, Luiz Antonio Rodrigues, o maior aumento dos valores contratados no sistema em 2005 em relação ao número de unidades financiadas deveu-se à alteração dos limites tanto para financiamento quanto para o valor de avaliação do imóvel promovida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no início do ano.

"Não foi uma questão de expansão do financiamento em segmentos de imóveis mais caros. Os novos limites é que elevaram o valor contratado", explica Rodrigues. No segmento de imóveis residenciais usados, a maior oferta de financiamento também deixou saldo positivo em 2005.

No Estado de São Paulo, as vendas cresceram 14,58% no ano passado segundo levantamento do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP) e a perspectiva é de manutenção do ritmo ao longo de 2006.

A consolidação do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), entretanto, ainda esbarra em dois principais entraves, de acordo com a Abecip: a renda média do brasileiro, que impede a adesão de um maior número de clientes; e o patamar elevado da taxa básica de juros, que inviabiliza o mercado secundário de hipotecas.

"Com esses juros, os papéis gerados pelo sistema imobiliário não conseguem competir, por exemplo, com os fundos de renda fixa ou CDBs pré-fixados", explica Tenerello. "Quando o juro real chegar a 8% ao ano, o que deve ocorrer até 2007, o sistema será alavancado", acrescenta.

E foi justamente a elevação das taxas de juros, e seu impacto nos custos de financiamento do setor, que despertaram a atenção de construtoras e incorporadoras para a venda de participação acionária.

De acordo com Ricardo Yazbek, do Secovi-SP, o interesse mais tardio das construtoras e incorporadoras pelo mercado de capitais é justificado pela própria estrutura das empresas, em sua maioria de perfil familiar, e de realização de resultados no longo prazo.

"Ao longo dos anos, a profissionalização dessas companhias abriu a possibilidade de captação de recursos no mercado de capitais, com condições mais atraentes que as das linhas de financiamento via poupança ou Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)", conta Yazbek.

"Os juros também tornaram esse funding mais caro, o que fez com que o setor buscasse alternativas viáveis para financiar seu crescimento", complementa. Nesse sentido, a captação por meio da oferta de ações é bastante adequada para o negócio de incorporação, destaca o vice-presidente do Secovi-SP.

Além de reduzir os custos dos planos de expansão, conforme Yazbek, a abertura de capital também reforça uma das principais características do negócio: a proximidade entre a empresa e o comprador. "Quem compra um imóvel, quer conhecer a empresa que o constrói. Quando ela abre capital, torna-se ainda mais transparente e próxima do cliente", analisa.

Para ele, o êxito dos lançamentos recentes na Bovespa pode ser atribuído ao fato de essas companhias fornecerem um "ativo muito forte". "O imóvel é tangível e isso é levado em conta pelo investidor. Além disso, o Brasil ajustou sua economia, o governo fez muito bem a lição de casa e a renda do brasileiro começa a crescer paulatinamente", enumera o vice-presidente do Secovi-SP. "Podemos dizer que o Brasil vive um momento muito parecido com o da Espanha há 15 ou 20 anos e hoje aquele país é uma referência em termos de mercado imobiliário", complementa.
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CONSTRUÇÃO: MAIS 4 INCORPORADORAS PODEM ESTREAR NA BOVESPA ATÉ 2007

(AE)

São Paulo, 01 - A onda de ofertas de ações de empresas da construção civil na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), iniciada em setembro do ano passado pela Cyrela Brazil Realty, não deve ser interrompida tão brevemente.

Segundo fonte do setor, pelo menos quatro incorporadoras imobiliárias estariam se preparando para estrear na Bolsa de Valores entre 2006 e 2007, dentre as quais as paulistas Even, Tecnisa e Klabin Segall. "Mas há também empresas de fora do Estado que estão interessadas em captar recursos via abertura de capital", diz a fonte.

A receptividade dos papéis nas recentes operações - além da Cyrela, ocorreram as ofertas de Rossi Residencial, Gafisa e Company -, a profissionalização das empresas do setor e a possibilidade de financiar planos de expansão com custos adequados ao negócio, conforme especialistas, são os principais motores do crescimento do peso dessa indústria na Bovespa.

Na esteira da operação da Cyrela, que resultou na captação de R$ 902,175 milhões e estréia da companhia no Novo Mercado, os papéis da Rossi Residencial - que já era listada em Bolsa e migrou também para o segmento especial, com a oferta de R$ 900 milhões em ações ordinárias - registraram ganhos significativos.

