Últimas 100 Atualizações do Website via Twitter:

Pesquise todo o conteúdo do website Horus Strategy abaixo:
Loading

quarta-feira, março 01, 2006

Lucro compartilhado

Adriana Cotias, Valor Online
Primeiros balanços divulgados referentes a 2005 antecipam novo ano recorde para distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas
Investidor em ações desde a década de 70, o publicitário Luiz Cama, de 66 anos, acaba de encomendar à Fator Corretora que identifique o melhor momento para comprar ações do Bradesco. A estratégia é clara: mais do que a valorização dos papéis na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - as preferenciais, sem direito a voto, subiram 124% só no ano passado - o que atrai Cama é a política de distribuição de dividendos do maior banco privado brasileiro: pagamentos mensais antecipados com acerto da diferença no balanço anual.

"Essa prática deveria ser adotada por outras grandes companhias", diz o experiente investidor. "Isso faria com que o Brasil tivesse aquelas chamadas 'ações de viúva' do mercado americano, que oferecem uma receita mensal e são usadas como um verdadeiro plano de previdência."

Cama faz parte do crescente time de investidores que tem a renda variável como uma poupança de longo prazo e olha os dividendos como um diferencial. Em plena safra de balanços de 2005 e lucros fabulosos apresentados pelas companhias de capital aberto, quem aplica em ações já pode esperar dividendos e juros sobre capital mais gorduchos neste ano, se as políticas de distribuição de resultados não se alterarem.

A depender das demonstrações financeiras publicadas até aqui, tudo indica que 2006 será outro ano recorde nesse quesito. Segundo levantamento do Valor Data, com base em dados da Economática, as 31 empresas que já divulgaram seus balanços de 2005 provisionaram R$ 6,4 bilhões para seus acionistas, 33,5% acima do reservado em 2004. O número é uma aproximação, pois pode incluir alguns valores já pagos, mas dá uma boa idéia da tendência de melhor remuneração ao acionista.

Em termos financeiros, a parcela do lucro que cabe ao investidor já tinha sido bem generosa no ano passado, refletindo os resultados de 2004. Pelos dados da Economática, pelo menos 47 ações de uma amostra de 275 pagaram o maior valor em dividendos e juros sobre capital próprio dos últimos dez anos. Incluindo-se as empresas com menos de uma década em bolsa, o número de companhias que fizeram distribuição recorde em 2005 sobe para 83. Nessa lista estão nomes tradicionais como Vale do Rio Doce, Gerdau, Usiminas e CSN, mas também há recém estrelas da bolsa, como Natura, Localiza, Nossa Caixa e Submarino.

Os dados da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) mostram que foram distribuídos ao longo de 2005 R$ 17,7 bilhões em dividendos e juros, 30% acima dos R$ 13,6 bilhões do ano anterior. Esses números não incluem os benefícios pagos diretamente aos controladores das empresas e que não passam pela CBLC, mas refletem o que, de fato, chegou às mãos do pequeno investidor.

As carteiras de dividendos já foram mais populares, mas em tempos de alta do Ibovespa perdem um pouco do seu apelo, diz o analista da Socopa Daniel Doll Lemos. "É mais adequado para o investidor que tem um horizonte de longo prazo e que consegue ficar alheio às variações do dia-a-dia", diz. "Mas num momento de baixa da bolsa, o dividendo é que vira o diferencial."

É o caso do publicitário Luiz Cama. Ele se define como um aplicador de perfil conservador e não costuma mexer muito na carteira. Ele gosta de combinar papéis de empresas conhecidas, com bom potencial de crescimento e reconhecidas pela eficiência na gestão, mas que também prestigiam os acionistas distribuindo generosos dividendos e juros sobre capital próprio. No portfólio, cultiva há tempos nomes como Petrobras, Gerdau Metalúrgica, Souza Cruz e Ambev (herança da extinta Brahma). Diz que não faz as contas do quanto ganha em dividendos, mas considerando esses exemplos, no ano passado, o investidor ganhou, na média, 6,1% só com a fatia do lucro distribuída por essas empresas. Um investidor que tenha R$ 50 mil em ações da Petrobras com recursos do FGTS, por exemplo, embolsou somente no ano passado quase R$ 2 mil apenas com os dividendos.

