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sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Quando perder é o melhor negócio

Ricardo Mello, Revista Você S/A

Recorda-se da última vez que seu time de futebol começou jogando mal uma partida e somente melhorou o desempenho depois que tomou um gol? Certamente você já deve ter ouvido falar nas famosas histórias de empresas que quase faliram e renasceram como uma fênix, das cinzas, com novas estratégias e filosofias. Ou mesmo de indivíduos que viviam excessivamente voltados para o lado material da vida e após sofrerem um infarto ou acidente quase mortal, fizeram modificações profundas em sua maneira de viver, alegando que esta experiência chocante lhe abriram os olhos.

O fato é que perder, por incrível que pareça, às vezes é o melhor negócio, bem melhor que ganhar! Falo da perda no sentido de não obter um resultado almejado e justamente por isso, sermos forçados a modificar estratégias, maneiras de pensar e, dessa forma, descobrirmos novos caminhos, que nos conduzirão ao lugar que antes queríamos. Não tenham dúvida, que saber perder é uma virtude tão grande como saber ganhar. Em uma negociação frustrada, por exemplo, tiramos muitas lições profundas do que não deve ser feito, o que em negociações futuras pode ser um fator determinante para conseguirmos vender nosso tão precioso produto. Na vida conjugal, a discussão com a esposa ou marido, tão desgastante para todos nós, pode nos oferecer subsídio para redirecionarmos nossa conduta neste tópico, evitando assim males maiores em discussões futuras, o que poderia até representar o término de uma relação.

Na história das guerras, algumas derrotas são mais significativas que as vitórias. Napoleão Bonaparte teve seu exército praticamente dizimado nas terras russas - dos quinhentos mil homens que o acompanhavam, apenas cinquenta mil retornaram. E foi justamente essa derrota que selou o final da Era Napoleônica na Europa. Se, talvez, ele tivesse perdido uma batalha de menor porte, em identidade de circunstâncias, soubesse se precaver dos perigos que o aguardavam nas geladas e desoladoras terras do Cáucaso. Eu diria que neste caso, seu exército até então invencível teve um grande inimigo: o excesso de autoconfiança. O fato de nunca ter perdido uma batalha foi letal. Neste caso, como afirma o título do artigo, temos um excelente exemplo de quando uma derrota pode vir a ser melhor que ganhar!

Agora que falamos de Napoleão, de futebol e até de vida conjugal, falemos de você. Quais derrotas poderia enumerar que já teve em sua existência? Quantos ensinamentos elas podem te oferecer? Quais experiências que no primeiro momento soaram como negativas e posteriormente mostraram-se muito positivas? Vamos lá, não é só Napoleão que colheu grandes derrotas em sua vida, nós também. No entanto, que tal se começássemos a atribuir um novo significado a estas derrotas? Se começássemos a enxergá-las como avisos, verdadeiras conselheiras para nos guiar no futuro ao sucesso que tanto buscamos?

No Tao Te King, o livro sagrado de Lao Tse, ele diz: "Aquele que conhece os outros é sábio; mas quem conhece a si mesmo é iluminado! Aquele que vence os outros é forte; mas aquele que vence a si mesmo é poderoso! Aquele que conhece a alegria é rico. Aquele que a conserva em seu caminho é afortunado. Seja humilde e permanecerás íntegro. Curva-te e permanecerás ereto. Esvazia-te e permanecerás repleto. Gasta-te e permanecerás novo."

São palavras simples e muito sábias, como tudo que é realmente importante em nossa vida. Agora pare e pense um pouco em todas as adversidades de seu ambiente de trabalho, do chefe autoritário, do mercado difícil, do salário baixo, das condições de trabalho complicadas e tudo o mais que estiver aí envolvido e reflita sobre a melhor forma de transformar essas aparentes derrotas em grandes vitórias! Perdoe-me se esses dizeres parecem trechos retirados de um livro de auto-ajuda, mas, na realidade, não é necessário inventar a roda. É preciso faze-la girar! A única forma de ganhar sempre é aprender a tirar proveito, inclusive das perdas e derrotas que cruzarem nosso caminho.

Tenho trabalhado com clientes que começam uma consultoria pessoal traumatizados com as perdas, frustrados com as dificuldades que encontram no caminho, mas esquecem que este é apenas um lado da moeda, uma forma de ver as coisas. Há outras e muito mais produtivas. Lembremos que se não podemos escolher se vamos quebrar uma perna, temos o poder de decidir como nos comportaremos a partir daí. Ninguém quer ficar desempregado, discutir com pessoas amadas ou ficar doente. No entanto, é devido ao desemprego que muitos empresários começam a nascer, é por causa de divergências que novas idéias tomam forma e é nas doenças que residem o remédio potencial de sua cura! Se pensarmos neste foco fica mais fácil compreender que, às vezes, perder é o melhor negócio. É melhor do que ganhar!

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