Em um ano, contado até o encerramento do pregão de Sexta-feira (24), a alta acumulada de Rossi ON era de 540,90%, para R$ 28,30. Em fevereiro, o ganho atingia 23,04%. Já as ações de Cyrela subiam 21,91% em 2006 e 18,21% no mês, para R$ 39,01.

Os papéis de Gafisa, que começaram a ser negociados no Novo Mercado em 17 de fevereiro, avançaram 32,97% em apenas uma semana, para R$ 24,60, ante o preço de R$ 18,50 estabelecido no bookbuilding. Já as ações de Company estréiam amanhã (2) no Novo Mercado, com preço fixado em R$ 16,00, no teto da faixa sugerida no prospecto da operação.

O cenário favorável aos IPOs (do inglês Initial Public Offer) do setor é complementado ainda pelas perspectivas positivas para a construção nacional e a forte retomada das operações de crédito imobiliário, que vem alavancando os negócios com imóveis no País desde o ano passado.

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o financiamento habitacional com recursos da caderneta de poupança alcançou o recorde de R$ 4,79 bilhões em 2005, uma alta de 59,78% na comparação com o ano anterior.

Para este ano, o governo federal trabalha com direcionamento obrigatório de R$ 6,7 bilhões da poupança - mais R$ 2 bilhões da caderneta da Caixa Econômica Federal (CEF) - para os mesmos fins. A Abecip, por sua vez, projeta R$ 9,8 bilhões, se confirmada a premissa de crescimento médio de 0,35% ao mês no saldo da poupança. "2005 foi o melhor dos últimos 11 anos para o crédito imobiliário e 2006 será mais um dos bons", afirma o presidente da Abecip, Décio Tenerello.

Em relação às vendas do setor, a estimativa do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) é a de crescimento de 20% no número de unidades residenciais novas, projeção que se confirmou nos dois primeiros meses do ano. Conforme o vice-presidente da entidade, Ricardo Yazbek, o volume comercializado em janeiro, na cidade de São Paulo (que serve de referência para o mercado), foi 20% superior ao apurado em igual período de 2005. "Em fevereiro, até o dia 23, as vendas já tinham superado as de janeiro e as do mesmo mês do ano passado", acrescenta.

Outro bom sinal é o crescimento do número de unidades financiadas com recursos da poupança. No ano passado, conforme a Abecip, a expansão foi de apenas 12,98%, para 60.769 imóveis. No primeiro mês de 2006, entretanto, foram financiadas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) 5.838 unidades, equivalente a crescimento de 57% sobre o mesmo mês de 2005.

Conforme o diretor do Itaú e vice-presidente da Abecip, Luiz Antonio Rodrigues, o maior aumento dos valores contratados no sistema em 2005 em relação ao número de unidades financiadas deveu-se à alteração dos limites tanto para financiamento quanto para o valor de avaliação do imóvel promovida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no início do ano.

"Não foi uma questão de expansão do financiamento em segmentos de imóveis mais caros. Os novos limites é que elevaram o valor contratado", explica Rodrigues. No segmento de imóveis residenciais usados, a maior oferta de financiamento também deixou saldo positivo em 2005.

No Estado de São Paulo, as vendas cresceram 14,58% no ano passado segundo levantamento do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP) e a perspectiva é de manutenção do ritmo ao longo de 2006.

A consolidação do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), entretanto, ainda esbarra em dois principais entraves, de acordo com a Abecip: a renda média do brasileiro, que impede a adesão de um maior número de clientes; e o patamar elevado da taxa básica de juros, que inviabiliza o mercado secundário de hipotecas.

"Com esses juros, os papéis gerados pelo sistema imobiliário não conseguem competir, por exemplo, com os fundos de renda fixa ou CDBs pré-fixados", explica Tenerello. "Quando o juro real chegar a 8% ao ano, o que deve ocorrer até 2007, o sistema será alavancado", acrescenta.

E foi justamente a elevação das taxas de juros, e seu impacto nos custos de financiamento do setor, que despertaram a atenção de construtoras e incorporadoras para a venda de participação acionária.

De acordo com Ricardo Yazbek, do Secovi-SP, o interesse mais tardio das construtoras e incorporadoras pelo mercado de capitais é justificado pela própria estrutura das empresas, em sua maioria de perfil familiar, e de realização de resultados no longo prazo.

"Ao longo dos anos, a profissionalização dessas companhias abriu a possibilidade de captação de recursos no mercado de capitais, com condições mais atraentes que as das linhas de financiamento via poupança ou Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)", conta Yazbek.

"Os juros também tornaram esse funding mais caro, o que fez com que o setor buscasse alternativas viáveis para financiar seu crescimento", complementa. Nesse sentido, a captação por meio da oferta de ações é bastante adequada para o negócio de incorporação, destaca o vice-presidente do Secovi-SP.

