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sexta-feira, abril 28, 2006

BC sinaliza corte menor dos juros

Alex Ribeiro
28/04/2006

A ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, divulgada ontem, reforça a mensagem de que os próximos cortes nos juros básicos da economia, hoje em 15,75% ao ano, poderão ser menores do que o 0,75 ponto decidido nos três últimos encontros da instituição. A frase da ata que sinaliza provável desaceleração no corte de juros diz que a preservação das conquistas obtidas no combate à inflação "poderá demandar que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com maior parcimônia".

"O BC abre a possibilidade de cortar os juros em um ritmo mais lento, mas isso não quer dizer que vá interromper o desafrouxamento da política monetária", avalia o economista-sênior do West LB, Adauto Lima. "A economia continua a reunir condições favoráveis para cortar juros."

Até agora, a projeção mediana do mercado era que, na próxima reunião do Copom, marcada para 30 e 31 de maio, os juros caíssem 0,75 ponto, segundo pesquisa semanal do BC sobre as expectativas de mercado. Com a ata, o mercado passa também a trabalhar com corte de 0,5 ponto, mas sem descartar queda de 0,75 ponto, dependendo da evolução dos indicadores econômicos.

Questionado sobre se a ata não sugeriria que daqui para frente o ritmo do corte de juros será desacelerado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que essa é apenas uma das interpretações possíveis sobre o texto. "Os textos nunca são assim tão explícitos. E é claro que sempre há uma posição de cautela, vamos examinar o cenário, a evolução das coisas. Mas, pelo resultado que estamos vendo, pela meta sendo alcançada, pela redução nos preços o atacado, podemos ter certeza de que vai continuar havendo redução da taxa de juros no país e aumento no crédito", afirmou Mantega após encontro com industriais paulistas.

A sinalização do BC não foi exatamente surpresa, já que em comunicado divulgado logo após sua última reunião, na semana passada, o Copom avisou sua intenção de "acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até a sua próxima reunião para, então, definir os próximos passos em sua estratégia de política monetária". Na ata, o BC descreve um cenário bastante benigno para o cumprimento das metas de inflação, mas ressalta que poderá se fazer necessário maior gradualismo na queda dos juros, devido às incertezas sobre como os cortes recentes na taxa básica - que já somam 4 pontos desde setembro - irão afetar atividade e inflação. O documento expressa dois tipos de preocupação. Primeiro, os cortes de juros ainda não tiveram seus reflexos plenos na atividade e, por conseqüência, na inflação. Segundo: a economia registrou recentemente uma retomada de seu crescimento, cujos efeitos ainda não chegaram à inflação.

O estímulo monetário costuma levar de três a seis meses para ter seus efeitos na atividade econômica. E os efeitos da expansão da economia levam mais três meses para chegar à inflação. Assim, o processo todo pode levar até nove meses. O BC alerta na ata que a postura cautelosa "se torna ainda mais relevante quando se leva em conta que as próximas decisões de política monetária terão impactos progressivamente mais concentrados em 2007".

A ata faz referência à expansão da atividade provocada pela política fiscal. "Ao longo dos próximos meses, a expansão do nível de emprego e da renda e o crescimento do crédito continuarão impulsionando a atividade econômica", afirma o documento. "Como mencionado nas notas da reunião de março do Copom, a esses fatores devem ser acrescidos os efeitos da expansão das transferências em função do novo valor do salário mínimo e dos impulsos fiscais ocorridos no último trimestre do ano passado e esperados para o primeiro semestre deste ano."

Entre os analistas, o trecho despertou leituras diferentes. O economista-chefe da Concórdia Corretora, Elson Teles, lembra que, a rigor, o Copom não traz mensagem nova sobre o assunto, já que um trecho idêntico havia sido inserido na ata do mês passado. Já a economista-chefe do BES Investimento, Sandra Utsumi, realça o fato de, em março, o Copom ter inserido a observação no capítulo que descreve a evolução recente da economia, enquanto agora o trecho saiu no capítulo que faz a avaliação prospectiva das tendências de inflação. De qualquer forma, o BC continua a trabalhar no seu cenário básico com a hipótese de cumprimento da meta de superávit primário de 4,25% em 2006 e 2007, que qualifica como "superávits primários adequados".

O cenário inflacionário descrito pelo BC é bastante otimista. "De forma geral, delinea-se para 2006 um cenário mais benigno para a inflação do que o verificado no ano anterior", afirma a ata. "A despeito das perspectivas favoráveis para o crescimento da demanda agregada, não se antecipam descompassos relevantes no que se refere à evolução da oferta agregada." Entre os riscos, porém, ganhou importância a evolução dos preços de "commodities" e de petróleo. Embora a hipótese básica do BC seja que os combustíveis não tenham reajustes neste ano, a ata diz que "é forçoso, porém, reconhecer que desde a última reunião do Copom o cenário central de trabalho tornou-se progressivamente menos plausível e que, portanto, riscos poderiam se materializar em uma elevação nos preços domésticos da gasolina, determinada pela evolução dos preços internacionais do petróleo".

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