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domingo, abril 16, 2006

A segunda onda do mercado de capitais

Primeiro foram as ações. Agora, várias empresas apostam nos papéis de renda fixa para atrair os pequenos investidores
Por Cláudio Gradilone, EXAME

Uma das facetas mais importantes da retomada do mercado de capitais brasileiro foi a volta dos pequenos investidores à bolsa nos últimos dois anos. Esse fenômeno deve se repetir nos próximos meses em outro segmento do mercado financeiro considerado um dos mais promissores da atualidade: os títulos de renda fixa emitidos por empresas. A diferença entre eles é o grau de risco que o investidor está disposto a correr. No caso das ações, ele torna-se sócio dos eventuais sucessos e fracassos da empresa. Ao aplicar em títulos de renda fixa, o investidor passa a ser credor da companhia. Em troca do "empréstimo", recebe uma remuneração predefinida. A partir de agora, uma inédita combinação de maior facilidade para negociar esses papéis com remuneração mais atraente abre espaço para que uma multidão de pequenos aplicadores comece a comprar produtos hoje restritos a investidores profissionais. Nomenclaturas ainda pouco conhecidas -- como debêntures e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) -- devem se tornar cada vez mais populares entre pessoas que já investem em ações e fundos. "O crescimento da renda fixa será rápido e extraordinário", diz Manuel Horácio da Silva, presidente do banco Fator. "Aqui no banco temos 18 000 clientes que demandam esses produtos, e agora será muito mais fácil atendê-los."

As boas perspectivas justificam-se pela remoção do maior entrave à participação dos pequenos investidores: a dificuldade em negociar esses papéis. A partir de junho, a Bovespa permitirá que eles façam negócios com papéis de renda fixa pela internet, como já ocorre com as ações. Isso tornará mais fácil comprar e vender os títulos. "Hoje, o mercado de títulos de renda fixa está desenhado para atender os investidores institucionais, o que dificulta a participação das pessoas físicas", diz Charles Toledo, diretor de operações de renda fixa da Bovespa. "A maior parte dos papéis lançados pelas empresas vai automaticamente para os fundos de pensão e de investimento." Por isso, um investidor que quer aplicar 5 000 reais em um título tem de competir -- desigualmente -- com um fundo que compra por atacado.

Outra mudança fundamental vem das empresas, que passaram a lançar papéis mais adequados ao varejo. Até há pouco tempo, o preço mínimo de cada título era 50 000 reais. "Isso limitava a participação das pessoas físicas aos investidores de alto poder aquisitivo", diz Toledo. "Agora, as companhias estão lançando papéis a 1 000 reais cada um, o que os deixa muito mais acessíveis." Um exemplo é a Suzano Papel e Celulose. Em 2004, a empresa captou 330 milhões de reais no mercado com títulos de renda fixa. Uma pequena parcela, menos de 4% do total, foi adquirida por pequenos investidores. "O valor unitário dos títulos, de 1 000 reais, foi imaginado exatamente para facilitar a compra pelas pessoas físicas", diz Gustavo Poppe, gerente de relações com investidores da Suzano. "Assim diversificamos nossas fontes de capital." Com isso, diz Poppe, a empresa pavimenta um caminho mais suave para futuras captações de recursos. A Suzano está preparando mais uma emissão de 240 milhões de reais em títulos, desta vez conversíveis em ações. Será um lançamento restrito aos acionistas, e parte dos papéis -- todos custando 1 000 reais -- já está reservada para os pequenos investidores.


O avanço da renda fixa
O que muda para quem investe em títulos de renda fixa emitidos por empresas
Característica do investimento Como é hoje Como vai ficar
Aplicação mínima 50 000 reais 1000 reais
Quem negocia os títulos Algumas poucas corretoras e bancos Qualquer pessoa poderá comprar e vender pela internet
Fontes: Bovespa, Comissão de Valores Mobiliários e bancos

Para fornecer um impulso adicional a esse mercado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está preparando uma emissão de títulos de renda fixa totalmente voltada para pessoas físicas. O BNDES não faz comentários, seguindo as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Mas profissionais do mercado afirmam que o lançamento deverá ser de 500 milhões de reais em papéis de oito anos, corrigidos pelo índice de inflação IPCA e pagando juros que podem variar de 6% a 8% ao ano. "Os papéis devem custar 1 000 reais cada um, e a orientação inicial do BNDES é que todo o lote seja destinado aos pequenos investidores", diz um executivo que conhece a operação.

A intenção declarada do ex-presidente do BNDES e atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, é tornar esses títulos mais populares e criar, com isso, um novo público-alvo para as captações das empresas. Os benefícios dessa estratégia espalham-se por toda a economia. "O mercado de renda fixa é essencial para proporcionar capital mais barato às empresas, e o pequeno investidor é importante nesse processo", diz Luiz Fernando Resende, presidente da consultoria financeira e de mercado Latin Finance. Os números dos países desenvolvidos provam essa tese. Nos Estados Unidos, o mercado de títulos de renda fixa movimenta 20 bilhões de dólares por dia. Quase 70% desses negócios são transações com valores abaixo de 100 000 dólares.

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