Além de reduzir os custos dos planos de expansão, conforme Yazbek, a abertura de capital também reforça uma das principais características do negócio: a proximidade entre a empresa e o comprador. "Quem compra um imóvel, quer conhecer a empresa que o constrói. Quando ela abre capital, torna-se ainda mais transparente e próxima do cliente", analisa.

Para ele, o êxito dos lançamentos recentes na Bovespa pode ser atribuído ao fato de essas companhias fornecerem um "ativo muito forte". "O imóvel é tangível e isso é levado em conta pelo investidor. Além disso, o Brasil ajustou sua economia, o governo fez muito bem a lição de casa e a renda do brasileiro começa a crescer paulatinamente", enumera o vice-presidente do Secovi-SP. "Podemos dizer que o Brasil vive um momento muito parecido com o da Espanha há 15 ou 20 anos e hoje aquele país é uma referência em termos de mercado imobiliário", complementa.
(Stella Fontes)

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Ações: Morgan Stanley alerta para possível recuo nos mercados emergentes

Por: Felipe Abi-Acl de Miranda
01/03/06 - 11h45
InfoMoney

SÃO PAULO - Há claros sinais de decrescimento e de eventuais surpresas negativas nos lucros entre as empresas de mercados emergentes, bem como a possibilidade de desaceleração da expansão econômica mundial e queda dos preços das commodities, afirmou o banco de investimento Morgan Stanley em relatório, alertando para um provável recuo nos índices de ações de emergentes.

Investidores dos mercados de Europa oriental, Oriente Médio e África devem comprar ações com característica de boa distribuição de proventos, em um cenário de possível queda dos preços de tais ativos, enfatizaram os analistas da instituição.

De acordo com o banco, um posicionamento em papéis de empresas com elevado pay-out, incluem-se aqui companhias ligadas ao setor petróleo e de telecomunicações, podem oferecer retornos mais atrativos.

Cenário adverso
A recente escalada no preço das commodities e a melhora de fundamentos macroeconômicos de países emergentes levaram as Bolsas destas regiões a patamares recordes recentemente.

Neste cenário, corroborando a perspectiva do Morgan Stanley, o Citigroup, em relatório publicado no último dia 13 de fevereiro, já havia manifestado a percepção de que o crescente interesse pelos mercados emergentes nos últimos três anos os tornou tão populares que a capacidade de uma valorização futura é bastante limitada.

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Por: Felipe Abi-Acl de Miranda
01/03/06 - 11h45
InfoMoney

SÃO PAULO - Há claros sinais de decrescimento e de eventuais surpresas negativas nos lucros entre as empresas de mercados emergentes, bem como a possibilidade de desaceleração da expansão econômica mundial e queda dos preços das commodities, afirmou o banco de investimento Morgan Stanley em relatório, alertando para um provável recuo nos índices de ações de emergentes.

Investidores dos mercados de Europa oriental, Oriente Médio e África devem comprar ações com característica de boa distribuição de proventos, em um cenário de possível queda dos preços de tais ativos, enfatizaram os analistas da instituição.

De acordo com o banco, um posicionamento em papéis de empresas com elevado pay-out, incluem-se aqui companhias ligadas ao setor petróleo e de telecomunicações, podem oferecer retornos mais atrativos.

Cenário adverso
A recente escalada no preço das commodities e a melhora de fundamentos macroeconômicos de países emergentes levaram as Bolsas destas regiões a patamares recordes recentemente.

Neste cenário, corroborando a perspectiva do Morgan Stanley, o Citigroup, em relatório publicado no último dia 13 de fevereiro, já havia manifestado a percepção de que o crescente interesse pelos mercados emergentes nos últimos três anos os tornou tão populares que a capacidade de uma valorização futura é bastante limitada.

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Ações: Morgan Stanley alerta para possível recuo nos mercados emergentes

Por: Felipe Abi-Acl de Miranda
01/03/06 - 11h45
InfoMoney

SÃO PAULO - Há claros sinais de decrescimento e de eventuais surpresas negativas nos lucros entre as empresas de mercados emergentes, bem como a possibilidade de desaceleração da expansão econômica mundial e queda dos preços das commodities, afirmou o banco de investimento Morgan Stanley em relatório, alertando para um provável recuo nos índices de ações de emergentes.

Investidores dos mercados de Europa oriental, Oriente Médio e África devem comprar ações com característica de boa distribuição de proventos, em um cenário de possível queda dos preços de tais ativos, enfatizaram os analistas da instituição.

