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quarta-feira, março 01, 2006

CONSTRUÇÃO: MAIS 4 INCORPORADORAS PODEM ESTREAR NA BOVESPA ATÉ 2007

(AE)

São Paulo, 01 - A onda de ofertas de ações de empresas da construção civil na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), iniciada em setembro do ano passado pela Cyrela Brazil Realty, não deve ser interrompida tão brevemente.

Segundo fonte do setor, pelo menos quatro incorporadoras imobiliárias estariam se preparando para estrear na Bolsa de Valores entre 2006 e 2007, dentre as quais as paulistas Even, Tecnisa e Klabin Segall. "Mas há também empresas de fora do Estado que estão interessadas em captar recursos via abertura de capital", diz a fonte.

A receptividade dos papéis nas recentes operações - além da Cyrela, ocorreram as ofertas de Rossi Residencial, Gafisa e Company -, a profissionalização das empresas do setor e a possibilidade de financiar planos de expansão com custos adequados ao negócio, conforme especialistas, são os principais motores do crescimento do peso dessa indústria na Bovespa.

Na esteira da operação da Cyrela, que resultou na captação de R$ 902,175 milhões e estréia da companhia no Novo Mercado, os papéis da Rossi Residencial - que já era listada em Bolsa e migrou também para o segmento especial, com a oferta de R$ 900 milhões em ações ordinárias - registraram ganhos significativos.

Em um ano, contado até o encerramento do pregão de Sexta-feira (24), a alta acumulada de Rossi ON era de 540,90%, para R$ 28,30. Em fevereiro, o ganho atingia 23,04%. Já as ações de Cyrela subiam 21,91% em 2006 e 18,21% no mês, para R$ 39,01.

Os papéis de Gafisa, que começaram a ser negociados no Novo Mercado em 17 de fevereiro, avançaram 32,97% em apenas uma semana, para R$ 24,60, ante o preço de R$ 18,50 estabelecido no bookbuilding. Já as ações de Company estréiam amanhã (2) no Novo Mercado, com preço fixado em R$ 16,00, no teto da faixa sugerida no prospecto da operação.

O cenário favorável aos IPOs (do inglês Initial Public Offer) do setor é complementado ainda pelas perspectivas positivas para a construção nacional e a forte retomada das operações de crédito imobiliário, que vem alavancando os negócios com imóveis no País desde o ano passado.

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o financiamento habitacional com recursos da caderneta de poupança alcançou o recorde de R$ 4,79 bilhões em 2005, uma alta de 59,78% na comparação com o ano anterior.

Para este ano, o governo federal trabalha com direcionamento obrigatório de R$ 6,7 bilhões da poupança - mais R$ 2 bilhões da caderneta da Caixa Econômica Federal (CEF) - para os mesmos fins. A Abecip, por sua vez, projeta R$ 9,8 bilhões, se confirmada a premissa de crescimento médio de 0,35% ao mês no saldo da poupança. "2005 foi o melhor dos últimos 11 anos para o crédito imobiliário e 2006 será mais um dos bons", afirma o presidente da Abecip, Décio Tenerello.

Em relação às vendas do setor, a estimativa do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) é a de crescimento de 20% no número de unidades residenciais novas, projeção que se confirmou nos dois primeiros meses do ano. Conforme o vice-presidente da entidade, Ricardo Yazbek, o volume comercializado em janeiro, na cidade de São Paulo (que serve de referência para o mercado), foi 20% superior ao apurado em igual período de 2005. "Em fevereiro, até o dia 23, as vendas já tinham superado as de janeiro e as do mesmo mês do ano passado", acrescenta.

Outro bom sinal é o crescimento do número de unidades financiadas com recursos da poupança. No ano passado, conforme a Abecip, a expansão foi de apenas 12,98%, para 60.769 imóveis. No primeiro mês de 2006, entretanto, foram financiadas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) 5.838 unidades, equivalente a crescimento de 57% sobre o mesmo mês de 2005.

Conforme o diretor do Itaú e vice-presidente da Abecip, Luiz Antonio Rodrigues, o maior aumento dos valores contratados no sistema em 2005 em relação ao número de unidades financiadas deveu-se à alteração dos limites tanto para financiamento quanto para o valor de avaliação do imóvel promovida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no início do ano.

"Não foi uma questão de expansão do financiamento em segmentos de imóveis mais caros. Os novos limites é que elevaram o valor contratado", explica Rodrigues. No segmento de imóveis residenciais usados, a maior oferta de financiamento também deixou saldo positivo em 2005.

No Estado de São Paulo, as vendas cresceram 14,58% no ano passado segundo levantamento do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP) e a perspectiva é de manutenção do ritmo ao longo de 2006.

A consolidação do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), entretanto, ainda esbarra em dois principais entraves, de acordo com a Abecip: a renda média do brasileiro, que impede a adesão de um maior número de clientes; e o patamar elevado da taxa básica de juros, que inviabiliza o mercado secundário de hipotecas.

"Com esses juros, os papéis gerados pelo sistema imobiliário não conseguem competir, por exemplo, com os fundos de renda fixa ou CDBs pré-fixados", explica Tenerello. "Quando o juro real chegar a 8% ao ano, o que deve ocorrer até 2007, o sistema será alavancado", acrescenta.

E foi justamente a elevação das taxas de juros, e seu impacto nos custos de financiamento do setor, que despertaram a atenção de construtoras e incorporadoras para a venda de participação acionária.

De acordo com Ricardo Yazbek, do Secovi-SP, o interesse mais tardio das construtoras e incorporadoras pelo mercado de capitais é justificado pela própria estrutura das empresas, em sua maioria de perfil familiar, e de realização de resultados no longo prazo.

"Ao longo dos anos, a profissionalização dessas companhias abriu a possibilidade de captação de recursos no mercado de capitais, com condições mais atraentes que as das linhas de financiamento via poupança ou Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)", conta Yazbek.

"Os juros também tornaram esse funding mais caro, o que fez com que o setor buscasse alternativas viáveis para financiar seu crescimento", complementa. Nesse sentido, a captação por meio da oferta de ações é bastante adequada para o negócio de incorporação, destaca o vice-presidente do Secovi-SP.

Além de reduzir os custos dos planos de expansão, conforme Yazbek, a abertura de capital também reforça uma das principais características do negócio: a proximidade entre a empresa e o comprador. "Quem compra um imóvel, quer conhecer a empresa que o constrói. Quando ela abre capital, torna-se ainda mais transparente e próxima do cliente", analisa.

Para ele, o êxito dos lançamentos recentes na Bovespa pode ser atribuído ao fato de essas companhias fornecerem um "ativo muito forte". "O imóvel é tangível e isso é levado em conta pelo investidor. Além disso, o Brasil ajustou sua economia, o governo fez muito bem a lição de casa e a renda do brasileiro começa a crescer paulatinamente", enumera o vice-presidente do Secovi-SP. "Podemos dizer que o Brasil vive um momento muito parecido com o da Espanha há 15 ou 20 anos e hoje aquele país é uma referência em termos de mercado imobiliário", complementa.
(Stella Fontes)

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