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terça-feira, fevereiro 14, 2006

Poupar diminui estresse e faz bem à saúde

Fernanda de Lima, 13/02/06, InfoMoney

SÃO PAULO - Não existe segredo para se acumular um patrimônio: basta gastar menos do que se recebe. Por mais simples que seja a receita do sucesso financeiro, a realidade nos mostra que apenas uma minoria consegue segui-la à risca. A idéia aqui não é que você se transforme em um pão duro ou deixe de aproveitar a vida, mas sim que reveja os seus hábitos de forma a se transformar em um poupador.

Viver com menos do que você recebe não é impossível. O grande problema é que a maioria das pessoas não está disposta a fazer os ajustes necessários. Afinal, para que o sacrifício se, no mundo atual, o fácil acesso ao crédito nos permite aproveitar a vida ao máximo: comprando os últimos eletrônicos, indo aos restaurantes da moda etc?

Mais poupança, menos estresse!
Se você não consegue ver as vantagens de abrir mão de alguns prazeres do presente para poupar, talvez se convença com o seguinte argumento: poupar diminui o estresse!

Já pensou como seria bom chegar ao final do mês, sem ter que fazer uma ginástica orçamentária para manter os pagamentos em dia, ou então ter dinheiro guardado para aqueles gastos extraordinários que, apesar do nome, parecem ocorrer todos os meses? Isso sem falar da tranqüilidade de não ter que viver de salário em salário, sempre preocupado (a) com a possibilidade de perder o emprego, o que lhe levaria ao completo descontrole financeiro?

Quem é que já não se pegou reclamando do estresse da vida diária? O mal, bastante comum, sobretudo nos grandes centros urbanos, afeta boa parte da população e poderia ser reduzido, se as pessoas dedicassem ao menos parte do tempo e energia que dedicam ao consumo a uma outra tarefa: o planejamento financeiro.

Compre antes, pense depois!
Infelizmente, hoje em dia ninguém quer esperar para comprar em alguns meses aquilo que pode ter hoje financiado. De certa forma, ter o quanto antes, passou a ser o objetivo da maioria das pessoas. Afinal, é desta forma que você demonstra para os seus amigos, familiares e colegas de trabalho o seu sucesso.

Segundo o psicólogo Paulo Minsky, especializado na relação das pessoas com dinheiro, por mais que as pessoas se preocupem em acumular algum tipo de patrimônio, o temor de parecer "não ter o suficiente", muitas vezes nos força a querer antecipar ao máximo a realização de sonhos de consumo.

O que essas pessoas esquecem é que não existe forma de realizar mais rápido e de forma financeiramente eficiente um sonho do que planejando. É por isso que a educação financeira traz bons retornos, porque ela permite que você entenda os benefícios de se poupar, antes que seja tarde demais.

Crédito não é problema, e sim a falta de planejamento
Como já discutimos anteriormente, não há nada de errado em tomar dinheiro emprestado, desde que essa decisão seja planejada. Minsky afirma que, no mundo atual, a nossa competência é avaliada com base naquilo que possuímos, o que, freqüentemente, leva-nos a tomar decisões erradas para o nosso dinheiro.

O pior é que essa cultura já foi assimilada pelos jovens, que hoje em dia se endividam mais facilmente que os de gerações anteriores, onde o consumo não era tão valorizado. A mentalidade geral parece ser: gaste antes, pense depois!

Não é de surpreender, portanto, que o número de casos de devedores compulsivos esteja aumentando. Afinal, para amenizar o estresse da vida moderna e as próprias preocupações financeiras, muitas pessoas vão às compras, criando um círculo vicioso no qual compram quando estressadas, o que aumenta suas dívidas, e, conseqüentemente o próprio estresse.

Ainda que concorde que, de maneira geral, não ter dívidas seja psicologicamente mais saudável, Minsky afirma que existem situações em que ter dívidas é saudável. Este é o caso, por exemplo, de uma pessoa que quer abrir o seu próprio negócio e, por medo de emprestar dinheiro, opta por não fazer nada. Nesse caso, a pressão de não ter o seu próprio negócio pode ser maior do que a de levantar dívidas: mas Minsky alerta que tudo depende da sua percepção de risco.

Saúde em primeiro lugar
De maneira geral, contudo, o psicólogo orienta para os riscos emocionais de quem quer ter tudo. Como o dinheiro é um recurso limitado, pois até mesmo para os empréstimos existem limites, essas pessoas provavelmente não conseguirão realizar todos os seus sonhos de consumo e ficarão frustradas com o processo.

Não é a toa que, segundo Minsky, na última década, a maior queixa emocional das pessoas seja a ansiedade. Em parte ela está associada ao consumo por impulso, e às dificuldades financeiras enfrentadas pelas pessoas. Assim, se até agora você não conseguiu se convencer das vantagens de poupar, tendo em vista a sua saúde financeira, pode valer a pena refletir sobre a sua saúde.

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