De acordo com o banco, um posicionamento em papéis de empresas com elevado pay-out, incluem-se aqui companhias ligadas ao setor petróleo e de telecomunicações, podem oferecer retornos mais atrativos.

Cenário adverso
A recente escalada no preço das commodities e a melhora de fundamentos macroeconômicos de países emergentes levaram as Bolsas destas regiões a patamares recordes recentemente.

Neste cenário, corroborando a perspectiva do Morgan Stanley, o Citigroup, em relatório publicado no último dia 13 de fevereiro, já havia manifestado a percepção de que o crescente interesse pelos mercados emergentes nos últimos três anos os tornou tão populares que a capacidade de uma valorização futura é bastante limitada.

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Lucro compartilhado

Adriana Cotias, Valor Online
Primeiros balanços divulgados referentes a 2005 antecipam novo ano recorde para distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas
Investidor em ações desde a década de 70, o publicitário Luiz Cama, de 66 anos, acaba de encomendar à Fator Corretora que identifique o melhor momento para comprar ações do Bradesco. A estratégia é clara: mais do que a valorização dos papéis na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - as preferenciais, sem direito a voto, subiram 124% só no ano passado - o que atrai Cama é a política de distribuição de dividendos do maior banco privado brasileiro: pagamentos mensais antecipados com acerto da diferença no balanço anual.

"Essa prática deveria ser adotada por outras grandes companhias", diz o experiente investidor. "Isso faria com que o Brasil tivesse aquelas chamadas 'ações de viúva' do mercado americano, que oferecem uma receita mensal e são usadas como um verdadeiro plano de previdência."

Cama faz parte do crescente time de investidores que tem a renda variável como uma poupança de longo prazo e olha os dividendos como um diferencial. Em plena safra de balanços de 2005 e lucros fabulosos apresentados pelas companhias de capital aberto, quem aplica em ações já pode esperar dividendos e juros sobre capital mais gorduchos neste ano, se as políticas de distribuição de resultados não se alterarem.

A depender das demonstrações financeiras publicadas até aqui, tudo indica que 2006 será outro ano recorde nesse quesito. Segundo levantamento do Valor Data, com base em dados da Economática, as 31 empresas que já divulgaram seus balanços de 2005 provisionaram R$ 6,4 bilhões para seus acionistas, 33,5% acima do reservado em 2004. O número é uma aproximação, pois pode incluir alguns valores já pagos, mas dá uma boa idéia da tendência de melhor remuneração ao acionista.

Em termos financeiros, a parcela do lucro que cabe ao investidor já tinha sido bem generosa no ano passado, refletindo os resultados de 2004. Pelos dados da Economática, pelo menos 47 ações de uma amostra de 275 pagaram o maior valor em dividendos e juros sobre capital próprio dos últimos dez anos. Incluindo-se as empresas com menos de uma década em bolsa, o número de companhias que fizeram distribuição recorde em 2005 sobe para 83. Nessa lista estão nomes tradicionais como Vale do Rio Doce, Gerdau, Usiminas e CSN, mas também há recém estrelas da bolsa, como Natura, Localiza, Nossa Caixa e Submarino.

Os dados da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) mostram que foram distribuídos ao longo de 2005 R$ 17,7 bilhões em dividendos e juros, 30% acima dos R$ 13,6 bilhões do ano anterior. Esses números não incluem os benefícios pagos diretamente aos controladores das empresas e que não passam pela CBLC, mas refletem o que, de fato, chegou às mãos do pequeno investidor.

As carteiras de dividendos já foram mais populares, mas em tempos de alta do Ibovespa perdem um pouco do seu apelo, diz o analista da Socopa Daniel Doll Lemos. "É mais adequado para o investidor que tem um horizonte de longo prazo e que consegue ficar alheio às variações do dia-a-dia", diz. "Mas num momento de baixa da bolsa, o dividendo é que vira o diferencial."

É o caso do publicitário Luiz Cama. Ele se define como um aplicador de perfil conservador e não costuma mexer muito na carteira. Ele gosta de combinar papéis de empresas conhecidas, com bom potencial de crescimento e reconhecidas pela eficiência na gestão, mas que também prestigiam os acionistas distribuindo generosos dividendos e juros sobre capital próprio. No portfólio, cultiva há tempos nomes como Petrobras, Gerdau Metalúrgica, Souza Cruz e Ambev (herança da extinta Brahma). Diz que não faz as contas do quanto ganha em dividendos, mas considerando esses exemplos, no ano passado, o investidor ganhou, na média, 6,1% só com a fatia do lucro distribuída por essas empresas. Um investidor que tenha R$ 50 mil em ações da Petrobras com recursos do FGTS, por exemplo, embolsou somente no ano passado quase R$ 2 mil apenas com os dividendos.