"As companhias têm, hoje, uma melhor postura em relação ao pagamento de dividendos, definindo políticas consistentes e que tendem a trazer certa previsibilidade do percentual do lucro a ser distribuído", diz o chefe de análise da Bradesco Corretora, Carlos Firetti. "E com o benefício fiscal dos juros sobre capital próprio - as empresas podem deduzir o valor do imposto -, elas acabam elevando a parcela do lucro dividida, distribuindo mais do que manda a lei e permitindo um 'yield' mais elevado."

Para este ano, o executivo projeta um aumento de 17% para o lucro do conjunto das 57 empresas que fazem parte do Índice Bovespa, o que deve, naturalmente, aumentar a massa de dividendos para 2007. Para quem tem o dividendo como alvo na formação de uma carteira, ele recomenda não só olhar para o "yield", sob o risco de comprar um investimento ruim, mas também avaliar os fundamentos da empresa.

Pela lógica, diz, companhias que distribuem até 100% dos resultados podem não ter projetos de investimento que a façam crescer mais à frente. "O investidor não pode esquecer que os dividendos, sozinhos, oferecem um retorno inferior ao da renda fixa", afirma. Da combinação do retorno em dividendos com perspectivas de crescimento de resultados, Firetti sugere CSN ON, Usiminas PNA, Gerdau Metalúrgica ON, Telemar Norte Leste PNA, Itaúsa PN e Sabesp ON. Nenhuma dessas empresas teve, em 2005, um retorno em dividendos inferior a 7%.

No Brasil, a Lei das Sociedades Anônimas determina que as companhias de capital aberto distribuam, pelo menos, 25% do lucro aos acionistas. Mas com situação de caixa confortável desde 2004, em muitos casos, o pagamento tem superado esse percentual.

"Isso é reflexo do processo de desalavancagem das empresas brasileiras e da decisão de investir apenas naquilo que é urgente, pois não há políticas governamentais que privilegiem o planejamento de longo prazo", diz Claudio Monteiro, assessor de investimentos da Fator Corretora e professor da Fundação Getúlio Vargas. Ele lembra que, na segunda metade da década de 90, em meio à euforia do Plano Real, as companhias foram levadas a tocar projetos tomando crédito local e externo, antecipando um crescimento da atividade que não se concretizou.

Crises sucessivas atrapalharam o meio de campo e com a desvalorização cambial de 1999 e o salto dos juros para a casa dos 45% ao ano, as empresas pagaram caro pela intenção de alavancar investimentos com capital de terceiros. Escaldadas, reestruturam dívidas, investiram menos e sobrou mais caixa para dividir com o investidor. Na lista de indicadas pela Fator estão Geração Tietê PN, com um "yield" projetado em 12,3% para este ano; Telesp Operacional PN, com 11,6%; Telemar Norte Leste PNA, com 10,8%, além de Souza Cruz ON (8,7%) e Sabesp ON, com um retorno em dividendos estimado de 6%.

Mas não foram só os lucros fabulosos que fizeram as companhias brasileiras optarem por dividir uma porção mais polpuda de seus resultados. Segundo o superintendente de Renda Variável do Banif Primus Banco de Investimento, Nami Neneas, entre as práticas de governança, as empresas encontraram nos dividendos uma forma de prestigiar os minoritários. "Já há uma percepção de que isso traz valor para a empresa".

Bookmark and Share

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home

Copyright © 2002 / 2014 HorusStrategy.com.br. Horus Strategy é marca registrada. Todos os direitos reservados.