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quarta-feira, abril 26, 2006

Bancos de investimento crescem

Cristiane Perini Lucchesi e Vanessa Adachi
26/04/2006

Durante conversa informal em almoço, o presidente de um importante banco de investimento no Brasil desabafou: hoje, não é mais a volatilidade e imprevisibilidade dos preços dos ativos financeiros no país que tiram seu sono. Sua principal preocupação é outra - o aumento da concorrência por todos os lados.

As perspectivas favoráveis para o mercado financeiro brasileiro têm levado bancos de investimento internacionais a aumentar seu capital no Brasil e contratar cada vez mais pessoal.

Segundo levantamento feito pelo Valor no site do Banco Central, de dezembro de 2004 a dezembro de 2005 o patrimônio líquido consolidado de dez entre as maiores instituições com perfil de banco de investimento no país cresceu cerca de R$ 1 bilhão. Mas muitos já haviam aumentado seu capital anteriormente, em 2004, e outros trarão ainda mais dinheiro neste ano.

Citigroup, JP Morgan, Morgan Stanley, UBS, Credit Suisse, Deutsche Bank, Dresdner Bank, Banco Standard de Investimentos, Société Générale, Merrill Lynch e até o escritório de representação do BBVA no Brasil estão entre os que aumentaram seu patrimônio líquido no Brasil e reforçaram suas equipes.

Há um traço marcante neste movimento. Os ganhos perseguidos pelas instituições não são mais apenas os de tesouraria, como nas décadas passadas. O foco agora também é o serviço ao cliente. No Credit Suisse, por exemplo, as receitas com prestação de serviços têm crescido a uma taxa de 40% ao ano. A área de tesouraria, que era a principal geradora de receita há cinco anos, foi desbancada. A disputa por clientes tem tornado a concorrência mais feroz e estimulado os investimentos.

A procura por pessoal na área de análise de renda variável, por exemplo, é tanta que, segundo presidente de banco de investimento, há falta de pessoal qualificado. Nos anos do mercado fraco, os bancos encolheram e não houve formação de analistas-sêniores especializados em empresas brasileiras.

Os bancos aproveitam as oportunidades abertas com a isenção fiscal para investidores externos em títulos públicos, assim como o crescimento no mercado de securitização e crédito, inclusive imobiliário. As novas ofertas de ações e suas polpudas comissões, de 3% a 5% do valor da operação, têm atraído especialmente os estrangeiros. As perspectivas para depois das eleições presidenciais de outubro são consideradas ainda mais positivas. Há quem aposte que o país pode atingir ainda em 2007 o grau de investimento, selo de investimento não-especulativo, com forte valorização em todos os seus ativos.

"A retomada no mercado de capitais no Brasil está apenas começando", acredita Roberto Serwaczak, que acaba de deixar o Deutsche Bank para cuidar da recém-inaugurada corretora e de toda a área de renda variável do Citigroup no país. "Estamos passando por uma mudança estrutural no Brasil", avalia. Ele não nega que as eleições presidenciais devem trazer volatilidade e o movimento de novas emissões de ações nesse período deve se arrefecer. "Mas, depois o mercado voltará com força", acredita o especialista.

"Apesar de nossa presença forte no Brasil, não tínhamos atividade de corretagem local, o que sem dúvida era uma lacuna em nossa atividade", diz Cooper Park, diretor-gerente responsável pela área de ações do Citigroup na América Latina e pela área de vendas de renda variável internacional. Segundo ele, o país vive hoje uma verdadeira "luta por talentos, pois mesmo os bancos já estabelecidos no mercado estão crescendo".

O Citigroup não quis revelar números, mas, segundo o Valor apurou no mercado, o banco americano já contratou 15 pessoas para a corretora, entre analistas, traders e pessoas da área de vendas. A idéia inicial é atender principalmente aos investidores profissionais nacionais e internacionais e corporações. "O varejo, em um primeiro momento, não é o nosso foco", diz Serwaczak. "Mas isso não quer dizer que no futuro não estejamos planejando também criar a atividade de homebroker (venda de ações pela internet para pessoas físicas)", completou Cooper Park.