"As companhias têm, hoje, uma melhor postura em relação ao pagamento de dividendos, definindo políticas consistentes e que tendem a trazer certa previsibilidade do percentual do lucro a ser distribuído", diz o chefe de análise da Bradesco Corretora, Carlos Firetti. "E com o benefício fiscal dos juros sobre capital próprio - as empresas podem deduzir o valor do imposto -, elas acabam elevando a parcela do lucro dividida, distribuindo mais do que manda a lei e permitindo um 'yield' mais elevado."

Para este ano, o executivo projeta um aumento de 17% para o lucro do conjunto das 57 empresas que fazem parte do Índice Bovespa, o que deve, naturalmente, aumentar a massa de dividendos para 2007. Para quem tem o dividendo como alvo na formação de uma carteira, ele recomenda não só olhar para o "yield", sob o risco de comprar um investimento ruim, mas também avaliar os fundamentos da empresa.

Pela lógica, diz, companhias que distribuem até 100% dos resultados podem não ter projetos de investimento que a façam crescer mais à frente. "O investidor não pode esquecer que os dividendos, sozinhos, oferecem um retorno inferior ao da renda fixa", afirma. Da combinação do retorno em dividendos com perspectivas de crescimento de resultados, Firetti sugere CSN ON, Usiminas PNA, Gerdau Metalúrgica ON, Telemar Norte Leste PNA, Itaúsa PN e Sabesp ON. Nenhuma dessas empresas teve, em 2005, um retorno em dividendos inferior a 7%.

No Brasil, a Lei das Sociedades Anônimas determina que as companhias de capital aberto distribuam, pelo menos, 25% do lucro aos acionistas. Mas com situação de caixa confortável desde 2004, em muitos casos, o pagamento tem superado esse percentual.

"Isso é reflexo do processo de desalavancagem das empresas brasileiras e da decisão de investir apenas naquilo que é urgente, pois não há políticas governamentais que privilegiem o planejamento de longo prazo", diz Claudio Monteiro, assessor de investimentos da Fator Corretora e professor da Fundação Getúlio Vargas. Ele lembra que, na segunda metade da década de 90, em meio à euforia do Plano Real, as companhias foram levadas a tocar projetos tomando crédito local e externo, antecipando um crescimento da atividade que não se concretizou.

Crises sucessivas atrapalharam o meio de campo e com a desvalorização cambial de 1999 e o salto dos juros para a casa dos 45% ao ano, as empresas pagaram caro pela intenção de alavancar investimentos com capital de terceiros. Escaldadas, reestruturam dívidas, investiram menos e sobrou mais caixa para dividir com o investidor. Na lista de indicadas pela Fator estão Geração Tietê PN, com um "yield" projetado em 12,3% para este ano; Telesp Operacional PN, com 11,6%; Telemar Norte Leste PNA, com 10,8%, além de Souza Cruz ON (8,7%) e Sabesp ON, com um retorno em dividendos estimado de 6%.

Mas não foram só os lucros fabulosos que fizeram as companhias brasileiras optarem por dividir uma porção mais polpuda de seus resultados. Segundo o superintendente de Renda Variável do Banif Primus Banco de Investimento, Nami Neneas, entre as práticas de governança, as empresas encontraram nos dividendos uma forma de prestigiar os minoritários. "Já há uma percepção de que isso traz valor para a empresa".

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Adriana Cotias, Valor Online
Primeiros balanços divulgados referentes a 2005 antecipam novo ano recorde para distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas
Investidor em ações desde a década de 70, o publicitário Luiz Cama, de 66 anos, acaba de encomendar à Fator Corretora que identifique o melhor momento para comprar ações do Bradesco. A estratégia é clara: mais do que a valorização dos papéis na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - as preferenciais, sem direito a voto, subiram 124% só no ano passado - o que atrai Cama é a política de distribuição de dividendos do maior banco privado brasileiro: pagamentos mensais antecipados com acerto da diferença no balanço anual.

"Essa prática deveria ser adotada por outras grandes companhias", diz o experiente investidor. "Isso faria com que o Brasil tivesse aquelas chamadas 'ações de viúva' do mercado americano, que oferecem uma receita mensal e são usadas como um verdadeiro plano de previdência."

