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segunda-feira, abril 24, 2006

O valor dos dividendos

Por Daniele Camba - Valor
24/04/2006

A maioria dos investidores em bolsa presta atenção apenas nos preços das ações, esperando que eles subam para embolsar um bom ganho. Muita gente está descobrindo, porém, que, além do retorno com a alta do papel, pode conseguir um ganho adicional com os dividendos, a parcela do lucro distribuída aos acionistas. Para mostrar quais são os papéis que possuem um bom potencial de distribuição, o Valor lança hoje a Carteira Valor de Dividendos.

As ações boas pagadoras de dividendos caíram nas graças do investidor, especialmente da pessoa física, cuja participação em bolsa cresceu muito nos últimos três anos. Na Itaú Corretora, por exemplo, a maioria dos clientes está mais preocupada com quanto irá receber de dividendos do que se a ação irá subir ou cair. "Muitos usam essa renda para pagar as contas do mês", diz Marcos De Callis, chefe de análise da corretora.

Nesta primeira carteira, que será atualizada a cada três meses, as ações da Telesp Operacional receberam cinco indicações, seguidas dos papéis da Petrobras, da CSN, da Cemig e da Metalúrgica Gerdau, com dois votos cada.

Os setores de telefonia e energia elétrica estão entre as principais indicações das seis corretoras participantes. Tractebel e AES Tietê também receberam dois votos, mas não entraram na carteira por terem menor liquidez. Telemar Norte Leste teve um voto. Em comum, esses setores possuem o fato de serem maduros, com menor necessidade de investir, fluxo mais previsível de geração de caixa e controladores ávidos para receber de volta parte do dinheiro que colocaram na privatização, todos fatores que propiciam uma boa fatia de distribuição do lucro.

As ações preferenciais ou ordinárias da Telesp Operacional são praticamente um consenso. Diferente das outras empresas de telefonia fixa, a Telesp não atua em telefonia móvel, que exige um alto grau de investimento, pelo menos na fase inicial das operações. A companhia também possui um bom nível de geração de caixa (o Ebitda). Sua dívida, em 2005, representava apenas 0,34% dessa geração de caixa, abrindo espaço para uma gorda distribuição de resultados, diz o analista da corretora do Banco Real, Alex Pardellas.

"A Telesp ficou conhecida como uma das companhias da bolsa que melhor paga dividendos", afirma. A parcela do lucro que a Telesp distribui (conhecido como "pay out") demonstra isso. A empresa pagou 100% do lucro de 2005 e este ano, pelas estimativas de Pardellas, deve chegar a 148%, ou seja, o lucro integral do período e mais 48% da reserva de resultados de anos anteriores.

A participação dos dividendos da Telesp sobre o preço da ação (ou "dividend yield") também é um dos maiores da bolsa. Pelos cálculos da Itaú Corretora, a Telesp possui "dividend yield" de 12,7%. Isso significa que os dividendos projetados representavam 12,7% do preço da ação na semana passada. Entre os principais setores da bolsa, o de telefonia fixa é o que possui maior "dividend yield" projetado, 11,3% em média, segundo De Callis, da Itaú Corretora. Em seguida estão as elétricas, com 6%, as siderúrgicas, com 5,6%, e as petroquímicas, com 5,3%. "O peso maior de teles e elétricas faz o Ibovespa ter um 'dividend yield' médio de 5,7%, maior que o do IBrX-50, de 4,3%."

Entre as teles fixas, a Telemar Norte Leste (operadora da Telemar) é outro papel recomendado. Apesar de atuar em telefonia móvel, a companhia tem um "dividend yield" alto, 11,10%, segundo o chefe de análise da HSBC Corretora, Fábio Zagatti. "A empresa remunera bem o acionista, até para retornar o dinheiro que o controlador gastou na privatização", afirma. A corretora recomenda os papéis da operadora pois a holding possui uma dívida elevada.

Depois das teles, as elétricas têm destaque nas recomendações. "Elas já fizeram a maior parte dos investimentos e hoje passam por uma fase de redução de dívida e o aumento dos resultados após os últimos leilões de energia", diz o analista da Geração Futuro Corretora Wagner Salaverry.

Muitos investidores erroneamente olham os dividendos pagos em reais na hora de escolher uma ação, diz De Callis, da Itaú. "Alguns dividendos são altos em reais, mas representam pouco em relação ao custo da ação.". Ele lembra que quem investe em ações visando os dividendos precisa ter um perfil de longo prazo e que, no Brasil, um bom "dividend yield" é a partir de 10%.

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