Na área de banco de investimento, o Citigroup ampliou de 13 para 22 pessoas o total de funcionários desde que, em meados de 2005, Ricardo Lacerda deixou a Goldman Sachs para assumir a presidência do banco de investimento no Brasil.

O Morgan Stanley também está extremamente otimista com relação ao país nos próximos dois anos e diz estar se posicionando para crescer nesse cenário. "Os anos de 2007 e 2008 podem ser os melhores que o Brasil já viu em 30 anos", diz Rodrigo Lowndes, presidente da instituição no país. Ele cita o superávit comercial constante e robusto, a queda dos juros e o aumento do salário real como alguns dos principais indicadores da mudança estrutural na economia.

Em 2005, o Morgan Stanley mais que dobrou o seu capital no Brasil, segundo Lowndes. Hoje, o Morgan está com um capital de R$ 488 milhões. Para chegar a essa cifra, foram trazidos US$ 80 milhões de dinheiro novo e também reinvestidos todos os lucros de 2004 e 2005. "Hoje somos um dos bancos de investimento estrangeiros com maior capital no Brasil", afirma Lowndes.

Ele conta que para 2006 há um plano aprovado para ampliar em 50% o tamanho da equipe, embora não revele o número de pessoas. O banco atua hoje em negociação de títulos de renda fixa, câmbio e ações e também em operações de oferta de ações e fusões e aquisições. Novos aumentos de capital ainda podem vir por aí, indica o executivo. "Neste momento, estamos analisando fazer investimentos em várias áreas em que não atuamos, que demandariam bastante capital", conta.

Mesmo o Credit Suisse, banco de investimentos estrangeiro com uma das maiores estruturas no país, tem feito investimentos. "Só no último ano, aumentamos em 15% o número de funcionários do banco como um todo, que passou de 300 pessoas", diz José Olympio Pereira, chefe da área de banco de investimento.

Dentro desse pacote, há várias áreas que a instituição está reforçando. A de renda fixa, que inclui crédito e produtos estruturados, inclusive derivativos, tem crescido a uma taxa de 20% a 30% ao ano. Outro segmento que o banco enxerga como promissor é o de intermediação de investimento estrangeiro em títulos de renda fixa local. "Um primeiro passo foi dado com a isenção de impostos nos títulos públicos, mas esperamos que o benefício seja estendido para debêntures, o que criará uma importante fonte de financiamento de longo prazo para as empresas", diz Pereira.

O Credit Suisse é líder no mercado de ofertas de ações, com 23% do bolo em 2005, segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento, e, de acordo com o executivo, o banco quer se estruturar para manter essa vantagem. "Esse mercado tem crescido mais de 100% ao ano e essa mudança de patamar requer reforço nas áreas de análise e corretagem, para as quais estamos contratando", conta ele.

A Merrill Lynch também está contratando na área de análise, principalmente de renda variável, além de pessoas para sua corretora, informa o presidente do banco no país, Richard Rainer. Sem Roberto Serwaczak, o Deutsche informa que busca no mercado um novo presidente para sua corretora na América Latina. O banco alemão também pretende contratar analistas de renda variável, traders e pessoal da área de vendas. Outro que vem recrutando analistas neste ano é o americano JP Morgan. O suíço UBS, terceiro colocado no mercado de emissão de novas ações, já anunciou que vai trazer US$ 90 milhões neste ano ao país.

Os bancos que planejam expandir seus negócios de subscrição, corretagem e análise enxergam uma poderosa alavanca doméstica para o mercado acionário. Segundo Serwaczak, as carteiras dos administradores de fundos mútuos possuem hoje no Brasil apenas 8% investidos em ações. A tendência com a queda nos juros básicos e a menor volatilidade é que esse percentual cresça muito. José Olympio Pereira e Rodrigo Lowndes compartilham da mesma opinião.

Segundo Serwaczak, na Espanha e em Portugal, depois que os juros reais caíram abaixo de 10% ao ano, o percentual da carteira dos fundos mútuos investido em ações passou de cerca de 5% para 35%. No Brasil, isso significaria uma ampliação da liquidez do mercado de R$ 240 bilhões, aproximadamente, considerando-se que a indústria de fundos, incluídos os fundos de pensão, chega a R$ 800 milhões. "É um processo longo de mudança cultural", diz.

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