Cama faz parte do crescente time de investidores que tem a renda variável como uma poupança de longo prazo e olha os dividendos como um diferencial. Em plena safra de balanços de 2005 e lucros fabulosos apresentados pelas companhias de capital aberto, quem aplica em ações já pode esperar dividendos e juros sobre capital mais gorduchos neste ano, se as políticas de distribuição de resultados não se alterarem.

A depender das demonstrações financeiras publicadas até aqui, tudo indica que 2006 será outro ano recorde nesse quesito. Segundo levantamento do Valor Data, com base em dados da Economática, as 31 empresas que já divulgaram seus balanços de 2005 provisionaram R$ 6,4 bilhões para seus acionistas, 33,5% acima do reservado em 2004. O número é uma aproximação, pois pode incluir alguns valores já pagos, mas dá uma boa idéia da tendência de melhor remuneração ao acionista.

Em termos financeiros, a parcela do lucro que cabe ao investidor já tinha sido bem generosa no ano passado, refletindo os resultados de 2004. Pelos dados da Economática, pelo menos 47 ações de uma amostra de 275 pagaram o maior valor em dividendos e juros sobre capital próprio dos últimos dez anos. Incluindo-se as empresas com menos de uma década em bolsa, o número de companhias que fizeram distribuição recorde em 2005 sobe para 83. Nessa lista estão nomes tradicionais como Vale do Rio Doce, Gerdau, Usiminas e CSN, mas também há recém estrelas da bolsa, como Natura, Localiza, Nossa Caixa e Submarino.

Os dados da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) mostram que foram distribuídos ao longo de 2005 R$ 17,7 bilhões em dividendos e juros, 30% acima dos R$ 13,6 bilhões do ano anterior. Esses números não incluem os benefícios pagos diretamente aos controladores das empresas e que não passam pela CBLC, mas refletem o que, de fato, chegou às mãos do pequeno investidor.

As carteiras de dividendos já foram mais populares, mas em tempos de alta do Ibovespa perdem um pouco do seu apelo, diz o analista da Socopa Daniel Doll Lemos. "É mais adequado para o investidor que tem um horizonte de longo prazo e que consegue ficar alheio às variações do dia-a-dia", diz. "Mas num momento de baixa da bolsa, o dividendo é que vira o diferencial."

É o caso do publicitário Luiz Cama. Ele se define como um aplicador de perfil conservador e não costuma mexer muito na carteira. Ele gosta de combinar papéis de empresas conhecidas, com bom potencial de crescimento e reconhecidas pela eficiência na gestão, mas que também prestigiam os acionistas distribuindo generosos dividendos e juros sobre capital próprio. No portfólio, cultiva há tempos nomes como Petrobras, Gerdau Metalúrgica, Souza Cruz e Ambev (herança da extinta Brahma). Diz que não faz as contas do quanto ganha em dividendos, mas considerando esses exemplos, no ano passado, o investidor ganhou, na média, 6,1% só com a fatia do lucro distribuída por essas empresas. Um investidor que tenha R$ 50 mil em ações da Petrobras com recursos do FGTS, por exemplo, embolsou somente no ano passado quase R$ 2 mil apenas com os dividendos.

"As companhias têm, hoje, uma melhor postura em relação ao pagamento de dividendos, definindo políticas consistentes e que tendem a trazer certa previsibilidade do percentual do lucro a ser distribuído", diz o chefe de análise da Bradesco Corretora, Carlos Firetti. "E com o benefício fiscal dos juros sobre capital próprio - as empresas podem deduzir o valor do imposto -, elas acabam elevando a parcela do lucro dividida, distribuindo mais do que manda a lei e permitindo um 'yield' mais elevado."

Para este ano, o executivo projeta um aumento de 17% para o lucro do conjunto das 57 empresas que fazem parte do Índice Bovespa, o que deve, naturalmente, aumentar a massa de dividendos para 2007. Para quem tem o dividendo como alvo na formação de uma carteira, ele recomenda não só olhar para o "yield", sob o risco de comprar um investimento ruim, mas também avaliar os fundamentos da empresa.

Pela lógica, diz, companhias que distribuem até 100% dos resultados podem não ter projetos de investimento que a façam crescer mais à frente. "O investidor não pode esquecer que os dividendos, sozinhos, oferecem um retorno inferior ao da renda fixa", afirma. Da combinação do retorno em dividendos com perspectivas de crescimento de resultados, Firetti sugere CSN ON, Usiminas PNA, Gerdau Metalúrgica ON, Telemar Norte Leste PNA, Itaúsa PN e Sabesp ON. Nenhuma dessas empresas teve, em 2005, um retorno em dividendos inferior a 7%.

