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terça-feira, março 07, 2006

Juro dos EUA dispara e assusta investidor

Luiz Sérgio Guimarães do Valor Econômico

A escalada dos juros americanos e o retorno da instabilidade política interna provocaram inesperada e forte alta do dólar e pesada venda de ações na Bovespa. O movimento de valorização do dólar foi tão intenso que o Banco Central optou por não fazer o seu tradicional leilão de compra de moeda das 15h30. O dólar fechou em alta de 1,37%, cotado a R$ 2,1420. Após recordes sucessivos de alta, a Bovespa tombou 2,25%, para 38.353 pontos. O risco-país avançou cinco pontos, a 224 pontos-base. Mas o contrato negociado para a virada do trimestre no mercado futuro de juros da BM&F persistiu em queda. O CDI recuou de 16,59% para 16,55%, com a ampliação da ala de instituições que aposta num corte de um ponto percentual na taxa Selic ao término da reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que começa hoje.

Os juros dos títulos de 10 anos do Tesouro americano subiram ontem de 4,68% para 4,73%. Foi a quarta alta consecutiva. Há um mês, o rendimento estava em 4,52%. A curva de juros dos treasuries está completamente invertida. O papel de dois anos pagou ontem 4,758%, o de cinco anos rendeu 4,742%, o de 10 anos, 4,73% e o de 30 anos, 4,70%. Isso é sinal ou de aproximação de um processo recessivo ou de desconfiança na capacidade da nova direção do Federal Reserve (Fed) de combater eficazmente a inflação sem provocar crises, um dos méritos mais reconhecidos em Alan Greenspan. Os analistas já começam a apostar numa seqüência maior de alta do juro básico americano. Ben Bernanke, o novo presidente do Fed, não teria a capacidade do seu antecessor de controlar as expectativas por meio de discursos duros e ações mínimas. Teria de agir mais duramente para conseguir os mesmos resultados. A alta dos treasuries afugenta investidores dos bônus, ações e moedas de emergentes. A aversão ao risco amplia-se quando o juro do papel de 10 anos se aproxima do patamar crítico de 5%. Nesse nível, ele consegue competir, por exemplo, com os bônus emitidos por empresas brasileiras que já detêm o grau de investimento.

Se os juros americanos ainda permanecessem no nível de um mês atrás, o mercado até poderia relevar o retorno da onda de denúncias políticas, as informações de que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, estão deixando a equipe econômica e as notícias de novas e contundentes pressões diretas de Lula sobre o Copom. Com os bancos já posicionados na ponta de compra do dólar, não há mais interesse em relativizar esses fatores.

As informações de que Lula está exigindo do Copom uma baixa de pelo menos um ponto na taxa Selic não puderam ser ignoradas porque, desta vez, há fundamentação técnica para o rompimento do gradualismo letárgico do BC. Não existe nenhum temor inflacionário, quer presente, quer futuro. O IPC FIPE de fevereiro mostrou deflação de 0,03%, depois de subir 0,50% em janeiro. E a expectativa de IPCA para o acumulado do ano recuou de 4,59% para 4,56%, segundo o boletim Focus do BC. A previsão para o índice oficial de inflação para os próximos 12 meses, em 4,42%, já está abaixo da meta perseguida pelo BC. O juro básico brasileiro está em patamar anormalmente elevado considerando-se a forte apreciação cambial e o desabamento do risco-país. A Selic doentiamente alta impede a queda do juro real para a casa de um dígito, condição necessária para a retomada consistente da atividade econômica. A insistência do Copom no gradualismo provocou um atraso da política monetária em relação aos outros indicadores. Ao cortar a Selic para 16,25%, o BC estará tão-somente acertando o passo com a economia real, além de iniciar a correção de distorções provocadas pela austeridade desmedida, como a sobrevalorização cambial e a sobrecarga fiscal. Ao chancelar o movimento de queda da curva futura de juros, o BC admitirá que os juros longos caíram não por movimentos especulativos mas como reflexo da melhora dos fundamentos econômicos

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1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

É importante ficar de olho nos juros americanos eles estão ditando as regras do jogo.

terça-feira, março 07, 2006 11:16:00 PM  

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