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quarta-feira, março 08, 2006

LIGHT: PROPOSTAS DE COMPRA DEVEM FICAR ABAIXO DO VALOR DE MERCADO

AE, São Paulo, 08 - As propostas apresentadas hoje pelo controle da Light devem ficar bem abaixo do valor de mercado da empresa, de R$ 2,88 bilhões. Deste total, segundo fontes do mercado, deve ser descontada a dívida da distribuidora, em torno de R$ 1,5 bilhão; as perdas de energia e inadimplência, de quase 30% do faturamento; e, ainda, serem observados alguns aspectos políticos tidos como nebulosos pelos compradores - como a exigência do governo do Rio de Janeiro de ter um assento no conselho de administração da empresa.

"Ficaria muito surpreso se o preço de venda saísse muito acima de R$ 300 milhões", disse uma fonte envolvida no processo. Uma outra fonte não quis revelar valor, mas confirmou que será bem inferior ao preço de mercado da companhia, embora acima desses R$ 300 milhões.

Comparado aos US$ 2,7 bilhões pagos pela Electricité de France (EDF) em 1996, quando comprou a Light no leilão de privatização, esses R$ 300 milhões são insignificantes e representariam mais uma grande perda para a empresa francesa. Mesmo o valor de mercado atual já é cerca de metade do pago na ocasião. O fato é que, depois de a EDF comprar a Light, o câmbio se desvalorizou várias vezes e só agora está se recuperando. Ao mesmo tempo, a distribuidora amargou sete anos de prejuízos e só em 2005 voltou a dar lucro.

Como não há valor mínimo e a proposta pela Light caberá a cada participante, o preço vai depender muito do apetite de cada potencial comprador. A incerteza política, por exemplo, afeta mais os investidores estrangeiros. Já para alguns dos grupos com maior facilidade de relacionamento com o governo carioca, não pesa tanto a exigência de assento no conselho administrativo e não preocupa muito a alta inadimplência de órgãos públicos. Por isso, esses consórcios podem fazer ofertas maiores.

Independentemente do valor que será ofertado pela Light, o preço na fase final deverá melhorar, já que novos interessados podem aderir aos consórcios selecionados. Isso porque a maioria dos grupos que hoje estão no páreo fez apresentações da empresa no exterior e alguns deles já têm propostas de investidores estrangeiros interessados em aderir à oferta na fase final, que começará agora. "Esse é um negócio importante, que vem despertando o interesse de várias investidores no exterior, com certeza vai entrar mais dinheiro nos consórcios, permitindo uma melhora da oferta na fase final", diz uma fonte ligada a um dos grupos.

Enquanto para uma parte dos investidores o maior desafio de quem comprar a Light será reestruturar o endividamento, para outros as perdas são o maior problema, ainda sem solução. "Quem tiver mais habilidade e fizer uma proposta atrativa em relação ao endividamento, estará mais bem posicionado", afirma uma fonte. Há um investidor, no entanto, que vê a situação financeira com maior tranqüilidade e diz que até agora nenhum grupo conseguiu apresentar uma solução para as perdas da distribuidora. "Este é um problema histórico e dificilmente um novo controlador vai conseguir entrar nas favelas para regularizar as ligações clandestinas", diz outra fonte.

O mercado acredita que as propostas apresentadas hoje devem ficar entre três hipóteses de modelagens de venda: na primeira, a EDF simplesmente venderia sua participação; na segunda, haveria um aumento de capital com diluição da participação da empresa francesa e; na terceira, a EDF também continuaria na sociedade, mas o aumento de capital aconteceria em um futuro próximo.

Nos dois casos de aumento de capital, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) será obrigado a converter as debêntures em seu poder em ações, até o limite de 50% do principal. Segundo acordo de financiamento realizado em julho do ano passado, a cada R$ 1,00 de dinheiro novo colocado na empresa, a instituição tem de converter R$ 2,00 de debêntures em ações. A operação, no entanto, não precisa ser feita imediatamente. O banco tem prazo de até 10 anos.

Boa parte da dívida da Light está hoje nas mãos do BNDES. A empresa tem um endividamento total de R$ 1,5 bilhão, sendo mais de R$ 700 milhões em debêntures com o BNDES e cerca de R$ 660 milhões com bancos privados. A capitalização do banco, portanto, pode representar uma redução significativa no estoque das obrigações - o que não foi conseguido na renegociação realizada em julho do ano passado. (Teresa Navarro)

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