No Brasil, a Lei das Sociedades Anônimas determina que as companhias de capital aberto distribuam, pelo menos, 25% do lucro aos acionistas. Mas com situação de caixa confortável desde 2004, em muitos casos, o pagamento tem superado esse percentual.

"Isso é reflexo do processo de desalavancagem das empresas brasileiras e da decisão de investir apenas naquilo que é urgente, pois não há políticas governamentais que privilegiem o planejamento de longo prazo", diz Claudio Monteiro, assessor de investimentos da Fator Corretora e professor da Fundação Getúlio Vargas. Ele lembra que, na segunda metade da década de 90, em meio à euforia do Plano Real, as companhias foram levadas a tocar projetos tomando crédito local e externo, antecipando um crescimento da atividade que não se concretizou.

Crises sucessivas atrapalharam o meio de campo e com a desvalorização cambial de 1999 e o salto dos juros para a casa dos 45% ao ano, as empresas pagaram caro pela intenção de alavancar investimentos com capital de terceiros. Escaldadas, reestruturam dívidas, investiram menos e sobrou mais caixa para dividir com o investidor. Na lista de indicadas pela Fator estão Geração Tietê PN, com um "yield" projetado em 12,3% para este ano; Telesp Operacional PN, com 11,6%; Telemar Norte Leste PNA, com 10,8%, além de Souza Cruz ON (8,7%) e Sabesp ON, com um retorno em dividendos estimado de 6%.

Mas não foram só os lucros fabulosos que fizeram as companhias brasileiras optarem por dividir uma porção mais polpuda de seus resultados. Segundo o superintendente de Renda Variável do Banif Primus Banco de Investimento, Nami Neneas, entre as práticas de governança, as empresas encontraram nos dividendos uma forma de prestigiar os minoritários. "Já há uma percepção de que isso traz valor para a empresa".

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Adriana Cotias, Valor Online
Primeiros balanços divulgados referentes a 2005 antecipam novo ano recorde para distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas
Investidor em ações desde a década de 70, o publicitário Luiz Cama, de 66 anos, acaba de encomendar à Fator Corretora que identifique o melhor momento para comprar ações do Bradesco. A estratégia é clara: mais do que a valorização dos papéis na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - as preferenciais, sem direito a voto, subiram 124% só no ano passado - o que atrai Cama é a política de distribuição de dividendos do maior banco privado brasileiro: pagamentos mensais antecipados com acerto da diferença no balanço anual.

"Essa prática deveria ser adotada por outras grandes companhias", diz o experiente investidor. "Isso faria com que o Brasil tivesse aquelas chamadas 'ações de viúva' do mercado americano, que oferecem uma receita mensal e são usadas como um verdadeiro plano de previdência."

Cama faz parte do crescente time de investidores que tem a renda variável como uma poupança de longo prazo e olha os dividendos como um diferencial. Em plena safra de balanços de 2005 e lucros fabulosos apresentados pelas companhias de capital aberto, quem aplica em ações já pode esperar dividendos e juros sobre capital mais gorduchos neste ano, se as políticas de distribuição de resultados não se alterarem.

A depender das demonstrações financeiras publicadas até aqui, tudo indica que 2006 será outro ano recorde nesse quesito. Segundo levantamento do Valor Data, com base em dados da Economática, as 31 empresas que já divulgaram seus balanços de 2005 provisionaram R$ 6,4 bilhões para seus acionistas, 33,5% acima do reservado em 2004. O número é uma aproximação, pois pode incluir alguns valores já pagos, mas dá uma boa idéia da tendência de melhor remuneração ao acionista.

Em termos financeiros, a parcela do lucro que cabe ao investidor já tinha sido bem generosa no ano passado, refletindo os resultados de 2004. Pelos dados da Economática, pelo menos 47 ações de uma amostra de 275 pagaram o maior valor em dividendos e juros sobre capital próprio dos últimos dez anos. Incluindo-se as empresas com menos de uma década em bolsa, o número de companhias que fizeram distribuição recorde em 2005 sobe para 83. Nessa lista estão nomes tradicionais como Vale do Rio Doce, Gerdau, Usiminas e CSN, mas também há recém estrelas da bolsa, como Natura, Localiza, Nossa Caixa e Submarino.

Os dados da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) mostram que foram distribuídos ao longo de 2005 R$ 17,7 bilhões em dividendos e juros, 30% acima dos R$ 13,6 bilhões do ano anterior. Esses números não incluem os benefícios pagos diretamente aos controladores das empresas e que não passam pela CBLC, mas refletem o que, de fato, chegou às mãos do pequeno investidor.

