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domingo, fevereiro 12, 2006

A escalada do aluguel de ações

Investidores de longo prazo aproveitam euforia da Bolsa e cobram para emprestar papéis a operadores do dia-a-dia
Miriam Kênia, IstoÉ Dinheiro

Com a Bolsa de Valores animada como não se via há anos, uma modalidade de negócios que até recentemente era uma curiosidade para poucos virou coqueluche do pregão. É o aluguel de ações, sistema em que investidores que compram os papéis para mantê-los quietinhos na carteira por prazos longos emprestam-nos para aqueles que precisam de munição para operações no dia-a-dia do mercado. Mediante pagamento, claro, conforme a lei da oferta e demanda. E a procura anda fortíssima. Na terça-feira 7, todos os principais agentes do mercado – estrangeiros, fundos de investimento, fundos de pensão e até pequenos investidores – pareciam loucos atrás de ações para alugar. Foi um dia de stress para as corretoras. No começo da tarde, os papéis mais disputados, como os da Usiminas e do Banco do Brasil, simplesmente acabaram. O diretor da corretora Socopa, Álvaro de Freitas Vidigal teve que apelar para sua agenda para arrumar ações de aluguel. “Liguei para clientes tradicionais e sugeri que emprestassem suas carteiras”, conta. Ao fim do dia, o montante alugado atingiu o recorde para um único pregão: R$ 7,25 bilhões. Tem sido assim nos últimos meses, na medida em que o interesse dos estrangeiros leva o Ibovespa a níveis nunca antes atingidos e abre espaço para ganhos rápidos. No ano passado, as operações de aluguel cresceram impressionantes 128% e movimentaram R$ 58,9 bilhões. As taxas cobradas, que passaram 2005 em torno dos 5% ao ano, já chegam a 20% neste início de ano.
Vidigal, da Socopa: “Sugeri a clientes que alugassem suas ações”
“Temos potencial para dobrar o tamanho desse mercado até o fim do ano”, calcula Francisco Gomes, diretor da Companhia Brasileira de Liqüidação e Custódia (CBLC), que coordena as operações. Parece muito, mas a carteira da Socopa – a mais atuante nesse segmento – de fato cresceu 100% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2005, chegando a R$ 1,5 bilhão. Para explorar melhor o novo nicho, a corretora inaugurou uma mesa de operação só para aluguel em sua sede, em São Paulo, e despachou uma equipe especializada para o escritório carioca. A concorrente Fator também montou um esquema de atendimento exclusivo, e a Banif acaba de lançar o sistema para operadores domésticos. Esta última categoria, de pessoas físicas que negociam ações sem sair de casa, teve sua participação no mercado de aluguel elevada de 20% para 30,5% no último ano. Elas aparecem, quase sempre, no papel de locadoras dos papéis. “É uma forma de garantir uma remuneração fixa, independente do sobe e desce do pregão”, explica Antônio Milano Neto, diretor de operações da Fator Corretora. Atraído por essa perspectiva, o empresário Paulo Gomes da Cunha, de São Paulo, trocou, no ano passado, a aplicação em flats pelo aluguel de ações. Além da taxa, ele ainda recebe os dividendos e conta com a valorização dos papéis.

Não são apenas os acionistas nacionais que garantem a oferta de ações. Os estrangeiros também são ativos, com uma participação de 29% dos negócios. “A taxa de aluguel é maior do que os rendimentos da renda fixa no exterior”, explica Vidigal, da Socopa. Na outra ponta do negócio, os inquilinos aparecem principalmente entre os fundos de arbitragem ou Long Short, que tiram seus rendimentos de rápidas mudanças de posição (compras e vendas) no mercado de ações. A categoria é a principal responsável pelo boom do aluguel. “A locação é fundamental para as nossas operações”, afirma Rogério Poppe, gestor de renda variável da Mellon Global. Faça o que fizer com as ações alugadas, ao final do período combinado, o locatário tem de devolvê-las ao dono. Para evitar problemas, a CBLC exige depósitos de garantia para as operações.

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