As carteiras de dividendos já foram mais populares, mas em tempos de alta do Ibovespa perdem um pouco do seu apelo, diz o analista da Socopa Daniel Doll Lemos. "É mais adequado para o investidor que tem um horizonte de longo prazo e que consegue ficar alheio às variações do dia-a-dia", diz. "Mas num momento de baixa da bolsa, o dividendo é que vira o diferencial."

É o caso do publicitário Luiz Cama. Ele se define como um aplicador de perfil conservador e não costuma mexer muito na carteira. Ele gosta de combinar papéis de empresas conhecidas, com bom potencial de crescimento e reconhecidas pela eficiência na gestão, mas que também prestigiam os acionistas distribuindo generosos dividendos e juros sobre capital próprio. No portfólio, cultiva há tempos nomes como Petrobras, Gerdau Metalúrgica, Souza Cruz e Ambev (herança da extinta Brahma). Diz que não faz as contas do quanto ganha em dividendos, mas considerando esses exemplos, no ano passado, o investidor ganhou, na média, 6,1% só com a fatia do lucro distribuída por essas empresas. Um investidor que tenha R$ 50 mil em ações da Petrobras com recursos do FGTS, por exemplo, embolsou somente no ano passado quase R$ 2 mil apenas com os dividendos.

"As companhias têm, hoje, uma melhor postura em relação ao pagamento de dividendos, definindo políticas consistentes e que tendem a trazer certa previsibilidade do percentual do lucro a ser distribuído", diz o chefe de análise da Bradesco Corretora, Carlos Firetti. "E com o benefício fiscal dos juros sobre capital próprio - as empresas podem deduzir o valor do imposto -, elas acabam elevando a parcela do lucro dividida, distribuindo mais do que manda a lei e permitindo um 'yield' mais elevado."

Para este ano, o executivo projeta um aumento de 17% para o lucro do conjunto das 57 empresas que fazem parte do Índice Bovespa, o que deve, naturalmente, aumentar a massa de dividendos para 2007. Para quem tem o dividendo como alvo na formação de uma carteira, ele recomenda não só olhar para o "yield", sob o risco de comprar um investimento ruim, mas também avaliar os fundamentos da empresa.

Pela lógica, diz, companhias que distribuem até 100% dos resultados podem não ter projetos de investimento que a façam crescer mais à frente. "O investidor não pode esquecer que os dividendos, sozinhos, oferecem um retorno inferior ao da renda fixa", afirma. Da combinação do retorno em dividendos com perspectivas de crescimento de resultados, Firetti sugere CSN ON, Usiminas PNA, Gerdau Metalúrgica ON, Telemar Norte Leste PNA, Itaúsa PN e Sabesp ON. Nenhuma dessas empresas teve, em 2005, um retorno em dividendos inferior a 7%.

No Brasil, a Lei das Sociedades Anônimas determina que as companhias de capital aberto distribuam, pelo menos, 25% do lucro aos acionistas. Mas com situação de caixa confortável desde 2004, em muitos casos, o pagamento tem superado esse percentual.

"Isso é reflexo do processo de desalavancagem das empresas brasileiras e da decisão de investir apenas naquilo que é urgente, pois não há políticas governamentais que privilegiem o planejamento de longo prazo", diz Claudio Monteiro, assessor de investimentos da Fator Corretora e professor da Fundação Getúlio Vargas. Ele lembra que, na segunda metade da década de 90, em meio à euforia do Plano Real, as companhias foram levadas a tocar projetos tomando crédito local e externo, antecipando um crescimento da atividade que não se concretizou.

Crises sucessivas atrapalharam o meio de campo e com a desvalorização cambial de 1999 e o salto dos juros para a casa dos 45% ao ano, as empresas pagaram caro pela intenção de alavancar investimentos com capital de terceiros. Escaldadas, reestruturam dívidas, investiram menos e sobrou mais caixa para dividir com o investidor. Na lista de indicadas pela Fator estão Geração Tietê PN, com um "yield" projetado em 12,3% para este ano; Telesp Operacional PN, com 11,6%; Telemar Norte Leste PNA, com 10,8%, além de Souza Cruz ON (8,7%) e Sabesp ON, com um retorno em dividendos estimado de 6%.

Mas não foram só os lucros fabulosos que fizeram as companhias brasileiras optarem por dividir uma porção mais polpuda de seus resultados. Segundo o superintendente de Renda Variável do Banif Primus Banco de Investimento, Nami Neneas, entre as práticas de governança, as empresas encontraram nos dividendos uma forma de prestigiar os minoritários. "Já há uma percepção de que isso traz valor para a empresa".

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